Equipes internacionais intensificam buscas por sobreviventes de terremoto devastador na Venezuela

Centenas de mortos e desaparecidos; famílias deslocadas em acampamentos improvisados; crianças entre as vítimas; sobreviventes com ferimentos graves e infecções.
A gente tem que estar preparado para o que vem depois
O comandante da Marinha brasileira alerta que a operação entra em fase crítica com remoção de cadáveres e aumento de preocupações sanitárias.
Mark

Por que um terremoto em La Guaira mobilizou tantos países ao mesmo tempo?

Mimi

Porque a escala foi devastadora e porque ninguém sabia quantas pessoas ainda estavam vivas sob os escombros. Quando há chance de encontrar sobreviventes, o mundo inteiro se move. Mas também porque a Venezuela estava isolada — precisava de ajuda externa urgentemente.

Mark

Você mencionou que o vigilante Hernán Gil foi resgatado após oito dias. Qual é a chance real de encontrar alguém vivo depois de tanto tempo?

Mimi

Muito pequena. Oito dias é extraordinário. A maioria das pessoas morre nos primeiros dias. Mas quando você encontra um, como Santiago ou Hernán, isso muda tudo para as equipes. Deixa de ser apenas um trabalho de resgate e vira uma razão para continuar.

Mark

O hospital de campanha está recebendo 120 pacientes por dia. Isso é muito ou pouco?

Mimi

É muito. E vai piorar. O comandante estava claro sobre isso — estão entrando em uma fase onde vão começar a remover corpos. Quando isso acontece, as infecções aumentam, as doenças secundárias aparecem. O hospital não está apenas tratando ferimentos do terremoto; está tratando o que vem depois.

Mark

As famílias que estão esperando notícias — como elas lidam com a incerteza?

Mimi

Alguns vão todos os dias para La Guaira. Outros ficam em acampamentos improvisados. Não há forma de lidar bem com isso. Você está esperando saber se seu filho está vivo ou morto, e ninguém pode te dizer com certeza.

Mark

A presidente disse que ninguém foi negado ajuda. Mas os moradores disseram que precisaram cavar com as próprias mãos.

Mimi

Essa é a tensão real. As equipes internacionais chegaram, sim. Mas levou tempo. E naqueles primeiros dias, as pessoas não esperaram — fizeram o que podiam com o que tinham. A verdade é mais complicada do que qualquer um dos lados está dizendo.

  • Sobreviventes como Hernán Gil, resgatado após oito dias soterrado, mantêm viva a esperança das equipes, mas o tempo joga contra: as probabilidades de encontrar vida diminuem a cada hora que passa.
  • Famílias de Caracas cruzam diariamente até La Guaira em busca de notícias de parentes desaparecidos, incluindo duas crianças cujo prédio colapsou completamente sem deixar sobreviventes conhecidos.
  • Moradores afetados relatam ter cavado os escombros com as próprias mãos antes da chegada das equipes estrangeiras, enquanto o governo venezuelano rejeita acusações de lentidão no socorro.
  • O hospital de campanha da Marinha brasileira enfrenta uma mudança de perfil: dos ferimentos agudos do colapso, os casos evoluem para infecções e traumas não tratados, com tendência de aumento no volume de atendimentos.
  • A operação entra em sua fase mais sombria: a iminente remoção de cadáveres eleva as preocupações sanitárias e anuncia o momento em que o número de desaparecidos começará a ser definitivamente contabilizado.

Um terremoto devastador sacudiu a Venezuela e expôs, mais uma vez, a fragilidade da existência humana diante das forças da terra. Em La Guaira, sessenta equipes de resgate vindas de 28 países trabalham contra o tempo para encontrar sobreviventes sob os escombros, enquanto o Brasil instala um hospital de campanha que já atende 120 pacientes por dia. A catástrofe revela tanto a capacidade de solidariedade internacional quanto as tensões entre o sofrimento das pessoas e as respostas — ou ausências — do poder.

Um morador de Playa Grande gravou o momento em que o terremoto atingiu La Guaira: a piscina transbordando, um edifício vizinho desabando. Seu prédio sobreviveu, mas foi condenado. Ele perdeu tudo — sem seguro, sem aviso suficiente, apesar de tremores menores nas semanas anteriores.

A resposta internacional foi de proporções raramente vistas. Sessenta equipes de 28 países chegaram com cães farejadores, sensores de presença e microfones capazes de detectar batimentos cardíacos sob os escombros. O vigilante Hernán Gil foi resgatado com vida após oito dias soterrado, numa operação de 72 horas com mais de cem resgatistas. Histórias como a dele funcionam como combustível emocional para as equipes continuarem cavando.

Enquanto isso, famílias aguardam notícias. Duas crianças de oito e nove anos visitavam amigos num edifício de dez andares que colapsou completamente — nenhum sobrevivente foi encontrado. Quem escapou enfrenta casas destruídas e risco de saques. Parte da população foi encaminhada a um abrigo em campo de futebol administrado pela ONU.

Cinco dias após o terremoto, a Marinha do Brasil instalou um hospital de campanha na orla de La Guaira, com centro cirúrgico, UTIs e especialidades como pediatria e ortopedia. A coordenadora, a cirurgiã Marisa Martins, observou a mudança no perfil dos pacientes: dos ferimentos agudos iniciais, a maioria chega agora com infecções e traumas não tratados. A média chegou a 120 atendimentos diários. O comandante Leonel Mariano alertou: a remoção de cadáveres está próxima, e com ela crescem as preocupações sanitárias.

Entre as histórias de sobrevivência, Dayana e seu filho recém-nascido, Juan David, passaram mais de 30 horas soterrados. O pai, Gerson Trujillo, escapou segundos antes do colapso e localizou a família ao ouvir a voz da esposa sob os destroços. O bebê foi resgatado primeiro; a mãe, uma hora depois. A família vive temporariamente na casa de parentes e tenta reconstruir a vida por meio de arrecadação virtual — enquanto as equipes internacionais continuam seu trabalho e o hospital se prepara para o que ainda está por vir.

Um morador do bairro de Playa Grande, em La Guaira, estava assistindo a uma partida de futebol entre Brasil e Escócia quando sentiu o apartamento começar a balançar com intensidade. Ele pegou o celular e gravou o momento: a piscina transbordando, um edifício vizinho desabando parcialmente. O prédio onde ele estava permaneceu de pé, mas foi condenado pelas autoridades. O proprietário perdeu tudo e não tinha seguro. Duas semanas antes do desastre, tremores menores já haviam sido sentidos na região — avisos que ninguém poderia ter interpretado como prenúncio do que viria.

O terremoto que atingiu a Venezuela mobilizou uma resposta internacional de proporções raramente vistas. Sessenta equipes de resgate de 28 países convergiram para La Guaira, trazendo cães farejadores, sensores de presença e microfones ultrassensíveis capazes de detectar batimentos cardíacos sob os escombros. Esses grupos trabalham contra o tempo e contra as probabilidades. Hernán Gil, um vigilante, foi resgatado com vida após oito dias soterrado — uma operação que levou 72 horas e envolveu mais de cem resgatistas internacionais. Casos como o dele mantêm as equipes em movimento, mesmo quando os dias passam e as chances diminuem. Um dos coordenadores de resgate explicou que histórias de sobrevivência como a de Santiago funcionam como combustível emocional: elas dão força para continuar procurando, para ir tão longe quanto possível em busca de outras pessoas.

Mas enquanto as equipes cavam, as famílias esperam. Moradores de Caracas deslocam-se diariamente até La Guaira em busca de notícias de parentes desaparecidos. Duas crianças de oito e nove anos estavam visitando amigos em um edifício de dez andares que colapsou completamente — até o momento, nenhum sobrevivente foi encontrado lá. Os que conseguiram escapar com vida enfrentam agora a destruição de suas casas e o risco de saques. Alguns improvisaram avisos nos escombros: "propriedade particular", "não entre". Parte da população foi encaminhada para um abrigo temporário montado em um campo de futebol, administrado por agências da ONU, onde recebem alimentação, suporte logístico e atendimento médico básico.

Para os casos mais graves, a Marinha do Brasil instalou um hospital de campanha na avenida beira-mar de La Guaira, cinco dias após o terremoto. A unidade tem leitos de internação, centro cirúrgico, UTIs e especialidades como pediatria e ortopedia. A coordenadora da unidade, a cirurgiã vascular Marisa Martins, observou que o perfil dos pacientes mudou conforme os dias passaram. No início, havia ferimentos agudos do desabamento. Agora, a maioria chega com pós-trauma: feridas que não puderam ser cuidadas, medicamentos que não foram tomados, infecções que se desenvolveram nos escombros. A média de atendimentos atingiu 120 pacientes por dia, e a tendência é subir.

O chefe da missão da Marinha, comandante Leonel Mariano, alertou para uma mudança de fase na operação. "Nos últimos dias a gente está com uma média já de 120 pacientes por dia e tendendo a subir. Infelizmente vai chegar um momento em que vai começar a remoção de cadáveres. E aí, nessa fase, as preocupações sanitárias aumentam. A gente tem que estar preparado", disse ele. A operação humanitária está entrando em seu período mais difícil — não apenas pelo volume de feridos, mas pelas realidades que virão depois.

Moradores da região afetada manifestaram insatisfação com a velocidade das ações de socorro do Estado. Muitos precisaram cavar os escombros com as próprias mãos antes da chegada das equipes estrangeiras. Quando questionada sobre essas críticas em entrevista coletiva, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou as acusações. "Politizar uma situação humanitária como esta, em que o governo e as autoridades da Venezuela mobilizaram todos os esforços públicos, privados, nacionais e internacionais. Que alguém diga que teve acesso ou ajuda negados. Que alguém diga isso. Isso não existe", afirmou.

Entre os sobreviventes, há histórias que tocam pela intimidade da luta pela vida. Dayana e seu filho recém-nascido, Juan David, passaram mais de 30 horas soterrados. O pai, Gerson Trujillo, conseguiu escapar segundos antes do colapso do prédio e depois localizou a família ao ouvir a voz da esposa sob os destroços. O bebê foi resgatado primeiro, a mãe uma hora depois. A família está abrigada temporariamente na casa de parentes e abriu uma arrecadação virtual para tentar reconstruir a vida. Enquanto isso, as equipes internacionais continuam seu trabalho nos escombros, e o hospital de campanha se prepara para a próxima fase — uma em que o número de feridos pode aumentar, mas o número de desaparecidos também pode ser finalmente contabilizado.

A história do Santiago vira um motivador, pra nos dar força, nos dar garra pra encontrar outros Santiago aí
— Coordenador de resgate Braun
Nos últimos dias a gente está com uma média já de 120 pacientes por dia e tendendo a subir. Infelizmente vai chegar um momento em que vai começar a remoção de cadáveres
— Comandante Leonel Mariano, chefe da missão da Marinha
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