Estadão e Zumbi dos Palmares lançam curso gratuito de Jornalismo para pretos, pardos e pobres

Mão de obra bem treinada que não vinha conseguindo espaço
O diretor de Opinião do Estadão sobre o potencial do novo curso em mudar quem tem acesso ao jornalismo.
Mark

Por que o Estadão decidiu fazer isso agora? Isso é resposta a uma pressão externa ou uma mudança genuína de estratégia?

Mimi

A parceria reflete algo que ambas as instituições já faziam separadamente—o Estadão com seus cursos desde 1990, a Zumbi com vinte anos de trabalho em inclusão. Mas juntas, conseguem algo que nenhuma faria sozinha: certificação acadêmica com acesso garantido a quem historicamente não conseguia entrar.

Luke

Entendo, mas a questão é: quantas vagas? O texto não diz. Também não diz se há compromisso de contratação depois. É um curso de três meses gratuito, mas sem garantia de emprego, certo?

Mimi

Correto. É um programa de qualificação, não de colocação. Mas o Estadão está dizendo que essa mão de obra "não vinha conseguindo espaço nos grandes jornais", então a ideia é que o treinamento mude isso.

Mark

E quanto aos patrocínios? Ele está em fase de captação. Isso significa que pode não sair do papel?

Mimi

Tecnicamente sim. Mas o anúncio foi feito por duas instituições grandes, então há compromisso público. É diferente de um projeto que alguém sonhou sozinho.

Luke

Outra coisa: o curso aceita "recém-formados de qualquer área". Mas quem vai se inscrever? Um economista que acabou de se formar vai largar tudo para fazer um curso de três meses de jornalismo? Ou é mais provável que se inscreva quem já estava interessado em jornalismo mas não tinha acesso?

Mimi

Provavelmente o segundo. A "qualquer área" é mais sobre remover a barreira formal do que criar um fluxo novo de economistas para redações.

Mark

Então é inclusão, mas dentro de um universo que já estava interessado?

Mimi

Sim. Abre a porta para quem bate nela, não traz gente de fora.

Luke

E a questão de renda? Auxílio de custo durante três meses é importante, mas é suficiente para alguém de baixa renda deixar de trabalhar?

Mimi

Não sabemos o valor. O texto não especifica. Pode ser simbólico ou pode ser substancial. Isso importa muito.

  • Grandes redações brasileiras historicamente excluíram profissionais negros e de baixa renda, e essa lacuna estrutural é o ponto de partida urgente desta iniciativa.
  • Pela primeira vez, um programa de formação jornalística com certificação acadêmica é criado especificamente para romper essa barreira, sem exigir graduação prévia em Jornalismo.
  • O curso de três meses é gratuito e oferece auxílio de custo, removendo obstáculos financeiros que costumam inviabilizar o acesso de talentos historicamente marginalizados.
  • O currículo une teoria jornalística, Direito, Economia, Política, Ética e inovação tecnológica — preparando profissionais de qualquer área para atuar em redações do século XXI.
  • A iniciativa ainda busca patrocinadores comprometidos com diversidade, sinalizando que sua sustentabilidade depende de um ecossistema empresarial disposto a investir em equidade.

Em um país onde as grandes redações ainda refletem séculos de exclusão histórica, o Estadão e a Universidade Zumbi dos Palmares uniram forças para abrir uma porta que raramente esteve disponível: um curso gratuito de Jornalismo, com certificação acadêmica, destinado a pessoas pretas, pardas e de baixa renda. Anunciada em 23 de agosto de 2023, a iniciativa vai além da capacitação técnica — ela questiona quem tem o direito de contar as histórias de um povo.

Na quarta-feira, 23 de agosto, o Estadão e a Universidade Zumbi dos Palmares anunciaram uma parceria inédita: um curso gratuito de Jornalismo voltado exclusivamente a pessoas pretas, pardas e de baixa renda. É o primeiro programa do gênero a oferecer certificação acadêmica, respaldado por uma instituição com duas décadas de atuação pela inclusão no ensino superior.

O que distingue esta iniciativa dos demais programas do Estadão é sua abertura deliberada: não é necessária formação prévia em Jornalismo. Recém-formados de qualquer área podem se inscrever. O curso tem duração de três meses, é totalmente gratuito e prevê auxílio de custo aos participantes. A busca por patrocinadores comprometidos com diversidade ainda está em andamento.

Para Francisco Mesquita Neto, diretor presidente do Estadão, a parceria reflete uma convergência de valores: enquanto o Estadão historicamente defende democracia e liberdade, a Zumbi dos Palmares luta pelo direito de pessoas negras acessarem educação e o mercado de trabalho. 'Há uma complementaridade de objetivos', afirmou.

O currículo combina técnicas jornalísticas em múltiplas plataformas com conteúdo acadêmico em Direito, Economia, Política, Ética e Português. O reitor José Vicente estruturou o programa em três pilares: rigor teórico, pragmatismo das redações e inovações como inteligência artificial. Marcos Guterman, diretor de Opinião do Estadão, vê na iniciativa uma chance de repensar quem tem acesso à profissão — reconhecendo que há, historicamente, uma 'mão de obra bem treinada' que nunca encontrou espaço nos grandes jornais.

O Estadão mantém programas de formação desde 1990, com parcerias como a Universidade de Navarra e a FGV. Este novo curso, porém, não apenas qualifica — ele amplia deliberadamente quem tem a chance de entrar no jornalismo.

O Estadão e a Universidade Zumbi dos Palmares selaram uma parceria na quarta-feira, 23 de agosto, para criar um curso de Jornalismo destinado especificamente a pessoas pretas, pardas e de baixa renda. Trata-se do primeiro programa dessa natureza a oferecer certificação acadêmica com o aval de uma instituição que há vinte anos trabalha pela inclusão no ensino superior, apostando em diversidade e equidade como pilares de sua atuação.

O diferencial desta iniciativa reside em sua abertura: diferentemente dos demais programas educacionais do Estadão, que até então exigiam formação prévia em Jornalismo, este curso aceita recém-formados de qualquer área do conhecimento. A duração é de três meses, o acesso é totalmente gratuito, e os participantes receberão auxílio de custo durante o período. A iniciativa ainda está em fase de busca por patrocínios de empresas comprometidas com a promoção de diversidade e equidade no país.

Para Francisco Mesquita Neto, diretor presidente do Estadão, a parceria representa a continuação de um compromisso histórico do grupo com a formação de novos talentos no jornalismo e reflete uma convergência de valores entre as duas instituições. Ele destacou que o Estadão sempre buscou defender a democracia e a liberdade, enquanto a Zumbi dos Palmares trabalha pela liberdade de pessoas negras acessarem educação e oportunidades no mercado de trabalho. "Há uma complementaridade de objetivos", afirmou.

O currículo combina aulas teóricas e técnicas de Jornalismo em diferentes plataformas, complementadas por conteúdo acadêmico em Direito, Economia, Política, Ética e Português. O objetivo é preparar profissionais de outras áreas para trabalhar em redações. O programa também inclui módulos sobre inovação no jornalismo e gestão de carreira, abrindo caminhos para quem deseja empreender na comunicação. José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, explicou que o curso se estrutura em três pilares: o rigor teórico e acadêmico, o pragmatismo das redações com o jornalismo do dia a dia, e as inovações que definem o futuro da profissão, como inteligência artificial e novas tecnologias.

Marcos Guterman, diretor de Opinião do Estadão, vê na parceria uma oportunidade de mudança paradigmática. Segundo ele, trata-se de uma "mão de obra bem treinada" que historicamente não conseguiu espaço nos grandes jornais. A iniciativa, em sua visão, contribui para repensar como os jornalistas são formados e quem tem acesso a essas oportunidades.

O Estadão mantém programas de formação para profissionais iniciantes desde 1990. Atualmente, oferece dois cursos fixos: um de Jornalismo geral, focado no aperfeiçoamento em diferentes áreas, e outro de Jornalismo Econômico, para especialização em macroeconomia e finanças. Ambos contam com parcerias acadêmicas internacionais e nacionais—a Universidade de Navarra, na Espanha, e a Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas—que conferem aos participantes certificações de peso no currículo. Este novo programa, porém, marca um passo diferente: não apenas qualifica profissionais, mas busca deliberadamente ampliar quem tem a chance de entrar na profissão.

Há uma complementaridade de objetivos entre as duas instituições
— Francisco Mesquita Neto, diretor presidente do Estadão
Uma contribuição para pensarmos em uma mudança de paradigma na formação de jornalistas
— Marcos Guterman, diretor de Opinião do Estadão
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