Petrobras confirma petróleo na bacia da Foz do Amazonas, próxima a Oiapoque, gerando expansão com 800 alvarás de construção emitidos no último ano. Bruno Terraalta, empresário local com negócios em garimpo, imóveis e comércio internacional, é otimista com perspectivas econômicas mas crítico da política nacional.
Dirigente de garimpo em Oiapoque critica Lula e chama Brasil de 'imenso cabaré'
O Brasil é um imenso cabaré, mas eu acredito que nós podemos mudar isso
Por que um empresário bem-sucedido como Terraalta sente tanta raiva do governo federal?
Porque para ele, a política nacional representa uma corrupção de valores — não apenas financeira, mas moral. Ele vê o Bolsa Família como um programa que, embora necessário, criou uma mentalidade de dependência que o incomoda profundamente.
Ele parece dividido entre otimismo econômico e pessimismo político. Como essas duas coisas convivem?
Elas convivem porque são de ordens diferentes. O petróleo é concreto, tangível, vai trazer dinheiro para Oiapoque. A política é abstrata, moral, uma questão de princípios que ele sente que foram abandonados.
Sua crítica ao Ibama parece vir de um lugar específico — alguém que trabalha com extração de recursos.
Exatamente. Para Terraalta, o Ibama age de forma teatral, criando problemas maiores ao tentar resolver outros. Ele vê isso como ineficácia disfarçada de ativismo ambiental.
O que significa quando ele diz que o Brasil é um "imenso cabaré"?
Significa que ele vê o país como um lugar sem seriedade, sem propósito, onde tudo é superficial e desorganizado. Mas a frase final — "eu acredito que nós podemos mudar isso" — sugere que ele ainda vê possibilidade de redenção.
Há algo de contraditório em um homem que critica o feminismo contemporâneo enquanto vive em uma sociedade onde as mulheres têm mais liberdade.
Sim, mas para Terraalta isso não é contradição — é nostalgia por um papel social que ele acredita ser natural. Ele não quer negar direitos às mulheres; quer que elas os exerçam de uma forma que ele reconheça como feminina.
Der Puls
- Petrobras confirma petróleo na bacia da Foz do Amazonas, próxima a Oiapoque
- Oiapoque emitiu 800 alvarás de construção no último ano
- Bruno Terraalta dirige cooperativa com mais de 700 garimpeiros em Calçoene
- Terraalta é morador de Oiapoque há mais de 30 anos e tem 59 anos
Petrobras confirma petróleo na bacia da Foz do Amazonas, próxima a Oiapoque, gerando expansão com 800 alvarás de construção emitidos no último ano. Bruno Terraalta, empresário local com negócios em garimpo, imóveis e comércio internacional, é otimista com perspectivas econômicas mas crítico da política nacional.
Confirmação de petróleo na Foz do Amazonas aquece economia de Oiapoque, atraindo investimentos. Dirigente de garimpo local vê oportunidades econômicas mas critica governo Lula e políticas ambientais.
A Petrobras confirmou a presença de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, junto à costa do Amapá, e a notícia acendeu esperança em Oiapoque, município de quase 30 mil habitantes no extremo norte do país, o mais próximo dos poços. A cidade já respira essa transformação: no ano passado, a prefeitura emitiu cerca de 800 alvarás de construção e transferências de propriedade. Bruno Terraalta, morador há mais de três décadas, sente o pulso dessa mudança em seu próprio negócio. Possui dois grandes terrenos que está preparando para loteamento e venda, apostando que o valor da terra subirá com a chegada da indústria petrolífera.
Mas Terraalta não vive apenas de imóveis. Dirige a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros do Lourenço, em Calçoene, a 400 quilômetros de Oiapoque, onde coordena mais de 700 cooperados que extraem ouro e tantalita — este último essencial para a indústria eletrônica. Trabalha também como consultor de comércio internacional e tradutor juramentado, profissão que o levou a aprender francês, inglês, espanhol, italiano e dialetos do Suriname e da Guiana Francesa, países vizinhos. Aos 59 anos, é um homem que construiu múltiplas fontes de renda e agora vislumbra a possibilidade de entrar no que chama de "rol dos mais tranquilos".
Sua visão para Oiapoque é ambiciosa. "Não seria Dubai, seria um exagero, mas Oiapoque vai se tornar a capital do petróleo aqui do Norte", prevê. O otimismo econômico o une a políticos de espectros ideológicos distintos — tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o presidente do Senado Davi Alcolumbre, ambos apoiadores da exploração na foz. Mas quando a conversa sai do campo econômico e entra na política nacional, o tom de Terraalta muda radicalmente. Ele se define como anti-Lula, critica o que chama de "esquerdas corruptas" e não poupa palavras ao descrever o presidente como "apedeuta", alguém ignorante. Votou em Jair Bolsonaro há quatro anos e, embora não seja entusiasta de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, planeja votar nele principalmente porque o vê como o mais capaz de derrotar o mandatário atual.
Sua crítica ao governo vai além da retórica. Reconhece que o Bolsa Família é "importante porque tem gente que realmente necessita", mas argumenta que o programa cria um desincentivo perverso: pessoas abrem mão de carteiras assinadas e oportunidades de crescimento profissional para não perder o benefício. Também questiona o que considera "excessos" do Ibama na preservação ambiental. Reclama especificamente das operações em que agentes federais incendeiam balsas de extração de minérios, alegando que, embora justificadas como combate a riscos ambientais, criam situações piores — o combustível das embarcações acaba poluindo os rios.
Um incômodo mais profundo o afeta: a falta de patriotismo que percebe entre os brasileiros. Uma viagem recente ao Paraguai o impressionou. Em Assunção, os estabelecimentos exibiam a bandeira nacional com orgulho visível. Aqui, diz ele, isso se perdeu. Terraalta carrega uma história pessoal que moldou sua visão de mundo. Quando jovem, considerou seguir a vida sacerdotal, mas um padre amigo o desaconselhou, dizendo que lhe faltava vocação. Aos 17 anos conheceu sua primeira mulher e depois se alistou no Exército, onde serviu por quatro anos durante a década de 1980 em diferentes regiões da Amazônia — foi nessa época que descobriu Oiapoque. Hoje vive em união estável há mais de duas décadas, com dois filhos universitários, além de outros quatro de relacionamentos anteriores.
Suas visões sobre gênero refletem uma certa nostalgia. Afirma que "gosto das mulheres, elas sempre foram uma motivação para tudo na minha vida" e acredita que a mulher tem papel preponderante na sociedade. Mas o feminismo contemporâneo, em sua opinião, é um "modismo". Para ele, feminismo verdadeiro era quando as mulheres "se vestiam como mulheres", educadas para serem femininas e encantar, criando no provedor o desejo de cuidar delas. Apesar de toda essa carga de críticas — ao governo, às políticas ambientais, ao patriotismo perdido, aos modismos sociais — Terraalta não sucumbe ao pessimismo. "O Brasil é um imenso cabaré, mas eu acredito que nós podemos mudar isso aí", conclui, deixando em aberto a possibilidade de que a transformação econômica que vê chegando em Oiapoque possa ser o começo de algo maior.
Bemerkenswerte Zitate
Não seria Dubai, seria um exagero, mas Oiapoque vai se tornar a capital do petróleo aqui do Norte— Bruno Terraalta
O presidente é um apedeuta, tenho horror de gente assim— Bruno Terraalta, sobre Lula