Ex-assessor de Fauci se declara culpado por ocultar registros sobre financiamento da Covid

Mantinha certos registros fora do alcance público
Morens usou e-mail pessoal para evitar que comunicações sobre pesquisas fossem descobertas sob leis de acesso a informações.
Mark

Por que alguém em uma posição tão importante se arriscaria a conspirar para ocultar registros públicos? Qual era o objetivo real?

Mimi

Morens estava tentando proteger um programa de pesquisa que havia sido cancelado. Quando surgiram alegações de que o vírus poderia ter vindo de um laboratório em Wuhan, os NIH cortaram o financiamento. Morens queria restaurá-lo e, para fazer isso, precisava controlar quais documentos o público poderia ver.

Mark

Então isso não era apenas sobre transparência — era sobre política científica e narrativa?

Mimi

Exatamente. A questão de onde a Covid veio se tornou profundamente política. Se documentos mostrassem que agências federais estavam financiando pesquisas em um laboratório que poderia ter causado a pandemia, isso teria consequências políticas enormes. Morens estava tentando gerenciar isso.

Mark

E Fauci sabia disso?

Mimi

Os promotores não acusaram Fauci de nada. Mas Fauci minimizou sua proximidade com Morens quando foi questionado e invocou seu direito de não se autoincriminar. Isso sugere que ele estava ciente de que havia questões sensíveis sendo discutidas.

Mark

Qual é a importância disso agora, anos depois?

Mimi

Mostra que durante a pandemia, havia pessoas dentro das agências federais que estavam mais preocupadas em controlar a narrativa do que em ser transparentes com o público. Isso afeta como confiamos em instituições científicas e governamentais.

Mark

E quanto às origens da Covid? Isso muda algo?

Mimi

Não resolve a questão, mas levanta perguntas sobre quais informações foram suprimidas e por quê. A incerteza sobre as origens permanece, mas agora sabemos que houve esforços deliberados para manter certos registros fora do alcance público.

  • David Morens, 78 anos, assessor sênior de Fauci no NIAID, admitiu conspiração em tribunal federal em Maryland
  • Indiciado em abril por obstruir solicitações de registros públicos sobre financiamento de pesquisas da Covid desde abril de 2020
  • Enfrentará até cinco anos de prisão na sentença marcada para 12 de novembro de 2026
  • Usou e-mail pessoal para comunicações sobre pesquisas de coronavírus em morcegos, evitando a Lei de Liberdade de Informação
  • Fauci não foi acusado de irregularidades, mas invocou direito de não se autoincriminar em audiência no Senado

Morens trabalhou como funcionário de alto escalão no NIAID durante a pandemia e foi indiciado em abril por conspiração para frustrar solicitações de registros públicos. Os promotores alegam que Morens usou e-mail pessoal para comunicações sobre pesquisas de coronavírus em morcegos, evitando a Lei de Liberdade de Informação.

David Morens, ex-assessor do infectologista Anthony Fauci, admitiu conspirar para burlar leis de acesso a registros públicos e ocultar documentos sobre financiamento de pesquisas da Covid-19, podendo enfrentar até cinco anos de prisão.

David Morens entrou em uma sala de tribunal federal em Greenbelt, Maryland, na terça-feira e admitiu ter conspirado para burlar as leis que garantem ao público acesso a registros governamentais. O homem de 78 anos, que trabalhou como assessor sênior de Anthony Fauci no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas durante a pandemia, confessou sua culpa em um caso que toca em questões sensíveis sobre transparência, origem do vírus e o papel das agências federais na resposta à Covid-19.

Morens havia sido indiciado em abril sob acusação de liderar um esquema para obstruir solicitações de registros públicos que chegavam ao NIAID a partir de abril de 2020. Essas solicitações diziam respeito a subsídios de pesquisa relacionados ao coronavírus. Os promotores alegam que ele e outros conspiradores combinaram de usar a conta de e-mail pessoal de Morens em vez de seus endereços governamentais para discutir assuntos oficiais, antecipando que tais comunicações poderiam ser solicitadas sob a Lei de Liberdade de Informação. A estratégia era simples: manter certos registros fora do alcance público.

O cerne da questão envolvia pesquisas sobre coronavírus em morcegos. Os Institutos Nacionais de Saúde haviam cancelado um subsídio de pesquisa nessa área com base em alegações de que a Covid-19 poderia ter vindo de um laboratório em Wuhan, na China. Esse laboratório havia recebido financiamento através de um sub-repasse de uma instituição que havia sido contemplada com recursos federais. Os promotores afirmam que Morens se comprometeu a ajudar a restaurar esse financiamento e a combater a narrativa de que o vírus havia vazado de um laboratório.

A admissão de culpa de Morens ocorre em um contexto mais amplo de escrutínio sobre Fauci, que liderou o NIAID por 38 anos e se tornou o rosto público da resposta americana à pandemia. Fauci compareceu a uma comissão do Senado no mês passado e invocou repetidamente seu direito de não se autoincriminar, recusando-se a responder perguntas. Ele também acusou o senador republicano Rand Paul de conduzir uma campanha "desequilibrada" contra ele. No entanto, os promotores deixaram claro que Fauci não foi acusado de qualquer irregularidade relacionada ao caso de Morens. Quando depôs perante uma comissão da Câmara em 2024, Fauci minimizou a proximidade de sua colaboração com Morens e negou ter usado um endereço de e-mail pessoal para discutir assuntos governamentais.

Morens enfrenta até cinco anos de prisão quando for sentenciado em 12 de novembro. Seu advogado, Timothy Belevetz, emitiu um comunicado afirmando que ao declarar-se culpado, Morens "assumiu a responsabilidade por seus atos e continuará a fazê-lo". A confissão marca um ponto de virada em uma investigação que toca em questões mais amplas sobre como as agências federais gerenciaram informações durante a pandemia.

A questão das origens da Covid permanece sem resolução definitiva. O FBI afirmou em 2023 que um vazamento de laboratório em Wuhan provavelmente causou a pandemia, uma conclusão que a China rejeitou como "totalmente desprovida de credibilidade". Em janeiro de 2025, a CIA afirmou que um vazamento era provável, embora com "baixa confiança". Outras quatro agências de inteligência dos EUA e o Conselho Nacional de Inteligência acreditam que o vírus provavelmente surgiu através de transmissão natural de um animal. Essa incerteza científica e política fornece o pano de fundo para as ações que Morens agora admite ter cometido.

Fauci, que se aposentou em 2022 após servir sete presidentes americanos, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade em 2008. A pandemia matou mais de 1,1 milhão de americanos e transformou Fauci em uma figura altamente polarizada. A confissão de Morens sugere que pelo menos alguns dentro da agência estavam preocupados em controlar a narrativa sobre as origens do vírus e o financiamento de pesquisas relacionadas.

Ao declarar-se culpado, o Dr. Morens assumiu a responsabilidade por seus atos e continuará a fazê-lo
— Timothy Belevetz, advogado de David Morens
Fauci acusou o senador republicano Rand Paul de conduzir uma campanha desequilibrada para vê-lo preso
— Relato de audiência no Senado
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