Num domingo de setembro de 2022, mais de 46 milhões de italianos foram chamados a decidir o rumo do seu país, e as urnas responderam com uma inclinação histórica para a direita. O partido Irmãos de Itália, liderado por Giorgia Meloni, emergiu como a força mais votada, colocando a extrema-direita no centro do poder numa democracia fundada sobre as cinzas do fascismo. A fragmentação do parlamento italiano, fiel à sua tradição de instabilidade, garante que nenhuma voz governa sozinha — mas a coligação de direita parece ter conquistado o mandato moral para tentar.
Extrema-direita de Meloni lidera sondagens à boca das urnas em Itália
A fragmentação política torna impossível qualquer partido governar sozinho
Como é que a Meloni conseguiu chegar a esta posição de liderança? Ela estava já tão à frente nas sondagens anteriores?
Estava, sim. As sondagens de há duas semanas mostravam-a com 24% a 25%, claramente à frente do Letta e do Partido Democrático. Mas o que é importante notar é que isto é uma coligação — ela sozinha não tem maioria.
Exatamente. As sondagens à boca das urnas mostram a coligação inteira entre 41% e 45%, não apenas o partido dela. Precisamos de saber como se distribuem esses votos entre Meloni, Berlusconi e Salvini.
Entendo. E quanto à participação? 51% parece baixo.
É realmente baixo. Sete pontos abaixo de 2018. Sugere alguma apatia ou descontentamento com as opções disponíveis.
Mas temos de ter cuidado — 51% até às 19:00 locais, não é o número final. A votação continuou até às 23:00. Não sabemos qual foi a participação total.
Certo. E isto acontece porque o Movimento 5 Estrelas saiu da coligação governamental?
Sim. Draghi renunciou em julho quando eles se foram embora. Desde 2018, tiveram três governos diferentes — é uma instabilidade crónica.
Mas vale a pena notar que Draghi durou dois anos, o que não é terrível para Itália. E os dois governos de Conte também tiveram tempo de vida.
Então o que vem a seguir? Meloni consegue formar governo?
Teoricamente sim, com Berlusconi e Salvini. Mas as negociações podem ser complicadas — têm ideias diferentes sobre muitas coisas.
E não sabemos ainda os números exatos de cada partido dentro da coligação. As sondagens à boca das urnas são projeções, não resultados finais.
The Pulse
- A coligação de direita e extrema-direita avança com entre 41% e 45% dos votos, um resultado que pode reconfigurar profundamente a política italiana e europeia.
- A abstenção sobe de forma preocupante: apenas 51% dos eleitores compareceram até às 19h, sete pontos abaixo de 2018, sinalizando um desencanto crescente com o sistema.
- Nenhum partido obtém maioria suficiente para governar sozinho, tornando as negociações de coligação inevitáveis — mas a direita já chegou às urnas com um acordo pré-negociado.
- Meloni, apoiada por Salvini e Berlusconi, posiciona-se para se tornar a primeira mulher a liderar um governo italiano, numa aliança que une populismo, nacionalismo e conservadorismo.
- A queda do governo Draghi em julho, após o abandono do Movimento 5 Estrelas, abriu a crise que conduziu a estas eleições antecipadas — mais um capítulo na longa saga de instabilidade política italiana.
Num domingo de setembro de 2022, mais de 46 milhões de italianos foram chamados a decidir o rumo do seu país, e as urnas responderam com uma inclinação histórica para a direita. O partido Irmãos de Itália, liderado por Giorgia Meloni, emergiu como a força mais votada, colocando a extrema-direita no centro do poder numa democracia fundada sobre as cinzas do fascismo. A fragmentação do parlamento italiano, fiel à sua tradição de instabilidade, garante que nenhuma voz governa sozinha — mas a coligação de direita parece ter conquistado o mandato moral para tentar.
No domingo de 25 de setembro de 2022, mais de 46 milhões de italianos foram às urnas para eleger um novo parlamento. As sondagens à boca das urnas apontavam para uma vitória clara da coligação de direita e extrema-direita, com entre 41% e 45% dos votos, num resultado que marcaria um ponto de viragem na história política do país.
O partido Irmãos de Itália, liderado por Giorgia Meloni, afirmou-se como a força dominante, com projeções entre 25,5% e 29,5% dos votos. O bloco de centro-esquerda liderado por Enrico Letta ficaria em segundo lugar com uma margem semelhante, enquanto o Movimento 5 Estrelas obteria entre 15,5% e 17,5%. A margem de erro das projeções era de 3,5 pontos percentuais.
A fragmentação do parlamento italiano tornava improvável que qualquer partido governasse sozinho. No entanto, a direita chegou às eleições com um acordo de coligação já estabelecido, reunindo os Irmãos de Itália, a Liga de Matteo Salvini e a Força Itália de Sílvio Berlusconi — o que colocava Meloni em posição privilegiada para liderar o próximo governo.
A participação eleitoral ficou em 51% até às 19h locais, uma queda de sete pontos face a 2018, refletindo um desencanto que atravessa a sociedade italiana. Estas eleições foram precipitadas pela crise de julho, quando o Movimento 5 Estrelas abandonou a coligação governamental e o primeiro-ministro Mário Draghi resignou após dois anos no cargo. Desde 2018, Itália havia passado por três governos diferentes — um retrato fiel da instabilidade estrutural que define a sua democracia contemporânea.
Mais de 46 milhões de italianos foram às urnas no domingo para escolher um novo parlamento, numa eleição que as sondagens à boca das urnas apontavam como um ponto de viragem para a política italiana. A coligação de direita e extrema-direita, encabeçada pelo partido Irmãos de Itália, estava posicionada para conquistar entre 41% e 45% dos votos, de acordo com as projeções divulgadas no final do dia de votação.
O partido de Giorgia Meloni emergiu como a força dominante nesta eleição. As últimas sondagens publicadas há cerca de duas semanas — antes da proibição de divulgar números nas fases finais da campanha — indicavam que Meloni e os Irmãos de Itália conquistariam entre 24% e 25% das intenções de voto, colocando-se à frente do Partido Democrático de Enrico Letta, que se situava entre 21% e 22%. O Movimento 5 Estrelas ficava em terceiro lugar com projeções entre 13% e 15%, enquanto a Liga de Matteo Salvini e a Força Itália de Sílvio Berlusconi completavam o quadro com 12% e 8%, respetivamente.
Segundo a sondagem do Consorzio Opinio Italia para a Rai, o bloco de centro-esquerda liderado por Letta deveria obter entre 25,5% e 29,5% dos votos, enquanto o Movimento 5 Estrelas ficaria com uma margem entre 15,5% e 17,5%. A margem de erro associada a estas projeções era de 3,5 pontos percentuais. A fragmentação do panorama político italiano significa que nenhum partido individual conseguiria uma maioria parlamentar suficiente para governar de forma independente, tornando as coligações uma necessidade estrutural.
A direita e a extrema-direita já tinham negociado um acordo de coligação antes das eleições, posicionando Meloni para potencialmente chegar ao poder com o apoio da Força Itália e da Liga. Salvini, em particular, construiu a sua reputação política em torno de políticas de imigração particularmente restritivas. Este alinhamento representava uma mudança significativa no eixo político italiano, com a extrema-direita a ocupar uma posição central nas negociações governamentais.
A participação eleitoral refletiu um certo desinteresse: até às 19:00 locais, a taxa de comparência era de 51%, representando uma queda de sete pontos percentuais em relação às eleições de 2018. A votação decorreu entre as 07:00 e as 23:00 locais. Este resultado eleitoral chegava após meses de turbulência política. O Movimento 5 Estrelas havia abandonado a coligação governamental que sustentava o executivo, levando o primeiro-ministro Mário Draghi a renunciar em julho. Draghi tinha liderado o Governo durante dois anos, após uma sequência de crises políticas que caracteriza a política italiana contemporânea.
Desde as eleições de 2018, Itália havia tido três governos diferentes. Giuseppe Conte, líder do Movimento 5 Estrelas, havia chefiado dois deles, enquanto Draghi havia conduzido o terceiro. Esta instabilidade reflete a dificuldade estrutural de formar maiorias estáveis num parlamento fragmentado. Embora teoricamente um governo acompanhe o mandato de cinco anos do parlamento, a realidade italiana mostra um padrão de crises frequentes e mudanças de executivo. O resultado desta eleição de domingo estabeleceria o palco para as próximas negociações de coligação e a formação de um novo governo, com Meloni em posição de liderança nas conversas.
Notable Quotes
A direita e a extrema-direita conseguiram um acordo de coligação que poderá levar Giorgia Meloni ao poder— Fonte de sondagem