Ex-ministro da Defesa ucraniano desafia Zelensky e pede eleições durante a guerra

Putin não pode decidir quando os ucranianos escolhem seu governo
Fedorov argumenta que a democracia é essencial ao que a Ucrânia defende na guerra contra a Rússia.
Mark

Porque é que Fedorov insiste em eleições agora, quando o país está em guerra?

Mimi

Porque acredita que adiar a democracia é ceder a Putin. Se a Ucrânia suspende eleições indefinidamente, o poder fica concentrado sem legitimidade democrática — exatamente o que estão a combater.

Mark

Mas não é perigoso ter instabilidade política durante uma guerra?

Mimi

Talvez. Mas Fedorov argumenta que já há instabilidade — há corrupção, falta de responsabilização, divisões entre civis e militares. As eleições poderiam legitimizar o governo ou forçar mudanças necessárias.

Mark

A lei marcial proíbe eleições. Como é que ele contorna isso?

Mimi

Não explica. Propõe um "mecanismo" legal, seguro e realista, mas não detalha. É mais um desafio ideológico do que um plano executável.

Mark

Porque foi removido do cargo?

Mimi

Oficialmente, por conflito com o comando militar. Mas Fedorov nega isso. Diz que foram diferenças de visão sobre como conduzir a guerra. A verdade provavelmente está entre os dois — e a sua saída expôs divisões profundas no poder ucraniano.

Mark

Isto é uma crítica a Zelensky?

Mimi

Sim, mas velada. Fedorov não o ataca diretamente. Fala de "crise de governação" e de corrupção. Mas a mensagem é clara: o presidente está a usar a guerra para evitar prestar contas.

  • Um ex-ministro recém-afastado rompe o silêncio e acusa o governo ucraniano de atravessar uma crise de governação no pior momento possível.
  • Fedorov contradiz a versão oficial da sua saída: não houve conflito pessoal com o comandante Syrskyi, mas sim divergências profundas sobre como conduzir a guerra.
  • A proposta de realizar eleições durante o conflito colide diretamente com a lei marcial ucraniana, que proíbe expressamente qualquer votação enquanto o estado de guerra vigorar.
  • O ex-ministro não apresenta um plano concreto, mas lança um desafio ideológico: a guerra não pode tornar-se pretexto permanente para suspender a democracia.
  • A pressão interna expõe fissuras no aparelho político e militar ucraniano — e deixa em aberto se essa tensão forçará mudanças legais ou será absorvida pelo silêncio da guerra.

Num momento em que a Ucrânia combate pela sua sobrevivência, o ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov levanta uma questão que transcende a estratégia militar: pode uma democracia adiar indefinidamente o seu próprio exercício sem trair aquilo que defende? Afastado do cargo em julho após apenas seis meses, Fedorov desafia publicamente Zelensky, argumentando que permitir que a guerra suspenda as eleições é, em si mesma, uma vitória para Putin. A proposta esbarra numa proibição constitucional clara, mas o seu verdadeiro peso é filosófico — é o lembrete de que a legitimidade do poder não sobrevive eternamente à ausência das urnas.

Pouco mais de um mês depois de deixar o ministério da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov tornou pública uma ideia que coloca diretamente em causa a liderança de Volodymyr Zelensky: realizar eleições enquanto a guerra contra a Rússia continua. Em vídeo divulgado esta terça-feira, o ex-ministro diagnosticou uma "crise de governação" e defendeu que não pode ser Putin a decidir quando os ucranianos escolhem o seu governo.

A saída de Fedorov em julho foi abrupta — comunicada menos de uma hora após uma reunião parlamentar do partido Servo do Povo. Zelensky invocou tensões com o comandante militar Oleksandr Syrskyi. Fedorov rejeita essa leitura: segundo ele, não existia conflito pessoal, mas sim diferenças fundamentais de visão sobre a condução da guerra, e o ministério nunca bloqueou decisões das Forças Armadas.

No centro da sua argumentação está uma ideia incómoda: a democracia não é um luxo a adiar para o pós-guerra — é precisamente o que a Ucrânia afirma estar a defender. Sem eleições, o país arrisca consolidar uma estrutura de poder sem legitimidade, espelho daquilo que combate. A corrupção e a falta de responsabilização, insiste Fedorov, são urgências do presente, não do futuro.

O obstáculo é constitucional e imediato: a lei marcial ucraniana proíbe expressamente eleições presidenciais, parlamentares e locais enquanto o conflito durar. Fedorov reconhece a barreira e propõe criar um mecanismo legal que a contorne — mas não detalha como. A sua intervenção funciona, por isso, menos como um plano e mais como um desafio ideológico, expondo divisões profundas que a sua própria demissão já havia deixado à superfície.

Mykhailo Fedorov saiu do ministério da Defesa ucraniano há pouco mais de um mês, e desde então tem ocupado seu tempo com uma ideia que desafia diretamente o presidente Volodymyr Zelensky: realizar eleições enquanto a guerra contra a Rússia continua. Numa mensagem em vídeo divulgada esta terça-feira, o ex-ministro argumentou que a Ucrânia enfrenta uma "crise de governação" e que o país não pode permitir que Vladimir Putin determine quando os seus cidadãos têm o direito de escolher quem os governa.

Fedorov foi removido do cargo em julho, após apenas seis meses à frente da pasta. A saída foi abrupta — comunicada menos de uma hora depois de uma reunião do partido Servo do Povo no parlamento. Zelensky apontou tensões com Oleksandr Syrskyi, o comandante militar, como uma das razões para a mudança. Mas Fedorov contesta essa narrativa. Segundo o ex-ministro, não havia conflito pessoal com Syrskyi, mas sim diferenças fundamentais sobre como conduzir a guerra. "Foi mais um conflito em termos de pontos de vista", explicou, reiterando que o ministério da Defesa nunca bloqueou decisões das Forças Armadas ou do líder supremo.

A proposta de Fedorov toca num ponto sensível da política ucraniana. Ele defende que a democracia não é um luxo a ser adiado até ao fim da guerra — é, na verdade, parte daquilo que a Ucrânia está a defender contra a invasão russa. Sem eleições, argumenta, o país corre o risco de consolidar uma estrutura de poder sem legitimidade democrática, exatamente o tipo de governo que Putin representa. A corrupção e a falta de responsabilização no poder, segundo Fedorov, são problemas que precisam ser enfrentados agora, não depois.

Mas há um obstáculo legal imediato que torna a proposta praticamente impossível de implementar. A legislação ucraniana proíbe expressamente a realização de eleições presidenciais, parlamentares e locais enquanto vigorar a lei marcial — e a lei marcial continua em vigor enquanto o conflito prossegue. Não é uma questão de vontade política ou de debate público. É uma barreira legal clara, inscrita na própria constituição do país.

Fedorov reconhece o problema e propõe uma solução: criar um mecanismo legal, seguro e realista que permita contornar essa proibição. Mas não detalha como. A sua intervenção, portanto, funciona menos como um plano concreto e mais como um desafio ideológico a Zelensky — uma afirmação de que a guerra não pode ser usada como pretexto para suspender indefinidamente os direitos democráticos. A proposta expõe divisões profundas no aparelho político e militar ucraniano, divisões que a remoção de Fedorov já tinha deixado à vista. O que vem a seguir dependerá de se essa pressão interna consegue forçar uma mudança na lei ou se a guerra continua a servir como justificação para adiar o retorno às urnas.

Não podemos deixar que Putin decida quando os ucranianos podem escolher o seu governo
— Mykhailo Fedorov
Foi mais um conflito em termos de pontos de vista. Nós, como Ministério da Defesa, não bloqueámos quaisquer decisões das Forças Armadas ou do líder
— Mykhailo Fedorov
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