Em um país onde quase 800 mil novos casos de câncer são esperados por ano, chega ao Brasil o Galleri — um exame de sangue capaz de rastrear sinais de mais de cinquenta tipos de tumor antes que qualquer sintoma se manifeste. Desenvolvido pela empresa norte-americana GRAIL Inc. e disponibilizado por uma joint venture entre o Hospital Israelita Albert Einstein e o Grupo Fleury, o teste representa uma expansão significativa da medicina preventiva, alcançando cânceres como os de pâncreas, fígado e ovário, para os quais não existia rastreamento formal. Seu custo atual de cerca de sete mil reais colo
Exame de sangue que detecta 50+ tipos de câncer chega ao Brasil
Detectar tumores em momentos mais precoces diminui diagnósticos avançados
Por que esse teste é importante agora, neste momento específico?
Porque a maioria dos cânceres ainda é diagnosticada quando já está avançada. O Galleri oferece a chance de pegar tumores silenciosos — como pâncreas e fígado — muito mais cedo, quando ainda há opções de tratamento curativo.
Mas precisamos ser claros: o teste detecta sinais, não confirma câncer. Se der positivo, o paciente entra em uma investigação. Isso significa mais exames, mais ansiedade, possíveis falsos positivos?
Sim, é por isso que Moura enfatiza que não substitui os rastreamentos convencionais. É complementar. E sim, haverá investigações adicionais, mas o estudo com 35 mil pessoas mostrou que 71% dos cânceres detectados estavam nos estágios iniciais.
E quanto ao custo? Sete mil reais coloca isso fora do alcance da maioria dos brasileiros.
Exatamente. Esse é o grande desafio agora. Não está na saúde pública nem nos planos suplementares. Mas a expectativa é que o preço caia com o tempo, como acontece com toda tecnologia nova.
A expectativa é que caia, mas quando? E para quem? Os estudos que sustentam o teste foram feitos nos EUA e Reino Unido, com populações diferentes. Como isso vai funcionar na prática brasileira?
São perguntas válidas. O que sabemos é que o Brasil registra 781 mil novos casos de câncer por ano. Se esse teste conseguir antecipar diagnósticos, pode fazer diferença real.
Então é um teste promissor, mas ainda com muitas questões em aberto sobre acesso e implementação?
Isso. Promissor, respaldado por evidências internacionais, mas com desafios práticos e econômicos reais que precisam ser resolvidos.
Il Polso
- O Brasil enfrenta uma epidemia silenciosa de câncer: tumores como o de pâncreas frequentemente só revelam sintomas quando já é tarde demais para um tratamento curativo.
- O Galleri rompe uma barreira histórica ao rastrear mais de 50 tipos de câncer com uma simples coleta de sangue, incluindo tipos sem qualquer protocolo de detecção precoce estabelecido.
- Estudos com dezenas de milhares de participantes nos EUA, Canadá e Reino Unido mostram que o teste multiplica por 6,5 vezes a detecção de cânceres e encontra 71% deles ainda nos estágios iniciais.
- O preço de R$ 7 mil e a ausência de cobertura por planos de saúde ou pelo SUS tornam o acesso restrito a uma minoria, criando uma tensão ética entre inovação e equidade.
- A expectativa de especialistas é que, com a popularização da tecnologia, o custo caia progressivamente — como ocorreu com outras ferramentas diagnósticas que chegaram ao mercado como privilégio e tornaram-se rotina.
Em um país onde quase 800 mil novos casos de câncer são esperados por ano, chega ao Brasil o Galleri — um exame de sangue capaz de rastrear sinais de mais de cinquenta tipos de tumor antes que qualquer sintoma se manifeste. Desenvolvido pela empresa norte-americana GRAIL Inc. e disponibilizado por uma joint venture entre o Hospital Israelita Albert Einstein e o Grupo Fleury, o teste representa uma expansão significativa da medicina preventiva, alcançando cânceres como os de pâncreas, fígado e ovário, para os quais não existia rastreamento formal. Seu custo atual de cerca de sete mil reais coloca a tecnologia fora do alcance da maioria, mas a história da inovação em saúde sugere que esse horizonte pode mudar.
Um exame de sangue capaz de identificar sinais de mais de cinquenta tipos de câncer chegou ao Brasil. Chamado Galleri, o teste é voltado para pessoas sem sintomas com cinquenta anos ou mais e funciona como complemento — não substituto — aos rastreamentos convencionais como mamografia e colonoscopia. Sua grande promessa está em alcançar cânceres para os quais não existe rastreamento formal hoje, como os de pâncreas, fígado e ovário.
O mecanismo é molecular: o Galleri analisa fragmentos de DNA tumoral circulante e padrões de metilação presentes no sangue no momento da coleta. Cada tipo de câncer deixa uma assinatura molecular distinta, o que permite ao teste não apenas detectar um sinal, mas apontar o órgão de origem provável — direcionando investigações diagnósticas subsequentes. Um resultado negativo não exclui completamente a doença, e a recomendação é que o exame seja feito anualmente.
Desenvolvido pela GRAIL Inc. e oferecido no Brasil pela Gênesis Genomics — joint venture do Einstein com o Grupo Fleury —, o Galleri custa cerca de R$ 7 mil e ainda não é coberto por planos de saúde ou pelo sistema público. O oncologista Fernando Moura reconhece o desafio de acesso, mas aponta que tecnologias inovadoras tendem a se tornar mais acessíveis com o tempo.
A chegada do teste ocorre em momento crítico: o Instituto Nacional de Câncer projeta 781 mil novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Grandes estudos internacionais — publicados em The Lancet e conduzidos com mais de 140 mil participantes no Reino Unido — demonstram que o Galleri aumenta em 6,5 vezes a detecção de cânceres e diagnostica 71% deles nos estágios iniciais, reduzindo tanto os diagnósticos avançados quanto as apresentações de emergência relacionadas à doença.
Um exame de sangue que consegue identificar sinais de mais de cinquenta tipos de câncer diferentes acaba de chegar ao Brasil. Chamado Galleri, o teste funciona como ferramenta de detecção precoce para pessoas sem sintomas que têm cinquenta anos ou mais, funcionando ao lado dos rastreamentos convencionais já estabelecidos — mamografia, colonoscopia e outros. Não é indicado para gestantes nem para quem está em tratamento ativo contra câncer.
Atualmente, o rastreamento de rotina cobre apenas cinco tipos de câncer: mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata. Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein, deixa claro que o Galleri não substitui esses exames, mas trabalha em conjunto com as estratégias existentes. A coleta é simples — apenas sangue — e o teste busca sinais específicos compartilhados por mais de cinquenta tipos de câncer antes de qualquer sintoma aparecer. Isso inclui tumores para os quais não há estratégias de rastreamento formal hoje, como pâncreas, fígado e ovário.
O teste funciona de forma diferente dos testes genéticos hereditários, que avaliam risco futuro ou predisposição herdada. O Galleri procura por alterações moleculares presentes no corpo no momento exato da coleta. Analisa fragmentos de DNA livre circulante e padrões de metilação — marcadores químicos naturais que podem indicar a presença e a origem provável de células cancerígenas. Moura explica que cada tipo de câncer deixa um padrão molecular distinto. O DNA tumoral circulante de um câncer de pâncreas é diferente do de esôfago, intestino ou mieloma. Essa especificidade permite que, se o Galleri detecte um sinal, o paciente realize exames diagnósticos adicionais direcionados ao órgão apontado como origem do problema.
Se nenhum sinal for detectado, o acompanhamento clínico de rotina continua normalmente. Um resultado negativo não exclui completamente a presença de câncer no momento atual nem sua ocorrência futura. A recomendação dos estudos é que o teste seja feito uma vez por ano. Se positivo, abre-se uma investigação dedicada antes do diagnóstico definitivo ser confirmado.
Desenvolvido pela empresa norte-americana GRAIL Inc., o Galleri é oferecido no Brasil pela Gênesis Genomics, joint venture do Einstein Hospital Israelita com o Grupo Fleury, e custa cerca de sete mil reais. O alto custo é considerado um dos principais desafios de acesso, já que o teste ainda não está disponível na saúde pública nem nos planos de saúde suplementar. Moura observa que toda tecnologia inovadora em saúde chega ao mercado com preço elevado, mas tende a cair com o tempo. A expectativa é que em breve o teste custe significativamente menos.
A chegada do Galleri ocorre em momento de crescimento dos casos de câncer no país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Brasil deve registrar 781 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028. Muitos tumores são diagnosticados quando já estão instalados e crescem silenciosamente. O câncer de pâncreas, por exemplo, frequentemente só manifesta sintomas quando já está muito avançado — como icterícia, aquele amarelado da pele — tornando impossível a operação ou tratamento curativo. O benefício do Galleri é a capacidade de diminuir diagnósticos avançados através do rastreio, identificando tumores em momentos mais precoces.
A utilização do teste é respaldada por estudos internacionais de grande porte. Um estudo publicado em The Lancet em 2023 avaliou 6.662 adultos com cinquenta anos ou mais, sem sintomas de câncer, atendidos em ambiente ambulatorial nos Estados Unidos. Foi o primeiro a demonstrar a viabilidade do teste na prática clínica, incluindo sua capacidade de detectar sinais de cânceres sem recomendação de rastreamento de rotina. Um segundo estudo com 35.878 participantes nos Estados Unidos e Canadá constatou que adicionar o Galleri aos exames recomendados aumentou em 6,5 vezes o número de cânceres recém-detectados. Entre os cânceres detectados após resultado positivo, 71% foram diagnosticados nos estágios I a III. Um terceiro estudo com mais de 140 mil participantes no Reino Unido apontou aumento da detecção de cânceres nos estágios iniciais, redução de cânceres em estágio IV e diminuição de apresentações de emergência relacionadas ao câncer.
Citazioni salienti
O Galleri não deve substituir esses exames, mas ser utilizado em conjunto com as estratégias existentes de rastreamento do câncer— Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein
Toda tecnologia que entra em mercado inovador em saúde vem com um preço elevado e com o tempo, isso vai caindo— Fernando Moura