Celebridades e nomes inusitados fracassam em eleições para deputado em PE

Nem celebridade, nem experiência garantiu cadeira no legislativo
Artistas conhecidos e ex-prefeitos ficaram fora das eleições para deputado em Pernambuco em 2026.
Mark

Por que tantos nomes conhecidos não conseguiram se eleger? Isso é comum em eleições?

Mimi

Não é exatamente raro, mas chama atenção quando celebridades com visibilidade real — como MC Leozinho, que teve uma música usada em campanha de governadora — não conseguem nem a suplência. O voto para deputado funciona diferente do voto para cargo executivo.

Luke

Espera aí. MC Leozinho recebeu 6.455 votos. Quantos votos eram necessários para suplência no PSDB? O texto diz que ele ficou fora "por conta do coeficiente partidário", mas não explica o número.

Mimi

Ótima pergunta. O coeficiente partidário determina quantas cadeiras cada partido ganha. Se o PSDB ganhou poucas cadeiras, mesmo com 6.455 votos ele não entra na suplência. Não é sobre quantidade absoluta de votos, é sobre proporção dentro do partido.

Mark

E Ni Do Badoque? Ele recebeu muito mais votos — 32.854 — e ainda assim ficou na terceira suplência. Isso significa que só dois candidatos do PSD receberam mais votos que ele?

Mimi

Exatamente. Ele foi o mais votado entre os artistas, mas o PSD elegeu mais de dois deputados. Então ele fica na fila de suplência, esperando se algum eleito renuncie ou se afaste.

Luke

Mas o texto não diz quantos deputados o PSD elegeu no total, nem quantos votos o primeiro e segundo colocados receberam. Sabemos que Ni Do Badoque ficou em terceiro, mas não sabemos a margem.

Mimi

Verdade. O que podemos afirmar é que a visibilidade não foi suficiente para nenhum deles. Flávio Caça Rato, que jogou em um time tradicional, recebeu apenas 5.062 votos.

Mark

Isso é pouco?

Luke

Para deputado federal, sim. O texto mostra que ele ficou na 89ª posição e em suplência. Se havia 392 candidatos a federal, estar em 89º significa que 88 pessoas receberam mais votos. Não é um desempenho forte.

Mimi

E ele era estreante. Nunca tinha disputado eleição antes. Talvez tenha faltado estrutura de campanha, máquina partidária, conhecimento de como funciona a disputa por voto de deputado.

Mark

Os ex-prefeitos também perderam. Professor Lupercio era prefeito de Olinda, uma cidade grande. Como alguém com experiência executiva não consegue se eleger?

Luke

Experiência como prefeito não garante votos para deputado. São eleitorados diferentes, dinâmicas diferentes. Além disso, o texto não diz se ele tinha apoio da máquina municipal ou se enfrentava oposição dentro do próprio partido.

Mimi

E tem a questão do momento político. Raquel Lyra foi reeleita governadora, João Campos perdeu a prefeitura do Recife. Essas mudanças afetam toda a dinâmica de alianças e apoios para deputado.

Mark

Então o que a gente aprende aqui? Que celebridade não vota?

Luke

Não é bem assim. Ni Do Badoque recebeu 32.854 votos — isso é bastante. MC Leozinho recebeu 6.455. Eles tiveram votos. O problema é que não foram suficientes para se eleger ou entrar na suplência viável. E o texto não nos diz qual era o piso de votos necessário em cada partido para garantir uma cadeira.

  • Flávio Caça Rato recebeu 5.062 votos e ficou na suplência como candidato federal pelo MDB
  • MC Leozinho recebeu 6.455 votos e ficou fora da suplência pelo coeficiente partidário do PSDB
  • Ni Do Badoque foi o mais votado entre celebridades com 32.854 votos, na terceira suplência do PSD
  • Pernambuco teve 517 candidatos a deputado estadual e 392 a federal em 2026
  • 49 políticos foram eleitos para a Assembleia Legislativa e 25 para a Câmara dos Deputados

Flávio Caça Rato, ex-jogador do Santa Cruz, recebeu 5.062 votos e ficou na suplência como candidato federal pelo MDB. Candidatos com nomes inusitados como Já Morreu, Galo Cego e Taxista Samuray também disputaram vagas na Assembleia Legislativa sem sucesso.

Artistas famosos e personalidades de Pernambuco, como Flávio Caça Rato e MC Leozinho, disputaram vagas de deputado em 2026 mas não foram eleitos, apesar de alguns receberem milhares de votos.

As eleições de 2026 em Pernambuco trouxeram à disputa um elenco inusitado de candidatos: artistas, ex-jogadores de futebol, influenciadores digitais e pessoas com nomes que pareciam saídos de um roteiro de comédia. Nenhum deles conseguiu se eleger. O estado recebeu 517 candidaturas para deputado estadual e 392 para federal, resultando em 49 eleitos para a Assembleia Legislativa de Pernambuco e 25 para a Câmara dos Deputados — números que deixaram muitos nomes conhecidos fora das cadeiras disputadas.

Flávio Augusto do Nascimento, conhecido como Flávio Caça Rato, foi talvez o mais célebre entre os derrotados. O ex-jogador que atuou pelo Santa Cruz entre 2011 e 2014 lançou sua primeira candidatura em 2026, concorrendo a deputado federal pelo MDB. Recebeu 5.062 votos e terminou na 89ª posição, conquistando apenas a suplência. Para alguém com seu histórico no futebol pernambucano, o resultado representou uma queda significativa na tentativa de transição para a vida política.

O cantor MC Leozinho também não conseguiu se eleger, apesar de uma trajetória mais recente de visibilidade. Homônimo do funkeiro carioca famoso, ele marcou presença no Recife durante os anos 2010 com a música "Chama ela", que se tornou tão conhecida que foi usada como jingle de campanha pela governadora reeleita Raquel Lyra neste ano. Candidato a federal pelo PSDB, recebeu 6.455 votos, mas ficou fora até da suplência por conta do coeficiente partidário. Não era sua primeira tentativa: em 2012 já havia disputado uma vaga de vereador pelo PTN, também sem êxito.

Entre os artistas, a cantora de brega e forró Dany Miller, ex-vocalista das bandas Lolita e Cavaleiros do Forró, tentou uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PSB. Obteve apenas 1.850 votos e ficou na suplência. Sua candidatura refletia as tensões da cena musical pernambucana, que viveu uma disputa de apoios entre Raquel Lyra e João Campos durante a campanha.

O influenciador digital e ex-repórter Ni Do Badoque foi quem melhor se saiu entre os candidatos ligados ao entretenimento. Apoiador de Raquel Lyra e crítico frequente de João Campos, recebeu 32.854 votos como candidato a deputado estadual pelo PSD, ficando na terceira suplência do partido. Ainda assim, não foi eleito.

Além dos nomes conhecidos, a eleição trouxe candidatos com denominações que chamaram atenção pela originalidade ou pela ironia. Já Morreu, Galo Cego, Pitomba, Robson Tá Lotado e Taxista Samuray disputaram vagas na Assembleia Legislativa sem sucesso. Para a Câmara dos Deputados, tentaram Carneirinho Defensor dos Motor, Saulo Sem Filtro e o humorista Charles de Tiringa — nenhum deles eleito.

Politicamente experientes também enfrentaram dificuldades. Professor Lupercio, ex-prefeito de Olinda entre 2017 e 2024, recebeu 22.678 votos pelo PSD mas ficou em 8º lugar na suplência para a Assembleia Legislativa. Entre os candidatos a federal, não conseguiram se eleger o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, o ex-prefeito e deputado federal Renildo Calheiros e o ex-prefeito de Paulista, Igarassu e Itapissuma Yves Ribeiro. Também ficaram na suplência os ex-prefeitos Izaías Régis de Garanhuns, Odacy Amorim de Petrolina, Eduardo Honório de Goiana e Judite Botafogo de Lagoa do Carro.

O resultado deixou claro que em Pernambuco, em 2026, nem celebridade, nem experiência administrativa anterior garantiram uma cadeira no legislativo. Os votantes escolheram outros nomes, deixando fora uma geração de candidatos que apostava em reconhecimento público ou trajetória política prévia.

MC Leozinho tinha uma música que virou jingle de campanha da governadora reeleita Raquel Lyra
— Reportagem do g1
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