Em Mato Grosso do Sul, a Defensoria Pública reconheceu que o peso das dívidas impagáveis não recai apenas sobre os contratos, mas sobre a alma de quem os carrega. Ao firmar parceria com o Centro Universitário Insted no final de julho de 2026, a instituição passou a oferecer acompanhamento psicológico gratuito a superendividados atendidos pelo Nuccon — pessoas que, na maioria dos casos, chegaram à ruína financeira não por descuido, mas por separações, doenças e perdas que ninguém escolhe. É um gesto que amplia o conceito de justiça: reconhecer que reorganizar uma vida vai além de renegociar uma
Defensoria de MS oferece apoio psicológico gratuito a superendividados
A pessoa não resolve apenas um problema jurídico. Ela busca reorganizar a própria vida.
Por que a Defensoria achou necessário adicionar apoio psicológico ao atendimento que já oferecia?
Porque perceberam que a maioria das pessoas não chegam ao superendividamento por escolhas ruins. Chegam por separação, doença, desemprego — eventos que quebram a vida. O problema jurídico é real, mas é sintoma de algo maior.
E como funciona na prática? A pessoa vai ao Nuccon e depois é encaminhada para a psicóloga?
Exatamente. Se aceitar participar, é encaminhada para a Clínica de Psicologia da Insted. O acompanhamento é individualizado e gratuito. Cada pessoa tem seu próprio processo.
Qual é a diferença entre resolver um problema jurídico e resolver um problema de superendividamento?
Um problema jurídico você resolve com uma sentença, um acordo. Mas superendividamento é uma crise de vida. A pessoa precisa reorganizar tudo — como gasta, como pensa sobre dinheiro, como se vê depois de um trauma. Só o direito não faz isso.
Então a educação financeira que mencionaram — palestras, workshops — é parte da reconstrução?
Sim. Não é só sobre aprender a fazer um orçamento. É sobre recuperar a capacidade de planejar o futuro, de confiar em si mesmo de novo. Quando você perde tudo, perde também a confiança.
Quantas pessoas vocês esperam atender com isso?
A reportagem não menciona números. Mas a expectativa é que, com a formalização da parceria, o serviço ofereça uma abordagem mais ampla. O que importa agora é que o caminho está aberto.
The Pulse
- Milhares de pessoas em MS vivem presas em dívidas que nasceram de crises pessoais — doenças, separações, desemprego — e não de escolhas irresponsáveis.
- O estigma moral do superendividamento agrava o sofrimento: quem deve carrega não só a pressão financeira, mas a culpa de uma narrativa que raramente é a sua.
- A Defensoria Pública percebeu que o atendimento jurídico, sozinho, não alcança o trauma emocional que o colapso financeiro provoca.
- A parceria com a Clínica de Psicologia da Faculdade Insted cria um fluxo direto de encaminhamento, com acompanhamento individualizado e gratuito para cada assistido.
- Palestras, workshops e orientações sobre planejamento financeiro completam a iniciativa, oferecendo ferramentas para reconstrução — não apenas de finanças, mas de projeto de vida.
Em Mato Grosso do Sul, a Defensoria Pública reconheceu que o peso das dívidas impagáveis não recai apenas sobre os contratos, mas sobre a alma de quem os carrega. Ao firmar parceria com o Centro Universitário Insted no final de julho de 2026, a instituição passou a oferecer acompanhamento psicológico gratuito a superendividados atendidos pelo Nuccon — pessoas que, na maioria dos casos, chegaram à ruína financeira não por descuido, mas por separações, doenças e perdas que ninguém escolhe. É um gesto que amplia o conceito de justiça: reconhecer que reorganizar uma vida vai além de renegociar uma dívida.
A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul formalizou, no final de julho de 2026, uma parceria com o Centro Universitário Insted para oferecer acompanhamento psicológico gratuito a pessoas superendividadas. A iniciativa parte do Nuccon, núcleo da Defensoria dedicado aos direitos do consumidor, e representa uma mudança de perspectiva sobre o que significa ajudar alguém preso em dívidas.
Claudia Fassa, coordenadora do Nuccon, ressalta que a maioria dos casos não decorre de consumo irresponsável. São pessoas atingidas por separações, doenças graves ou perda de renda — eventos que destroem o equilíbrio financeiro de forma súbita e involuntária. O superendividamento, nesse olhar, é menos uma falha de caráter e mais uma ferida deixada por circunstâncias fora do controle de qualquer um.
Pela parceria, assistidos do Nuccon serão encaminhados à Clínica de Psicologia da Insted, onde receberão atendimento individualizado, desenhado para cada realidade. A iniciativa também prevê ações educativas — palestras e workshops sobre planejamento financeiro e consumo consciente — como instrumentos de reorganização mais ampla da vida.
A aposta é que unir apoio jurídico e psicológico crie condições reais de recuperação. Mais do que negociar dívidas, a Defensoria quer ajudar pessoas a atravessarem uma crise de vida — e a saírem dela com mais equilíbrio e autonomia do que tinham quando chegaram.
A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul está construindo um caminho novo para atender pessoas presas em dívidas que não conseguem pagar. Na última quinta-feira de julho, gestores e defensoras públicas se reuniram para formalizar uma parceria com o Centro Universitário Insted que vai oferecer acompanhamento psicológico gratuito aos superendividados já atendidos pelo Nuccon, o núcleo da Defensoria que cuida de direitos do consumidor e outras questões cíveis.
O que torna essa iniciativa diferente é o reconhecimento de que o problema não é apenas jurídico. Claudia Fassa, coordenadora do Nuccon, explica que a maioria das pessoas que chegam até a Defensoria nessa situação não caíram em dívidas por consumo irresponsável. São pessoas que enfrentaram separações, doenças graves, perda de emprego — eventos que explodem a vida financeira de uma hora para outra. O superendividamento, nesse contexto, é menos uma falha moral e mais uma consequência de circunstâncias que ninguém consegue controlar completamente.
A parceria prevê que assistidos do Nuccon sejam encaminhados para a Clínica de Psicologia da Faculdade Insted, onde receberão acompanhamento individualizado e totalmente gratuito. Não é um atendimento genérico. Cada pessoa terá seu próprio processo terapêutico, desenhado para sua realidade específica. Além disso, a iniciativa inclui ações educativas — palestras, workshops, orientações sobre planejamento financeiro e consumo consciente — que funcionam como ferramentas para que as pessoas consigam reorganizar não só suas finanças, mas suas vidas como um todo.
Para Fassa, essa abordagem multidisciplinar é essencial porque o superendividado não está apenas resolvendo um problema jurídico. Ele está tentando reconstruir a própria existência. Quando a Defensoria consegue oferecer tanto apoio legal quanto psicológico, cria as condições para que essa pessoa recupere o equilíbrio e consiga seguir em frente. É uma mudança de perspectiva: em vez de apenas negociar dívidas ou buscar soluções processuais, reconhece-se que a pessoa precisa de ajuda para lidar com o trauma emocional que o superendividamento causa.
O Nuccon já atua na defesa dos direitos do consumidor e oferece atendimento prioritário a pessoas em situação de vulnerabilidade, tanto por meio de soluções fora dos tribunais quanto por ações judiciais. Com a formalização dessa parceria, o serviço ganha uma dimensão nova. A expectativa é que, ao unir o apoio jurídico com o psicológico, a Defensoria consiga oferecer uma assistência mais completa — uma que reconheça que recuperar-se do superendividamento é também recuperar-se de uma crise de vida.
Notable Quotes
O tratamento será individualizado e totalmente gratuito. Esse trabalho ampla o atendimento da Defensoria e fortalece a rede de apoio às pessoas em situação de superendividamento.— Claudia Fassa, coordenadora do Nuccon
O atendimento multidisciplinar é essencial porque a pessoa não resolve apenas um problema jurídico. Ela busca reorganizar a própria vida.— Claudia Fassa, coordenadora do Nuccon