A menos de dois meses das eleições presidenciais brasileiras, uma pesquisa Datafolha revela que o país se encontra diante de um segundo turno potencialmente indecidível: Lula e Flávio Bolsonaro estão separados por apenas dois pontos percentuais, diferença que se dissolve dentro da margem de erro. O momento captura uma democracia polarizada, onde a rejeição a ambos os líderes é quase idêntica e quase um terço do eleitorado ainda carrega sua escolha como algo provisório.
Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro estão tecnicamente empatados em 2º turno
Tecnicamente empatados na margem de erro
Como se explica essa mudança de um mês para o outro? Lula perdeu um ponto e Flávio ganhou um — parece pequeno, mas em uma margem de erro de dois pontos, muda tudo.
É exatamente isso. Em agosto estavam a quatro pontos, agora a dois. Tecnicamente empatados. Pode ser movimento real do eleitorado, pode ser variação natural dentro da margem de erro. A pesquisa não nos diz qual é qual.
Certo. E aqui está o ponto: a margem de erro significa que Lula pode estar em 44% e Flávio em 46%. Ou Lula em 48% e Flávio em 42%. Nós não sabemos. Qualquer manchete que diga "Lula lidera" ou "Flávio avança" está fingindo saber mais do que a pesquisa permite.
Verdade. Mas o que é interessante é que em todos os outros cenários de segundo turno — contra Caiado, Zema, Renan — Lula tem vantagem clara. Só contra Flávio que fica apertado.
E no primeiro turno? Lula tem 38% e Flávio 33%. Isso não é empatado.
Não é, mas note: Augusto Cury subiu de 2% para 8%. Onde vieram esses seis pontos? Se vieram de Lula ou de Flávio, muda a história. A pesquisa não nos diz.
Também há 28% que ainda podem mudar de voto. Isso é bastante gente. E 6% em branco ou nulo. Essas são as variáveis que podem definir tudo.
Então estamos falando de uma eleição genuinamente aberta?
No segundo turno contra Flávio, sim. Completamente aberta. Nos outros cenários, Lula sai na frente.
E a rejeição é quase idêntica — 47% rejeitam Flávio, 45% rejeitam Lula. Isso sugere que o eleitorado está muito dividido, não que um candidato tenha vantagem estrutural.
Então o que muda isso daqui para frente?
Tudo. Campanha, eventos, como o eleitorado indeciso se move, como os 28% que podem mudar de voto se comportam.
E precisamos lembrar: isso é uma fotografia de 1º e 2 de setembro. Duas semanas depois, tudo pode ser diferente.
The Pulse
- Lula e Flávio Bolsonaro chegam a setembro tecnicamente empatados num eventual segundo turno — 46% a 44% —, sinalizando que nenhum dos dois tem terreno firme sob os pés.
- A polarização é tão simétrica que os índices de rejeição espelham o empate: 47% rejeitam Flávio Bolsonaro e 45% rejeitam Lula, deixando pouco espaço para conquistas no eleitorado adversário.
- Uma surpresa emerge nos dados de primeiro turno: Augusto Cury, do Avante, quadruplicou sua intenção de voto de 2% para 8%, injetando uma variável inesperada na corrida.
- Com 28% dos eleitores ainda passíveis de mudar de voto, o resultado final permanece genuinamente em aberto — um contingente que pode ser decisivo em uma disputa tão apertada.
A menos de dois meses das eleições presidenciais brasileiras, uma pesquisa Datafolha revela que o país se encontra diante de um segundo turno potencialmente indecidível: Lula e Flávio Bolsonaro estão separados por apenas dois pontos percentuais, diferença que se dissolve dentro da margem de erro. O momento captura uma democracia polarizada, onde a rejeição a ambos os líderes é quase idêntica e quase um terço do eleitorado ainda carrega sua escolha como algo provisório.
Uma pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira coloca Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico para um eventual segundo turno presidencial. O petista marca 46% contra 44% do candidato do PL — diferença de dois pontos que desaparece dentro da margem de erro. O levantamento ouviu 2.002 pessoas entre 1º e 2 de setembro, com nível de confiança de 95%, e foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo.
O cenário se estreitou em relação a agosto, quando Lula tinha quatro pontos de vantagem. Agora, com o presidente recuando um ponto e Flávio avançando um, a disputa chegou ao seu ponto mais equilibrado. Em outros cenários de segundo turno, porém, Lula mantém folga mais confortável: vence Caiado por 46% a 41%, Zema por 48% a 39% e Renan Santos por 47% a 38%.
No primeiro turno, Lula aparece com 38% e Flávio Bolsonaro com 33%. O dado mais chamativo é o crescimento de Augusto Cury, do Avante, que saltou de 2% para 8%, enquanto os demais candidatos recuaram ou estagnaram.
A polarização fica evidente nos índices de rejeição: 47% dos eleitores rejeitam Flávio Bolsonaro e 45% rejeitam Lula, números quase idênticos que revelam resistências profundas e simétricas. Os demais candidatos têm rejeição muito menor, entre 13% e 16%.
Apesar de 71% dos eleitores afirmarem estar totalmente decididos, 28% ainda podem mudar de voto — um contingente expressivo que mantém o desfecho em aberto e torna cada movimento do eleitorado potencialmente decisivo.
Uma pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira coloca Lula e Flávio Bolsonaro em posição praticamente idêntica caso cheguem a um segundo turno presidencial. O petista soma 46% das intenções de voto contra 44% do candidato do PL — uma diferença de apenas dois pontos que desaparece completamente dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos. O levantamento, encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo, ouviu 2.002 pessoas entre 1º e 2 de setembro, com nível de confiança de 95%.
Este cenário representa uma mudança sutil em relação ao mês anterior. Em agosto, Lula tinha 47% e Flávio Bolsonaro 43%, uma vantagem de quatro pontos que já tocava a borda da margem de erro. Agora, com Lula recuando um ponto e Flávio avançando um, o quadro se estreitou ainda mais. Os votos em branco, nulo ou nenhum somam 9%, enquanto apenas 2% dos entrevistados se declararam indecisos.
A pesquisa testou também outros cenários de segundo turno. Contra Ronaldo Caiado, do PSD, Lula mantém 46% enquanto Caiado fica em 41%. Frente a Romeu Zema, do Novo, o presidente alcança sua melhor performance com 48% contra 39% do rival. E em um eventual confronto com Renan Santos, da Missão, Lula marca 47% contra 38%. Em todos esses cenários, a vantagem do petista é mais confortável que no duelo com Flávio Bolsonaro.
No primeiro turno, o quadro mostra Lula com 38% das intenções — um ponto abaixo de agosto — e Flávio Bolsonaro estável em 33%. O escritor Augusto Cury, do Avante, registra crescimento expressivo, saltando de 2% para 8%. Ronaldo Caiado cai de 5% para 4%, enquanto Renan Santos recua de 4% para 3%. Romeu Zema também diminui, de 3% para 2%. Os demais candidatos permanecem com 1% ou menos. Seis por cento dos eleitores pretendem votar em branco, nulo ou nenhum, e 3% ainda não sabem em quem votar.
Os índices de rejeição revelam uma polarização profunda. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 47% dos eleitores, enquanto Lula é rejeitado por 45%. A diferença é marginal, sugerindo que ambos enfrentam resistência significativa em segmentos distintos do eleitorado. Entre os demais candidatos, a rejeição é substancialmente menor: Romeu Zema é rejeitado por 16%, Renan Santos por 15%, e Ronaldo Caiado por 13%. Os candidatos menores têm rejeição entre 6% e 9%.
O levantamento também mapeou o grau de definição do voto. Setenta e um por cento dos eleitores afirmam estar totalmente decididos sobre sua escolha presidencial. Porém, 28% ainda podem mudar de voto, um contingente que permanece relevante a menos de dois meses de uma eleição. Apenas 1% dos entrevistados disse que votaria em qualquer candidato, enquanto outro 1% afirmou que rejeitaria todos. Três por cento não souberam responder sobre sua rejeição.
O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral é BR-03669/2026. Os números sugerem um cenário de segundo turno aberto, onde a margem entre os dois principais candidatos é tão estreita que qualquer movimento significativo no eleitorado indeciso ou nos votos brancos poderia alterar o resultado. Ao mesmo tempo, os dados de primeiro turno indicam que Lula mantém uma vantagem mais clara na disputa inicial, enquanto Flávio Bolsonaro teria de avançar consideravelmente para alcançar o petista nessa fase.
Notable Quotes
Os candidatos estão tecnicamente empatados na margem de erro, que é de 2 pontos para mais ou menos— Pesquisa Datafolha