No intervalo entre dois turnos, as alianças se formam como sedimentos — camada por camada, interesse por interesse. Augusto Cury, o escritor que conquistou quase três milhões e meio de votos com uma campanha centrada na pacificação e no cuidado humano, escolheu depositar esse capital político em Flávio Bolsonaro, mas não sem antes exigir compromissos escritos que reflitam seus valores. Ao mesmo tempo, o MDB navega a tensão entre sua vocação nacional e suas lealdades regionais, tentando construir uma adesão que seja ampla o suficiente para ter peso sem ser tão ampla que rompa o que foi construí
Cury apoia Flávio Bolsonaro no segundo turno; MDB articula adesão de diretórios
Oito compromissos por escrito para um apoio que não é vazio
Por que Cury pediu oito compromissos por escrito? Isso não é incomum?
Para Cury, é uma forma de deixar claro que seu apoio tem condições. Ele quer que Flávio assuma publicamente temas que marcaram sua campanha — não é um apoio vazio.
Mas a gente não sabe se Flávio aceitou todos os oito. O texto diz que Cury pediu, mas não confirma que Flávio concordou com cada um.
E quanto ao MDB? Por que o partido está dividido?
O MDB tem raízes muito diferentes em cada região. No Sul e Sudeste, o partido está mais solto politicamente. No Nordeste, está casado com Lula há anos — governos estaduais, prefeituras, tudo construído nessa aliança.
Exatamente. Então quando dizem que esperam 15 a 17 diretórios, estão basicamente contando com o Sul e Sudeste e deixando o Nordeste de fora. Não é uma adesão do partido — é uma adesão parcial.
Isso enfraquece Flávio?
Depende. Um MDB dividido ainda traz voto e estrutura. Mas um MDB unido traria muito mais. A questão é se Flávio consegue compensar isso com os outros apoios que já tem.
E a gente não sabe ainda se vai dar certo. O anúncio é terça-feira. Até lá, muita coisa pode mudar.
Le Pouls
- Cury transformou seu apoio em negociação: oito compromissos escritos — incluindo o fim da reeleição e a pacificação nacional — como condição para colocar seus 2,89% dos votos a serviço de Flávio Bolsonaro.
- O MDB enfrenta uma divisão interna real: enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste tendem a aderir, o Norte e o Nordeste resistem por causa de alianças profundas e estruturais com Lula e o PT.
- Baleia Rossi articula nos bastidores com Flávio, Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes para reunir entre 15 e 17 dos 27 diretórios estaduais — uma maioria, mas não unanimidade.
- A coligação de Flávio ganha volume e diversidade: Novo, Republicanos, Progressistas, União Brasil, Podemos, Caiado e agora potencialmente Cury e parte do MDB formam um bloco heterogêneo mas crescente.
- O anúncio do MDB está previsto para terça-feira em São Paulo, enquanto Cury optará por um vídeo — ambos controlando a narrativa de suas adesões com cuidado estratégico.
No intervalo entre dois turnos, as alianças se formam como sedimentos — camada por camada, interesse por interesse. Augusto Cury, o escritor que conquistou quase três milhões e meio de votos com uma campanha centrada na pacificação e no cuidado humano, escolheu depositar esse capital político em Flávio Bolsonaro, mas não sem antes exigir compromissos escritos que reflitam seus valores. Ao mesmo tempo, o MDB navega a tensão entre sua vocação nacional e suas lealdades regionais, tentando construir uma adesão que seja ampla o suficiente para ter peso sem ser tão ampla que rompa o que foi construído no Norte e no Nordeste.
Augusto Cury, o escritor que terminou em terceiro lugar na primeira volta com 2,89% dos votos válidos, decidiu apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno — mas não de graça. Após uma videochamada na quinta-feira, Cury apresentou uma lista de oito compromissos que pediu a Flávio por escrito: o fim da reeleição presidencial, proteção às mulheres e a chamada pacificação nacional, além de propostas em telemedicina, agricultura e cooperativismo. O anúncio oficial virá em formato de vídeo, estratégia que mantém Cury no controle de sua própria narrativa.
Nos bastidores, o MDB trava uma articulação mais complexa. Baleia Rossi, presidente nacional do partido, conversa com Flávio, com o governador Tarcísio de Freitas e com o prefeito Ricardo Nunes para consolidar a adesão de diretórios estaduais. A meta é reunir entre 15 e 17 dos 27 diretórios, com anúncio previsto para terça-feira em São Paulo. A força virá do Sul, Sudeste e Centro-Oeste — regiões com menos amarras políticas ao governo federal.
A resistência, porém, é real. No Norte e no Nordeste, lideranças do MDB mantêm alianças sólidas com Lula e o PT — estruturas que sustentam governos estaduais e municipais e que não se desfazem por conveniência eleitoral. Por isso, a adesão deve ser parcial.
Flávio já conta com Novo, Republicanos, Progressistas, União Brasil e Podemos, além do apoio individual de Ronaldo Caiado, governador de Goiás. Com Cury e parte do MDB, a coligação ganha diversidade: um escritor de autoajuda, um partido de centro com raízes nacionais e uma rede de legendas menores que, juntas, representam uma força considerável para o segundo turno.
Augusto Cury, o escritor que terminou em terceiro lugar na primeira volta da eleição presidencial com 3,44 milhões de votos — 2,89% do total de votos válidos — decidiu colocar seu apoio atrás do senador Flávio Bolsonaro para o segundo turno. A decisão veio após uma conversa por videochamada na quinta-feira entre os dois, momento em que Cury apresentou uma lista de oito compromissos que pediu que Flávio assumisse por escrito.
Esses compromissos tocam em temas que marcaram a campanha de Cury: o fim da reeleição presidencial, proteção às mulheres, e o que ele chama de pacificação nacional. Além disso, incluem propostas específicas em áreas como telemedicina, agricultura e cooperativismo — setores que estiveram no centro de sua plataforma. O anúncio oficial dessa adesão será feito em formato de vídeo, estratégia que permite que Cury mantenha controle sobre a narrativa de sua decisão.
Ao mesmo tempo, o MDB trabalha nos bastidores para consolidar sua própria entrada na coligação. Baleia Rossi, presidente nacional do partido, tem conversado com Flávio, com Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, e com Ricardo Nunes, prefeito da capital paulista, para articular a adesão de diretórios estaduais. A meta é reunir entre 15 e 17 dos 27 diretórios estaduais do partido, com anúncio previsto para terça-feira em São Paulo. A força da adesão virá principalmente do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, regiões onde o partido tem menos amarras políticas.
Mas há resistência. No Norte e Nordeste, lideranças do MDB mantêm alianças consolidadas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu partido, o PT. Essas alianças não são recentes nem frágeis — são estruturas que sustentam governos estaduais e municipais. Romper com elas para apoiar Flávio representa um custo político real que nem todos no partido estão dispostos a pagar. Por isso a expectativa é que a adesão seja parcial, não total.
Flávio já havia recebido apoios de outros partidos: Novo, Republicanos, Progressistas, União Brasil e Podemos formam um núcleo de coligação. Além disso, lideranças individuais como Ronaldo Caiado, governador de Goiás pelo PSD, também declararam apoio. Com Cury e potencialmente com grande parte do MDB, a coligação ganha volume e diversidade — um escritor de autoajuda, um partido de centro com raízes em todo o país, e uma rede de partidos menores que juntos representam uma força considerável para o segundo turno.
Citations marquantes
Cury pediu que Flávio assumisse por escrito oito compromissos, incluindo fim da reeleição presidencial, proteção às mulheres e pacificação nacional— Conforme relatado sobre a conversa entre Cury e Flávio