Na tarde de 31 de julho, em Cariacica, quatro homens — um empresário e três pedreiros da mesma família — foram soterrados quando um barranco cedeu durante a escavação de uma obra que jamais deveria estar em andamento. A construção havia sido embargada há um ano pela prefeitura, mas foi retomada clandestinamente, sem licença, sem engenheiro responsável e sem os cuidados mínimos que a terra argilosa exigia. O que restou foi a pergunta que toda tragédia anunciada deixa: quem responderá por vidas ceifadas não pelo acaso, mas pela escolha deliberada de ignorar a lei e o risco?
Empresário e três pedreiros morrem soterrados em obra irregular no ES
Obra retomada clandestinamente, sem licença, sem técnico, sem nada
Por que uma obra embargada há um ano foi retomada sem nenhuma correção das falhas?
A prefeitura diz que não houve falha na fiscalização, que atribui tudo à negligência de quem ignorou a ordem de paralisação. Mas a realidade é que alguém tomou a decisão de retomar os trabalhos clandestinamente, sem licença, sem responsável técnico, sem nada. Isso é o que a polícia está tentando esclarecer agora.
E o técnico que deveria estar supervisionando? Onde estava?
Não havia técnico. Essa era justamente uma das irregularidades que levou ao embargo inicial. A obra nunca teve um responsável técnico habilitado. Quando foi retomada, continuou sem um. Era construção pura e simples, sem qualquer acompanhamento profissional.
A escavação vertical de 90 graus — isso é um erro de engenharia ou negligência?
É ambos. Tecnicamente, é um erro grave. A escavação deveria ter sido feita em níveis para manter a estabilidade do solo argiloso. Mas esse tipo de erro não acontece por acaso. Alguém decidiu fazer assim, provavelmente para economizar tempo ou dinheiro. Negligência com consequências fatais.
E agora, quem vai pagar pelas obras de estabilização?
Legalmente, caberá aos proprietários dos imóveis. Mas há uma questão maior: quem vai ser responsabilizado criminalmente? A polícia está investigando quem tomou a decisão de retomar a obra. Pode haver indiciamento por homicídio culposo, no mínimo.
Os vizinhos que foram desalojados — quando voltam para casa?
Não há previsão. Tudo depende das obras de estabilização que ainda precisam ser executadas e de novos laudos técnicos. Pode levar semanas, meses. Enquanto isso, três famílias estão fora de casa, sem saber quando poderão voltar.
E as famílias dos quatro que morreram?
Ficaram sem nada. Um deles deixou três filhos pequenos, o menor com sete meses. Outro deixou dois filhos. O empresário deixou esposa e um filho. Tudo por uma obra que nunca deveria ter sido retomada.
The Pulse
- Uma escavação vertical de 90 graus em solo argiloso — proibida pelas normas técnicas — criou uma armadilha silenciosa que desabou sobre quatro homens em questão de segundos.
- A obra estava embargada há um ano, mas foi retomada às escondidas uma semana antes da tragédia, sem que nenhuma das irregularidades apontadas pela fiscalização tivesse sido corrigida.
- Três famílias foram destruídas: Ronival, que havia deixado o volante de táxi pela construção; Ruan, que abandonou o emprego para ajudar o pai; e Valdomiro, figura conhecida na comunidade — todos mortos ao lado do próprio dono da obra.
- O impacto se alastrou pelos vizinhos: três imóveis foram interditados, famílias desalojadas sem previsão de retorno, e técnicos identificaram novas áreas com risco de deslizamento — especialmente com a chegada das chuvas.
- A Polícia Civil investiga responsabilidades criminais pela retomada ilegal da obra, enquanto laudos periciais ainda estão sendo concluídos e as perguntas mais duras permanecem sem resposta.
Na tarde de 31 de julho, em Cariacica, quatro homens — um empresário e três pedreiros da mesma família — foram soterrados quando um barranco cedeu durante a escavação de uma obra que jamais deveria estar em andamento. A construção havia sido embargada há um ano pela prefeitura, mas foi retomada clandestinamente, sem licença, sem engenheiro responsável e sem os cuidados mínimos que a terra argilosa exigia. O que restou foi a pergunta que toda tragédia anunciada deixa: quem responderá por vidas ceifadas não pelo acaso, mas pela escolha deliberada de ignorar a lei e o risco?
Na tarde de 31 de julho, câmeras de segurança registraram o momento em que um barranco desabou sobre quatro homens em uma obra no bairro Nova Rosa da Penha II, em Cariacica. Nenhum sobreviveu. O Corpo de Bombeiros resgatou os corpos ao longo da tarde e início da noite.
Entre os mortos estava Wanderson Santana André, de 35 anos, dono da distribuidora de bebidas que estava sendo ampliada. Ao seu lado trabalhavam três pedreiros da mesma família: Ronival Moreira de Jesus, de 48 anos, que havia deixado a profissão de taxista para atuar na construção; seu filho Ruan, de 31, que saíra do emprego para ajudar o pai; e o tio Valdomiro, de 61, conhecido na comunidade. Deixaram para trás esposas, filhos pequenos e dependentes.
A tragédia carrega o peso do que era evitável. A obra estava embargada pela Prefeitura de Cariacica há um ano, por falta de licença e de responsável técnico habilitado. Mesmo assim, os trabalhos foram retomados clandestinamente cerca de uma semana antes do desabamento, sem que qualquer irregularidade fosse sanada. O Conselho Regional de Engenharia apontou a causa técnica: a escavação foi feita com corte vertical de 90 graus em solo argiloso, quando as normas exigem escavação em níveis para garantir estabilidade.
O colapso não ficou contido ao lote. A Defesa Civil interditou três imóveis vizinhos — a distribuidora, um galpão e uma residência — por risco de novos deslizamentos, desalojando famílias sem previsão de retorno. A prefeitura isolou a área e iniciou obras emergenciais para conter a infiltração de água da chuva no barranco, enquanto um relatório técnico era preparado para orientar as intervenções definitivas, que caberão aos proprietários executar.
A Polícia Civil investiga o caso pela Delegacia Especializada de Acidentes de Trabalho, buscando definir quem responde criminalmente pela decisão de ignorar o embargo e retomar a obra. Os laudos periciais ainda estão em andamento, e as respostas mais graves — sobre culpa, sobre retorno, sobre justiça — permanecem em aberto.
Na tarde de sexta-feira, 31 de julho, quatro homens foram soterrados quando um barranco cedeu durante a escavação de uma obra em Cariacica, na Grande Vitória. As câmeras de segurança do local registraram o momento em que a barreira de terra desabou sobre os trabalhadores que realizavam a fundação de um muro de arrimo para a ampliação de uma distribuidora de bebidas no bairro Nova Rosa da Penha II. Nenhum deles resistiu aos ferimentos. Os corpos foram resgatados pelo Corpo de Bombeiros ao longo da tarde e início da noite.
Entre os mortos estava Wanderson Santana André, de 35 anos, proprietário da distribuidora. Ele trabalhava pessoalmente na construção ao lado de três pedreiros da mesma família: Ronival Moreira de Jesus, de 48 anos; seu filho Ruan Moreira da Luz, de 31 anos; e o tio Valdomiro Moreira de Jesus, de 61 anos. Ronival havia deixado uma carreira como taxista para trabalhar na construção. Ruan havia saído de seu emprego na Central de Abastecimento do Espírito Santo para ajudar o pai na obra. Valdomiro era conhecido na comunidade. Juntos, deixaram para trás uma esposa, filhos pequenos — alguns com apenas meses de vida — e dependentes que agora enfrentam a perda.
O que torna a tragédia ainda mais grave é que a obra estava embargada pela Prefeitura de Cariacica há um ano. A administração municipal havia determinado a paralisação imediata dos serviços por falta de licenciamento e ausência de um responsável técnico habilitado. Apesar dessa ordem, os trabalhos foram retomados clandestinamente cerca de uma semana antes do desabamento, sem que as irregularidades apontadas pela fiscalização fossem corrigidas. A obra nunca possuiu autorização legal para funcionar.
Uma vistoria do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo identificou a causa técnica do colapso: a escavação havia sido executada com um corte vertical de 90 graus, o que causou a perda de sustentação do solo argiloso. Segundo as normas de segurança, a escavação deveria ter sido feita em níveis para garantir a estabilidade do terreno. O órgão também apontou que a intervenção ocorria sem acompanhamento de profissionais habilitados e que o terreno permanecia instável, com risco aumentado de novos deslizamentos conforme se aproxima o período chuvoso.
O impacto da tragédia se estendeu além das quatro vidas perdidas. A Defesa Civil municipal precisou interditar três imóveis vizinhos ao lote — a própria distribuidora, um galpão adjacente e uma residência na rua de trás — devido ao risco de novos desabamentos. Técnicos identificaram três áreas com possibilidade de movimentação de solo. As famílias que moravam nesses imóveis foram orientadas a deixar suas casas temporariamente, sem previsão de retorno. O subsecretário municipal de Defesa Civil, Marcelo Scherrer, afirmou que era prematuro dizer quando a edificação poderia ser liberada.
A Prefeitura de Cariacica iniciou medidas emergenciais para reduzir os riscos: isolamento da área, interdição da rua lateral e construção de uma barreira para evitar infiltração de água da chuva no barranco. Um relatório técnico deveria ser concluído até o fim da semana para identificar as intervenções necessárias. Por se tratar de uma área particular, caberá aos proprietários dos imóveis executar as obras de estabilização apontadas no documento, após notificação emergencial da prefeitura.
A Polícia Civil do Espírito Santo apura o caso por meio da Delegacia Especializada de Acidentes de Trabalho. As investigações buscam definir responsabilidades criminais pela decisão de retomar a obra embargada e pelo descumprimento da ordem de paralisação. A Polícia Científica realizou necropsias dos corpos no Instituto Médico-Legal de Vitória. Detalhes sobre depoimentos e linhas de investigação não foram divulgados para preservar o andamento do inquérito. O que permanece em aberto é quem será responsabilizado criminalmente, quando será emitido o laudo pericial definitivo sobre as causas do desabamento, e quando as famílias desalojadas poderão retornar aos seus lares.
Notable Quotes
Hoje viemos aqui com engenheiros e geólogos. Já identificamos três cenários com risco de movimentação de solo, que pode acarretar um desabamento. Ainda é precoce dizer que a edificação pode ser liberada.— Marcelo Scherrer, subsecretário municipal de Defesa Civil