Datafolha: Lula lidera com 61% contra 20% de Bolsonaro na Bahia

Cinquenta e três por cento dos baianos avaliavam o governo como ruim ou péssimo
A aprovação de Bolsonaro na Bahia era substancialmente mais baixa do que sua intenção de voto.
Mark

Por que uma coligação petista tentaria censurar uma pesquisa que mostra Lula ganhando por margem tão ampla?

Mimi

Porque nem toda pesquisa que favorece um candidato é bem-vinda. O PT questionava a metodologia — diziam que havia inconsistências no registro, que o instituto não havia informado corretamente como faria a ponderação dos dados.

Luke

Mas espera. O Datafolha diz que cumpriu todas as regras do TSE. Então a questão é: a coligação tinha razão sobre as inconsistências, ou estava apenas tentando bloquear números ruins para Bolsonaro?

Mimi

Essa é a pergunta que o tribunal teria que responder. A decisão foi revogada, então a questão voltaria para análise. Não ficou claro se havia de fato um problema metodológico ou se era disputa política.

Mark

E quanto aos números em si? Sessenta e um por cento é uma margem que deixa espaço para erro?

Luke

A margem de erro era de três pontos percentuais. Então tecnicamente Lula poderia estar entre 58% e 64%, e Bolsonaro entre 17% e 23%. Mesmo no pior cenário para Lula, ele ainda estaria muito à frente.

Mimi

O que talvez seja mais revelador é a aprovação do governo. Cinquenta e três por cento dos baianos achavam a gestão Bolsonaro ruim ou péssima. Isso é um número pesado.

Mark

Então por que o PT se importava tanto com a pesquisa presidencial se também estava medindo governador e senador?

Luke

Boa pergunta. O registro dizia que seria sobre governador e senador, mas o questionário incluía Presidência. Talvez o PT achasse que isso criava uma confusão de contexto ou influenciava as respostas.

Mimi

Ou talvez simplesmente não quisesse que aquele número — 61% para Lula — circulasse amplamente antes da eleição. Mesmo que tecnicamente correto, números assim moldam narrativas.

Mark

E o Ipec? Por que o tribunal rejeitou o pedido contra aquela pesquisa?

Luke

A fonte não explica o raciocínio da juíza. Só diz que rejeitou. Pode ter sido porque o Ipec estava em conformidade com as regras, ou porque o tribunal viu que o primeiro pedido não tinha fundamento. Não sabemos.

  • Com 61% das intenções de voto na Bahia, Lula abria uma vantagem de mais de 40 pontos sobre Bolsonaro, que marcava apenas 20% — um retrato de isolamento político em um dos maiores estados do país.
  • Mais da metade dos eleitores baianos avaliava o governo Bolsonaro como ruim ou péssimo, sinalizando um terreno hostil para o presidente incumbente a menos de dois meses do primeiro turno.
  • A coligação petista, paradoxalmente, tentou censurar a divulgação da pesquisa que favorecia Lula, alegando inconsistências metodológicas e irregularidades no registro junto ao TSE.
  • O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia chegou a proibir a publicação dos dados presidenciais sob pena de multa diária de 20 mil reais, mas revogou a decisão no dia seguinte após contestação do Datafolha.
  • Na mesma semana, a mesma coligação tentou barrar uma pesquisa do Ipec sobre a Bahia — pedido também rejeitado pela Justiça, revelando um padrão de contestação judicial a levantamentos do período.

Semanas antes das eleições presidenciais de 2022, um levantamento Datafolha na Bahia revelou uma distância expressiva entre os dois principais candidatos — Lula com 61% e Bolsonaro com 20% das intenções de voto —, sinalizando que, neste grande colégio eleitoral, a disputa já parecia resolvida antes mesmo de começar. O episódio, porém, não se limitou aos números: a tentativa de censura judicial movida pela própria coligação petista expôs as tensões que cercam a circulação de dados em períodos eleitorais, quando cada pesquisa pode ser tanto arma quanto alvo.

Em agosto de 2022, o Datafolha realizou uma pesquisa de intenção de voto na Bahia a pedido da rádio Metrópole de Salvador, ouvindo 1.008 eleitores entre os dias 22 e 24 daquele mês. Os resultados mostravam Lula com 61% na modalidade estimulada, Bolsonaro com 20% e Ciro Gomes com 7%. Na versão espontânea, sem apresentação de nomes, a vantagem se mantinha: 54% para Lula e 18% para Bolsonaro. O levantamento também registrava que 53% dos baianos avaliavam o governo federal como ruim ou péssimo.

A divulgação dos dados, no entanto, encontrou resistência judicial. A coligação do candidato petista ao governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues, pediu ao Tribunal Regional Eleitoral que impedisse a publicação do trecho presidencial da pesquisa, alegando inconsistências metodológicas e divergências entre o escopo registrado e as perguntas efetivamente feitas. O juiz Paulo Sérgio Barbosa de Oliveira acatou o pedido na terça-feira, impondo multa diária de 20 mil reais em caso de descumprimento.

O Datafolha reagiu, afirmando ter seguido rigorosamente as normas do TSE. A diretora Luciana Chong reafirmou a conformidade do procedimento, e a liminar foi revogada no dia seguinte. O caso retornaria ao tribunal para análise posterior. Na mesma semana, a coligação petista também tentou barrar uma pesquisa do Ipec sobre o estado, mas o pedido foi rejeitado pela Justiça, permitindo sua publicação normalmente.

O episódio iluminou uma contradição reveladora: a força política que liderava com folga nas pesquisas foi também a que mais empenho colocou em tentar suprimi-las. Na Bahia, historicamente favorável à esquerda, a batalha sobre os números tornou-se, ela própria, parte do cenário eleitoral.

Uma pesquisa Datafolha encomendada pela rádio Metrópole de Salvador traçou um retrato da intenção de voto na Bahia em agosto de 2022, mostrando o cenário político do estado semanas antes da eleição presidencial. O levantamento, realizado entre 22 e 24 de agosto com 1.008 eleitores e margem de erro de três pontos percentuais, registrou Luiz Inácio Lula da Silva com 61% das intenções de voto na modalidade estimulada — aquela em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados. Jair Bolsonaro aparecia com 20%, Ciro Gomes com 7%, enquanto Simone Tebet e Luiz Felipe D'Ávila marcavam 1% cada. Votos em branco ou nulo somavam 5%, e 4% dos eleitores ainda se diziam indecisos.

Quando a pesquisa foi conduzida sem apresentar os nomes dos candidatos — a chamada modalidade espontânea — Lula mantinha sua vantagem com 54%, enquanto Bolsonaro caía para 18%. Ciro Gomes marcava 3% e Simone Tebet 1%. Nesta versão, 18% dos baianos não souberam responder, 4% disseram votar em branco ou nulo, e 2% mencionaram variações como "candidato do PT" ou o número 13.

O mesmo levantamento também mediu a aprovação do governo federal entre os eleitores baianos. A gestão Bolsonaro era avaliada como ruim ou péssima por 53% deles, regular por 35%, e boa ou ótima por apenas 20%. Dois por cento não souberam responder. Esses números sugeriam um cenário desafiador para o presidente em um dos maiores colégios eleitorais do país.

A divulgação dos dados, porém, enfrentou obstáculos legais. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, atendendo a um pedido da coligação do candidato a governador Jerônimo Rodrigues, havia censurado parcialmente a pesquisa na terça-feira 23 de agosto. O juiz Paulo Sérgio Barbosa de Oliveira determinou que o trecho relativo à disputa presidencial não fosse divulgado, sob pena de multa diária de 20 mil reais. A coligação petista argumentava que a pesquisa estava "eivada de inconsistências" e que havia indução ao erro nas questões. Questionava também o fato de o registro indicar que seriam medidas intenções de voto para governador e senador, mas o questionário incluía perguntas sobre a Presidência. Além disso, alegava ausência de informações sobre o plano amostral e as ponderações por gênero, idade, escolaridade, nível econômico e localização geográfica.

O Datafolha contestou a censura, afirmando que havia cumprido todas as regras de registro estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Luciana Chong, diretora do instituto, reafirmou que o procedimento estava em conformidade com as normas. A decisão liminar foi revogada na quarta-feira 24 de agosto, e o caso voltaria a ser apreciado pelo tribunal em análise posterior.

Na mesma semana, a coligação petista também havia movido ação contra pesquisa do Ipec, instituto formado por ex-executivos do Ibope Inteligência. A juíza Carina Cristiane Ganguçu Virgens rejeitou esse pedido, permitindo que o levantamento do Ipec — contratado pela TV Bahia e previsto para divulgação na sexta-feira 26 de agosto — fosse publicado normalmente.

O episódio refletia as tensões em torno da medição de intenções de voto no período pré-eleitoral, com campanhas questionando metodologias e buscando limitar a circulação de dados que as desfavoreciam. A Bahia, historicamente reduto de força eleitoral para candidatos de esquerda, apresentava-se como terreno onde essas disputas sobre números e sua interpretação ganhavam intensidade.

O instituto cumpriu todas as regras de registro estabelecidas pelo TSE
— Luciana Chong, diretora do Datafolha
Permitir a divulgação de pesquisa que não expressa a realidade causará prejuízos irreversíveis à lisura eleitoral
— Coligação liderada por Jerônimo Rodrigues (PT)
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