Especialista alerta sobre riscos do fumo à saúde ocular e geral

Aproximadamente 200 mil brasileiros morrem anualmente por complicações do tabagismo, e 8 milhões de pessoas morrem por ano globalmente devido ao consumo de tabaco.
O tabaco é um fator de risco que pode ser eliminado
O especialista destaca que, diferentemente da herança genética, parar de fumar está ao alcance de cada pessoa.
Mark

Por que o fumo afeta especificamente a visão? Parece um órgão distante do pulmão.

Mimi

O tabaco danifica os vasos sanguíneos em todo o corpo, não apenas nos pulmões. Os olhos têm estruturas muito delicadas — a retina, o nervo óptico — que dependem de circulação sanguínea precisa. Quando o fumo interfere nessa circulação e causa inflamação, essas estruturas sofrem.

Mark

E por que o ferro se acumula na córnea especificamente?

Mimi

A fumaça do cigarro contém partículas que reagem com as células da superfície do olho. O ferro é um desses componentes que se acumula e mata as células epiteliais. É como se a fumaça deixasse um resíduo tóxico exatamente onde o olho toca o mundo.

Mark

Se a córnea consegue se regenerar, por que o dano se torna permanente com exposição contínua?

Mimi

Porque a regeneração tem um limite. Se você machuca a camada superficial uma vez, ela se recupera. Mas se machuca todos os dias, durante anos, eventualmente a lesão penetra mais fundo, além da capacidade de reparo natural.

Mark

Os cigarros eletrônicos são realmente tão perigosos quanto os tradicionais?

Mimi

Para os olhos especificamente, ainda estamos aprendendo. Mas sabemos que levam jovens ao tabagismo tradicional e causam dependência. O risco maior é que um adolescente que começa com eletrônico acaba migrando para o cigarro comum — e aí os danos que descrevemos começam a se acumular.

Mark

Então parar de fumar pode reverter alguns desses danos oculares?

Mimi

Alguns, sim. A circulação melhora rapidamente. Mas se houver dano estrutural já estabelecido — como perda de visão central por degeneração macular — esse não volta. Por isso a prevenção é tão crítica.

  • O tabagismo mata 200 mil brasileiros por ano e 8 milhões de pessoas no mundo, tornando-o uma das maiores emergências de saúde pública ainda toleradas como hábito cotidiano.
  • Além dos pulmões, o cigarro ataca a visão: aumenta de duas a três vezes o risco de degeneração macular e está associado a glaucoma, catarata e lesões na córnea causadas pelo acúmulo de ferro da fumaça.
  • Fumantes passivos e adolescentes estão no centro da preocupação — no Distrito Federal, 31% dos jovens entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico, o maior índice proporcional do Brasil.
  • A boa notícia resiste aos números sombrios: em 12 horas sem fumar, o monóxido de carbono no sangue normaliza; em 10 anos, o risco de câncer de pulmão cai à metade — o corpo responde quase de imediato à decisão de parar.

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, o Brasil é convidado a olhar além dos pulmões: o tabaco, responsável por 200 mil mortes anuais no país e 8 milhões no mundo, compromete silenciosamente a visão, o coração e a qualidade de vida de fumantes e de quem os rodeia. O especialista Renato Braz Dias lembra que cada cigarro acumulado ao longo de uma vida deixa marcas em estruturas tão delicadas quanto a retina e o nervo óptico — e que, ainda assim, o corpo humano começa a se recuperar nas primeiras horas após a última tragada.

Nesta segunda-feira, 28 de agosto, o Brasil celebra mais um Dia Nacional de Combate ao Fumo, data instituída pela Lei nº 7.488 de 1986. Os números que a acompanham são pesados: cerca de 200 mil brasileiros morrem anualmente por causas ligadas ao tabagismo, enquanto a OMS contabiliza 8 milhões de mortes por ano em todo o mundo.

O médico Renato Braz Dias, especialista em retina e vítreo do grupo Opty, chama atenção para um aspecto frequentemente ignorado nas campanhas antitabaco: os danos à visão. Fumar aumenta de duas a três vezes o risco de Degeneração Macular Relacionada à Idade, doença que compromete progressivamente a visão central — aquela usada para ler, reconhecer rostos e dirigir. O tabagismo também está associado a glaucoma, catarata e síndrome do olho seco. Pesquisadores japoneses identificaram ainda que a fumaça do cigarro provoca acúmulo de ferro que destrói células da córnea; com exposição contínua, os danos podem se tornar permanentes.

Os fumantes passivos não escapam: conviver com fumantes em ambientes fechados aumenta o risco de infartos retinianos, tromboses e agravamento de condições como retinopatia diabética. Entre os jovens, o alerta ganha contornos específicos — no Distrito Federal, 31% dos adolescentes entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico, o maior índice proporcional do país, e está comprovado que esses dispositivos funcionam como porta de entrada para o tabagismo tradicional.

Apesar do cenário preocupante, o especialista sublinha que parar de fumar produz efeitos quase imediatos. Em 12 horas, o monóxido de carbono no sangue volta ao normal. Em semanas, a circulação e a função pulmonar melhoram. Em 10 anos, o risco de câncer de pulmão cai à metade. Abandonar o cigarro é, antes de tudo, uma decisão que o próprio corpo começa a recompensar no mesmo dia.

Nesta segunda-feira, 28 de agosto, o Brasil marca mais um Dia Nacional de Combate ao Fumo — uma data criada há quase quatro décadas pela Lei nº 7.488, de 1986, para lembrar o que os números já deixam claro: o cigarro mata. Aproximadamente 200 mil brasileiros morrem a cada ano por causa do tabagismo. No mundo, a Organização Mundial da Saúde registra cerca de 8 milhões de mortes anuais relacionadas ao consumo de tabaco. São cifras que falam de um problema de saúde pública que vai muito além dos pulmões.

O médico Renato Braz Dias, especialista em retina e vítreo do grupo Opty, tem dedicado sua carreira a alertar sobre os danos que o fumo causa a órgãos que muitas vezes não aparecem nas campanhas tradicionais. Quando alguém fuma, não está apenas comprometendo a função respiratória ou aumentando o risco de infarto. O tabaco ataca também a visão. Fumar aumenta de duas a três vezes o risco de Degeneração Macular Relacionada à Idade, uma doença que provoca perda progressiva da visão central — exatamente aquela que usamos para ler, reconhecer rostos, dirigir. Quanto mais cigarros uma pessoa consome ao longo da vida, maior o dano acumulado aos olhos.

Mas a degeneração macular é apenas uma das ameaças. O tabagismo também está associado ao glaucoma e à catarata, doenças que danificam estruturas internas do olho como a retina, o nervo óptico e o cristalino. O cigarro piora alergias oculares, aumenta significativamente o risco de síndrome do olho seco e causa desconforto em quem usa lentes de contato. Pesquisadores da Universidade Farmacêutica Gifu, no Japão, descobriram algo particularmente preocupante: a fumaça do cigarro gera acúmulo de ferro que mata as células epiteliais da córnea. Essa camada mais superficial do olho tem capacidade de se regenerar, então os danos iniciais não são permanentes. Mas quando a exposição é contínua, pode ocorrer uma lesão mais profunda na córnea, levando a problemas muito mais graves.

Os fumantes passivos — aqueles que convivem com fumantes em espaços fechados — também sofrem essas consequências. Podem apresentar piora em doenças maculares, aumento do risco de infartos retinianos, tromboses, e agravamento de condições como retinopatia diabética e hipertensiva. O fumo não respeita limites de exposição direta.

Entre os adolescentes, a preocupação toma outra forma. No Distrito Federal, cerca de 31% dos jovens entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico — o maior índice proporcional do país. Está demonstrado que esses dispositivos eletrônicos aumentam o risco de levar jovens ao tabagismo tradicional, geram potencial de dependência e causam diversos danos à saúde, incluindo aos olhos. O especialista ressalta, porém, que o desenvolvimento de doenças oculares depende também de fatores como herança genética. O tabaco é um fator de risco que pode ser eliminado.

E aqui está a boa notícia: parar de fumar traz benefícios que começam imediatamente. Em apenas 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue volta ao normal. Entre 2 e 12 semanas, a circulação sanguínea e a função pulmonar melhoram. Entre 1 e 9 meses, a tosse e a falta de ar diminuem significativamente. Em 10 anos, o risco de câncer de pulmão cai para metade em relação a um fumante ativo. Segundo a OMS, esses ganhos são tanto imediatos quanto duradouros. Abandonar o cigarro não é apenas uma decisão para o futuro — é uma decisão que o corpo começa a agradecer no mesmo dia.

A degeneração macular nos fumantes está ligada à exposição ao tabaco. Quanto maior o número de cigarros fumados, maior o dano à visão.
— Dr. Renato Braz Dias, especialista em retina e vítreo
Se a exposição for contínua, pode provocar uma lesão na córnea e levar a problemas mais graves.
— Dr. Renato Braz Dias
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