A cada ciclo escolar, milhões de estudantes brasileiros dependem de um programa que deveria ser invisível em seu funcionamento — e que, quando falha, torna-se dolorosamente visível nas salas de aula sem livros. O balanço divulgado pela Abrelivros em setembro de 2026 revela que o Programa Nacional do Livro e do Material Didático, apesar de ter distribuído 127 milhões de exemplares em 2025, opera sob pressão orçamentária crescente e imprevisibilidade que ameaçam o ciclo de 2027. No horizonte, a ausência de um cronograma definido para o ensino médio não é apenas uma questão administrativa — é um
Distribuição de livros didáticos preocupa setor em meio a dificuldades orçamentárias
Se não há recursos, isso pode afetar seriamente um programa de tamanha relevância social
Por que a Abrelivros está preocupada agora, se 127 milhões de livros foram distribuídos em 2025? Parece um número grande.
É um número grande, mas o problema não é o passado — é o presente e o futuro. O programa está funcionando, mas com dificuldades crescentes. Xavier está dizendo que a velocidade caiu e a previsibilidade desapareceu.
Espera. Ele diz que "não há recursos para comprar material didático para todos os alunos, como começa a acontecer". Isso é uma observação ou uma projeção? Quantos alunos estão sendo deixados de fora agora?
Boa pergunta. O texto não dá números específicos sobre quantos alunos estão sem material. Sabemos que em 2025 houve 127 milhões de livros distribuídos, mas não sabemos a população escolar total ou qual é o déficit.
E quanto ao ensino médio? Xavier mencionou negociações "especialmente duras".
No ensino médio, as editoras tiveram que fazer concessões significativas para chegar a um acordo. Não está claro exatamente o que foi sacrificado, mas a palavra "sacrifício" sugere que algo importante foi deixado de lado.
Ele também ouviu que não haverá reposição de livros do ensino médio em 2027. Mas o FNDE diz que não há "definição final" ainda. Então Xavier está operando com informação de terceiros, não com confirmação oficial?
Exatamente. Xavier ouviu "sinalizações", não recebeu um comunicado oficial. É a diferença entre rumor e fato confirmado.
O que o FNDE está realmente dizendo?
Que a Lei Orçamentária Anual de 2027 ainda não foi aprovada, então não podem planejar as compras. É uma resposta técnica, mas deixa tudo em suspenso.
E isso é responsabilidade do FNDE ou do Congresso?
Do Congresso, tecnicamente. Mas o efeito é o mesmo: as escolas não sabem o que vão receber, e as editoras não sabem o que vão produzir.
Le Pouls
- Editoras relatam que os últimos dois anos foram 'extremamente difíceis', com compras governamentais lentas e sem previsibilidade, tornando impossível planejar produção e entregas.
- No ensino fundamental, apenas português e matemática receberam reposição de livros nos anos finais — outras disciplinas ficaram desatualizadas, deixando lacunas no currículo.
- O ensino médio foi o campo de batalha mais duro: negociações exigiram 'sacrifício grande' das editoras, e há sinalizações de que não haverá reposição alguma em 2027.
- Estudantes são os mais vulneráveis nesse impasse — quando faltam livros para todos os alunos, o prejuízo pedagógico é direto e imediato.
- O FNDE responde que o orçamento de 2027 ainda não foi aprovado pelo Congresso e que o planejamento 'está em consolidação' — uma resposta que não acalma o setor nem garante previsibilidade às escolas.
A cada ciclo escolar, milhões de estudantes brasileiros dependem de um programa que deveria ser invisível em seu funcionamento — e que, quando falha, torna-se dolorosamente visível nas salas de aula sem livros. O balanço divulgado pela Abrelivros em setembro de 2026 revela que o Programa Nacional do Livro e do Material Didático, apesar de ter distribuído 127 milhões de exemplares em 2025, opera sob pressão orçamentária crescente e imprevisibilidade que ameaçam o ciclo de 2027. No horizonte, a ausência de um cronograma definido para o ensino médio não é apenas uma questão administrativa — é um sinal de que o acesso ao conhecimento pode se tornar, mais uma vez, desigual.
A Abrelivros apresentou seu balanço anual coincidindo com a abertura da Bienal do Livro de São Paulo, e o documento carrega uma tensão interna: celebra os 127 milhões de livros didáticos distribuídos em 2025, mas alerta para o estado frágil do PNLD. Ângelo Xavier, presidente da entidade e editor da Moderna, resume o momento como 'copo meio cheio e meio vazio' — uma imagem que, nos bastidores, esconde uma preocupação mais aguda sobre a forma como o governo executa as compras. 'Sofrimento orçamentário' é a expressão que ele usa para descrever os dois últimos anos.
Nas escolas, os efeitos já são visíveis. Nos anos finais do ensino fundamental, apenas língua portuguesa e matemática receberam reposição de livros — as demais disciplinas ficaram sem atualização. No ensino médio, as negociações foram ainda mais tensas, exigindo concessões significativas das editoras para que qualquer acordo fosse possível. Xavier é direto sobre o risco: quando faltam livros para todos os alunos, o prejuízo recai sobre os estudantes de um programa que ele considera de 'tamanha relevância social'.
Para 2027, as incertezas se acumulam. Xavier ouviu sinalizações de que não haverá reposição de livros do ensino médio no próximo ano — contrariando o que estava previsto — e também está preocupado com os programas de literatura. O FNDE, responsável pelo programa dentro do MEC, respondeu que a Lei Orçamentária Anual ainda não foi aprovada pelo Congresso e que o planejamento 'está em consolidação'. A resposta não resolve a ansiedade do setor, que segue aguardando clareza para planejar produção e entregas no próximo ciclo escolar.
A Abrelivros, entidade que congrega os editores de livros didáticos e materiais educacionais do país, apresenta nesta sexta-feira seu balanço anual coincidindo com a abertura da Bienal do Livro de São Paulo. O documento que será divulgado traz um diagnóstico dividido: celebra a distribuição de 127 milhões de livros didáticos em 2025, mas carrega também uma advertência sobre o estado frágil do Programa Nacional do Livro e do Material Didático.
Ângelo Xavier, presidente da associação e editor da Moderna, descreve o ano como "copo meio cheio e meio vazio" para o PNLD. Nos bastidores, porém, sua preocupação é mais aguda. Os dois últimos anos, segundo ele, foram "extremamente difíceis" para o programa. O que o incomoda não é apenas a falta de recursos — embora isso seja central — mas a forma como o governo executa as compras. "Não vem ocorrendo na velocidade e com a previsibilidade necessárias", afirma Xavier, usando a expressão "sofrimento orçamentário" para descrever a situação.
A realidade nas escolas já começa a refletir essas dificuldades. Nos anos finais do ensino fundamental, as reposições de livros foram limitadas a apenas duas disciplinas: língua portuguesa e matemática. Outras áreas do conhecimento ficaram sem atualização. No ensino médio, a situação foi ainda mais tensa. Xavier relata que as negociações foram "especialmente duras", exigindo "sacrifício grande" das editoras para chegar a algum acordo.
O risco que Xavier identifica é pedagógico e direto. Se não há recursos suficientes para comprar material didático para todos os alunos — algo que começa a acontecer — o prejuízo recai sobre os estudantes. Um programa de "tamanha relevância social" como o PNLD, na sua avaliação, não pode funcionar dessa forma sem comprometer a qualidade do ensino.
Para 2027, as incertezas se multiplicam. Xavier ouviu sinalizações de que não haverá reposição de livros didáticos do ensino médio no próximo ano, contrariando o que estava previsto. Também está preocupado com os programas de livros literários para o ano letivo que vem. Quando procurado, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, responsável pelo programa dentro do Ministério da Educação, ofereceu uma resposta que não resolve a ansiedade do setor: a Lei Orçamentária Anual para 2027 ainda não foi aprovada pelo Congresso, portanto o planejamento das aquisições "ainda está em consolidação".
O FNDE afirma que não há "uma definição final" sobre a reposição de livros do ensino médio e que os cronogramas dos materiais literários estão sendo acompanhados. A entidade também diz que o MEC e o fundo estão adotando medidas para aprimorar os processos de aquisição e distribuição. Mas essas declarações, por enquanto, não trazem clareza sobre quando e como as escolas receberão o que precisam. O setor editorial segue aguardando respostas que permitam planejar sua produção e suas entregas para o próximo ciclo escolar.
Citations marquantes
Os dois últimos anos têm sido extremamente difíceis para o PNLD, com execução que não vem ocorrendo na velocidade e previsibilidade necessárias— Ângelo Xavier, presidente da Abrelivros
Se não há recursos para comprar material didático para todos os alunos, como começa a acontecer, isso pode afetar seriamente um programa de tamanha relevância social— Ângelo Xavier