Favoritismo de Flávio Bolsonaro ameaça reeleição de Motta e Alcolumbre

Flávio segue resistente, e boa parte da bancada cobra a troca
O PL quer assumir o comando de pelo menos uma Casa do Congresso, ameaçando a permanência de Motta e Alcolumbre.
Mark

Por que Flávio Bolsonaro tem tanto poder para decidir quem fica na presidência do Congresso?

Mimi

Porque o PL vai ter a maior bancada. No Senado, Flávio terá 28 cadeiras próprias mais 11 senadores eleitos com seu apoio direto — são 39 votos, e precisa de 41 para eleger o presidente. Está perto de ter maioria sozinho.

Luke

Mas "perto" não é maioria. Ele ainda precisa de dois votos de fora. Isso muda o jogo inteiro.

Mark

E por que Motta e Alcolumbre estão em risco se foram eleitos com apoio do PL?

Mimi

Porque mudaram de lado. Motta fez campanha para Lula, não pautou a anistia que Flávio queria. Alcolumbre bloqueou impeachments contra ministros do STF. Para os bolsonaristas, isso é traição.

Luke

Mas a questão é: Flávio consegue tirar os dois? Ou ele consegue tirar um e negocia o outro? Porque se Lula vencer, Motta fica confortável. Alcolumbre fica em risco mesmo assim.

Mark

Quem são as alternativas que estão sendo discutidas?

Mimi

No Senado, Rogério Marinho ou Tereza Cristina. Na Câmara, Sóstenes Cavalcante, Doutor Luizinho ou até Marcos Pereira. Cada um tem uma base política diferente.

Luke

Mas nenhuma dessas conversas foi confirmada como fechada. O que a gente sabe é que Flávio conversou com Rueda e não foi produtivo. Tudo o mais é especulação de aliados.

Mark

O centrão está tentando se proteger?

Mimi

Sim. Ciro Nogueira está defendendo Alcolumbre. O centrão está falando em impeachment de ministro do STF para ganhar cacife nas negociações. Eles querem garantir que, se perderem uma Casa, ganham a outra.

Luke

Mas isso depende de Flávio aceitar. E até agora ele está resistindo a Alcolumbre. O centrão está apostando em um cenário que pode não acontecer.

  • PL terá 28 cadeiras no Senado mais 11 senadores eleitos com apoio de Flávio — 39 votos de 41 necessários
  • Hugo Motta fez campanha para Lula na Paraíba; Davi Alcolumbre bloqueou impeachments contra ministros do STF
  • Flávio conversou com Antônio Rueda (União Brasil) em 6 de outubro; diálogo não foi produtivo
  • Possíveis alternativas: Rogério Marinho ou Tereza Cristina no Senado; Sóstenes Cavalcante ou Doutor Luizinho na Câmara

Flávio Bolsonaro resiste à permanência de Alcolumbre no Senado, apesar de apelos de dirigentes do União Brasil para mantê-lo no cargo. Hugo Motta enfrenta desgastes com o PL por não pautar anistia para envolvidos no 8 de Janeiro e por fazer campanha aberta para Lula na Paraíba.

O crescimento de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial coloca em risco a permanência de Hugo Motta na Câmara e Davi Alcolumbre no Senado. O PL busca assumir comando de pelo menos uma Casa, enquanto centrão compete pela outra.

A ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais está reescrevendo os planos para o comando do Congresso Nacional. Hugo Motta, que preside a Câmara dos Deputados, e Davi Alcolumbre, que comanda o Senado, enfrentam agora uma ameaça real à reeleição quando seus mandatos terminarem em fevereiro. O PL, partido de Flávio, quer assumir o controle de pelo menos uma das duas Casas, enquanto as alas do centrão se movem para ficar com a outra — um jogo de poder que está apenas começando.

Motta foi eleito presidente da Câmara com apoio do PL, mas acumulou desgastes que agora pesam contra ele. O mais grave, aos olhos dos bolsonaristas, foi sua recusa em pautar a anistia para os envolvidos nos eventos de 8 de janeiro. Deputados votaram um projeto paralelo que reduzia penas, mas a decisão do ministro Alexandre de Moraes o mantém suspenso — e isso deixou Flávio sem a liberdade que buscava para o ex-presidente Bolsonaro. Além disso, Motta atendeu a demandas do governo Lula em várias frentes, incluindo a aprovação do fim da escala 6x1 em maio. Mas o que selou sua reputação junto aos bolsonaristas foi sua campanha aberta para Lula na Paraíba durante as eleições, um estado tradicionalmente petista. Motta se reelegeu deputado, mas não conseguiu eleger seu pai, o ex-prefeito Nabor Wanderley, para o Senado.

Alcolumbre enfrenta um problema diferente, mas igualmente grave. Ele foi eleito presidente do Senado em 2025 com apoio do PL, mas perdeu essa adesão ao segurar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Os bolsonaristas querem, acima de tudo, o afastamento de Alexandre de Moraes e Flávio Dino — e Alcolumbre se recusou a avançar com isso. A situação piorou quando ele se reaproximou do presidente Lula antes da eleição e, depois, pautou a PEC do fim da escala 6x1 antes do segundo turno, colocando Flávio em uma posição incômoda diante de um tema popular.

Flávio tem ouvido apelos de dirigentes dos partidos de Motta e Alcolumbre para mantê-los nos postos. Na terça-feira 6 de outubro, conversou com Antônio Rueda, presidente eleito do União Brasil, que defendeu a permanência de Alcolumbre no Senado. Mas segundo aliados de ambos, o diálogo não foi produtivo. Flávio segue resistente, e boa parte da bancada do PL cobra a troca de comando no Senado. Uma ala do partido defende adiar acordos até novembro, após o segundo turno, para evitar atritos — e quer ouvir a orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro, caso ele seja solto pelo STF após a eleição.

O União Brasil, federado com o PP, já declarou apoio a Flávio na disputa presidencial e espera que esse gesto seja lembrado na distribuição de cargos no Congresso e na Esplanada. ACM Neto, derrotado na eleição para governador da Bahia, é um dos nomes defendidos para integrar o governo. Marcos Pereira, presidente reeleito do Republicanos, conversou com Flávio na quarta-feira 7 de outubro e levou a proposta de manter Motta na presidência da Câmara. Flávio ouviu, mas explicou a resistência do grupo. Pereira é citado como uma possível alternativa para manter o Republicanos no comando da Câmara, mas essa possibilidade não foi discutida.

O centrão se move para garantir sua fatia. Ciro Nogueira, presidente do PP e senador pelo Piauí, foi acionado para atuar em prol de Alcolumbre — ele perdeu a reeleição em parte por sua proximidade com a família Bolsonaro. Na Câmara, Doutor Luizinho, do PP do Rio de Janeiro, é citado como alternativa agradável aos bolsonaristas pela sua relação local com Flávio, que é senador pelo Rio. Sóstenes Cavalcante, líder do PL no Rio de Janeiro, também é mencionado: foi vice-presidente da Câmara entre 2023 e 2024, mantém boa relação com o centrão e até com partidos de esquerda, além de ser considerado um bolsonarista fiel e expoente da bancada evangélica.

No Senado, as principais possibilidades bolsonaristas são Rogério Marinho, coordenador de campanha de Flávio, e Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro. Líderes do centrão passaram a defender o impeachment de um ministro do STF para ganhar cacife nas negociações pela presidência do Senado. Arthur Lira, ex-presidente da Câmara e deputado eleito pelo PP de Alagoas, é citado como possível candidato consensual. O PL terá as maiores bancadas do Congresso a partir de 2027: 28 cadeiras no Senado, mais 11 senadores eleitos com apoio direto de Flávio, totalizando 39 votos — faltam dois para os 41 necessários para eleger o próximo presidente da Casa. Na Câmara, o PL tem 121 das 513 cadeiras, mas conta com apoio de parlamentares em partidos do centrão, especialmente a federação União-PP, que terá 87 eleitos.

Motta já admitiu que planeja se reeleger e foi procurado por líderes de partidos de esquerda para reforçar o apoio em caso de disputa. A esquerda elegeu 124 congressistas, tamanho semelhante ao PL, mas depende de conseguir adesão de pelo menos parte do centrão para viabilizar sua candidatura. Se Lula vencer a eleição, a situação de Motta seria vista como mais confortável, e ele teria poucas dificuldades para ser reconduzido. Alcolumbre, porém, enfrentaria uma eleição difícil mesmo nesse cenário, porque a direita terá uma bancada expressiva e disposta a tirá-lo.

O candidato do PL segue resistente a Alcolumbre, e boa parte da bancada do partido cobra a troca de comando no Senado
— Aliados de Rueda e Flávio, conforme relatado à reportagem
Flávio ouviu a proposta, mas explicou a resistência do grupo a Motta
— Interlocutores sobre conversa entre Flávio e Marcos Pereira
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