Incêndios destroem plantações e casas na zona rural do Amazonas há mais de 20 dias

Agricultor de 82 anos desmaiou ao tentar combater as chamas; moradores sofrem desconforto respiratório e dificuldades para dormir pela fumaça densa.
É muito difícil ver sua plantação devorada pelo fogo
Agricultora descreve o peso de assistir à destruição de tudo que construiu enquanto o fogo avança.
Mark

Por que isso está acontecendo agora, neste momento? Há algo que mudou na região?

Mimi

Os incêndios vêm durando mais de vinte dias. Não é um evento isolado — é uma série de focos em diferentes ramais. A suspeita é que estejam ligados à extração ilegal de carvão.

Luke

Mas a gente sabe isso com certeza? A Semma identificou os responsáveis?

Mimi

Não em todos os casos. No Ramal do Minério, há suspeita de provocação criminosa, e encontraram sacas de carvão abandonadas. Mas a Semma ainda não identificou quem foi.

Mark

E as pessoas que vivem lá, como estão?

Mimi

Precisando fazer plantão para proteger suas casas e plantações. Um agricultor de 82 anos desmaiou tentando conter o fogo. Muitos sofrem com a fumaça densa — desconforto respiratório, insônia.

Luke

Quantas pessoas foram deslocadas? Quantas casas foram destruídas?

Mimi

A fonte não especifica o número de casas destruídas. Sabemos que 589,78 hectares foram queimados no Incra 2, e que há destruição em vários ramais.

Mark

E a unidade de conservação? Ela foi muito afetada?

Mimi

O fogo atingiu trechos do Refúgio de Vida Silvestre do Sauim-de-Coleira, que protege espécies ameaçadas. Mas não temos detalhes sobre a extensão do dano lá.

Luke

A Semma está agindo?

Mimi

Sim. Apreendeu equipamentos de desmatamento ilegal, inutilizou fornos clandestinos, e já notificou mais de dez suspeitos. Os materiais vão para a Polícia Civil e o Ministério Público.

  • Por mais de vinte dias, chamas incontroláveis consomem plantações, casas e áreas de conservação em Itacoatiara, sem que o socorro chegue a tempo para os moradores.
  • Um agricultor de 82 anos desmaiou após horas combatendo o fogo sozinho, enquanto comunidades inteiras perdem o sono e a saúde respiratória pela fumaça densa e persistente.
  • Evidências de crime emergem no meio das cinzas: roçadeiras apreendidas, fornos clandestinos de carvão destruídos e sacas do produto abandonadas às margens das estradas.
  • O fogo já invadiu o Refúgio de Vida Silvestre do Sauim-de-Coleira, ameaçando espécies protegidas e ampliando o alcance da destruição para além das propriedades rurais.
  • Mais de dez suspeitos já foram notificados pela Semma, e os equipamentos apreendidos seguirão para a Polícia Civil e o Ministério Público, sinalizando que a impunidade começa a encontrar resistência.

Há mais de vinte dias, o fogo consome a zona rural de Itacoatiara, no Amazonas, destruindo plantações, casas e quase 590 hectares de vegetação. O que poderia parecer tragédia natural revela, sob investigação, a marca da ação humana deliberada: suspeitas de queimadas criminosas para extração clandestina de carvão. Enquanto comunidades inteiras fazem vigília e um idoso de 82 anos desmaia tentando salvar o que é dos seus, a justiça começa a desenhar um rastro de responsabilidades.

Há mais de vinte dias, o fogo não para na zona rural de Itacoatiara, no interior do Amazonas. Moradores dos ramais da Paz, Jericó e Minério vivem entre a fumaça densa e a vigília constante. As chamas avançaram pelas plantações, chegaram às casas, e o socorro demorou. Então as próprias comunidades se organizaram: molharam a vegetação nas margens das estradas, fizeram plantões, tentaram conter com as mãos o que o fogo insistia em tomar. "É muito difícil você olhar uma casa sendo queimada, você olhar suas plantações sendo devoradas pelo fogo", disse a agricultora Priscila Santos de Lima — e nessa frase está o peso inteiro da impotência.

Carlos Leônidas tem 82 anos. Na segunda-feira, começou a molhar a vegetação perto da casa da filha às sete da manhã. Horas depois, seu corpo cedeu: ele desmaiou sob o calor e a fumaça. A fumaça que paira sobre a região não causa apenas desconforto respiratório — ela rouba o sono, deixa um mal-estar que persiste mesmo quando as chamas recuam.

Equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com apoio da Polícia Militar, mapearam a destruição na região do Incra 2: 589,78 hectares consumidos. As queimadas também alcançaram o Refúgio de Vida Silvestre do Sauim-de-Coleira, unidade criada para proteger espécies ameaçadas da fauna e flora amazônicas.

Durante as operações, as equipes encontraram evidências de crime. Roçadeiras e materiais de desmatamento ilegal foram apreendidos. Fornos e estruturas clandestinas de produção de carvão foram inutilizados. No Ramal do Minério, a suspeita é que o incêndio tenha sido provocado deliberadamente para facilitar a extração de carvão — e sacas do produto foram encontradas abandonadas às margens da pista.

A investigação avança. A Semma já notificou mais de dez suspeitos de provocar queimadas ilegais no município, e os equipamentos apreendidos serão encaminhados à Polícia Civil e ao Ministério Público do Amazonas. O fogo que destrói plantações, derruba idosos e mantém comunidades em vigília não é acidente. É crime. E agora há uma trilha que aponta para quem colocou a chama.

Há mais de vinte dias, o fogo não cessa na zona rural de Itacoatiara, no interior do Amazonas. Moradores dos ramais da Paz, Jericó e Minério acordam com a fumaça densa, dormem mal, acordam de novo. As chamas avançaram pela vegetação e chegaram às plantações, às casas, aos limites do que as pessoas conseguem defender sozinhas.

Priscila Santos de Lima é agricultora. Ela e seus vizinhos tentaram pedir ajuda, mas o atendimento não veio a tempo. Então fizeram o que restava: organizaram plantões, molharam a vegetação nas margens das estradas, tentaram conter o avanço com as próprias mãos. "É muito difícil você olhar uma casa sendo queimada, você olhar suas plantações sendo devoradas pelo fogo", disse ela, e naquela frase está o peso inteiro da impotência. Não é apenas perda material. É assistir ao que você construiu desaparecer enquanto você está ali, vendo.

Carlos Leônidas tem 82 anos. Na segunda-feira, ele começou a molhar a vegetação perto da casa da filha às sete da manhã. Trabalhou horas sob o calor, respirando fumaça, tentando frear o fogo. Por volta das duas ou três da tarde, seu corpo simplesmente parou. Ele desmaiou. A fumaça densa que paira sobre a região não causa apenas desconforto respiratório — ela rouba o sono das pessoas, deixa um rastro de mal-estar que persiste mesmo quando as chamas recuam.

Em outra frente, equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil de Itacoatiara e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com apoio da Polícia Militar, atuaram na região do Incra 2, próximo ao distrito de Novo Remanso. O mapeamento revelou que o fogo destruiu 589,78 hectares ali. As queimadas também alcançaram trechos do Refúgio de Vida Silvestre do Sauim-de-Coleira, uma unidade de conservação criada justamente para proteger espécies ameaçadas da fauna e flora amazônicas.

Durante a operação, as equipes encontraram evidências de crime. Apreenderam roçadeiras e outros materiais usados em desmatamento ilegal. Inutilizaram fornos e estruturas clandestinas de produção de carvão. No Ramal do Minério, a suspeita é que o incêndio tenha sido provocado criminosamente para facilitar a extração de carvão — e a equipe de reportagem encontrou sacas do produto abandonadas às margens da pista. Até o momento, a Semma não identificou os responsáveis por aquele fogo específico.

Mas a investigação avança noutras frentes. A Semma já identificou e notificou mais de dez suspeitos de provocar queimadas ilegais no município. Os equipamentos apreendidos serão encaminhados à Polícia Civil e ao Ministério Público do Estado do Amazonas. O fogo que devora plantações e casas, que deixa idosos desmaiados e comunidades inteiras em vigília, não é acidente. É crime. E agora há nomes, há suspeitos, há uma trilha que leva a quem colocou a chama.

É muito difícil você olhar uma casa sendo queimada, você olhar suas plantações sendo devoradas pelo fogo
— Priscila Santos de Lima, agricultora
Eu estava desde as 7h da manhã. Quando foi umas 2h ou 3h da tarde, eu já não estava mais aguentando. Eu desmaiei mesmo
— Carlos Leônidas, agricultor de 82 anos
Want the full story? Read the original at G1 ↗
Contact Us FAQ