Após 68 anos de transmissão, a Rádio Eldorado encerra suas operações em 15 de maio, levando consigo décadas de curadoria musical e jornalismo que moldaram a identidade cultural de São Paulo. O Estadão, seu mantenedor, justifica a decisão pelo avanço do streaming e pela necessidade de reposicionamento digital — um movimento que reflete a crise mais ampla dos meios lineares tradicionais diante de um ecossistema de mídia em profunda transformação. O fechamento não é apenas o fim de uma emissora, mas o encerramento de um modo de escuta coletiva que definiu gerações.
Estadão encerra Rádio Eldorado após 68 anos e demite cerca de 60 funcionários
Sessenta anos de transmissão chegam ao fim em uma semana de abril
Por que agora? A Eldorado durou 68 anos — o que mudou de repente?
Não é tão repentino assim. O Estadão vem enfrentando dificuldades financeiras há anos. Recebeu R$ 187,5 milhões em investimentos desde 2024 só para não quebrar. Ao mesmo tempo, o streaming cresceu e as rádios FM tradicionais perderam relevância. Juntou tudo isso.
Mas a Eldorado era lucrativa? Porque se era, a decisão é mais sobre estratégia de acionistas do que sobre realidade de mercado.
A fonte não diz se era lucrativa ou não. Só diz que o Estadão está reposicionando tudo para digital. Contratou 14 colunistas multiplataforma, comprou a NZN, criou um hub de criação.
E os 60 funcionários? Todos perdem o emprego?
Aí fica confuso. Na reunião, disseram que sim. Mas depois o Estadão negou, dizendo que estuda realocação de parte da equipe. Nenhum número específico.
Então não sabemos quantos vão ser realocados, quando, ou para quê. É importante deixar isso claro.
O Estadão tem dinheiro dos bancos agora. Eles têm voz no conselho?
Têm três das seis cadeiras. E poder de veto em decisões estratégicas. Como não há conselho editorial, eles controlam o que é publicado.
E o Banco Master? Vorcaro foi preso por fraude, certo?
Sim, em 2025. Mas o Estadão recebeu R$ 1,12 milhão dele entre 2021 e 2025 em publicidade. O jornal também contratou a gestora de um sócio de Vorcaro para estruturar a captação de investimentos.
Isso não é um conflito?
A fonte não diz que é. Mas é informação que o leitor precisa ter para formar sua própria opinião.
Il Polso
- Uma instituição cultural de 68 anos é extinta em reunião corporativa, deixando cerca de 60 funcionários em situação incerta quanto ao próprio futuro profissional.
- O Estadão nega demissão em massa, mas não apresenta cronograma nem números concretos de realocação — o silêncio alimenta a angústia da equipe.
- O grupo acumula R$ 187,5 milhões em aportes emergenciais desde 2024, com bancos e grandes empresas conquistando cadeiras no conselho e poder de veto sobre decisões estratégicas.
- A aquisição da NZN, a criação do hub 'Blue House' e a contratação de colunistas multiplataforma revelam uma aposta acelerada no audiovisual digital como substituto do rádio.
- A marca Eldorado sobreviverá em projetos especiais e formatos de vídeo, mas a frequência 107,3 FM — e o tipo de presença que ela representava — será silenciada para sempre.
Após 68 anos de transmissão, a Rádio Eldorado encerra suas operações em 15 de maio, levando consigo décadas de curadoria musical e jornalismo que moldaram a identidade cultural de São Paulo. O Estadão, seu mantenedor, justifica a decisão pelo avanço do streaming e pela necessidade de reposicionamento digital — um movimento que reflete a crise mais ampla dos meios lineares tradicionais diante de um ecossistema de mídia em profunda transformação. O fechamento não é apenas o fim de uma emissora, mas o encerramento de um modo de escuta coletiva que definiu gerações.
Na quarta-feira 22 de abril, o Estadão reuniu a equipe da Rádio Eldorado para comunicar o inevitável: após 68 anos no ar, a emissora encerraria suas transmissões em 15 de maio. A data marca também o fim da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM. Para São Paulo, perdia-se uma referência em curadoria musical e jornalismo de qualidade que havia moldado gerações.
O Grupo Estado enquadrou a decisão como parte de um reposicionamento estratégico: o streaming avança, os meios lineares recuam, e o jornal precisa se reinventar digitalmente. Nos últimos dois anos, o Estadão contratou 14 colunistas multiplataforma, adquiriu a NZN — trazendo os ativos do TecMundo — e transformou a sede da empresa no hub criativo chamado 'Blue House'. O rádio, nesse novo mapa, não encontrou lugar.
O destino dos cerca de 60 funcionários permanece nebuloso. Embora a reunião inicial tenha sinalizado desligamento coletivo, a assessoria do grupo negou a informação e afirmou estudar a realocação de parte da equipe — sem apresentar prazos ou números. A incerteza é o único dado concreto disponível para quem trabalhou na emissora.
O contexto financeiro do Estadão ajuda a explicar a urgência das decisões. Desde 2024, o jornal recebeu R$ 187,5 milhões em aportes de instituições como Itaú, Santander e Bradesco, além de empresas como Cosan, Votorantim e Hapvida. Em troca, esses investidores conquistaram metade das cadeiras no conselho de administração e poder de veto em decisões estratégicas — um conselho que, na ausência de um conselho editorial independente, controla também o conteúdo publicado.
A marca Eldorado não desaparecerá por completo. Programas como Som a Pino e Clube do Livro serão adaptados para vídeo e distribuição digital. Mas a frequência que durante quase sete décadas preencheu salas, carros e escritórios paulistanos será silenciada — e com ela, uma forma particular de presença no cotidiano da cidade.
Na quarta-feira 22 de abril, o Estadão comunicou aos funcionários da Rádio Eldorado que a emissora seria fechada. Sessenta anos e oito de transmissão chegavam ao fim. A decisão, anunciada em reunião com a equipe, marca o encerramento de uma instituição que moldou a vida cultural de São Paulo desde sua fundação, tornando-se referência em curadoria musical e jornalismo de qualidade.
O Grupo Estado justificou o fechamento com argumentos que se tornaram familiares no setor de mídia: mudanças estruturais nos hábitos de consumo de áudio, o crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares tradicionais. A operação de radiodifusão será encerrada em 15 de maio, data que marca o fim da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM. O Estadão enquadrou a decisão como parte de um reposicionamento estratégico mais amplo, voltado para a expansão digital.
A questão do destino dos funcionários permanece em aberto. Embora os cerca de 60 trabalhadores da Eldorado tenham sido informados na reunião de que toda a equipe seria desligada, o Estadão posteriormente negou essa informação. A assessoria de imprensa do grupo afirmou que "não procede" a informação de demissão em massa e que estudos estão em andamento para reaproveitar parte da força de trabalho em outras áreas do Grupo Estado. Nenhum cronograma ou número específico de realocações foi divulgado.
O fechamento da Eldorado ocorre em contexto de transformações profundas nas finanças do Estadão. Nos últimos dois anos, o jornal intensificou sua produção audiovisual, contratando 14 colunistas com atuação multiplataforma e expandindo presença em plataformas próprias, redes sociais e canais de vídeo. A aquisição da NZN em outubro de 2025 reforçou essa trajetória, trazendo os ativos digitais do TecMundo e convertendo a sede da empresa em um hub de criação chamado "Blue House", dedicado ao desenvolvimento de novos formatos.
O Estadão recebeu R$ 187,5 milhões em investimentos desde 2024 para evitar insolvência. Itaú, Santander e Bradesco aportaram R$ 45 milhões. Outras empresas como Cosan, Hapvida, Votorantim, Ultra, Unipar, Pátria Investimentos, JHSF, Galápagos Capital e Cutrale investiram quantias entre R$ 7,5 milhões e R$ 15 milhões cada. Esses investidores conquistaram direito a três das seis cadeiras no conselho de administração e poder de veto em decisões estratégicas. Como o Estadão não possui conselho editorial, o conselho de administração controla decisões sobre conteúdo publicado.
A estrutura de governança do jornal também reflete ligações com o Banco Master. Entre 2021 e 2025, o Estadão recebeu R$ 1,12 milhão diretamente da instituição de Daniel Vorcaro em troca de publicidade institucional, campanhas de captação de clientes, patrocínio da cobertura do GP Brasil de Fórmula 1 e mídia digital. Vorcaro foi preso em 2025 acusado de fraudar o sistema financeiro. O jornal também contratou a gestora de Maurício Quadrado, sócio de Vorcaro no banco e na PrimeYou, para estruturar a operação de captação de recursos.
A marca Eldorado não desaparecerá completamente. Programas como Som a Pino e Clube do Livro serão redesenhados e adaptados para novos formatos com ênfase em vídeo e distribuição digital. O Estadão afirmou que essa transição permitirá oferecer aos parceiros comerciais formatos mais segmentados e mensuráveis, alinhados aos novos hábitos de consumo de conteúdo. A emissora seguirá presente em projetos especiais e eventos, preservando seu papel como referência cultural, ainda que em plataformas radicalmente diferentes daquelas que a definiram por quase sete décadas.
Citazioni salienti
A Rádio Eldorado ocupa, há décadas, um lugar singular na vida cultural de São Paulo. Referência em curadoria musical, jornalismo e programação de qualidade, tornou-se um patrimônio afetivo e intelectual de gerações de ouvintes.— Comunicado do Estadão
Não procede a informação de que todos os funcionários serão desligados. Ainda estão sendo realizados estudos para reaproveitamento de parte da força de trabalho em outras áreas do Grupo Estado.— Assessoria de imprensa do Estadão