Bandeira tarifária verde mantém-se por três meses consecutivos, reduzindo custos nas contas de luz dos brasileiros. Energia elétrica representa 25% do grupo Habitação na inflação e afeta indiretamente preços de indústria e serviços.
Energia elétrica cai 14,21% em janeiro; veja dicas para reduzir consumo
O alívio na conta de luz compensa apenas parte da alta
Por que a energia elétrica caiu tanto em janeiro? Parece um número muito grande.
Principalmente por causa do Bônus de Itaipu, um crédito que foi repassado às contas. Mas também porque os reservatórios estavam cheios, o que deixa a geração mais barata.
Espera — esse bônus é permanente ou foi só em janeiro?
Foi creditado nas faturas de janeiro especificamente. Não é algo que vai se repetir todo mês.
E por que isso importa para quem não recebeu o bônus?
Porque a energia afeta os preços de tudo — indústria, serviços, alimentos. Quando cai, a inflação geral desacelera um pouco.
Um pouco é a palavra certa. Um analista disse que o impacto é "misto" porque alimentos e serviços continuam caros.
Então a queda na energia não resolve o problema da inflação?
Resolve em parte. É um alívio, mas não é a solução completa.
E agora vem uma onda de calor. Isso vai fazer as pessoas usarem mais ar condicionado?
Muito provavelmente. E se o consumo sobe, os preços podem subir de novo.
Por isso a agência está pedindo consumo consciente — para não desperdiçar quando o calor apertar.
El Pulso
- Energia elétrica caiu 14,21% em janeiro de 2025
- Bandeira tarifária verde mantém-se por três meses consecutivos
- Energia representa 25% do grupo Habitação na inflação
- Onda de calor prevista de 12 a 21 de fevereiro nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste
Bandeira tarifária verde mantém-se por três meses consecutivos, reduzindo custos nas contas de luz dos brasileiros. Energia elétrica representa 25% do grupo Habitação na inflação e afeta indiretamente preços de indústria e serviços.
Preços da energia elétrica caíram 14,21% em janeiro devido ao Bônus Itaipu, mas onda de calor prevista pode aumentar consumo. Especialistas alertam para consumo consciente.
A conta de luz dos brasileiros encolheu em janeiro. Os preços da energia elétrica residencial caíram 14,21%, um alívio que chegou justamente quando a inflação aperta o orçamento das famílias. Esse número não é pequeno: a energia elétrica representa um quarto de tudo que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística classifica como gastos com habitação, o que significa que essa queda reverbera diretamente no índice de preços que o país acompanha mês a mês.
O responsável pela redução foi o Bônus de Itaipu, um crédito que a Agência Nacional de Energia Elétrica repassou às contas de consumidores residenciais e rurais que usaram menos de 350 quilowatts-hora em pelo menos um mês durante 2023. Além disso, as condições de geração de energia permaneceram favoráveis, com os reservatórios cheios, mantendo a pressão sobre os preços em baixa. Em fevereiro, o país entrou no terceiro mês consecutivo sob a bandeira tarifária verde — aquela que não cobra taxas extras nas contas de luz —, estendendo o período de alívio financeiro para os consumidores.
Mas o cenário pode mudar rapidamente. Uma onda de calor que começou na quarta-feira 12 de fevereiro deve se estender até o dia 21, passando pelas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Quando as temperaturas sobem, o consumo de energia elétrica sobe junto, especialmente pelo uso intensivo de ar condicionado. A Agência Nacional de Energia Elétrica já reforçou a necessidade de práticas de consumo consciente para evitar desperdícios e manter a sustentabilidade do setor.
O impacto da energia elétrica vai muito além da conta de luz que chega na casa de cada brasileiro. Pedro Coletta, analista de energia da Equus Capital, explica que a eletricidade afeta indiretamente toda a cadeia de preços do país. Quando o custo da energia sobe, a indústria e os serviços repassam esse aumento para o consumidor final. Quando cai, como agora, há um alívio que pode desacelerar a inflação. "A variação nos preços de eletricidade influencia de maneira ampla, podendo pressionar a inflação quando há aumento e aliviá-la em momentos de redução dos custos", afirma Coletta.
Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, oferece uma visão mais matizada. Para ele, o impacto da queda da energia é "misto". Sim, o consumidor respira aliviado com a conta de luz menor, mas isso compensa apenas parte da alta que vem de outros lugares. Os preços dos alimentos e dos serviços continuam pressionando o orçamento das famílias, então a redução na energia não resolve o problema da inflação de forma completa.
Com a onda de calor à vista e a possibilidade de aumento no consumo, a Agência Nacional de Energia Elétrica recomenda uma série de práticas para manter o gasto sob controle. Desligar aparelhos que ficam em modo de espera, tomar duchos mais rápidos, escolher equipamentos com o Selo Procel — que indica maior eficiência energética —, aproveitar a luz natural durante o dia, trocar lâmpadas por modelos de LED, otimizar o uso do ar condicionado e reduzir o tempo que ventiladores ficam ligados são algumas das estratégias. Até mesmo regular a temperatura da geladeira pode fazer diferença no fim do mês.
O desafio agora é manter o consumo consciente enquanto o calor intenso torna o ar condicionado uma necessidade, não um luxo. Se os brasileiros conseguirem equilibrar essas duas forças — aproveitar a queda nos preços sem desperdiçar energia —, o alívio que chegou em janeiro pode se estender por mais tempo.
Citas Notables
A variação nos preços de eletricidade influencia de maneira ampla, podendo pressionar a inflação quando há aumento e aliviá-la em momentos de redução dos custos— Pedro Coletta, analista de energia da Equus Capital
Para o consumidor, o impacto é misto: enquanto o alívio na conta de luz compensa parte da alta, os preços dos alimentos e dos serviços continuam a pressionar o orçamento— Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike