Há um problema de fluxo de caixa que precisa ser resolvido
No Espírito Santo, o governador Ricardo Ferraço reorganizou os quadros dirigentes da Cesan e do Banestes como quem reposiciona peças diante de um problema que não se resolve apenas com dinheiro. A companhia de saneamento, responsável por investimentos de R$ 1 bilhão anuais, enfrenta um gargalo de caixa agravado por juros altos e financiamentos onerosos — uma tensão entre a ambição de infraestrutura e a realidade fiscal. A mudança não é apenas administrativa: é um sinal de que o governo reconhece que planejar não basta, e que executar com método e velocidade é o verdadeiro desafio.
- A Cesan investe pesado em saneamento, mas os juros altos e empréstimos caros estão corroendo o fluxo de caixa da estatal capixaba.
- O governo estadual já injetou R$ 75 milhões em 2025, mas o aporte não foi suficiente para estancar o problema — a reestruturação precisa ir mais fundo.
- Ricardo Pessanha é deslocado da Banestes Loteria para a diretoria da Cesan com uma missão clara: transformar planos existentes em ação concreta ao lado do presidente Munir Abud.
- A Barragem dos Imigrantes, obra de R$ 200 milhões no Rio Jucu, pode ter seu ritmo alterado enquanto a companhia reorganiza prioridades e caixa.
- Na Banestes Loteria, Tiago Ferreira assume o posto deixado por Pessanha em meio a conversas avançadas com um parceiro internacional — anúncios prometidos até o fim do ano.
O governador Ricardo Ferraço promoveu uma reorganização nos quadros das duas maiores estatais capixabas. Ricardo Pessanha deixou a Banestes Loteria para assumir a diretoria Administrativa e Comercial da Cesan, no lugar de Rafael Grossi. Na Banestes, Tiago Ferreira, que era diretor Administrativo e Financeiro do banco, passou a comandar a subsidiária de loteria.
A movimentação tem uma razão objetiva: a Cesan enfrenta dificuldades de caixa. A companhia aplica cerca de R$ 1 bilhão por ano em infraestrutura de saneamento, mas os juros elevados e os financiamentos onerosos pressionam o fluxo de recursos. O governo estadual, que detém 99,8% das ações, aportou R$ 75 milhões em 2025 — um alívio insuficiente. Ferraço quer que Pessanha trabalhe ao lado do presidente Munir Abud para converter planejamento em execução com mais método e velocidade.
O diagnóstico de quem acompanha o tema é direto: não falta plano, falta ritmo para executá-lo. Os investimentos consumiram parte do caixa disponível, e os empréstimos contraídos pesam sobre as contas. Um aporte pontual ajuda, mas não resolve — é preciso reestruturar de forma mais profunda.
Entre as consequências visíveis está a Barragem dos Imigrantes, obra de mais de R$ 200 milhões no Rio Jucu, entre Viana e Domingos Martins. O projeto não deve parar, mas sua velocidade pode ser ajustada conforme a Cesan reorganiza suas prioridades financeiras.
Na Banestes Loteria, o cenário é de continuidade com novo rosto. Pessanha havia sido designado em setembro de 2024 para tirar o projeto do papel. Agora que parte, Tiago Ferreira assume uma subsidiária que já avança em conversas com um parceiro internacional — com anúncios prometidos para antes do fim do ano.
O governador Ricardo Ferraço mexeu nas peças do tabuleiro das duas maiores estatais capixabas. Ricardo Pessanha saiu da Banestes Loteria para assumir a diretoria Administrativa e Comercial da Cesan, deixando vago o cargo que ocupava. Rafael Grossi saiu da companhia de saneamento. Tiago Ferreira, que era diretor Administrativo e Financeiro da Banestes, tomou conta da Loteria, a subsidiária mais recente do banco.
Por trás dessa dança de nomes está uma preocupação concreta: a Cesan está com problemas de caixa. A companhia investe cerca de R$ 1 bilhão por ano em infraestrutura de saneamento, o que é expressivo, mas os juros altos e os financiamentos caros estão comendo o fluxo de dinheiro. O governo estadual, que controla 99,8% das ações, já colocou R$ 75 milhões na companhia em 2025, mas isso não foi suficiente. Ferraço quer que Pessanha trabalhe ao lado de Munir Abud, presidente da Cesan, para transformar o planejamento em ação — para tirar do papel aquilo que já existe em teoria.
O problema não é falta de plano. É falta de método e velocidade para executar. Segundo alguém próximo ao tema, a Cesan investiu pesado e continuará investindo, mas precisa resolver um gargalo de fluxo de caixa que vai além de um aporte do governo. Os investimentos consumiram parte do caixa disponível, e os empréstimos que a companhia contraiu têm juros que pesam. O aporte estadual ajuda, mas não resolve tudo. É preciso ir além — reestruturar, reorganizar, processar melhor.
Essa reorganização tem consequências visíveis. A Barragem dos Imigrantes, um investimento de mais de R$ 200 milhões no Rio Jucu, entre Viana e Domingos Martins, pode ter seu ritmo afetado. Não é que o projeto vá parar, mas a velocidade pode mudar conforme a Cesan reorganiza suas prioridades e seu caixa.
Na Banestes Loteria, a história é diferente. Pessanha foi colocado lá em setembro de 2024 para tirar o projeto do papel — para transformar uma ideia em negócio real. Agora que ele sai, Tiago Ferreira assume. Mas há movimento: conversas avançadas com um parceiro internacional já estão em andamento, e o banco promete anúncios até o final do ano. A Loteria, que é a aposta mais nova do Banestes, parece estar ganhando forma.
Notable Quotes
A Cesan investiu forte, seguirá investindo e está alcançando resultados expressivos, entretanto, há um problema de fluxo de caixa que precisa ser resolvido— Fonte próxima ao tema
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o governador precisou mexer nas diretorias agora? Não estava funcionando?
Estava funcionando, mas não com a velocidade que Ferraço quer. A Cesan tem plano, tem investimento, mas o caixa está apertado. Pessanha vai levar método e processo para acelerar.
E quanto aos juros altos que mencionam? Isso é um problema da Cesan ou do mercado?
É dos dois. A Cesan contraiu financiamentos caros — isso é fato. Mas os juros estão altos no Brasil inteiro. A companhia está presa entre investir (o que precisa fazer) e manter o caixa saudável.
Os R$ 75 milhões que o governo colocou em 2025 não resolvem?
Não. Porque a Cesan gasta R$ 1 bilhão por ano em investimentos. R$ 75 milhões é um aporte, mas é uma gota. O problema é estrutural, não é só de dinheiro.
E a Barragem dos Imigrantes? Vai parar?
Não vai parar, mas pode ficar mais lenta. Quando você reorganiza o caixa, você repensa as prioridades. Alguns projetos podem esperar um pouco mais.
Pessanha é a solução?
Pessanha é o executor. Ele vai colocar em prática o que já existe no papel. A solução é mais profunda — é reestruturação mesmo.