EUA, Dinamarca e Groenlândia assinam acordo de segurança com duas novas bases americanas

Controle permanente sem propriedade permanente
O acordo de Trump garante veto americano sobre segurança e investimentos na Groenlândia, mas mantém a soberania dinamarquesa.
Mark

Por que Trump insistiu tanto em comprar a Groenlândia se o acordo que ele assinou não lhe dá propriedade?

Mimi

Porque a propriedade teria sido permanente e absoluta. O acordo que ele conseguiu é forte — controle sobre segurança, veto sobre investimentos estrangeiros, duas novas bases — mas tecnicamente a Dinamarca continua soberana. Se a Groenlândia se tornar independente, o acordo a vincula de qualquer forma, mas não é a mesma coisa que posse.

Luke

Espera. O acordo diz que a Groenlândia "deverá permanecer na Otan ou aderir a ela, se necessário". Isso é vinculante? Quem força isso se a Groenlândia votar pela independência e depois votar para sair da Otan?

Mimi

Boa pergunta. O texto reconhece a autodeterminação groenlandesa, mas também deixa claro que os termos do acordo continuam. É uma tensão não resolvida — está escrito, mas a execução real dependeria de negociações futuras.

Mark

E quanto aos recursos? A Groenlândia tem terras raras que a Europa precisa.

Mimi

Exatamente. O acordo dá aos EUA poder de veto sobre grandes investimentos. Isso significa que a Groenlândia não pode vender direitos de mineração para a China sem aprovação americana. É controle indireto sobre recursos estratégicos.

Luke

Mas o acordo não menciona especificamente mineração ou recursos, certo? Você está inferindo que "poder de veto sobre grandes acordos de investimento" inclui isso.

Mimi

Sim, estou. As autoridades próximas às negociações disseram que os americanos insistiram em veto para excluir Rússia e China. Mineração seria um grande acordo de investimento.

Mark

Trump disse que isso é "controle permanente". Permanente até quando?

Mimi

Até que seja renegociado. Mas o acordo pode durar indefinidamente — Frederiksen disse que "pode durar para sempre". Não há data de expiração.

Luke

Há uma diferença entre "pode durar" e "durará". Acordos podem ser renegociados. Especialmente se a Groenlândia se torna independente e tem um novo governo.

Mimi

Verdade. O acordo é forte, mas não é imutável. É mais forte do que o que Trump tinha antes, mas menos do que ele queria.

  • Acordo trilateral assinado em 22 de setembro de 2026 na ONU em Nova York
  • Autoriza duas novas bases militares americanas em Narsarsuaq e Mestersvig
  • Groenlândia permanecerá vinculada aos termos mesmo se conquistar independência
  • Permite sistema de defesa "Golden Dome" contra mísseis balísticos
  • Proíbe bases russas e chinesas sem aprovação escrita dos EUA

Acordo trilateral permite instalação de duas bases militares americanas na Groenlândia e sistema de defesa contra mísseis balísticos, reforçando presença dos EUA no Ártico. Trump buscava desde seu primeiro mandato comprar ou controlar totalmente a Groenlândia por questões de segurança nacional contra Rússia e China, mas acordo mantém soberania dinamarquesa.

EUA, Dinamarca e Groenlândia assinaram acordo que autoriza duas novas bases militares americanas na ilha, expandindo presença estratégica no Ártico, embora Trump não tenha conseguido seu objetivo de comprar ou controlar totalmente o território.

Na terça-feira, em um prédio da ONU em Nova York, três líderes colocaram suas assinaturas em um documento de dez páginas que redefine a presença militar americana no Ártico. Donald Trump, a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen e o primeiro-ministro groenlandês Jens-Frederik Nielsen selaram um acordo de segurança que autoriza a instalação de duas novas bases militares americanas na Groenlândia, logo após Trump discursar na Assembleia Geral.

O acordo representa uma vitória parcial para o presidente americano, mas não a que ele realmente queria. Desde seu primeiro mandato, Trump afirma que os Estados Unidos precisam "controlar" ou comprar a Groenlândia por razões de segurança nacional — para conter a crescente presença russa e chinesa no Ártico. Desta vez, porém, o pacto mantém a soberania do território nas mãos da Dinamarca, mesmo que amplie significativamente o acesso militar americano. O acordo modifica e estende um tratado de 1951 que já concedia a Washington liberdade considerável para operar instalações militares na ilha.

No discurso, Trump anunciou que os EUA instalarão "duas bases muito importantes", uma no sul e outra na costa leste. Os locais escolhidos são Narsarsuaq, uma localidade cujos poucos habitantes vivem em um lugar onde os americanos fecharam uma base na década de 1950, e Mestersvig, um posto atualmente usado pela Patrulha de Trenós Puxados por Cães Sirius, unidade de forças especiais dinamarquesa. O acordo também permite que Washington modernize e expanda suas atividades na Base Espacial de Pituffik, que hoje abriga cerca de 150 militares americanos — um número drasticamente menor que os mais de dez mil que a ilha hospedava durante a Guerra Fria, quando os EUA mantinham 17 instalações.

O texto divulgado após a assinatura inclui disposições que concedem aos EUA o direito de instalar o sistema de defesa conhecido como "Golden Dome", um escudo contra ameaças de mísseis balísticos. Mais significativamente, o acordo proíbe a instalação de bases russas e chinesas na Groenlândia e exige aprovação escrita dos EUA para qualquer presença militar de adversários americanos. Trump descreveu isso como "controle permanente" sobre a segurança da ilha. Frederiksen endossou essa caracterização, afirmando que "nenhum adversário terá permissão para obter qualquer controle ou influência significativa na Groenlândia" e que o acordo "pode durar para sempre".

O primeiro-ministro groenlandês Nielsen enquadrou o acordo como um reconhecimento de responsabilidade compartilhada. "Somos, temos sido e continuaremos sendo um amigo fiel dos Estados Unidos e parte da aliança ocidental", disse durante a cerimônia. "Sua segurança é a nossa segurança, e a nossa segurança é a sua segurança." O pacto reconhece explicitamente a soberania dinamarquesa e o direito do povo groenlandês à autodeterminação, mas contém uma cláusula crucial: mesmo que a Groenlândia conquiste a independência da Dinamarca — algo que muitos groenlandeses apoiam — o território permanecerá vinculado aos termos do acordo e deverá permanecer na Otan ou aderir a ela "se necessário".

A Groenlândia é uma peça estratégica de primeira magnitude. A ilha, maior que o México e quase quatro vezes o tamanho do Texas, ocupa a rota aérea mais curta entre Moscou e Washington, conhecida como distância ortodrômica, representando uma das principais linhas de frente da defesa aérea da Otan no Ártico. O degelo crescente torna a região mais acessível e aumenta sua importância geopolítica. O território também abriga reservas estimadas de 1,5 milhão de toneladas de terras raras, incluindo grafite e zinco — materiais críticos para tecnologias de energia renovável que a União Europeia busca expandir. A China domina o mercado global de grafite, tornando as reservas groenlandesas particularmente valiosas.

O acordo emergiu após uma crise diplomática no início do ano, quando Trump ameaçou anexar o território autônomo dinamarquês e exigiu "controle total e completo". Autoridades americanas, groenlandesas e dinamarquesas mantiveram uma série de reuniões reservadas, inclusive na Casa Branca. Segundo fontes próximas às negociações, os americanos insistiram em ter poder de veto sobre grandes acordos de investimento na Groenlândia para excluir concorrentes como Rússia e China. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que ajudou a acalmar os ânimos no auge da crise, celebrou a assinatura, escrevendo que o acordo "reforça a nossa segurança coletiva". Analistas observam que, embora Washington pudesse ter alcançado resultados similares por meio de negociações diretas sem prejudicar relacionamentos, o acordo garante aos EUA uma presença crucial no Ártico em um momento em que a região se torna cada vez mais importante.

Ao expandir a presença americana no Ártico e no Atlântico Norte, este acordo também protege a Europa, além dos EUA, e a protege consideravelmente
— Donald Trump, durante discurso na ONU
Nenhum adversário terá permissão para obter qualquer controle ou influência significativa na Groenlândia. Esse acordo reforça a importância da aliança da Otan
— Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca
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