Ex-namorado acusa suspeita de matar PM de dopá-lo e agredi-lo durante relacionamento

Policial militar de 40 anos morreu por envenenamento; ex-namorado passou oito meses preso por acusação falsa; suspeita sofreu tentativa de suicídio ao pular do quarto andar.
Passei oito meses preso por uma acusação falsa que ela fez contra mim
O ex-namorado de Helen relata as consequências de ser acusado de violência doméstica após terminar o relacionamento.
Mark

Como um estudante de medicina termina envolvido em um caso de envenenamento como testemunha?

Mimi

Ele não é apenas testemunha — é vítima. Esteve em um relacionamento de um ano com Helen e relata ter sido dopado três vezes, agredido fisicamente, monitorado com gravadores escondidos. Quando terminou, ela o acusou de violência doméstica e ele passou oito meses preso.

Mark

Oito meses preso por uma acusação que ele diz ser falsa. Como isso acontece?

Mimi

Ela abriu uma medida protetiva contra ele. Depois, sempre que ele estava perto — até em uma loja de conveniência — ela chamava a polícia dizendo que ele havia quebrado a medida. Ela tinha conexão com um dos policiais que respondeu à ocorrência original.

Mark

E esse policial — ele estava envolvido em algo ilegal?

Mimi

Segundo o ex-namorado, Helen ofereceu cinco mil reais para esse policial assassiná-lo. O policial recusou. Mas o fato de ela ter conseguido usá-lo para prendê-lo repetidamente mostra como ela manipulava as estruturas ao seu redor.

Mark

Então há um padrão aqui. Não é apenas o policial morto.

Mimi

Exatamente. A advogada do estudante diz que outras testemunhas relataram que Helen tinha o costume de dopar ex-companheiros com clonazepam. Uma amiga dela foi à delegacia contar que Helen dopava parceiros para controlar seus celulares. Isso teria acontecido com um ex-marido também.

Mark

Mas a defesa dela diz que ela era a vítima de violência doméstica.

Mimi

Sim. E há evidência de que o policial voltou a procurá-la insistentemente apesar de uma medida protetiva contra ele. A noite em que morreu, ele foi autorizado a subir ao apartamento. A defesa diz que ela era vítima, não assassina. Que a morte foi natural.

Mark

Os laudos toxicológicos não resolvem isso?

Mimi

Mostram clonazepam e cafeína na bebida do policial. Mas a defesa questiona se a perícia foi feita corretamente. E há a questão das taças — Helen diz que percebeu que ele as trocou e trocou de volta. Os inquilinos não confirmam que ela marcava as taças. É um caso onde os fatos físicos existem, mas a interpretação deles depende de quem você acredita.

  • Policial militar José Maria Alexandre da Silva Júnior, 40 anos, encontrado morto em junho em apartamento de Helen Kelly de Lima Pedrosa
  • Estudante de medicina relata ter sido dopado três vezes durante relacionamento de um ano com Helen
  • Laudos toxicológicos mostram clonazepam e cafeína na bebida do policial morto
  • Ex-namorado passou oito meses preso por acusação de violência doméstica que nega
  • Helen, 45 anos, pulou do quarto andar para evitar prisão no dia 22 de julho

Ex-namorado relata ter sido dopado três vezes e agredido fisicamente durante relacionamento de um ano com Helen Kelly de Lima Pedrosa. Laudos toxicológicos mostram clonazepam e cafeína na bebida do PM morto; defesa alega morte natural e que Helen era vítima de violência doméstica.

Estudante de medicina depõe que foi dopado em três ocasiões pela ex-namorada Helen Kelly, suspeita de envenenar PM. Investigação revela possível padrão de comportamento com uso de clonazepam em relacionamentos anteriores.

Em junho deste ano, um policial militar de 40 anos chamado José Maria Alexandre da Silva Júnior foi encontrado morto no apartamento de sua ex-companheira, Helen Kelly de Lima Pedrosa, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Os sinais apontavam para envenenamento. Helen, uma mulher de 45 anos, foi presa preventivamente no dia 22 de julho, após se jogar da janela do quarto andar de um prédio na tentativa de evitar a prisão. Ela foi internada sob custódia no Hospital da Restauração, na área central da cidade.

Agora, documentos do inquérito policial revelam acusações de um homem que também esteve envolvido romanticamente com Helen. Um estudante de medicina de 38 anos, que preferiu não ser identificado, depôs à polícia sobre um relacionamento de quase um ano com a suspeita. Em seu depoimento, ele relata ter sido dopado por ela em pelo menos três ocasiões e agredido fisicamente e verbalmente de forma sistemática. Segundo seu relato, os primeiros meses do relacionamento transcorreram sem maiores conflitos, mas quando começaram a sair em público, Helen revelou uma personalidade agressiva e extremamente ciumenta. Ele descreve episódios em que ela o agredia com tapas, insultos, puxava sua camisa e jogava bebida nele, tudo na frente de outras pessoas.

Os episódios de envenenamento, conforme relatado pelo ex-namorado, deixaram marcas físicas claras. Em uma ocasião, após uma discussão motivada por ciúmes em um bar, ele recusou um drink porque iria dirigir, mas aceitou um energético que Helen ofereceu. Saiu sozinho e, mesmo sentindo-se mal, conseguiu chegar em casa. Em outro episódio, Helen ofereceu um refrigerante aberto que ela havia pegado em uma loja de conveniência. Após beber, ele começou a sentir queda de pressão e dores abdominais quando passava perto do Shopping Guararapes. Chegou em casa vomitando por 45 minutos, incapaz de respirar, e precisou ser socorrido pela vizinha. O estudante também relata ter descoberto que Helen havia instalado um gravador em seu carro para monitorá-lo, alegando suspeita de infidelidade.

O relacionamento terminou, mas as consequências para o ex-namorado foram devastadoras. Após o fim do namoro, quando ele informou que registraria um boletim de ocorrência para recuperar seu veículo, Helen abriu uma medida protetiva contra ele, acusando-o de violência doméstica. Ele foi preso por aproximadamente três meses por suposto descumprimento dessa medida. Segundo seu relato, Helen desenvolveu um vínculo com um dos policiais que atendeu à ocorrência original e passou a utilizá-lo para persegui-lo. O estudante foi preso novamente, desta vez por cerca de cinco meses, também por alegado descumprimento da medida protetiva. Durante esse período, ele afirma que Helen ofereceu cinco mil reais ao policial para que o assassinasse. O policial recusou. Hoje, o estudante continua usando tornozeleira eletrônica e respondendo aos processos. Ele declara que há quase um ano não consegue trabalhar nem viver uma vida normal, tendo passado oito meses preso por uma acusação que ele diz ser falsa.

A advogada que representa o estudante, Emilly Amaral, afirma que outras testemunhas relataram à polícia um padrão de comportamento atribuído a Helen. Segundo ela, a suspeita tinha o costume de dopar ex-companheiros administrando doses altas de clonazepam, um medicamento controlado. Uma amiga de Helen compareceu à delegacia e relatou que a suspeita dopava seus parceiros para controlar seus celulares. Esse padrão teria ocorrido também com um ex-marido, pai da filha de Helen, contra quem existe um boletim de ocorrência por agressão.

Os laudos toxicológicos revelam detalhes cruciais sobre a noite da morte do policial. Quando José Maria chegou ao apartamento de Helen, a polícia encontrou o PM deitado no chão do quarto, de bruços, ao lado da cama, com duas taças na sala. Na mochila do policial foram encontrados fardamento, uma faca, uma porção de maconha e medicamentos. De acordo com o inquérito, Helen afirmou que o PM pediu comida e energético, então ela colocou na mesa. Em determinado momento, ele pediu para ela pegar gelo. Quando Helen voltou, notou que as taças haviam sido trocadas. Ela marcava suas taças com um ponto para saber qual era a sua, e percebeu a mudança. Desconfiando que ele havia colocado algo na bebida, pediu que ele colocasse a bota na varanda. Enquanto isso, ela trocou as taças novamente, deixando a marcada para si mesma.

Os laudos toxicológicos mostram que a taça de Helen continha apenas sibutramina, um inibidor de apetite. A taça do policial continha clonazepam e cafeína. O exame de sangue da vítima confirmou a presença de ambas as substâncias. No entanto, os inquilinos do apartamento de Helen, ouvidos pela Polícia Civil, contestam sua versão sobre a marcação das taças. Eles afirmam não ter conhecimento de qualquer identificação na louça, como Helen alegou em seu interrogatório.

A defesa de Helen apresenta uma narrativa radicalmente diferente. Seu advogado, Rafael Nunes, afirma que ela e o PM passaram cerca de seis meses juntos e que, desde março, Helen era vítima de violência doméstica. Ele diz que ela possuía uma medida protetiva contra o policial após episódios de agressão. Apesar da decisão judicial, o PM voltou a procurá-la insistentemente, e por volta da 1h da madrugada do dia do fato, foi autorizado a subir ao apartamento. A defesa argumenta que Helen saiu de vítima de violência doméstica para possível assassina, e que sua prisão foi errônea e precipitada, tanto que ela se desesperou e pulou do quarto andar. O advogado critica a perícia como deficiente, argumentando que não há confirmação adequada da causa da morte. A defesa acredita em morte natural. Uma ex-amiga de Helen, chamada Adriana, também teria dito que Helen tinha o hábito de dopar parceiros, mas a defesa sustenta que ela não queria matar o policial e que apenas os dois sabem o que realmente aconteceu naquela noite.

A gente começou a se dar muito bem no começo. Nos três primeiros meses, a gente não saía muito em público. Quando a gente começou a sair, ela se mostrou uma pessoa muito agressiva, começou a ter crises de ciúmes, me agredia fisicamente e verbalmente
— Ex-namorado de Helen, em entrevista à TV Globo
Ela mandou que o policial que estava ajudando ela mandar me assassinar. Ela queria dar R$ 5 mil ao policial para ele me assassinar
— Ex-namorado de Helen, em depoimento
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