Há séculos, viajantes convivem com o mal-estar que acompanha o movimento — um conflito silencioso entre o que os olhos veem e o que o corpo sente. Agora, a FDA americana aprovou o tradipitante, batizado de Nereus, um medicamento que age diretamente nos receptores cerebrais responsáveis por desencadear náuseas e vômitos durante trajetos. A aprovação representa um avanço concreto para os milhões que enfrentam a cinetose, embora o acesso ainda seja restrito aos Estados Unidos, deixando outros países à espera de seus próprios processos regulatórios.
EUA aprovam tradipitante, novo medicamento contra enjoo do movimento
Reduz vômitos de 37-44% para 18-19% em pacientes
Por que um medicamento contra enjoo do movimento é importante o suficiente para merecer aprovação regulatória?
Porque a cinetose afeta milhões de pessoas e não tinha uma solução farmacológica eficaz. Agora existe uma opção que reduz vômitos em mais da metade dos casos.
Mas 50 a 70% de eficácia significa que em 30 a 50% dos pacientes o medicamento não funciona bem. Isso é bom, mas não é uma cura.
Como exatamente o Nereus funciona no corpo?
Ele bloqueia receptores NK-1 no cérebro, que são responsáveis por desencadear náuseas. É uma abordagem bem direcionada.
E os efeitos colaterais? O material não menciona nada sobre segurança ou reações adversas. Sabemos que o medicamento é seguro?
Quando as pessoas vão poder comprar isso?
Nos EUA, em alguns meses. Mas no Brasil ainda não há cronograma.
E isso significa que brasileiros que viajam continuarão sem essa opção por um tempo indeterminado. Vale notar que a aprovação nos EUA não garante aprovação aqui.
Le Pouls
- A cinetose afeta passageiros em todo o mundo, e as opções de tratamento disponíveis há décadas deixavam muito a desejar em termos de eficácia e efeitos colaterais.
- O novo medicamento reduz a incidência de vômitos de até 44% no grupo placebo para menos de 20% nos pacientes tratados — uma diferença que a FDA considerou suficiente para aprovar o fármaco.
- O Nereus age bloqueando os receptores NK-1 no cérebro, interrompendo a cascata biológica que transforma o conflito sensorial em mal-estar físico intenso.
- A Vanda Pharmaceuticals conduziu testes clínicos em embarcações, um dos ambientes mais desafiadores para quem sofre de cinetose, reforçando a credibilidade dos resultados.
- O medicamento deve chegar às farmácias norte-americanas em breve, mas pacientes brasileiros ainda não têm previsão de acesso, dependendo de um processo regulatório independente no país.
Há séculos, viajantes convivem com o mal-estar que acompanha o movimento — um conflito silencioso entre o que os olhos veem e o que o corpo sente. Agora, a FDA americana aprovou o tradipitante, batizado de Nereus, um medicamento que age diretamente nos receptores cerebrais responsáveis por desencadear náuseas e vômitos durante trajetos. A aprovação representa um avanço concreto para os milhões que enfrentam a cinetose, embora o acesso ainda seja restrito aos Estados Unidos, deixando outros países à espera de seus próprios processos regulatórios.
A FDA aprovou nesta terça-feira o tradipitante, que será comercializado como Nereus, tornando-o o mais novo tratamento disponível contra a cinetose no mercado norte-americano. A condição, conhecida popularmente como enjoo do movimento, atinge passageiros de carros, aviões, barcos e trens, manifestando-se em náuseas, tontura e vômitos.
O problema tem origem num conflito sensorial: enquanto os olhos registram movimento, o labirinto do ouvido interno percebe algo diferente. Esse desencontro leva o cérebro a liberar uma substância que ativa os receptores NK-1 — os gatilhos biológicos das náuseas e dos vômitos. É exatamente aí que o Nereus intervém, bloqueando esses receptores e interrompendo a reação antes que ela se instale.
Os estudos clínicos conduzidos pela Vanda Pharmaceuticals, dois deles realizados em embarcações, mostraram resultados expressivos: enquanto o grupo placebo apresentou vômitos em taxas entre 37,7% e 44,3%, os pacientes tratados com tradipitante registraram incidência de apenas 18,3% a 19,5%, representando uma eficácia de 50% a 70%.
O medicamento deve chegar às farmácias dos Estados Unidos nos próximos meses. Para pacientes brasileiros, porém, a espera continua: o país ainda precisará conduzir seu próprio processo regulatório antes que o Nereus possa ser comercializado por aqui.
A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos deu sinal verde, nesta terça-feira, para um novo tratamento contra o enjoo do movimento. O tradipitante, que será vendido sob a marca Nereus, chega ao mercado norte-americano após demonstrar capacidade de reduzir significativamente um dos sintomas mais incômodos da cinetose: o vômito.
A cinetose é aquela sensação familiar de mal-estar que atinge passageiros em carros, aviões, barcos e trens. Náuseas, tontura, desconforto geral e vômitos são suas manifestações mais comuns. A condição ocorre por um conflito sensorial: os olhos veem movimento enquanto o labirinto, estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio, sente algo diferente. Esse desencontro de sinais confunde o cérebro, que responde liberando uma substância chamada P e ativando receptores NK-1. Esses receptores são os gatilhos biológicos que desencadeiam as náuseas e os vômitos.
O Nereus funciona de forma direta: ao ser ingerido, o medicamento se liga aos receptores NK-1 e os bloqueia, interrompendo a cascata que leva aos sintomas. A Vanda Pharmaceuticals, biofarmacêutica norte-americana responsável pelo desenvolvimento, submeteu o fármaco a testes clínicos rigorosos para comprovar sua eficácia. Dois dos três estudos foram realizados em embarcações, ambientes onde a cinetose é particularmente desafiadora.
Os números falam por si. Nos testes, pacientes que receberam o tradipitante apresentaram incidência de vômitos entre 18,3% e 19,5%. O grupo que recebeu placebo sofreu com o sintoma em taxas bem mais altas: entre 37,7% e 44,3%. Essa diferença se traduz em eficácia de 50% a 70% contra a reação causada pelo enjoo do movimento. A Food and Drug Administration (FDA) considerou esses resultados suficientes para aprovar o medicamento.
A expectativa é que o Nereus chegue às prateleiras das farmácias norte-americanas nos próximos meses. No Brasil, porém, ainda não há qualquer previsão de aprovação ou comercialização. O país terá de aguardar um processo regulatório próprio antes que o novo tratamento esteja disponível para pacientes brasileiros que sofrem com a cinetose.
Citations marquantes
O medicamento se liga e bloqueia a ação dos receptores NK-1, responsáveis por causar os incômodos— Descrição do mecanismo de ação do Nereus