Há mais de vinte dias, o fogo consome a zona rural de Itacoatiara, no Amazonas, destruindo plantações, casas e quase 590 hectares de vegetação. O que poderia parecer tragédia natural revela, sob investigação, a marca da ação humana deliberada: suspeitas de queimadas criminosas para extração clandestina de carvão. Enquanto comunidades inteiras fazem vigília e um idoso de 82 anos desmaia tentando salvar o que é dos seus, a justiça começa a desenhar um rastro de responsabilidades.
Incêndios destroem plantações e casas na zona rural do Amazonas há mais de 20 dias
É muito difícil ver sua plantação devorada pelo fogo
Por que isso está acontecendo agora, neste momento? Há algo que mudou na região?
Os incêndios vêm durando mais de vinte dias. Não é um evento isolado — é uma série de focos em diferentes ramais. A suspeita é que estejam ligados à extração ilegal de carvão.
Mas a gente sabe isso com certeza? A Semma identificou os responsáveis?
Não em todos os casos. No Ramal do Minério, há suspeita de provocação criminosa, e encontraram sacas de carvão abandonadas. Mas a Semma ainda não identificou quem foi.
E as pessoas que vivem lá, como estão?
Precisando fazer plantão para proteger suas casas e plantações. Um agricultor de 82 anos desmaiou tentando conter o fogo. Muitos sofrem com a fumaça densa — desconforto respiratório, insônia.
Quantas pessoas foram deslocadas? Quantas casas foram destruídas?
A fonte não especifica o número de casas destruídas. Sabemos que 589,78 hectares foram queimados no Incra 2, e que há destruição em vários ramais.
E a unidade de conservação? Ela foi muito afetada?
O fogo atingiu trechos do Refúgio de Vida Silvestre do Sauim-de-Coleira, que protege espécies ameaçadas. Mas não temos detalhes sobre a extensão do dano lá.
A Semma está agindo?
Sim. Apreendeu equipamentos de desmatamento ilegal, inutilizou fornos clandestinos, e já notificou mais de dez suspeitos. Os materiais vão para a Polícia Civil e o Ministério Público.
The Pulse
- Por mais de vinte dias, chamas incontroláveis consomem plantações, casas e áreas de conservação em Itacoatiara, sem que o socorro chegue a tempo para os moradores.
- Um agricultor de 82 anos desmaiou após horas combatendo o fogo sozinho, enquanto comunidades inteiras perdem o sono e a saúde respiratória pela fumaça densa e persistente.
- Evidências de crime emergem no meio das cinzas: roçadeiras apreendidas, fornos clandestinos de carvão destruídos e sacas do produto abandonadas às margens das estradas.
- O fogo já invadiu o Refúgio de Vida Silvestre do Sauim-de-Coleira, ameaçando espécies protegidas e ampliando o alcance da destruição para além das propriedades rurais.
- Mais de dez suspeitos já foram notificados pela Semma, e os equipamentos apreendidos seguirão para a Polícia Civil e o Ministério Público, sinalizando que a impunidade começa a encontrar resistência.
Há mais de vinte dias, o fogo consome a zona rural de Itacoatiara, no Amazonas, destruindo plantações, casas e quase 590 hectares de vegetação. O que poderia parecer tragédia natural revela, sob investigação, a marca da ação humana deliberada: suspeitas de queimadas criminosas para extração clandestina de carvão. Enquanto comunidades inteiras fazem vigília e um idoso de 82 anos desmaia tentando salvar o que é dos seus, a justiça começa a desenhar um rastro de responsabilidades.
Há mais de vinte dias, o fogo não para na zona rural de Itacoatiara, no interior do Amazonas. Moradores dos ramais da Paz, Jericó e Minério vivem entre a fumaça densa e a vigília constante. As chamas avançaram pelas plantações, chegaram às casas, e o socorro demorou. Então as próprias comunidades se organizaram: molharam a vegetação nas margens das estradas, fizeram plantões, tentaram conter com as mãos o que o fogo insistia em tomar. "É muito difícil você olhar uma casa sendo queimada, você olhar suas plantações sendo devoradas pelo fogo", disse a agricultora Priscila Santos de Lima — e nessa frase está o peso inteiro da impotência.
Carlos Leônidas tem 82 anos. Na segunda-feira, começou a molhar a vegetação perto da casa da filha às sete da manhã. Horas depois, seu corpo cedeu: ele desmaiou sob o calor e a fumaça. A fumaça que paira sobre a região não causa apenas desconforto respiratório — ela rouba o sono, deixa um mal-estar que persiste mesmo quando as chamas recuam.
Equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com apoio da Polícia Militar, mapearam a destruição na região do Incra 2: 589,78 hectares consumidos. As queimadas também alcançaram o Refúgio de Vida Silvestre do Sauim-de-Coleira, unidade criada para proteger espécies ameaçadas da fauna e flora amazônicas.
Durante as operações, as equipes encontraram evidências de crime. Roçadeiras e materiais de desmatamento ilegal foram apreendidos. Fornos e estruturas clandestinas de produção de carvão foram inutilizados. No Ramal do Minério, a suspeita é que o incêndio tenha sido provocado deliberadamente para facilitar a extração de carvão — e sacas do produto foram encontradas abandonadas às margens da pista.
A investigação avança. A Semma já notificou mais de dez suspeitos de provocar queimadas ilegais no município, e os equipamentos apreendidos serão encaminhados à Polícia Civil e ao Ministério Público do Amazonas. O fogo que destrói plantações, derruba idosos e mantém comunidades em vigília não é acidente. É crime. E agora há uma trilha que aponta para quem colocou a chama.
Há mais de vinte dias, o fogo não cessa na zona rural de Itacoatiara, no interior do Amazonas. Moradores dos ramais da Paz, Jericó e Minério acordam com a fumaça densa, dormem mal, acordam de novo. As chamas avançaram pela vegetação e chegaram às plantações, às casas, aos limites do que as pessoas conseguem defender sozinhas.
Priscila Santos de Lima é agricultora. Ela e seus vizinhos tentaram pedir ajuda, mas o atendimento não veio a tempo. Então fizeram o que restava: organizaram plantões, molharam a vegetação nas margens das estradas, tentaram conter o avanço com as próprias mãos. "É muito difícil você olhar uma casa sendo queimada, você olhar suas plantações sendo devoradas pelo fogo", disse ela, e naquela frase está o peso inteiro da impotência. Não é apenas perda material. É assistir ao que você construiu desaparecer enquanto você está ali, vendo.
Carlos Leônidas tem 82 anos. Na segunda-feira, ele começou a molhar a vegetação perto da casa da filha às sete da manhã. Trabalhou horas sob o calor, respirando fumaça, tentando frear o fogo. Por volta das duas ou três da tarde, seu corpo simplesmente parou. Ele desmaiou. A fumaça densa que paira sobre a região não causa apenas desconforto respiratório — ela rouba o sono das pessoas, deixa um rastro de mal-estar que persiste mesmo quando as chamas recuam.
Em outra frente, equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil de Itacoatiara e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com apoio da Polícia Militar, atuaram na região do Incra 2, próximo ao distrito de Novo Remanso. O mapeamento revelou que o fogo destruiu 589,78 hectares ali. As queimadas também alcançaram trechos do Refúgio de Vida Silvestre do Sauim-de-Coleira, uma unidade de conservação criada justamente para proteger espécies ameaçadas da fauna e flora amazônicas.
Durante a operação, as equipes encontraram evidências de crime. Apreenderam roçadeiras e outros materiais usados em desmatamento ilegal. Inutilizaram fornos e estruturas clandestinas de produção de carvão. No Ramal do Minério, a suspeita é que o incêndio tenha sido provocado criminosamente para facilitar a extração de carvão — e a equipe de reportagem encontrou sacas do produto abandonadas às margens da pista. Até o momento, a Semma não identificou os responsáveis por aquele fogo específico.
Mas a investigação avança noutras frentes. A Semma já identificou e notificou mais de dez suspeitos de provocar queimadas ilegais no município. Os equipamentos apreendidos serão encaminhados à Polícia Civil e ao Ministério Público do Estado do Amazonas. O fogo que devora plantações e casas, que deixa idosos desmaiados e comunidades inteiras em vigília, não é acidente. É crime. E agora há nomes, há suspeitos, há uma trilha que leva a quem colocou a chama.
Notable Quotes
É muito difícil você olhar uma casa sendo queimada, você olhar suas plantações sendo devoradas pelo fogo— Priscila Santos de Lima, agricultora
Eu estava desde as 7h da manhã. Quando foi umas 2h ou 3h da tarde, eu já não estava mais aguentando. Eu desmaiei mesmo— Carlos Leônidas, agricultor de 82 anos