EUA investigam possível ajuda russa em ataques iranianos contra instalações da CIA

Dois soldados americanos foram mortos em ataque a base aérea na Jordânia; nenhuma morte ou ferimento relatado no ataque à embaixada em Riad.
Poucos países teriam capacidade e interesse em transformar inteligência em arma contra os EUA
Analistas americanos avaliam quem poderia ter fornecido dados de mira para ataques iranianos contra instalações da CIA.
Mark

Por que a precisão desses ataques levanta suspeitas sobre envolvimento russo especificamente?

Mimi

Porque o Irã não teria sozinho a capacidade de obter dados de inteligência tão sensíveis sobre a localização exata de instalações secretas da CIA. Isso requer acesso a informações que poucos países possuem.

Mark

E a tecnologia dos drones? O Irã não poderia ter desenvolvido isso por conta própria?

Mimi

Poderia ter desenvolvido versões básicas, sim. Mas o sistema Kometa-M que a Rússia forneceu é muito mais avançado — mais preciso, mais difícil de bloquear. A diferença entre acertar uma embaixada e acertar uma sala específica dentro dela.

Mark

Então o que muda se a Rússia realmente ajudou? Não estava já apoiando o Irã?

Mimi

Sim, mas havia uma linha. Fornecer armas é uma coisa. Ajudar a escolher quais instalações americanas atacar é outra — é uma escalação. Sugere que Moscou está disposta a se envolver diretamente em operações contra os EUA.

Mark

E por que a Rússia faria isso agora?

Mimi

Porque compartilha com o Irã um interesse estratégico: reduzir a influência americana na região. Quanto mais enfraquecidas as operações da CIA, mais espaço para Moscou e Teerã agirem.

Mark

As autoridades americanas têm certeza disso?

Mimi

Não. Ainda há dúvidas. Alguns analistas acreditam que o Irã poderia estar mirando a embaixada de forma geral e ter acertado a estação da CIA por acaso. É por isso que a investigação continua.

  • Pelo menos duas instalações da CIA foram atingidas em março: estação em Riad (dentro da embaixada americana) e outra no leste do Iraque
  • Rússia teria fornecido sistema de navegação Kometa-M ao Irã para aumentar precisão dos drones Shahed-136
  • Memorando de agência de inteligência ocidental concluiu que Rússia provavelmente participou da definição dos alvos das instalações da CIA
  • Dois soldados americanos foram mortos em ataque a base aérea na Jordânia; nenhuma morte em Riad

Ataques de drones iranianos atingiram pelo menos duas instalações da CIA, incluindo estação em Riad dentro da embaixada americana, com precisão que levanta suspeitas de envolvimento russo. Rússia teria fornecido sistema de navegação por satélite Kometa-M ao Irã para aumentar precisão dos drones Shahed-136, tecnologia muito mais avançada que a desenvolvida pelo próprio Irã.

Inteligência americana apura se Rússia forneceu dados de mira, tecnologia de drones ou ajudou na seleção de alvos em ataques iranianos contra instalações da CIA no Oriente Médio em março.

Em março, drones iranianos atingiram instalações da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos espalhadas pelo Oriente Médio — pelo menos duas confirmadas, possivelmente mais. Uma delas era a estação da CIA dentro da embaixada americana em Riad, na Arábia Saudita. A outra ficava no leste do Iraque. Os ataques foram precisos. Tão precisos que analistas de inteligência americana começaram a fazer uma pergunta incômoda: a Rússia ajudou?

A investigação, divulgada pela Reuters em julho com base em relatos de quatro pessoas com acesso a informações de inteligência americana, ainda não chegou a conclusões definitivas. Mas os indícios são suficientes para justificar o escrutínio. A eficácia dos ataques, a aparente precisão dos drones, e o histórico conhecido de apoio técnico russo ao Irã — tudo isso apontava para uma possível colaboração. O que estava em jogo era a questão de até onde Moscou estava disposta a ir para prejudicar operações americanas na região.

Os analistas investigavam três cenários específicos. Primeiro, se a Rússia havia fornecido dados de mira — informações de inteligência altamente sensíveis sobre a localização exata dos alvos. Segundo, se havia transferido tecnologia avançada para os drones. Terceiro, se havia ajudado a escolher quais instalações atacar. Um memorando interno de uma agência de inteligência ocidental, descrito por uma autoridade com acesso ao documento, concluiu que a Rússia provavelmente teve participação na definição dos alvos das instalações regionais da CIA.

A tecnologia em questão era o sistema de navegação por satélite Kometa-M. Segundo autoridades ocidentais na região, a Rússia havia fornecido esse sistema ao Irã para aumentar a precisão dos drones Shahed-136 — máquinas com pequena envergadura, difíceis de detectar por radar. O Kometa-M era significativamente mais preciso e mais resistente a bloqueios do que o sistema de navegação que o próprio Irã havia desenvolvido. O Wall Street Journal havia reportado essa transferência em março; o Kremlin negou, chamando a reportagem de "fake news".

No ataque à embaixada em Riad, duas versões aprimoradas dos drones Shahed foram utilizadas, segundo autoridades ocidentais. Uma abriu um buraco em uma parte vulnerável da estrutura externa do prédio. A segunda atravessou a abertura e explodiu. Ninguém morreu. Ninguém ficou ferido. Mas a precisão da operação — a coordenação, a escolha do ponto de impacto — sugeriu um nível de planejamento que ia além do que o Irã teria alcançado sozinho.

A preocupação com envolvimento russo havia aumentado no fim de semana anterior, quando o Irã atacou uma base aérea americana na Jordânia com mísseis balísticos, matando dois soldados. Autoridades americanas já haviam reconhecido publicamente que a Rússia fornecia dados de mira e outro tipo de apoio ao Irã em ataques contra alvos dos EUA na região do Golfo de forma geral. Mas a investigação específica sobre um possível papel russo nos ataques contra instalações da CIA não havia sido divulgada antes.

Daniel Hoffman, ex-chefe de estação da CIA e ex-oficial de operações clandestinas, disse que não seria surpreendente que Moscou ajudasse Teerã a escolher como alvo instalações da CIA. Os dois países compartilhavam um interesse estratégico claro: reduzir ou eliminar a influência americana nas áreas que consideravam suas próprias esferas de influência. Alguns analistas argumentavam que poucos países além da Rússia teriam tanto a capacidade de obter informações de inteligência altamente sensíveis quanto o interesse em transformá-las em arma contra os Estados Unidos.

Ainda assim, permaneciam dúvidas. Algumas fontes alertaram que o Irã poderia estar mirando a embaixada americana de forma geral e, por acaso, ter atingido a estação da CIA. As autoridades se recusaram a revelar o número exato ou a localização das instalações atingidas — uma disse apenas que foram "mais de uma e menos de uma dúzia". A Casa Branca encaminhou um pedido de comentário à CIA, que se recusou a falar. O Irã, a Rússia e a Arábia Saudita também não responderam aos pedidos de comentário.

O que a investigação sugeria, porém, era uma escalação. Se Moscou estava de fato ajudando Teerã a atacar instalações sensíveis da CIA com essa precisão, isso indicava que a parceria estratégica entre Rússia e Irã havia ido além do apoio genérico. Indicava uma disposição de Moscou de se envolver diretamente em operações contra os Estados Unidos — não apenas fornecendo armas ou treinamento, mas inteligência, tecnologia de navegação, e possivelmente até orientação sobre quais alvos atingir.

Eles compartilham o interesse de tentar reduzir ou eliminar totalmente a influência dos Estados Unidos nas áreas que consideram suas próprias esferas de influência
— Daniel Hoffman, ex-chefe de estação da CIA
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