Por quase seis décadas, Cuba e Estados Unidos travam um confronto silencioso mediado por números e resoluções. Nesta quinta-feira, diante da Assembleia Geral da ONU, Havana formalizou sua denúncia mais recente: 138,9 bilhões de dólares em perdas acumuladas, um bloqueio que a comunidade internacional condena com votos quase unânimes, mas que persiste como testemunho da distância entre o consenso diplomático e a vontade das grandes potências.
Cuba apresenta na ONU denúncia sobre bloqueio dos EUA com perdas de US$ 138,9 bi
138,9 bilhões de dólares em perdas acumuladas ao longo de quase seis décadas
Por que Cuba escolheu apresentar esse relatório especificamente agora, em outubro de 2020?
O timing estava ligado ao calendário anual da ONU. A iniciativa cubana era votada todo ano, e esse relatório serviria como base factual para a próxima rodada de pressão diplomática. A pandemia havia atrasado a apresentação.
Mas vale notar que a votação de 2019 já havia acontecido. Então esse relatório não era novo — era a documentação de uma posição que Cuba já vinha apresentando há anos.
Esses 138,9 bilhões de dólares — como Cuba chegou a esse número?
Havana contabilizou as perdas acumuladas ao longo de quase seis décadas de bloqueio, em valores correntes. Entre 2018 e 2019 sozinho, estimaram 4,3 bilhões.
Importante: esses são números apresentados pelo governo cubano. Não há verificação independente mencionada no relatório. Os EUA contestariam essas cifras, e há debate legítimo sobre como calcular perdas econômicas de uma política de longa duração.
A votação de 2019 mostrou 187 a favor. Isso significa que a política vai mudar?
Não necessariamente. A votação da ONU é simbólica — não é vinculante. Os EUA podem ignorá-la completamente, e historicamente fizeram isso.
Exatamente. A votação mostra isolamento diplomático americano, mas não força uma mudança de política. Trump havia implementado mais de cem medidas adicionais de bloqueio apesar dessa condenação internacional quase unânime.
E o contexto da Covid-19 — isso muda algo?
Cuba argumentava que o bloqueio tornava ainda mais difícil lidar com a pandemia, limitando acesso a medicamentos e equipamentos. Era um argumento humanitário adicional.
Verdade, mas o relatório não detalha especificamente os impactos da Covid. Essa conexão era mais um argumento político do que uma análise documentada no próprio relatório.
Der Puls
- Cuba chega à ONU com números concretos: 4,3 bilhões de dólares em perdas apenas entre 2018 e 2019, num total acumulado que ultrapassa 138 bilhões ao longo de quase seis décadas de bloqueio.
- A apresentação, adiada pela pandemia de Covid-19, ocorre num momento em que a ilha enfrenta simultaneamente o cerco econômico e a crise sanitária — tornando o acesso a recursos e importações uma questão de sobrevivência.
- Sob Trump, mais de cem medidas adicionais foram implementadas para apertar o cerco, enquanto o chanceler Bruno Rodríguez acusa Washington de não disfarçar sua intenção de sufocar o país.
- A proposta cubana de encerramento do bloqueio foi aprovada em 28 votações consecutivas na ONU — a última com 187 votos a favor e apenas três contrários —, expondo o isolamento diplomático americano nessa questão.
- Havana aposta que a formalização dos danos em documento oficial elevará o peso político da denúncia, buscando transformar décadas de condenação simbólica em pressão real por mudança.
Por quase seis décadas, Cuba e Estados Unidos travam um confronto silencioso mediado por números e resoluções. Nesta quinta-feira, diante da Assembleia Geral da ONU, Havana formalizou sua denúncia mais recente: 138,9 bilhões de dólares em perdas acumuladas, um bloqueio que a comunidade internacional condena com votos quase unânimes, mas que persiste como testemunho da distância entre o consenso diplomático e a vontade das grandes potências.
Nesta quinta-feira, Cuba levou à Assembleia Geral das Nações Unidas um relatório que traduz em cifras o que Havana descreve como quase seis décadas de sufocamento econômico imposto pelos Estados Unidos. O chanceler Bruno Rodríguez apresentou o documento por videoconferência — sessão que havia sido adiada pelos efeitos da pandemia de Covid-19 sobre o funcionamento do organismo internacional.
O relatório servia de base para uma iniciativa que Cuba vinha submetendo à votação anual na ONU: um pedido direto para que Washington encerrasse seu bloqueio econômico, financeiro e comercial contra a ilha. A proposta havia sido aprovada em 28 votações consecutivas. Na mais recente, em 2019, recebeu 187 votos a favor, apenas três contra e duas abstenções — margem que evidencia o isolamento diplomático americano nessa questão específica.
Os números apresentados eram expressivos: entre abril de 2018 e março de 2019, as perdas estimadas chegaram a 4,3 bilhões de dólares. Somadas ao longo de quase seis décadas, a cifra acumulada alcança 138,9 bilhões em valores correntes. O contexto agravava o quadro: sob a administração Trump, mais de cem medidas adicionais haviam sido implementadas para aprofundar o cerco, justamente enquanto Cuba enfrentava a Covid-19 e a consequente necessidade de acesso a recursos e importações.
Ainda que as votações anuais já demonstrassem que a esmagadora maioria da comunidade internacional considera o bloqueio injustificável, Cuba apostava que a documentação detalhada dos danos em documento oficial poderia conferir maior peso político à denúncia — e transformar quase três décadas de condenação internacional em pressão mais concreta por uma mudança de política.
Nesta quinta-feira, 22 de outubro, Cuba levaria à Assembleia Geral das Nações Unidas um relatório que quantifica, em números concretos, o que o governo de Havana descreve como quase seis décadas de sufocamento econômico imposto pelos Estados Unidos. O chanceler Bruno Rodríguez apresentaria o documento por videoconferência, uma apresentação que havia sido adiada pelos efeitos da pandemia de Covid-19 sobre o funcionamento do organismo internacional.
O relatório serviria como base factual para uma iniciativa que Cuba vinha levando à votação anual na ONU: um pedido direto para que Washington encerrasse sua política de bloqueio econômico, financeiro e comercial contra a ilha caribenha. Essa proposta havia sido aprovada em 28 votações consecutivas. Na mais recente, realizada no final de 2019, recebeu 187 votos a favor, apenas três contra e duas abstenções — uma margem que refletia o isolamento diplomático dos Estados Unidos nessa questão específica.
O chanceler cubano havia dito ao plenário da Assembleia Geral que os Estados Unidos não disfarçavam sua intenção de sufocar o país. Desde então, sob a administração do presidente Donald Trump, o governo americano havia implementado mais de cem medidas adicionais para aprofundar o cerco. Isso ocorria enquanto Cuba enfrentava a própria luta contra a Covid-19, um contexto que tornava ainda mais aguda a questão do acesso a recursos e importações.
Os números que Cuba apresentaria eram os seguintes: entre abril de 2018 e março de 2019, o bloqueio havia causado perdas estimadas em 4,3 bilhões de dólares. Quando somados aos prejuízos acumulados ao longo de quase seis décadas de política de bloqueio, a cifra chegava a 138,9 bilhões de dólares em valores correntes — uma quantificação que Havana usaria para argumentar que o custo humano e econômico da política americana havia se tornado insustentável.
A apresentação do relatório na ONU representava um momento de pressão diplomática concentrada. Embora a votação anual já demonstrasse que a comunidade internacional, em sua maioria esmagadora, considerava o bloqueio injustificável, a formalização desses números em um documento oficial perante a assembleia buscava elevar o peso político da denúncia. Cuba esperava que a documentação detalhada dos danos pudesse servir como argumento mais contundente para uma mudança de política que, até então, havia resistido a quase três décadas de condenação internacional.
Bemerkenswerte Zitate
Os Estados Unidos não escondem sua intenção de sufocar o país— Chanceler cubano Bruno Rodríguez, ao plenário da Assembleia Geral da ONU