Cronologia do caso Samylle: menina de 4 anos morta após agressões no RS

Samylle Valentina Borba Ramiro, 4 anos, morreu após agressões físicas do tio; criança estava sob responsabilidade provisória de familiares e tinha contato restrito com mãe.
Conforme o laudo pericial constatar outras lesões, podemos abranger esse leque
A delegada responsável pelo caso deixa aberta a possibilidade de investigar outras pessoas da família conforme novas evidências surjam.
Mark

Como uma criança chega a estar sob responsabilidade de um tio de forma tão informal, sem supervisão clara?

Mimi

Porque em julho de 2026, a tia procurou o Conselho Tutelar dizendo que a mãe tinha problemas de saúde. Não foi uma decisão judicial — foi um termo de responsabilidade provisória. A mãe depois disse que foi impedida de ver a filha.

Mark

E ninguém percebeu que algo estava errado naqueles dois meses?

Mimi

Os avós viram ferimentos no dia 9 de agosto, durante um encontro de Dia dos Pais. Disseram que a tia explicou que era queda. Oito dias depois, Samylle estava morta.

Mark

O tio confessou as agressões?

Mimi

Confessou, mas sua versão não bate com os ferimentos. Disse que deu palmadas de correção porque a menina havia se sujado. Os ferimentos encontrados no corpo dela sugerem algo muito mais grave.

Mark

E a mãe? Onde estava?

Mimi

Afirmou à polícia que não via a filha havia dois meses. Que a tia impedia contato, até por videochamada. Ela não sabia o que estava acontecendo.

Mark

Isso significa que outras pessoas podem ter responsabilidade?

Mimi

A delegada deixou claro que sim. Conforme os laudos periciais tragam mais informações, a investigação pode se expandir para outras pessoas da família. Por enquanto, a tia é considerada testemunha.

  • Uma menina de 4 anos chegou morta a uma UPA de Porto Alegre com marcas roxas espalhadas pelo corpo, e o atestado confirmou politraumatismo por agressões físicas.
  • O tio confessou apenas 'palmadas corretivas', mas a delegada responsável foi categórica: a versão não corresponde à extensão dos ferimentos encontrados.
  • A mãe afirma que estava impedida de ver a filha há dois meses, com videochamadas bloqueadas, enquanto a criança vivia sob um arranjo informal de guarda — não judicial — com a tia.
  • Sinais de alerta existiam: oito dias antes da morte, avós notaram ferimentos no corpo de Samylle e receberam a explicação de uma queda.
  • Nicolas Gabriel foi preso preventivamente e o Tribunal de Justiça do RS manteve a prisão; a investigação aguarda laudos periciais e pode se expandir para outros membros da família.

Uma criança de quatro anos morreu em Porto Alegre carregando no corpo a evidência de uma violência que nenhuma explicação conseguiu justificar. Samylle Valentina estava sob cuidados provisórios de familiares quando chegou sem vida a uma unidade de saúde, e seu tio confessou agressões que a perícia considera incompatíveis com os ferimentos encontrados. O caso expõe a fragilidade dos arranjos informais de guarda e a distância que pode crescer, silenciosamente, entre uma criança e quem deveria protegê-la.

Na manhã de 17 de agosto, Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos, chegou à UPA Bom Jesus em Porto Alegre já sem vida, com manchas roxas espalhadas pelo corpo. O atestado de óbito confirmou politraumatismo — múltiplas lesões causadas por agressões físicas. Três dias depois, seu tio Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, foi preso preventivamente. Em depoimento, ele disse ter dado "umas palmadas com intuito de correção" porque a menina havia se sujado nas calças. A delegada Alice Fernandes foi direta: a explicação não condiz com os ferimentos encontrados. A Polícia Civil classificou o caso como homicídio doloso.

A trajetória que levou Samylle àquela casa revela meses de decisões institucionais sobrepostas. Em abril de 2025, o Conselho Tutelar retirou a guarda da mãe e a entregou aos avós maternos. Em dezembro, um acordo judicial devolveu a criança à mãe. Mas em julho de 2026, a tia assumiu responsabilidade provisória por meio de um termo informal — não por decisão judicial — alegando problemas de saúde da mãe. A partir daí, a mãe afirmou ter sido impedida de ver a filha, com até videochamadas bloqueadas. Era o tio quem passava a maior parte do tempo com Samylle, já que a tia trabalhava fora. A menina o chamava de pai.

Oito dias antes da morte, durante um encontro de Dia dos Pais, os avós notaram ferimentos no corpo da criança e foram informados de que eram resultado de uma queda. Em 13 de agosto, a tia procurou a Defensoria Pública buscando orientação para uma ação de guarda definitiva, recebeu instruções para reunir documentos e nunca retornou. Quatro dias depois, Samylle chegava morta à unidade de saúde.

Em 21 de agosto, o Tribunal de Justiça do RS manteve a prisão preventiva de Nicolas Gabriel após audiência de custódia. O Ministério Público apontou a "extrema gravidade concreta dos fatos". A investigação segue aberta: a polícia aguarda laudos periciais, precisa determinar o horário exato da morte e avalia se outras pessoas da família devem ser investigadas. "Conforme o laudo pericial constatar outras lesões ou alguma outra informação, podemos abranger, aumentar esse leque", afirmou a delegada. Os procedimentos tramitam em segredo de Justiça por envolverem crianças.

Na manhã de 17 de agosto, uma menina de 4 anos chegou a uma unidade de pronto atendimento em Porto Alegre sem sinais de vida. Samylle Valentina Borba Ramiro apresentava manchas roxas espalhadas pelo corpo. Seus tios a haviam levado à UPA Bom Jesus já morta. O atestado de óbito confirmaria o que os ferimentos sugeriam: politraumatismo — múltiplas lesões causadas por agressões físicas.

Três dias depois, em 20 de agosto, seu tio Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, foi preso preventivamente. Durante o depoimento, ele ofereceu uma explicação que logo se mostraria insuficiente. Disse que havia dado "umas palmadas com intuito de correção" na menina porque ela havia se sujado nas calças. A delegada Alice Fernandes, responsável pela investigação, foi clara: a versão não correspondia às marcas encontradas no corpo da criança. A Polícia Civil classificou o caso como homicídio doloso — morte intencional — e aguardava os laudos periciais para esclarecer as circunstâncias exatas.

O que levou Samylle a estar sob os cuidados desse tio revela uma trajetória de decisões institucionais que atravessaram meses. Em abril de 2025, o Conselho Tutelar retirou a guarda da menina de sua mãe e a entregou aos avós maternos. Quatro meses depois, em setembro, a Polícia Civil concluiu uma investigação envolvendo a família e encaminhou o caso à Justiça. Em dezembro de 2025, um acordo judicial devolveu Samylle à mãe, com direito de visitas do pai. Mas em julho de 2026, a tia procurou o Conselho Tutelar alegando que a mãe enfrentava problemas de saúde e assumiu responsabilidade provisória pela criança através de um termo — não por decisão judicial de guarda, mas por um arranjo informal.

A partir daquele momento, a mãe de Samylle afirmou que foi impedida de manter contato com a filha. Ela declarou à polícia que não via a menina havia pelo menos dois meses e que a tia bloqueava até videochamadas. O pai também relatou não conseguir visitar a criança. Enquanto isso, era o tio quem passava a maior parte do tempo com Samylle, já que a tia trabalhava fora. A menina o chamava de pai.

No dia 9 de agosto, durante um encontro de Dia dos Pais, os avós maternos notaram ferimentos no corpo de Samylle. Receberam a informação de que as marcas eram resultado de uma queda. Quatro dias depois, em 13 de agosto, a tia procurou a Defensoria Pública buscando orientação para ingressar com uma ação de guarda definitiva. Recebeu instruções para reunir documentos, mas nunca retornou com eles. Quatro dias depois, Samylle chegava morta à unidade de saúde.

No dia 21 de agosto, após audiência de custódia, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul manteve a prisão preventiva de Nicolas Gabriel. O Ministério Público havia se manifestado favoravelmente à prisão, apontando a "extrema gravidade concreta dos fatos investigados". A Defensoria Pública o assiste.

A investigação segue em aberto. A Polícia Civil tem dez dias para concluir o inquérito e aguarda os laudos da perícia. Um dos pontos a esclarecer é o horário exato da morte de Samylle e como isso se relaciona com o momento em que foi levada à unidade de saúde. Outro ponto crucial: determinar se outras pessoas da família devem ser investigadas. A delegada Alice Fernandes deixou essa porta aberta. "No momento da morte, estava somente o suspeito e a menina. Porém, conforme o laudo pericial constatar outras lesões ou alguma outra informação, podemos abranger, aumentar esse leque", afirmou. Os procedimentos judiciais relacionados à família tramitam em segredo de Justiça porque envolvem crianças.

No momento da morte, estava somente o suspeito e a menina. Porém, conforme o laudo pericial constatar outras lesões ou alguma outra informação, podemos abranger, aumentar esse leque
— Delegada Alice Fernandes
A versão não é compatível com as marcas encontradas no corpo da criança
— Polícia Civil, sobre a explicação do tio
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