Erika Hilton acusa direita de 'cara de pau' ao mudar posição sobre escala 6x1

A votação afeta milhões de trabalhadores brasileiros que atualmente cumprem jornada de 6x1, impactando diretamente suas condições de trabalho e qualidade de vida.
O trabalhador não é trouxa e vai mandar um recado na urna
Erika Hilton afirmou que a sociedade não acreditaria na reposicionamento da direita sobre direitos trabalhistas.

Erika Hilton denunciou a "cara de pau" e "desonestidade intelectual" da direita ao reverter posição sobre escala 6x1 após pressão da sociedade e movimentos sindicais. A deputada argumentou que a votação da escala 5x2 só ocorreu porque a direita obstruiu a votação da escala 4x3, impedindo avanço maior na redução da jornada.

  • Votação na Câmara sobre fim da escala 6x1 em 27 de maio de 2026
  • Comissão especial aprovou parecer com 34 votos a favor e 4 contra
  • Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas
  • Erika Hilton acusou direita de obstruir votação da escala 4x3 para impedir avanço maior

Deputada Erika Hilton acusou a extrema direita de "teatro" e desonestidade ao mudar posição sobre o fim da escala 6x1 durante votação na Câmara, afirmando que recuaram sob pressão social.

Na quarta-feira, 27 de maio, o plenário da Câmara dos Deputados se tornou palco de um confronto direto sobre trabalho e promessas políticas. Erika Hilton, deputada pelo PSOL de São Paulo, pediu direito de resposta após ser citada durante a votação sobre o fim da escala 6x1 — aquele regime de trabalho em que o funcionário labora seis dias seguidos e descansa apenas um. Seu alvo era André Fernandes, do PL de Ceará, e mais amplamente toda a ala direitista da Casa.

O que Hilton denunciou naquele momento foi uma inversão de posições que ela considerava desonesta. Líderes do PL, segundo ela, haviam prometido publicamente "dar o sangue" para impedir qualquer mudança na escala 6x1. Mas quando a pressão social cresceu — quando sindicatos se mobilizaram, quando trabalhadores ocuparam as ruas, quando a sociedade cobrou — esses mesmos políticos recuaram. "É muito impressionante a cara de pau, a desonestidade intelectual e o teatro de biruta de aeroporto que a extrema-direita está protagonizando dentro deste plenário", disse ela, sua voz ecoando pela câmara.

Mas havia mais na acusação. Hilton argumentou que a votação daquele dia — sobre a escala 5x2, que reduz a jornada para cinco dias de trabalho e dois de descanso — só estava acontecendo porque a direita havia obstruído algo ainda mais ambicioso: a escala 4x3, que teria dado três dias de descanso. "Se hoje nós estamos votando 5x2, é porque eles obstruíram e impediram a votação do 4x3", explicou. Em outras palavras, a direita havia freado o avanço máximo possível, e agora, sob pressão, aceitava uma versão reduzida enquanto tentava se apresentar como razoável.

A votação daquele dia havia começado na comissão especial da Câmara, onde o parecer do deputado Leo Prates, do Republicanos da Bahia, foi aprovado com 34 votos a favor e apenas 4 contra. O texto não era apenas simbólico: reduzia a jornada semanal de 44 para 40 horas e eliminava a escala 6x1, afetando diretamente milhões de trabalhadores brasileiros que viviam sob esse regime.

Hilton não poupou críticas à tentativa da oposição de se reinventar como defensora dos trabalhadores. "O trabalhador e a sociedade não é trouxa e vai mandar um recado na urna", disse, sugerindo que os eleitores não seriam enganados por essa mudança de postura. Ela também dirigiu uma provocação pessoal a André Fernandes, lembrando que ele havia construído parte de sua presença pública ensinando depilação íntima pela internet — algo que ela considerava bem mais humilhante do que simplesmente mudar de posição política.

A deputada encerrou sua fala com um grito de vitória, celebrando a classe trabalhadora brasileira, o presidente Lula e a luta pelo fim da escala 6x1. Para ela, o que estava em jogo naquele plenário não era apenas uma mudança técnica nas horas de trabalho. Era sobre honestidade política, sobre quem realmente defendia os trabalhadores e quem apenas fingia defender quando a pressão ficava insuportável. A votação prosseguiu, mas a mensagem de Hilton ficou clara: a direita havia sido exposta, e os trabalhadores não esqueceriam.

É muito impressionante a cara de pau, a desonestidade intelectual e o teatro de biruta de aeroporto que a extrema-direita está protagonizando
— Erika Hilton, deputada PSOL-SP
Se hoje nós estamos votando 5x2, é porque eles obstruíram e impediram a votação do 4x3
— Erika Hilton
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Erika Hilton insistiu tanto em chamar a mudança de posição de "teatro"? Não era suficiente dizer que a direita simplesmente recuou?

Model

Porque recuar é uma coisa. Recuar enquanto tenta se passar por razoável ou responsável é outra. Hilton estava dizendo que a direita não apenas perdeu a batalha — ela perdeu a credibilidade. Eles prometeram barrar tudo, depois cederam, e agora queriam parecer moderados. Isso é teatro.

Inventor

E quanto à questão da escala 4x3 versus 5x2? Por que isso importa tanto?

Model

Importa porque mostra que a direita não apenas se opôs ao fim da 6x1. Ela ativamente impediu uma solução melhor para os trabalhadores. Eles não apenas disseram não — eles bloquearam o caminho para algo mais ambicioso. Depois, quando tudo desabou, aceitaram a versão menor e tentaram parecer cooperativos.

Inventor

Hilton parecia confiante de que os trabalhadores não acreditariam nessa reposicionamento. De onde vinha essa confiança?

Model

Da mobilização que havia acontecido. Sindicatos se movimentaram, ruas foram ocupadas, a pressão foi real e visível. Os trabalhadores viram quem estava do lado deles e quem estava contra. Não é fácil fingir depois disso.

Inventor

A provocação pessoal sobre depilação — isso foi necessário?

Model

Talvez não fosse necessário, mas era um ponto. Hilton estava dizendo: você quer falar de humilhação? Você construiu sua carreira ensinando coisas íntimas na internet. Não venha falar de humilhação para quem muda de posição sobre direitos trabalhistas. Era uma forma de deslocar o debate, de dizer que a oposição não tinha moral para criticar ninguém.

Inventor

E agora? O que muda depois dessa votação?

Model

A lei passa, a escala 6x1 acaba, a jornada vai para 40 horas. Mas politicamente, Hilton deixou marcado: a direita cedeu sob pressão, não por convicção. Isso fica no ar. Nas próximas eleições, os trabalhadores vão lembrar quem estava onde.

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