Duas mortes em ação policial no Rio geram conflito de versões entre PM e familiares

Duas pessoas mortas (pai e filho de 17 anos) e duas feridas, incluindo namorada do jovem que aguarda cirurgias.
Não houve troca de tiros. Meu marido é trabalhador.
Parente das vítimas contesta versão da PM sobre os eventos que resultaram em duas mortes.
Mark

Como é que a gente diferencia uma troca de tiros legítima de uma execução? A PM diz que foi atacada primeiro.

Mimi

É exatamente por isso que existe a Delegacia de Homicídios. Eles vão examinar a cena, a trajetória dos disparos, quem estava armado, se havia realmente criminosos ali ou se eram apenas pessoas no lugar errado.

Luke

Mas note que a PM apreendeu armas. A pergunta é: de quem eram? Se eram de Willian e Samuel, a história muda. Se eram de outras pessoas no local, a versão da família ganha peso.

Mimi

Exatamente. E há um detalhe importante: a namorada de Samuel sobreviveu. Ela pode testemunhar o que viu.

Mark

Então por que a família está tão certa de que não houve troca de tiros?

Mimi

Porque estavam lá. Sônia ouviu os disparos. Ela diz que seu marido e seu filho foram alvejados, não que atiraram.

Luke

Mas "ouvir tiros" não é o mesmo que "ver quem atirou primeiro". A investigação vai precisar de mais do que relatos emocionais, por mais legítimos que sejam.

Mark

E quanto ao contexto? A PM diz que havia aumento de roubos na região.

Mimi

Sim, mas isso não justifica nada se as pessoas mortas não estavam envolvidas em crime algum. Willian trabalhava em farmácia. Samuel era estudante.

Luke

Certo, mas também não sabemos ainda se havia realmente criminosos armados no local naquela noite. Tudo depende do que a investigação revelar.

  • Um pai e seu filho de 17 anos foram mortos por policiais do 41º BPM durante operação no Complexo do Chapadão, em Anchieta, na Zona Norte do Rio.
  • A PM afirma que seus agentes foram atacados por criminosos armados e reagiram — armas, munições e entorpecentes foram apreendidos no local.
  • Familiares contradizem a versão oficial: segundo eles, pai e filho estavam levando a namorada do jovem a uma UPA quando foram alvejados, sem qualquer confronto.
  • A namorada de Samuel sobreviveu, mas segue hospitalizada aguardando cirurgias, enquanto um quarto ferido permanece sem identificação.
  • A Delegacia de Homicídios assumiu o caso, com a tarefa de determinar se houve troca de tiros real, a quem pertenciam as armas e se os protocolos legais foram respeitados.

Na noite de um sábado no Complexo do Chapadão, dois homens — pai e filho de 17 anos — perderam a vida durante uma operação policial, e o que ficou foi uma fratura entre duas verdades irreconciliáveis: a da instituição, que fala em confronto, e a da família, que fala em silêncio antes dos tiros. Entre essas versões, a cidade aguarda o que a investigação ainda não pôde responder — se houve defesa legítima ou morte sem justificativa. É uma história antiga no Rio, mas que nunca deixa de pesar.

No sábado, 25 de setembro, uma operação do 41º Batalhão de Polícia Militar no Complexo do Chapadão, em Anchieta, terminou com dois mortos e dois feridos. As vítimas fatais eram Willian Vasconcellos da Silva, 38 anos, e seu filho Samuel Vicente, 17. A namorada de Samuel, Camily da Silva Apolinário, sobreviveu aos disparos e foi levada ao Hospital Estadual Carlos Chagas, onde aguardava cirurgias.

A Polícia Militar afirmou que seus agentes estavam em patrulha quando foram atacados por criminosos armados, e que a troca de tiros foi uma resposta a esse ataque. Após o confronto, três suspeitos feridos foram encaminhados ao hospital. Com eles, foram apreendidas duas pistolas, munições, um conversor para submetralhadora, rádios comunicadores e material entorpecente.

Mas os familiares das vítimas apresentaram uma versão completamente diferente. Em entrevista ao RJ2, Sônia Bonfim Vicente contou que Samuel e a namorada estavam em uma festa quando a jovem passou mal. Willian foi buscá-los de moto para levá-la a uma UPA — e nunca chegou ao destino. Segundo ela, não houve troca de tiros: pai e filho foram alvejados no caminho. Sônia descreveu Willian como trabalhador de uma farmácia e Samuel como estudante que sonhava em se tornar militar.

Entre a versão da polícia e a da família, a Delegacia de Homicídios assumiu a investigação. Cabe a ela determinar se houve confronto real, a quem pertenciam as armas apreendidas e se a ação seguiu os protocolos legais. Por ora, o que resta são duas narrativas opostas — e uma cidade à espera de respostas.

No sábado, dia 25 de setembro, uma operação policial no Complexo do Chapadão, em Anchieta, na Zona Norte do Rio, deixou dois mortos e dois feridos. Os nomes das vítimas fatais eram Willian Vasconcellos da Silva, de 38 anos, e seu filho Samuel Vicente, de 17. A namorada de Samuel, Camily da Silva Apolinário, sobreviveu aos disparos, mas com ferimentos que a levaram ao Hospital Estadual Carlos Chagas, onde aguardava por cirurgias. Um quarto ferido não foi identificado até o fechamento das primeiras reportagens.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar, agentes do 41º BPM estavam em patrulha quando foram atacados por criminosos armados. A troca de tiros teria ocorrido como resposta a esse ataque. A PM informou que a operação tinha como objetivo reduzir roubos de veículos e cargas na região, após análise de dados de inteligência indicarem aumento desses crimes. Após o confronto, os policiais localizaram três suspeitos feridos e os encaminharam para o Hospital Carlos Chagas. Com os acusados, foram apreendidas duas pistolas, carregadores, munições, um conversor para submetralhadora, dois rádios comunicadores e material entorpecente.

A versão apresentada pela polícia, porém, encontrou contestação imediata. Familiares das vítimas, em entrevista ao programa RJ2 da TV Globo, ofereceram uma narrativa radicalmente diferente dos eventos. Sônia Bonfim Vicente, parente dos mortos, explicou que Samuel e sua namorada estavam em uma festa no Chapadão quando a jovem começou a passar mal. Willian, o pai, foi buscá-los de moto para levá-la a uma UPA, mas não chegou ao destino. Segundo Sônia, não houve troca de tiros. Pai e filho foram alvejados no caminho, sem qualquer confronto anterior. Ela afirmou ter ouvido os disparos e descreveu Willian como um trabalhador que funcionava em uma farmácia próxima à sua casa, enquanto Samuel era estudante que sonhava em se tornar militar.

O conflito entre as duas versões — uma de legítima defesa policial contra criminosos armados, outra de execução sem confronto — deixou em aberto a questão central do que realmente ocorreu naquela noite. A Delegacia de Homicídios assumiu a investigação do caso, responsável por esclarecer as circunstâncias exatas das mortes e determinar se houve ou não troca de tiros, se as armas apreendidas pertenciam às vítimas ou a terceiros, e se a ação policial seguiu os protocolos legais. Até o momento, apenas as narrativas conflitantes permanecem, uma da instituição policial e outra dos que perderam seus familiares, deixando a cidade à espera de respostas que só uma investigação rigorosa poderá fornecer.

Não houve troca de tiros. Samuel e a namorada estavam no Chapadão para uma festa, saíram dela porque minha nora começou a passar mal. Meu marido foi buscá-los de moto, para levá-la na UPA. Não deu tempo porque eles foram alvejados no meio do caminho.
— Sônia Bonfim Vicente, parente das vítimas
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