Em um país onde as grandes redações ainda refletem séculos de exclusão histórica, o Estadão e a Universidade Zumbi dos Palmares uniram forças para abrir uma porta que raramente esteve disponível: um curso gratuito de Jornalismo, com certificação acadêmica, destinado a pessoas pretas, pardas e de baixa renda. Anunciada em 23 de agosto de 2023, a iniciativa vai além da capacitação técnica — ela questiona quem tem o direito de contar as histórias de um povo.
Estadão e Zumbi dos Palmares lançam curso gratuito de Jornalismo para pretos, pardos e pobres
Mão de obra bem treinada que não vinha conseguindo espaço
Por que o Estadão decidiu fazer isso agora? Isso é resposta a uma pressão externa ou uma mudança genuína de estratégia?
A parceria reflete algo que ambas as instituições já faziam separadamente—o Estadão com seus cursos desde 1990, a Zumbi com vinte anos de trabalho em inclusão. Mas juntas, conseguem algo que nenhuma faria sozinha: certificação acadêmica com acesso garantido a quem historicamente não conseguia entrar.
Entendo, mas a questão é: quantas vagas? O texto não diz. Também não diz se há compromisso de contratação depois. É um curso de três meses gratuito, mas sem garantia de emprego, certo?
Correto. É um programa de qualificação, não de colocação. Mas o Estadão está dizendo que essa mão de obra "não vinha conseguindo espaço nos grandes jornais", então a ideia é que o treinamento mude isso.
E quanto aos patrocínios? Ele está em fase de captação. Isso significa que pode não sair do papel?
Tecnicamente sim. Mas o anúncio foi feito por duas instituições grandes, então há compromisso público. É diferente de um projeto que alguém sonhou sozinho.
Outra coisa: o curso aceita "recém-formados de qualquer área". Mas quem vai se inscrever? Um economista que acabou de se formar vai largar tudo para fazer um curso de três meses de jornalismo? Ou é mais provável que se inscreva quem já estava interessado em jornalismo mas não tinha acesso?
Provavelmente o segundo. A "qualquer área" é mais sobre remover a barreira formal do que criar um fluxo novo de economistas para redações.
Então é inclusão, mas dentro de um universo que já estava interessado?
Sim. Abre a porta para quem bate nela, não traz gente de fora.
E a questão de renda? Auxílio de custo durante três meses é importante, mas é suficiente para alguém de baixa renda deixar de trabalhar?
Não sabemos o valor. O texto não especifica. Pode ser simbólico ou pode ser substancial. Isso importa muito.
Der Puls
- Grandes redações brasileiras historicamente excluíram profissionais negros e de baixa renda, e essa lacuna estrutural é o ponto de partida urgente desta iniciativa.
- Pela primeira vez, um programa de formação jornalística com certificação acadêmica é criado especificamente para romper essa barreira, sem exigir graduação prévia em Jornalismo.
- O curso de três meses é gratuito e oferece auxílio de custo, removendo obstáculos financeiros que costumam inviabilizar o acesso de talentos historicamente marginalizados.
- O currículo une teoria jornalística, Direito, Economia, Política, Ética e inovação tecnológica — preparando profissionais de qualquer área para atuar em redações do século XXI.
- A iniciativa ainda busca patrocinadores comprometidos com diversidade, sinalizando que sua sustentabilidade depende de um ecossistema empresarial disposto a investir em equidade.
Em um país onde as grandes redações ainda refletem séculos de exclusão histórica, o Estadão e a Universidade Zumbi dos Palmares uniram forças para abrir uma porta que raramente esteve disponível: um curso gratuito de Jornalismo, com certificação acadêmica, destinado a pessoas pretas, pardas e de baixa renda. Anunciada em 23 de agosto de 2023, a iniciativa vai além da capacitação técnica — ela questiona quem tem o direito de contar as histórias de um povo.
Na quarta-feira, 23 de agosto, o Estadão e a Universidade Zumbi dos Palmares anunciaram uma parceria inédita: um curso gratuito de Jornalismo voltado exclusivamente a pessoas pretas, pardas e de baixa renda. É o primeiro programa do gênero a oferecer certificação acadêmica, respaldado por uma instituição com duas décadas de atuação pela inclusão no ensino superior.
O que distingue esta iniciativa dos demais programas do Estadão é sua abertura deliberada: não é necessária formação prévia em Jornalismo. Recém-formados de qualquer área podem se inscrever. O curso tem duração de três meses, é totalmente gratuito e prevê auxílio de custo aos participantes. A busca por patrocinadores comprometidos com diversidade ainda está em andamento.
Para Francisco Mesquita Neto, diretor presidente do Estadão, a parceria reflete uma convergência de valores: enquanto o Estadão historicamente defende democracia e liberdade, a Zumbi dos Palmares luta pelo direito de pessoas negras acessarem educação e o mercado de trabalho. 'Há uma complementaridade de objetivos', afirmou.
O currículo combina técnicas jornalísticas em múltiplas plataformas com conteúdo acadêmico em Direito, Economia, Política, Ética e Português. O reitor José Vicente estruturou o programa em três pilares: rigor teórico, pragmatismo das redações e inovações como inteligência artificial. Marcos Guterman, diretor de Opinião do Estadão, vê na iniciativa uma chance de repensar quem tem acesso à profissão — reconhecendo que há, historicamente, uma 'mão de obra bem treinada' que nunca encontrou espaço nos grandes jornais.
O Estadão mantém programas de formação desde 1990, com parcerias como a Universidade de Navarra e a FGV. Este novo curso, porém, não apenas qualifica — ele amplia deliberadamente quem tem a chance de entrar no jornalismo.
O Estadão e a Universidade Zumbi dos Palmares selaram uma parceria na quarta-feira, 23 de agosto, para criar um curso de Jornalismo destinado especificamente a pessoas pretas, pardas e de baixa renda. Trata-se do primeiro programa dessa natureza a oferecer certificação acadêmica com o aval de uma instituição que há vinte anos trabalha pela inclusão no ensino superior, apostando em diversidade e equidade como pilares de sua atuação.
O diferencial desta iniciativa reside em sua abertura: diferentemente dos demais programas educacionais do Estadão, que até então exigiam formação prévia em Jornalismo, este curso aceita recém-formados de qualquer área do conhecimento. A duração é de três meses, o acesso é totalmente gratuito, e os participantes receberão auxílio de custo durante o período. A iniciativa ainda está em fase de busca por patrocínios de empresas comprometidas com a promoção de diversidade e equidade no país.
Para Francisco Mesquita Neto, diretor presidente do Estadão, a parceria representa a continuação de um compromisso histórico do grupo com a formação de novos talentos no jornalismo e reflete uma convergência de valores entre as duas instituições. Ele destacou que o Estadão sempre buscou defender a democracia e a liberdade, enquanto a Zumbi dos Palmares trabalha pela liberdade de pessoas negras acessarem educação e oportunidades no mercado de trabalho. "Há uma complementaridade de objetivos", afirmou.
O currículo combina aulas teóricas e técnicas de Jornalismo em diferentes plataformas, complementadas por conteúdo acadêmico em Direito, Economia, Política, Ética e Português. O objetivo é preparar profissionais de outras áreas para trabalhar em redações. O programa também inclui módulos sobre inovação no jornalismo e gestão de carreira, abrindo caminhos para quem deseja empreender na comunicação. José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, explicou que o curso se estrutura em três pilares: o rigor teórico e acadêmico, o pragmatismo das redações com o jornalismo do dia a dia, e as inovações que definem o futuro da profissão, como inteligência artificial e novas tecnologias.
Marcos Guterman, diretor de Opinião do Estadão, vê na parceria uma oportunidade de mudança paradigmática. Segundo ele, trata-se de uma "mão de obra bem treinada" que historicamente não conseguiu espaço nos grandes jornais. A iniciativa, em sua visão, contribui para repensar como os jornalistas são formados e quem tem acesso a essas oportunidades.
O Estadão mantém programas de formação para profissionais iniciantes desde 1990. Atualmente, oferece dois cursos fixos: um de Jornalismo geral, focado no aperfeiçoamento em diferentes áreas, e outro de Jornalismo Econômico, para especialização em macroeconomia e finanças. Ambos contam com parcerias acadêmicas internacionais e nacionais—a Universidade de Navarra, na Espanha, e a Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas—que conferem aos participantes certificações de peso no currículo. Este novo programa, porém, marca um passo diferente: não apenas qualifica profissionais, mas busca deliberadamente ampliar quem tem a chance de entrar na profissão.
Bemerkenswerte Zitate
Há uma complementaridade de objetivos entre as duas instituições— Francisco Mesquita Neto, diretor presidente do Estadão
Uma contribuição para pensarmos em uma mudança de paradigma na formação de jornalistas— Marcos Guterman, diretor de Opinião do Estadão