Andreia Vieira Gaspar pagou R$ 118 mil por procedimentos e não consultou presencialmente o cirurgião antes da operação de dez horas. Exames pré-operatórios mostraram alteração bacteriana; família questiona estrutura hospitalar e demora no atendimento de emergência.
Empresária morre após plástica sem consulta presencial; família denuncia negligência
Economizou dois anos para um sonho que durou dez horas
Por que a ausência de consulta presencial importa tanto neste caso?
Porque é o momento em que um médico responsável examina o paciente, avalia seu estado geral, conversa sobre riscos específicos. Andreia tinha uma alteração bacteriana nos exames. Um médico vendo-a pessoalmente poderia ter feito perguntas, observado sinais, talvez até decidido adiar. Tudo isso foi pulado.
A família sabia que não haveria consulta antes da cirurgia?
Aparentemente não. Andreia tinha uma consulta marcada para o dia 10. Quando chegou a data, foi cancelada e informaram que o médico avaliaria no centro cirúrgico. Não há indicação de que ela tenha concordado com isso ou entendido as implicações.
E quanto aos exames que ela fez na Espanha?
Ela fez tudo que foi pedido, enviou os resultados. Mas um dos exames mostrava uma alteração bacteriana. Isso deveria ter gerado uma conversa, uma avaliação cuidadosa. Em vez disso, ela recebeu apenas orientação para parar com hormônios uma semana antes.
Dez horas é muito tempo para uma cirurgia plástica?
É bastante. Ela passou por cinco procedimentos diferentes — lifting facial profundo, testa, queixo, pálpebras, enxerto de gordura. Complexo, sim. Mas dez horas é longo o suficiente para que qualquer coisa inesperada se torne perigosa.
O que a família questiona além da consulta?
A estrutura do hospital no momento da emergência. Djiane procurou saber se havia ambulância, se havia UTI. Essas perguntas sugerem que quando Andreia começou a piorar, não havia recursos imediatos disponíveis — ou pelo menos não estava claro que havia.
Por que o médico não fala?
Invoca sigilo médico. É um direito dele, legalmente. Mas deixa a família sem respostas e alimenta a sensação de que algo foi ocultado. A investigação agora terá acesso aos prontuários. Lá estará a verdade clínica.
Il Polso
- Andreia Vieira Gaspar, 51 anos, morreu em Goiânia após cirurgia plástica
- Pagou R$ 118 mil e não realizou consulta presencial com o cirurgião antes da operação
- Cirurgia durou dez horas; exames pré-operatórios mostravam alteração bacteriana
- Ministério Público de Goiás abriu inquérito por possível homicídio culposo em 20 de agosto
Andreia Vieira Gaspar pagou R$ 118 mil por procedimentos e não consultou presencialmente o cirurgião antes da operação de dez horas. Exames pré-operatórios mostraram alteração bacteriana; família questiona estrutura hospitalar e demora no atendimento de emergência.
Empresária de 51 anos morre após cirurgia plástica em Goiânia sem ter realizado consulta presencial com o médico. Família denuncia negligência e MP-GO abre inquérito por homicídio culposo.
Andreia Vieira Gaspar tinha 51 anos quando voltou à Goiânia depois de cinco anos morando na Espanha. Ela vinha com um propósito claro: realizar uma cirurgia plástica que era um sonho antigo. Para isso, havia economizado durante dois anos, juntando R$ 118 mil — uma quantia que sua irmã, Djiane Vieira, sabe bem o quanto custou ganhar como assalariada. No dia 3 de agosto, Andreia desembarcou na cidade pronta para o procedimento marcado.
Antes de viajar, ela havia feito os exames solicitados ainda na Espanha e enviado os resultados para a equipe médica. Um desses exames apresentava uma alteração relacionada a uma bactéria. Andreia também informou aos médicos sobre os medicamentos que tomava, incluindo hormônios, e recebeu orientação para suspender a medicação uma semana antes da cirurgia. Tudo parecia estar em ordem no papel. O que não estava em ordem era a consulta presencial.
Andreia havia marcado uma consulta com o médico para o dia 10 de agosto. Quando chegou a data, a secretária informou que o encontro havia sido cancelado. O médico faria a avaliação no próprio centro cirúrgico, disseram. Assim, quando Andreia foi internada no dia 11 de agosto, aquele foi seu primeiro contato presencial com qualquer membro da equipe. Nenhuma avaliação cara a cara com o cirurgião antes da operação. Nenhuma chance de o médico examiná-la pessoalmente, de conversar sobre suas preocupações, de avaliar seu estado geral.
A cirurgia começou por volta das 7 da manhã. Andreia passou por ritidoplastia profunda, frontoplastia, mentoplastia, blefaroplastia e aplicação de gordura no rosto — procedimentos extensos no rosto e pescoço. Djiane permaneceu no hospital durante todo o período, observando as horas passarem. Quando seu relógio marcou 17h30, Andreia finalmente retornou ao quarto. Dez horas de cirurgia. Djiane ficou preocupada com a demora, mas esperou.
Durante a madrugada, o estado de Andreia se agravou. Djiane chamou integrantes da equipe. Sua irmã continuava pedindo a presença de um médico. Andreia morreu nos braços de Djiane durante aquelas horas escuras. "Minha irmã era uma pessoa completamente cuidadosa, cheia de saúde, superdisposta para a vida. E o sonho da vida dela era fazer esse procedimento", disse Djiane depois, a voz carregada de uma perda que não fazia sentido.
A família denunciou negligência médica. Questionaram não apenas a ausência de consulta presencial, mas também a estrutura do hospital no momento da emergência — a disponibilidade de ambulância, a existência de uma Unidade de Terapia Intensiva. No dia 20 de agosto, o Ministério Público de Goiás pediu a abertura de um inquérito policial para investigar a possível prática de homicídio culposo.
O médico responsável, Lessandro Martins, emitiu uma nota lamentando o falecimento e expressando solidariedade à família, mas invocando o sigilo médico — que persiste mesmo após a morte, segundo o Código de Ética Médica — para não comentar dados clínicos ou detalhes do atendimento. O Hospital Ankar, por sua vez, afirmou que a paciente recebeu atendimento de emergência imediato, que os exames pré-operatórios foram realizados externamente, e que todos os registros estão documentados em prontuário, disponíveis às autoridades.
Agora a investigação segue seu curso. Os órgãos competentes terão acesso aos prontuários, aos registros, às explicações que médico e hospital dizem estar prontos a fornecer. Mas para Djiane, nenhuma investigação devolverá sua irmã — a mulher que economizou durante dois anos para realizar um sonho, que voltou à sua cidade natal cheio de esperança, e que não saiu viva do hospital.
Citazioni salienti
Foram dois anos que ela ficou poupando. Não é fácil você reunir R$ 118 mil ganhando salário. Então era um sonho na cabeça dela que já vinha de anos.— Djiane Vieira, irmã de Andreia
Minha irmã era uma pessoa completamente cuidadosa, cheia de saúde, superdisposta para a vida. E o sonho da vida dela era fazer esse procedimento.— Djiane Vieira