Estadão encerra Rádio Eldorado após 68 anos e demite cerca de 60 funcionários

Aproximadamente 60 funcionários da Rádio Eldorado serão demitidos, embora o Estadão afirme estar estudando realocação de parte da equipe em outras áreas do grupo.
Sessenta anos de transmissão chegam ao fim em uma semana de abril
A Rádio Eldorado, referência cultural de São Paulo, encerra operações após decisão do Estadão de reposicionar-se para plataformas digitais.
Mark

Por que agora? A Eldorado durou 68 anos — o que mudou de repente?

Mimi

Não é tão repentino assim. O Estadão vem enfrentando dificuldades financeiras há anos. Recebeu R$ 187,5 milhões em investimentos desde 2024 só para não quebrar. Ao mesmo tempo, o streaming cresceu e as rádios FM tradicionais perderam relevância. Juntou tudo isso.

Luke

Mas a Eldorado era lucrativa? Porque se era, a decisão é mais sobre estratégia de acionistas do que sobre realidade de mercado.

Mimi

A fonte não diz se era lucrativa ou não. Só diz que o Estadão está reposicionando tudo para digital. Contratou 14 colunistas multiplataforma, comprou a NZN, criou um hub de criação.

Mark

E os 60 funcionários? Todos perdem o emprego?

Mimi

Aí fica confuso. Na reunião, disseram que sim. Mas depois o Estadão negou, dizendo que estuda realocação de parte da equipe. Nenhum número específico.

Luke

Então não sabemos quantos vão ser realocados, quando, ou para quê. É importante deixar isso claro.

Mark

O Estadão tem dinheiro dos bancos agora. Eles têm voz no conselho?

Mimi

Têm três das seis cadeiras. E poder de veto em decisões estratégicas. Como não há conselho editorial, eles controlam o que é publicado.

Luke

E o Banco Master? Vorcaro foi preso por fraude, certo?

Mimi

Sim, em 2025. Mas o Estadão recebeu R$ 1,12 milhão dele entre 2021 e 2025 em publicidade. O jornal também contratou a gestora de um sócio de Vorcaro para estruturar a captação de investimentos.

Mark

Isso não é um conflito?

Luke

A fonte não diz que é. Mas é informação que o leitor precisa ter para formar sua própria opinião.

  • Uma instituição cultural de 68 anos é extinta em reunião corporativa, deixando cerca de 60 funcionários em situação incerta quanto ao próprio futuro profissional.
  • O Estadão nega demissão em massa, mas não apresenta cronograma nem números concretos de realocação — o silêncio alimenta a angústia da equipe.
  • O grupo acumula R$ 187,5 milhões em aportes emergenciais desde 2024, com bancos e grandes empresas conquistando cadeiras no conselho e poder de veto sobre decisões estratégicas.
  • A aquisição da NZN, a criação do hub 'Blue House' e a contratação de colunistas multiplataforma revelam uma aposta acelerada no audiovisual digital como substituto do rádio.
  • A marca Eldorado sobreviverá em projetos especiais e formatos de vídeo, mas a frequência 107,3 FM — e o tipo de presença que ela representava — será silenciada para sempre.

Após 68 anos de transmissão, a Rádio Eldorado encerra suas operações em 15 de maio, levando consigo décadas de curadoria musical e jornalismo que moldaram a identidade cultural de São Paulo. O Estadão, seu mantenedor, justifica a decisão pelo avanço do streaming e pela necessidade de reposicionamento digital — um movimento que reflete a crise mais ampla dos meios lineares tradicionais diante de um ecossistema de mídia em profunda transformação. O fechamento não é apenas o fim de uma emissora, mas o encerramento de um modo de escuta coletiva que definiu gerações.

Na quarta-feira 22 de abril, o Estadão reuniu a equipe da Rádio Eldorado para comunicar o inevitável: após 68 anos no ar, a emissora encerraria suas transmissões em 15 de maio. A data marca também o fim da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM. Para São Paulo, perdia-se uma referência em curadoria musical e jornalismo de qualidade que havia moldado gerações.

O Grupo Estado enquadrou a decisão como parte de um reposicionamento estratégico: o streaming avança, os meios lineares recuam, e o jornal precisa se reinventar digitalmente. Nos últimos dois anos, o Estadão contratou 14 colunistas multiplataforma, adquiriu a NZN — trazendo os ativos do TecMundo — e transformou a sede da empresa no hub criativo chamado 'Blue House'. O rádio, nesse novo mapa, não encontrou lugar.

O destino dos cerca de 60 funcionários permanece nebuloso. Embora a reunião inicial tenha sinalizado desligamento coletivo, a assessoria do grupo negou a informação e afirmou estudar a realocação de parte da equipe — sem apresentar prazos ou números. A incerteza é o único dado concreto disponível para quem trabalhou na emissora.

O contexto financeiro do Estadão ajuda a explicar a urgência das decisões. Desde 2024, o jornal recebeu R$ 187,5 milhões em aportes de instituições como Itaú, Santander e Bradesco, além de empresas como Cosan, Votorantim e Hapvida. Em troca, esses investidores conquistaram metade das cadeiras no conselho de administração e poder de veto em decisões estratégicas — um conselho que, na ausência de um conselho editorial independente, controla também o conteúdo publicado.

A marca Eldorado não desaparecerá por completo. Programas como Som a Pino e Clube do Livro serão adaptados para vídeo e distribuição digital. Mas a frequência que durante quase sete décadas preencheu salas, carros e escritórios paulistanos será silenciada — e com ela, uma forma particular de presença no cotidiano da cidade.

Na quarta-feira 22 de abril, o Estadão comunicou aos funcionários da Rádio Eldorado que a emissora seria fechada. Sessenta anos e oito de transmissão chegavam ao fim. A decisão, anunciada em reunião com a equipe, marca o encerramento de uma instituição que moldou a vida cultural de São Paulo desde sua fundação, tornando-se referência em curadoria musical e jornalismo de qualidade.

O Grupo Estado justificou o fechamento com argumentos que se tornaram familiares no setor de mídia: mudanças estruturais nos hábitos de consumo de áudio, o crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares tradicionais. A operação de radiodifusão será encerrada em 15 de maio, data que marca o fim da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM. O Estadão enquadrou a decisão como parte de um reposicionamento estratégico mais amplo, voltado para a expansão digital.

A questão do destino dos funcionários permanece em aberto. Embora os cerca de 60 trabalhadores da Eldorado tenham sido informados na reunião de que toda a equipe seria desligada, o Estadão posteriormente negou essa informação. A assessoria de imprensa do grupo afirmou que "não procede" a informação de demissão em massa e que estudos estão em andamento para reaproveitar parte da força de trabalho em outras áreas do Grupo Estado. Nenhum cronograma ou número específico de realocações foi divulgado.

O fechamento da Eldorado ocorre em contexto de transformações profundas nas finanças do Estadão. Nos últimos dois anos, o jornal intensificou sua produção audiovisual, contratando 14 colunistas com atuação multiplataforma e expandindo presença em plataformas próprias, redes sociais e canais de vídeo. A aquisição da NZN em outubro de 2025 reforçou essa trajetória, trazendo os ativos digitais do TecMundo e convertendo a sede da empresa em um hub de criação chamado "Blue House", dedicado ao desenvolvimento de novos formatos.

O Estadão recebeu R$ 187,5 milhões em investimentos desde 2024 para evitar insolvência. Itaú, Santander e Bradesco aportaram R$ 45 milhões. Outras empresas como Cosan, Hapvida, Votorantim, Ultra, Unipar, Pátria Investimentos, JHSF, Galápagos Capital e Cutrale investiram quantias entre R$ 7,5 milhões e R$ 15 milhões cada. Esses investidores conquistaram direito a três das seis cadeiras no conselho de administração e poder de veto em decisões estratégicas. Como o Estadão não possui conselho editorial, o conselho de administração controla decisões sobre conteúdo publicado.

A estrutura de governança do jornal também reflete ligações com o Banco Master. Entre 2021 e 2025, o Estadão recebeu R$ 1,12 milhão diretamente da instituição de Daniel Vorcaro em troca de publicidade institucional, campanhas de captação de clientes, patrocínio da cobertura do GP Brasil de Fórmula 1 e mídia digital. Vorcaro foi preso em 2025 acusado de fraudar o sistema financeiro. O jornal também contratou a gestora de Maurício Quadrado, sócio de Vorcaro no banco e na PrimeYou, para estruturar a operação de captação de recursos.

A marca Eldorado não desaparecerá completamente. Programas como Som a Pino e Clube do Livro serão redesenhados e adaptados para novos formatos com ênfase em vídeo e distribuição digital. O Estadão afirmou que essa transição permitirá oferecer aos parceiros comerciais formatos mais segmentados e mensuráveis, alinhados aos novos hábitos de consumo de conteúdo. A emissora seguirá presente em projetos especiais e eventos, preservando seu papel como referência cultural, ainda que em plataformas radicalmente diferentes daquelas que a definiram por quase sete décadas.

A Rádio Eldorado ocupa, há décadas, um lugar singular na vida cultural de São Paulo. Referência em curadoria musical, jornalismo e programação de qualidade, tornou-se um patrimônio afetivo e intelectual de gerações de ouvintes.
— Comunicado do Estadão
Não procede a informação de que todos os funcionários serão desligados. Ainda estão sendo realizados estudos para reaproveitamento de parte da força de trabalho em outras áreas do Grupo Estado.
— Assessoria de imprensa do Estadão
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