Fed dá asas a Wall Street com S&P 500 em melhor dia desde finais de abril

A expectativa de luz ao fundo do túnel move os mercados
Após 20 meses de aperto monetário, Wall Street reage à possibilidade de fim do ciclo de subidas de juros.

Na quinta-feira, Wall Street encerrou com os maiores ganhos semanais do ano, alimentada pela esperança de que a Reserva Federal tenha concluído o seu ciclo de aperto monetário após 20 meses de subidas consecutivas. Jerome Powell manteve os juros inalterados e reconheceu o impacto das yields elevadas na economia — palavras que os mercados interpretaram como um sinal de chegada ao fim de uma era de restrição. É o momento em que a espera por uma pausa se transforma, talvez prematuramente, em celebração.

  • O S&P 500 registou o melhor dia desde abril, subindo 1,89%, enquanto o Dow Jones e o Nasdaq encaminhavam-se para a maior semana de ganhos de 2023.
  • Powell não confirmou o pico dos juros, mas o mercado escolheu ouvir a hesitação como esperança — as yields da dívida a dez anos caíram para mínimos de três semanas.
  • O Banco de Inglaterra reforçou o sentimento global ao manter os juros em máximos de 15 anos, sugerindo que o aperto monetário coordenado pode estar a chegar ao fim.
  • Resultados corporativos amplificaram o otimismo: Starbucks disparou 9,48% e Qualcomm avançou 5,83%, enquanto a Moderna recuou 6,52% com revisão em baixa das vendas de vacinas.
  • O próximo teste decisivo serão os dados de emprego nos EUA — números fracos apontam para recessão iminente, números fortes reacendem a dúvida sobre os próximos movimentos da Fed.

A bolsa de Nova Iorque fechou em alta esta quinta-feira, com o S&P 500 a ganhar 1,89% e a registar o melhor desempenho diário desde finais de abril. O Dow Jones e o Nasdaq seguiram o mesmo caminho, encaminhando-se ambos para a maior semana de ganhos de todo o ano.

O motor do otimismo veio de Washington: a Reserva Federal manteve as taxas de juro inalteradas e Jerome Powell reconheceu que a subida das yields da dívida norte-americana já está a condicionar a economia — uma admissão que o mercado leu como sinal de que o aperto monetário pode ter chegado ao fim. Powell não confirmou ter atingido o pico dos juros, mas bastou a ambiguidade para que as yields a dez anos tocassem mínimos de três semanas. O Banco de Inglaterra reforçou este sentimento ao também pausar o seu ciclo, após 20 meses consecutivos de subidas.

No plano empresarial, a Starbucks liderou os ganhos com uma subida de 9,48% após resultados acima das estimativas, e a Qualcomm avançou 5,83% com uma revisão em alta do seu guidance. A Moderna foi a exceção negativa, caindo 6,52% depois de reduzir as expectativas de vendas de vacinas contra a covid-19.

O entusiasmo, porém, convive com incerteza. Priya Misra, do JP Morgan Asset Management, alerta que os próximos dados de emprego serão determinantes: se fracos, confirmam o fim do aperto mas abrem a porta à recessão; se fortes, reacendem a questão sobre o que a Fed fará a seguir. A luz ao fundo do túnel existe — resta saber se é real ou apenas um reflexo.

A bolsa de Nova Iorque acordou com esperança esta quinta-feira. Os principais índices fecharam em alta, impulsionados por uma ideia simples mas poderosa: talvez a Reserva Federal tenha finalmente parado de subir os juros. O S&P 500 ganhou 1,89%, encerrando em 4.317,78 pontos — o melhor dia desde finais de abril. O Dow Jones avançou 1,7% para 33.839,08 pontos, enquanto o Nasdaq Composite saltou 1,78% para 13.294,19 pontos. Ambos os índices estão a caminho do maior ganho semanal de todo o ano.

A razão para este otimismo vem de Washington. A Reserva Federal, liderada por Jerome Powell, decidiu manter as taxas de juro de referência inalteradas. Isto, por si só, não seria novidade — mas o que Powell disse depois é que importa. Reconheceu que a subida das yields da dívida norte-americana também tem impactado a economia, sugerindo uma consciência de que o aperto monetário já fez o seu trabalho. Ainda assim, Powell não se mostrou confiante de ter atingido o pico dos juros. Mesmo assim, o mercado ouviu o que queria ouvir. Os juros da dívida dos EUA a dez anos — o benchmark de referência — tocaram mínimos de três semanas.

O Banco de Inglaterra também contribuiu para o sentimento. Manteve os juros inalterados em máximos de 15 anos, sinalizando que o seu próprio ciclo de aperto pode estar a terminar. Depois de 20 meses consecutivos de subidas de taxas, a perspetiva de uma pausa — ou até de um fim — é suficiente para dar força aos otimistas em Wall Street.

Os movimentos individuais refletem este otimismo seletivo. A Qualcomm subiu 5,83% depois de revistar em alta o seu guidance de vendas e lucros para o primeiro trimestre, superando as expectativas dos analistas. A Starbucks ganhou 9,48% após os resultados do quarto trimestre fiscal terem batido as estimativas do mercado. A Apple valorizou 2,07% antes de apresentar as suas contas do terceiro trimestre após o fecho da sessão. Nem tudo foi ganho, porém. A Moderna caiu 6,52% depois de revistar em baixa as expectativas de vendas de vacinas contra a covid-19 para 2023.

Mas o que vem a seguir? Priya Misra, gestora de portefólio do JP Morgan Asset Management, avisa que os dados sobre a criação de emprego nos EUA serão extremamente importantes. Se forem fracos, as yields vão continuar a descer, mas as condições financeiras podem não aliviar substancialmente — porque uma recessão pode estar iminente. Se forem mais fortes do que o esperado, o mercado vai ficar atento à Fed para ver como os responsáveis vão reagir. Nem a Fed nem o Banco de Inglaterra sinalizaram cortes nas taxas de juro em breve, mas a expectativa de luz ao fundo do túnel é suficiente para mover os mercados. O que importa agora é se essa luz é real ou apenas um reflexo.

Os dados sobre a criação de emprego vão ser extremamente importantes. Se tivermos uma leitura mais fraca as yields vão continuar a descer, mas as condições financeiras podem não aliviar substancialmente, dado que uma recessão pode estar iminente.
— Priya Misra, gestora de portefólio do JP Morgan Asset Management
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que a Fed não ter subido os juros é tão importante para Wall Street?

Model

Porque depois de 20 meses a subir continuamente, o mercado estava à espera de mais subidas. Quando a Fed parou, foi interpretado como um sinal de que o pior já passou.

Inventor

Mas Powell disse que não está confiante de ter atingido o pico. Isso não contradiz a mensagem positiva?

Model

Exatamente. É uma contradição. Powell está a dizer que pode haver mais subidas, mas o mercado ouviu apenas que a pausa é real. Os investidores estão a escolher acreditar no que querem acreditar.

Inventor

E se os dados de emprego forem fracos? O que acontece?

Model

As yields descem mais, o que é bom para os preços das obrigações. Mas se forem fracos demais, sugere recessão, e isso assusta o mercado.

Inventor

Então o mercado está numa posição frágil?

Model

Está numa posição de esperança, mas com pés de barro. Tudo depende de dados que ainda não temos.

Contact Us FAQ