Estudos mostram avanço de câncer em menores de 50 anos, principalmente colorretal

Três vezes um número pequeno continua sendo um número pequeno
Pesquisadora oferece perspectiva sobre crescimento de câncer em jovens, lembrando que a incidência absoluta permanece baixa.
Mark

Por que o câncer colorretal está crescendo especificamente entre pessoas jovens? Isso é novo?

Mimi

Sim, é um padrão que emergiu nos últimos vinte anos. Na Inglaterra, a taxa dobrou. Mas o que torna o colorretal único é que em alguns países ele cresce entre jovens enquanto diminui entre idosos — o oposto do que vemos com outros cânceres.

Luke

Mas sabemos se são mais casos reais ou mais diagnósticos? O estudo sobre pâncreas mostrou que o crescimento foi quase todo em estágios iniciais.

Mimi

Boa pergunta. Com o pâncreas, parecia ser principalmente diagnóstico precoce. Com o colorretal, alguns estudos americanos mostram aumento também em estágios avançados, sugerindo crescimento real.

Mark

Qual é a causa? Está claro?

Mimi

Não completamente. Pesquisadores apontam para mudanças alimentares — mais ultraprocessados — e sedentarismo. A obesidade é um fator comprovado.

Luke

Mas eles têm dados sólidos sobre isso? Ou é especulação?

Mimi

A obesidade é reconhecida como causa de treze tipos de câncer. Jovens com obesidade têm quase o dobro de risco de colorretal. Mas quanto aos ultraprocessados especificamente, as evidências ainda são inconclusivas.

Mark

Então o que um jovem deveria fazer?

Mimi

Manter peso saudável, ser mais ativo, comer mais fibras, reduzir carnes processadas. Coisas simples, mas que importam.

Luke

E a perspectiva? Isso é assustador?

Mimi

Não necessariamente. O câncer entre jovens continua raro. Aumentou, mas ainda é incomum. Três vezes um número pequeno continua pequeno.

  • Câncer colorretal em menores de 50 anos na Inglaterra dobrou entre 2001 e 2023: de 1 em 26 mil para 1 em 12 mil pessoas
  • Seis tipos de câncer aumentaram entre jovens adultos globalmente: tireoide, mama, colorretal, rim, útero e leucemia
  • Brasil estima 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028
  • Obesidade quadruplicou entre adolescentes desde os anos 1990 e é causa comprovada de pelo menos 13 tipos de câncer
  • Chile registrou crescimento anual de quase 4% em câncer colorretal de início precoce

Câncer colorretal em menores de 50 anos na Inglaterra dobrou em duas décadas, passando de 1 em 26 mil para 1 em 12 mil pessoas. Seis tipos de câncer aumentaram entre jovens adultos globalmente: tireoide, mama, colorretal, rim, útero e leucemia, com padrões distintos por região.

Estudos internacionais mostram aumento de diagnósticos de câncer em menores de 50 anos, principalmente colorretal, nos últimos 20 anos. Mudanças alimentares e sedentarismo na América Latina são apontados como possíveis causas.

Nos últimos vinte anos, algo mudou nos consultórios de oncologia ao redor do mundo. Pessoas com menos de cinquenta anos começaram a receber diagnósticos de câncer com frequência crescente — um padrão que pesquisadores internacionais agora documentam com precisão alarmante. O câncer colorretal lidera essa tendência. Na Inglaterra, a taxa de diagnóstico entre menores de cinquenta anos dobrou entre 2001 e 2023: em 2001, aproximadamente uma em cada vinte e seis mil pessoas nessa faixa etária recebia esse diagnóstico; em 2023, a proporção havia caído para uma em cada doze mil. Esses números vêm do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer, uma rede internacional de organizações beneficentes que analisou registros de três países — Inglaterra, Estados Unidos e Holanda — e constatou aumento em sete tipos de câncer apenas no território inglês.

O fenômeno não se limita à Europa. Um estudo de 2025 que examinou dados de cinquenta países e territórios até 2017 identificou crescimento de câncer colorretal de início precoce em vinte e sete dessas regiões. Na América Latina, o padrão é particularmente pronunciado: Chile, Argentina, Equador, Costa Rica e Porto Rico registraram aumentos significativos, com o Chile apresentando crescimento anual de quase quatro por cento — entre os mais elevados globalmente. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer estima 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, com destaque para câncer de colo do útero e colorretal, ambos com grande potencial de prevenção e detecção precoce.

Mas o quadro é mais complexo do que números crescentes sugerem. Pesquisadores ainda debatem se estamos diante de um aumento real de casos ou de uma detecção mais eficiente. Um estudo americano sobre câncer de pâncreas em pessoas de quinze a trinta e nove anos descobriu que o crescimento ocorreu quase exclusivamente em tumores diagnosticados em estágio inicial, enquanto as taxas de mortalidade permaneceram inalteradas — indicativo de que mais diagnósticos precoces, e não necessariamente mais doença, podem explicar parte da elevação. Com o câncer colorretal, porém, a história diverge: alguns estudos americanos mostram aumento também nos estágios avançados da doença, sugerindo um crescimento real do número de casos, não apenas dos diagnósticos.

Um estudo de 2025 envolvendo quarenta e dois países comparou dados de dois grupos etários — vinte a quarenta e nove anos e cinquenta anos ou mais — entre 2003 e 2017. Seis tipos de câncer apresentaram aumento entre os grupos mais jovens na maioria dos países: tireoide, mama, colorretal, rim, útero e leucemia. Todos, com exceção do colorretal, também registraram crescimento entre adultos mais velhos. O câncer colorretal se destaca por um padrão inverso: em aproximadamente um terço dos países analisados, aumentou mais rapidamente entre adultos jovens enquanto diminuía entre os mais velhos — um comportamento epidemiológico único que intriga pesquisadores e complica a busca por explicações.

Os investigadores apontam para mudanças no modo de viver como culpados prováveis. Marc Gunter, professor de epidemiologia do câncer no Imperial College London, identifica alterações no padrão alimentar na América Latina, cada vez mais baseado em alimentos ultraprocessados, e um estilo de vida progressivamente sedentário. A obesidade emerge como fator central: a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, vinculada à Organização Mundial da Saúde, reconhece a obesidade como causa comprovada de pelo menos treze tipos de câncer. Uma revisão de estudos publicada em 2021 constatou que jovens adultos com obesidade tinham quase o dobro de probabilidade de desenvolver câncer colorretal antes dos cinquenta anos. As taxas de obesidade dobraram entre adultos desde os anos 1990 e quadruplicaram entre adolescentes. Carnes processadas são classificadas como cancerígenas pela mesma agência; o consumo de álcool também é fator de risco comprovado. Uma dieta rica em fibras — presentes em vegetais, grãos integrais e leguminosas — reduz o risco.

Ainda assim, a certeza tem limites. Alguns pesquisadores argumentam que alimentos ultraprocessados e microplásticos causam câncer, mas Gunter adverte que as evidências permanecem inconclusivas. "Há muito exagero em torno do tema", afirmou, acrescentando que são necessárias mais pesquisas. Amy Berrington de Gonzalez, professora de epidemiologia clínica do Instituto de Pesquisa do Câncer em Londres, concorda: "As dietas mudaram, mas ainda não sabemos qual papel isso pode desempenhar". Ela também oferece perspectiva: o câncer continua muito incomum entre jovens. "Três vezes um número pequeno continua sendo um número pequeno."

Gunter enfatiza que as pessoas não devem ser culpadas por viverem em sociedades estruturadas em torno de alimentos práticos e trabalho sedentário, e que mudanças duradouras dependem de políticas públicas de saúde. Mas ele também oferece orientação prática: jovens podem reduzir o risco mantendo peso saudável, praticando mais atividade física, consumindo mais fibras e reduzindo carnes processadas. "Fazer uma caminhada, ser fisicamente mais ativo, comer mais frutas e verduras. Talvez essas coisas não estejam tão na moda, mas são realmente importantes." Para uma pessoa de trinta anos lendo esta reportagem, a mensagem de Berrington de Gonzalez oferece algum alívio: o câncer entre jovens continua sendo relativamente raro, mesmo com os aumentos documentados.

O câncer ainda é muito incomum entre os jovens. Três vezes um número pequeno continua sendo um número pequeno.
— Amy Berrington de Gonzalez, professora de epidemiologia clínica do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres
As pessoas não devem ser culpadas por viverem em sociedades estruturadas em torno de alimentos práticos e trabalho sedentário, e mudanças duradouras dependem de políticas públicas de saúde.
— Marc Gunter, professor de epidemiologia do câncer no Imperial College London
Quer a matéria completa? Leia o original em O POVO ↗
Fale Conosco FAQ