A EM ocorre em 3-5% dos casos antes dos 18 anos, principalmente em mulheres jovens entre 20-30 anos, contrariando mito de ser doença exclusiva de idosos. Novos protocolos e medicações menos agressivas garantem maior estabilidade da doença e menor evolução para incapacidade, dependência e sequelas cognitivas ou motoras.
Esclerose múltipla em crianças: diagnóstico precoce muda prognóstico da doença
Quanto mais rápido o diagnóstico, melhor o futuro
Por que a esclerose múltipla em crianças é tão pouco conhecida se afeta entre 3% e 5% dos casos?
Porque a palavra "esclerose" está tão ligada ao envelhecimento na cultura que as pessoas imaginam a doença como coisa de idoso. Ninguém espera encontrá-la em uma criança saudável.
Mas 3% a 5% de quantos casos totais? O texto não diz o número absoluto de crianças diagnosticadas no Brasil com EM pediátrica.
E quanto ao caso do Fellipe? Quanto tempo levou do primeiro sintoma até o diagnóstico correto?
Meses. Começou com formigamento nos pés, passou por vários especialistas, fez várias ressonâncias. O diagnóstico só ficou claro quando ele teve um surto na escola e precisou ser internado.
E mesmo assim, o resultado definitivo só chegou um mês depois. Então o diagnóstico precoce que os especialistas recomendam não é tão rápido assim na prática.
Qual foi o maior obstáculo que a família enfrentou?
O convênio se recusou a fornecer o medicamento. Precisaram de uma liminar na Justiça para conseguir o Ocrevus.
Isso levanta uma questão: quantas famílias não têm acesso a liminar? Quantas crianças estão sem medicação agora?
Os novos tratamentos realmente funcionam?
Segundo os especialistas, sim. Medicações menos agressivas garantem maior estabilidade e menor evolução para incapacidade. No caso do Fellipe, a previsão é que não haja mais surtos.
Mas "previsão" não é garantia. O texto diz que ainda não há cura e que a incerteza sobre novos surtos continua preocupando o menino.
O que a escola pode fazer?
Apoio psicológico, estímulo a exercícios, boa nutrição. O objetivo é que a criança tenha uma vida normal.
Mas quantas escolas têm estrutura para isso? O texto não menciona programas específicos ou políticas públicas de suporte.
The Pulse
- Entre 3% e 5% dos casos de esclerose múltipla têm primeiros sintomas antes dos 18 anos
- Aproximadamente 40 mil pessoas têm EM no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla
- 75% dos diagnósticos foram feitos na fase adulta (19-59 anos) e 77% em mulheres, conforme análise de 2026
- Fellipe Mello Negrisoli, 12 anos, foi diagnosticado após meses de avaliações e internação por inflamação na medula
A EM ocorre em 3-5% dos casos antes dos 18 anos, principalmente em mulheres jovens entre 20-30 anos, contrariando mito de ser doença exclusiva de idosos. Novos protocolos e medicações menos agressivas garantem maior estabilidade da doença e menor evolução para incapacidade, dependência e sequelas cognitivas ou motoras.
Especialistas destacam que esclerose múltipla afeta também crianças e adolescentes, com diagnóstico e tratamento precoces permitindo melhor controle da doença e prevenção de sequelas graves.
A esclerose múltipla não é uma doença de idosos. Essa é a mensagem que especialistas em neurologia infantil repetem com urgência, especialmente quando o calendário marca o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. A doença autoimune, inflamatória e crônica ataca o sistema nervoso central, deixando cicatrizes que interrompem a transmissão dos impulsos elétricos dos neurônios. O resultado são sintomas que variam de perda de equilíbrio e tontura a visão embaçada e dificuldades de raciocínio. Mas o que muitos desconhecem é que ela não poupa crianças e adolescentes.
Manuela Fragomeni, coordenadora do Departamento Científico de Neuroimunologia da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, explica que a confusão começa com a palavra. "Esclerose" está tão ligada ao envelhecimento na imaginação popular que as pessoas associam a doença a declínio cognitivo e perda de memória em idosos. Mas a realidade é diferente: entre 3% e 5% dos casos de esclerose múltipla têm seus primeiros sintomas antes dos 18 anos. Embora a doença afete principalmente mulheres jovens entre 20 e 30 anos, ela não respeita faixa etária. O desafio é que esse conhecimento ainda não chegou a muitos consultórios e salas de emergência.
Fellipe Mello Negrisoli, 12 anos, conhece essa realidade de perto. Começou com formigamento nos dedos dos pés e um quadro gripal que ninguém conseguia explicar. Sua mãe, Sandra Mello, administradora de empresas, levou o menino de um especialista a outro. Um otorrino sugeriu outras condições. Um ortopedista pediu ressonâncias magnéticas—três da coluna, uma do crânio. Mesmo assim, o diagnóstico permanecia inconclusivo. Tudo mudou quando Fellipe tentou fazer uma prova na escola e não conseguiu escrever por causa de um tremor nas mãos. O neurologista recomendou internação imediata. Havia inflamação na medula espinhal. Cinco dias depois, Fellipe recebeu alta, mas o resultado definitivo só chegou um mês depois: bandas oligoclonais no líquido cefalorraquidiano, um marcador laboratorial típico da esclerose múltipla.
O que veio depois foi uma batalha. O convênio se recusou a fornecer a medicação. Fellipe foi tratado com corticoides até que a família conseguisse o remédio via liminar na Justiça. "Ficamos sem chão, sem entender o que viria pela frente, tomados pelo medo", conta Sandra. Em abril, conseguiram aplicar as duas primeiras doses do Ocrevus. Foi um processo longo e doloroso para uma criança que, até então, era saudável. Mas agora há esperança: com a medicação, a previsão é que não ocorram mais surtos e a doença fique controlada.
Renata Paolilo, responsável pelo serviço de neuroimunologia pediátrica do Instituto da Criança do HC-FMUSP, reforça que os critérios diagnósticos foram atualizados recentemente e podem ser aplicados em jovens também. O estigma que envolve a doença, ela explica, vem de dados do passado, de uma época em que não havia acesso a diagnóstico e tratamento precoces. Hoje a situação é outra. Novos protocolos e medicações menos agressivas garantem maior estabilidade da doença e menor evolução para incapacidade, dependência e sequelas cognitivas ou motoras.
Os números ajudam a dimensionar o problema. A Federação Internacional de Esclerose Múltipla estima que 2,9 milhões de pessoas no mundo têm a doença. No Brasil, são aproximadamente 40 mil, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. Uma análise de exames de ressonância magnética feita entre janeiro e junho de 2026 mostrou que 75% dos diagnósticos foram feitos na fase adulta e 77% em mulheres. As ressonâncias magnéticas são os exames mais comuns para detectar a doença, mas exigem boa avaliação clínica. Harley De Nicola, radiologista e superintendente médico da Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde, ressalta que não basta identificar uma alteração—é preciso entender onde ela está, suas características e como o quadro se comporta ao longo do tempo.
Ainda não há cura, mas os tratamentos disponíveis podem controlar a atividade da doença, reduzir surtos e retardar sua progressão. Fragomeni é clara: quanto mais rápido o diagnóstico é feito após o início dos sintomas, melhor será o futuro do paciente. Para crianças e adolescentes, a comunidade escolar pode fazer diferença com apoio psicológico, estímulo a exercícios e boa nutrição. O objetivo, segundo Paolilo, é que a criança tenha uma vida normal, com qualidade de vida. Atividade física regular, rotina de sono e alimentação adequada, sem limitações para outras atividades—esse é o caminho. Fellipe, que agora brinca, relaxa e vai para a escola "levando tudo numa boa", é prova de que esse futuro é possível.
Notable Quotes
Ficamos sem chão, sem entender o que viria pela frente, tomados pelo medo— Sandra Mello, mãe de Fellipe
Quanto mais rápido o diagnóstico é feito após o início dos sintomas, melhor vai ser o futuro desse paciente— Manuela Fragomeni, coordenadora do Departamento Científico de Neuroimunologia da SBNI