Etanol sobe 20% em usinas paulistas com demanda aquecida e chuvas limitando moagem

Demanda crescente e oferta reduzida por chuva criaram o cenário perfeito
O etanol subiu 20% em um mês graças à combinação de consumo robusto e interrupções na moagem de cana.
Mark

Por que o etanol subiu tanto em tão pouco tempo? Parece uma mudança brusca.

Mimi

Não foi brusco, na verdade. A demanda estava crescendo — julho registrou o maior volume de vendas de etanol hidratado de um mês de julho na história. Ao mesmo tempo, as chuvas atrasaram a colheita e a moagem de cana no Centro-Sul, reduzindo a oferta. Preço sobe quando a demanda cresce e a oferta cai.

Luke

Mas quanto dessa alta vem da demanda real e quanto vem de especulação sobre o E35? O teste ainda não foi aprovado.

Mimi

Boa pergunta. O Itaú BBA atribui a recuperação a uma combinação de fatores — consumo crescente, competitividade frente à gasolina, e sim, as discussões sobre o E35. Mas o E35 ainda é apenas um teste que será publicado em setembro. Não é garantido.

Mark

E a competitividade do etanol — isso é durável?

Mimi

Por enquanto, sim. A paridade com a gasolina em São Paulo está abaixo de 60%, o que significa que o etanol é significativamente mais barato. Mudanças recentes na tributação dos combustíveis também ajudaram.

Luke

Mas isso depende de como a gasolina se comporta. Se o preço da gasolina cair, a vantagem do etanol diminui. O relatório não fala sobre perspectivas para o preço da gasolina.

Mark

E a chuva — quanto tempo ela pode continuar limitando a moagem?

Mimi

Não há uma data específica. O relatório diz que as chuvas podem prolongar o período de processamento, mas não quantifica quanto. É uma incerteza real.

Luke

E tem mais: há um grande volume de cana bisada — cana que não foi colhida este ano — esperando para ser processada. Quando a moagem retomar, isso pode pressionar os preços para baixo novamente.

Mark

Então a alta de preços pode ser temporária?

Mimi

Pode ser. A Consultoria Agro do Itaú BBA diz que o desafio será sustentar esse movimento. Não é uma situação estável — é um equilíbrio frágil entre demanda forte e oferta constrangida.

  • O etanol hidratado saltou de R$ 2,05 para R$ 2,46 por litro em São Paulo entre agosto e setembro, marcando a maior alta em meses e surpreendendo o mercado.
  • A demanda doméstica bateu recorde em julho — 1,92 bilhão de litros — impulsionada pela vantagem econômica do etanol sobre a gasolina, cuja paridade permaneceu abaixo de 60%.
  • Chuvas persistentes no Centro-Sul interrompem a moagem de cana e comprimem a oferta, alimentando a pressão altista nos preços das usinas.
  • O Ministério de Minas e Energia deve publicar em setembro uma portaria para testes da mistura E35, que poderia injetar até 2,5 bilhões de litros adicionais de demanda anual no setor.
  • O grande risco à frente é o estoque de cana bisada represada: quando a moagem retomar o ritmo, esse volume pode reverter parte dos ganhos conquistados nas últimas semanas.

Em pouco mais de um mês, o etanol hidratado nas usinas paulistas percorreu um caminho de quase 20% de valorização, movido pela confluência rara entre demanda recorde, competitividade frente à gasolina e uma oferta restringida pelas chuvas. O momento revela como biocombustíveis ocupam um lugar cada vez mais estratégico na equação energética brasileira — e como fatores climáticos e regulatórios podem, juntos, redesenhar mercados inteiros. A pergunta que fica é se essa alta conseguirá sustentar-se diante do volume represado de cana que aguarda processamento.

Em pouco mais de um mês, o etanol hidratado nas usinas de São Paulo subiu quase 20%, passando de R$ 2,05 para R$ 2,46 por litro. A escalada, consolidada na semana de 11 de setembro segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA, encerrou um período de pressão sobre os preços e revelou uma combinação incomum de fatores favoráveis ao biocombustível.

A demanda doméstica é o principal motor da recuperação. Em julho, as distribuidoras comercializaram 1,92 bilhão de litros de etanol hidratado — recorde para o mês —, sustentados pela paridade com a gasolina abaixo de 60% em São Paulo. Mudanças recentes na tributação dos combustíveis ampliaram ainda mais essa vantagem competitiva. A valorização do açúcar e a redução pontual da oferta de matéria-prima em algumas regiões produtoras também contribuíram para manter os preços elevados.

No horizonte regulatório, o Ministério de Minas e Energia deve publicar ainda em setembro uma portaria autorizando testes para a mistura E35 — 35% de etanol anidro na gasolina. Se adotada, a medida poderia gerar entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de litros adicionais de demanda anual, reforçando a perspectiva de um mercado mais equilibrado.

Do lado da oferta, as chuvas no Centro-Sul seguem interrompendo a moagem de cana e limitando a produção das usinas. Mariana Zechin, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, aponta que a recuperação recente reflete essa soma de fundamentos positivos. O desafio dos próximos meses será sustentar a alta diante do grande volume de cana bisada represada da safra anterior — matéria-prima que, quando finalmente processada, pode pressionar os preços de volta para baixo.

Em pouco mais de um mês, o etanol hidratado comercializado nas usinas de São Paulo subiu de R$ 2,05 para R$ 2,46 por litro — uma alta de quase 20% que reflete uma combinação rara de fatores favoráveis ao biocombustível. A escalada começou no início de agosto e consolidou-se na semana de 11 de setembro, segundo dados da Consultoria Agro do Itaú BBA, interrompendo um período anterior de pressão sobre os preços.

A demanda doméstica é o motor principal dessa recuperação. Em julho, as distribuidoras comercializaram 1,92 bilhão de litros de etanol hidratado — o maior volume já registrado para um mês de julho. Esse consumo robusto é sustentado pela vantagem econômica que o etanol mantém sobre a gasolina: em São Paulo, o principal mercado consumidor do país, a paridade entre os dois combustíveis permaneceu abaixo de 60% durante o período analisado, tornando o biocombustível significativamente mais barato na bomba. Mudanças recentes na tributação dos combustíveis amplificaram essa competitividade.

Além da demanda, a valorização do açúcar e a redução da oferta de matéria-prima em algumas regiões produtoras também contribuíram para sustentar os preços mais altos. O mercado, porém, acompanha com atenção uma medida regulatória que pode transformar o cenário: o Ministério de Minas e Energia deve publicar ainda em setembro uma portaria autorizando testes para avaliar a viabilidade técnica da mistura de 35% de etanol anidro na gasolina, conhecida como E35. Caso essa mistura seja adotada, ela poderia gerar uma demanda adicional de 2 bilhões a 2,5 bilhões de litros de etanol anidro por ano — um volume expressivo que reforçaria a perspectiva de um mercado mais equilibrado.

O lado da oferta, porém, apresenta desafios. As chuvas no Centro-Sul têm provocado interrupções na moagem de cana e podem prolongar o período de processamento da matéria-prima, limitando a quantidade de etanol que as usinas conseguem produzir. Mariana Zechin, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, observa que a recuperação observada nas últimas semanas reflete essa combinação positiva de fundamentos — avanço do consumo, maior competitividade do etanol e discussões regulatórias que apontam para um mercado mais robusto.

O grande teste virá nos próximos meses. O desafio será sustentar esse movimento de alta de preços no restante da safra atual e no início do próximo ciclo, considerando o grande volume de cana bisada — aquela que não será colhida este ano — que ficou pendente da safra anterior e precisará ser processada. Esse estoque de matéria-prima represada pode exercer pressão sobre os preços quando a moagem finalmente retomar seu ritmo normal.

A recuperação observada nas últimas semanas reflete uma combinação positiva de fundamentos — avanço do consumo, maior competitividade do etanol e discussões regulatórias que reforçam a perspectiva de um mercado mais equilibrado
— Mariana Zechin, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA
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