O Maranhão encerrou 2025 com uma redução expressiva nos casos de dengue — 52% a menos que no ano anterior —, ecoando uma tendência nacional que viu o Brasil registrar queda de 75% em infecções e 72% em mortes. Esse alívio, conquistado por meio de campanhas de conscientização e do início histórico da vacinação pública, não apaga a vigilância necessária: com o período chuvoso, o Aedes aegypti encontra novamente condições favoráveis, lembrando que a saúde coletiva é uma construção contínua, não uma vitória definitiva.
Dengue no Maranhão cai 52% em 2025; Brasil registra queda de 75%
A prevenção é uma responsabilidade compartilhada
Como explicar uma queda tão drástica — 75% em casos no Brasil inteiro — em apenas um ano?
Vários fatores convergiram. A vacinação começou em 2024, as campanhas de conscientização intensificaram, e houve um ano com menos chuvas em algumas regiões. Mas é importante notar que ainda não temos dados completos sobre qual fator pesou mais.
Exatamente. Os 10,3 milhões de doses distribuídas até outubro — isso é cobertura de quanto da população-alvo? E como sabemos que a queda é pela vacina e não por fatores climáticos ou comportamentais?
Ótimas perguntas. A população-alvo inicial era crianças de 10 a 14 anos em municípios de risco. Mas você está certo — a fonte não detalha a cobertura percentual, e a queda pode ter múltiplas causas.
E agora, com o período chuvoso chegando, qual é o risco real de uma nova onda?
Os especialistas alertam que o risco aumenta, porque o mosquito se reproduz em água parada. Mas temos mais ferramentas agora — vacinação em escala, conscientização maior, e uma campanha nacional prevista para fevereiro.
Mas a campanha é em fevereiro, que já é verão avançado. Se a proliferação começar em dezembro ou janeiro, a vacinação chega tarde para proteger quem não foi imunizado antes.
Verdade. Há uma janela de vulnerabilidade entre agora e fevereiro. Por isso o alerta sobre prevenção doméstica é tão importante — é a defesa imediata enquanto aguardamos a campanha.
As três mortes no Maranhão em 2025 — todas eram de pessoas não vacinadas?
A fonte não especifica. Sabemos apenas que houve três óbitos confirmados, mas não temos dados sobre o status vacinal das vítimas.
Isso é uma lacuna importante. Se as mortes ocorreram em pessoas vacinadas, muda a narrativa sobre eficácia. Se foram em não vacinados, reforça a importância da cobertura.
Concordo. Seria informação crucial para orientar políticas públicas e decisões individuais sobre vacinação.
El Pulso
- Após um 2024 marcado por 11,1 mil casos e sete mortes, o Maranhão respirou com mais leveza em 2025 — 5,3 mil casos e apenas três óbitos confirmados.
- O Brasil inteiro acompanhou essa virada: 1,6 milhão de casos e 1,6 mil mortes em 2025, representando quedas de 75% e 72% respectivamente em relação ao ano anterior.
- O período chuvoso reacende o alerta, pois temperaturas altas e água parada criam condições ideais para a reprodução do mosquito transmissor, ameaçando reverter os avanços conquistados.
- Especialistas alertam que a reinfecção por um tipo diferente do vírus eleva o risco de dengue grave, e sinais como dor abdominal intensa e sangramentos exigem atendimento médico imediato.
- O Brasil foi o primeiro país a oferecer a vacina contra dengue pelo sistema público, com mais de 10,3 milhões de doses distribuídas até outubro de 2025 e uma campanha nacional prevista para fevereiro de 2026.
O Maranhão encerrou 2025 com uma redução expressiva nos casos de dengue — 52% a menos que no ano anterior —, ecoando uma tendência nacional que viu o Brasil registrar queda de 75% em infecções e 72% em mortes. Esse alívio, conquistado por meio de campanhas de conscientização e do início histórico da vacinação pública, não apaga a vigilância necessária: com o período chuvoso, o Aedes aegypti encontra novamente condições favoráveis, lembrando que a saúde coletiva é uma construção contínua, não uma vitória definitiva.
O Maranhão fechou 2025 com um dado que traz alívio: 5,3 mil casos prováveis de dengue, queda de 52% em relação aos 11,1 mil registrados em 2024. O número de mortes também recuou — de sete para três. O estado acompanha uma tendência nacional ainda mais acentuada, com o Brasil registrando 1,6 milhão de casos e 1,6 mil óbitos, reduções de 75% e 72% respectivamente.
Mas os especialistas não permitem que os bons números adormeçam a vigilância. Com o verão e as chuvas, o Aedes aegypti encontra condições ideais para se proliferar. A infectologista Silvia Fonseca lembra que os quatro tipos do vírus podem causar desde infecções leves até quadros graves, e que a reinfecção por um tipo diferente do anterior aumenta consideravelmente o risco de complicações sérias. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos e tontura são sinais de alerta que exigem atendimento imediato.
A vacinação tornou-se peça central nessa batalha. Em 2024, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante contra dengue pela rede pública, priorizando crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em municípios de maior risco. Até outubro de 2025, mais de 10,3 milhões de doses foram distribuídas, com outras 9 milhões previstas para 2026. Uma campanha nacional está programada para fevereiro do próximo ano.
A professora Camila Alvim reforça que a prevenção começa dentro de casa: eliminar água parada em vasos, calhas, garrafas e outros recipientes é atitude simples com impacto direto. Ela destaca ainda o papel das escolas na disseminação dessa cultura preventiva, já que crianças e jovens funcionam como multiplicadores de informação no ambiente familiar. Os números de 2025 indicam que a estratégia combinada de vacinação e engajamento popular começa a surtir efeito — mas a responsabilidade, alertam os especialistas, é coletiva e permanente.
O Maranhão encerrou 2025 com números que apontam para um alívio significativo na pressão da dengue. O estado registrou 5,3 mil casos prováveis da doença ao longo do ano — uma queda de 52% em relação aos 11,1 mil casos notificados em 2024. Mais relevante ainda: apenas três pessoas morreram por dengue no estado em 2025, contra sete óbitos no ano anterior. Esses números refletem uma tendência que se repete em todo o país, onde a redução foi ainda mais pronunciada.
Em escala nacional, o Brasil contabilizou 1,6 milhão de casos prováveis de dengue em 2025, representando uma queda de 75% comparada ao mesmo período de 2024. As mortes também recuaram significativamente: 1,6 mil óbitos em 2025, o que corresponde a uma redução de 72% em relação ao ano anterior. Esses números sugerem que as medidas adotadas — desde campanhas de conscientização até o início da vacinação — começam a produzir efeito mensurável.
Mas a chegada do período chuvoso traz consigo um aviso que especialistas não deixam passar despercebido. Com o aumento das chuvas e das temperaturas, o mosquito Aedes aegypti encontra condições ideais para se reproduzir, e o risco de uma nova escalada de casos volta à tona. Silvia Fonseca, médica infectologista e docente do IDOMED, ressalta que a vigilância precisa ser redobrada especialmente durante o verão. Ela explica que existem quatro tipos do vírus da dengue, todos capazes de causar desde infecções leves até quadros graves que exigem internação hospitalar. O tipo 2 é conhecido por provocar mais casos severos, mas qualquer um dos tipos pode evoluir para complicações sérias. Os sintomas — dor de cabeça, febre, dor nas articulações, vômitos e diarreia — são semelhantes independentemente do tipo viral.
Um aspecto particularmente preocupante é que uma pessoa pode contrair dengue mais de uma vez durante a vida. Quando a reinfecção ocorre por um tipo diferente do anterior, o risco de evolução para formas graves aumenta consideravelmente. Fonseca alerta para sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato: dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos e tontura. Esses sintomas indicam que o quadro pode estar evoluindo para dengue hemorrágica ou síndrome do choque da dengue, ambas potencialmente fatais.
A vacinação emerge como ferramenta central no combate à doença. O Brasil iniciou em 2024 um programa de imunização contra a dengue pelo Sistema Único de Saúde, tornando-se o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante pela rede pública. A estratégia inicial priorizou crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em 2.752 municípios considerados de maior risco. Até outubro de 2025, mais de 10,3 milhões de doses foram distribuídas aos estados, com outras 9 milhões previstas para 2026. Camila Alvim, professora de Biomedicina da Estácio, reforça que a vacinação segue disponível na rede pública e que sua adesão é fundamental para prevenir casos graves e evitar internações.
A prevenção, porém, não depende apenas de vacinas. Camila Alvim enfatiza que o combate à dengue começa dentro de casa. O Aedes aegypti se reproduz em água limpa e parada — um simples pratinho de planta ou uma garrafa deixada ao ar livre pode se tornar um criadouro. Limpar o quintal, tampar caixas d'água, eliminar recipientes que acumulam água em vasos, garrafas, calhas e outros objetos descartados são atitudes que, embora simples, têm impacto direto na redução de focos. Alvim destaca ainda o papel central da educação na prevenção, observando que nas escolas o tema é trabalhado constantemente com os alunos, porque crianças e jovens são grandes multiplicadores de informação em casa.
O Ministério da Saúde anunciou uma campanha nacional de vacinação contra a dengue prevista para fevereiro de 2026, que abrangerá todo o território brasileiro. A iniciativa tem como objetivo ampliar a cobertura vacinal, reduzir a circulação do vírus e prevenir principalmente os casos graves e óbitos. Essa ação se soma às medidas já adotadas por estados e municípios, formando uma estratégia integrada que combina imunização em larga escala com engajamento contínuo da população no combate aos focos do mosquito. Os números de 2025 indicam que essa abordagem começa a funcionar, mas especialistas são unânimes em alertar que a prevenção é uma responsabilidade compartilhada que demanda participação ativa da população durante todo o ano.
Citas Notables
Quando a infecção acontece por um tipo diferente do anterior, há maior risco de evolução para formas graves— Silvia Fonseca, médica infectologista e docente do IDOMED
O Aedes aegypti se reproduz em água limpa e parada. Um simples pratinho de planta ou uma garrafa deixada ao ar livre pode se tornar um criadouro— Camila Alvim, professora de Biomedicina da Estácio