Numa encruzilhada silenciosa mas decisiva, Portugal tem aproximadamente uma década para escolher entre a convergência e o declínio. Um estudo da Faculdade de Economia do Porto revela que crescer entre 3,1% e 3,8% ao ano é a condição mínima para o país ascender ao pelotão dos mais prósperos da União Europeia até 2033 — um ritmo que exige não apenas vontade política, mas uma transformação estrutural profunda. A alternativa, a inércia, não é neutra: é uma descida silenciosa para a periferia económica e demográfica da Europa.
Crescimento de 3% colocaria Portugal entre os mais ricos da UE em 2033
Portugal tem uma década para escolher entre dois futuros radicalmente diferentes
Então este estudo está a dizer que Portugal pode estar entre os mais ricos da Europa em dez anos, ou entre os mais pobres. Como é que a diferença é tão grande?
A diferença é o crescimento económico. Se Portugal crescer entre 3,1% e 3,8% ao ano, sobe para a 13ª posição. Se não mudar nada, cai para a 25ª. Tudo depende de reformas estruturais que aumentem a produtividade e a competitividade.
Mas espera. O estudo diz que Portugal cresceu 0,9% entre 2009 e 2022. Triplicar isso para 3,1% é realista? Ou é apenas um cenário teórico?
Não é teórico. Portugal fez isto nos anos 80 e 90. Os autores dizem que se repetisse esses ritmos, com as políticas certas, conseguiria estar no pelotão da frente europeu.
Mas há uma diferença entre o que foi possível há 30 anos e o que é possível agora. O contexto internacional mudou. A concorrência global é diferente.
E quanto ao crescimento recente? Portugal não tem crescido mais nos últimos anos?
Sim, mas o estudo diz que é temporário. Vem do turismo e dos fundos do PRR. Não é estrutural. Quando esses fundos acabarem em 2026, Portugal vai perder essa alavanca.
Exatamente. E aí é que fica claro se o país tem reformas de verdade ou se foi apenas uma bolha de fundos europeus.
Qual é a consequência humana disto? Se Portugal cair para a 25ª posição, o que acontece às pessoas?
O estudo estima que Portugal perderia cerca de 600 mil residentes. Menos população, nível de vida mais baixo, menos oportunidades. É emigração e declínio demográfico.
Mas isso também depende de outras coisas — não é só crescimento do PIB. Qualidade de vida, educação, saúde. O estudo foca-se muito em números macroeconómicos.
Então o que é que os eleitores portugueses devem fazer com esta informação?
O estudo pede que exijam aos partidos políticos propostas concretas de reformas. Que responsabilizem os governos por crescimento económico. Porque isto afeta a soberania do país.
Mas o estudo não diz quais são essas reformas. Diz que são necessárias, mas não especifica. Isso é uma lacuna importante.
O Pulso
- Portugal cresce a menos de 1% ao ano desde 2009, um ritmo três a quatro vezes inferior ao necessário para evitar tornar-se o terceiro país mais pobre da UE até 2033.
- O cenário de estagnação não é apenas económico: o país perderia cerca de 600 mil residentes por emigração e declínio natural, encolhendo de 10,3 para 9,69 milhões de pessoas.
- O crescimento recente, alimentado pelo turismo e pelos fundos europeus do PRR, é temporário — e a partir de 2026, com o fim desses programas, a vulnerabilidade estrutural ficará exposta.
- Os investigadores propõem uma mudança de referencial: Portugal deve comparar-se à média simples dos 27 países da UE, e não à média ponderada dominada pelas grandes economias menos dinâmicas.
- Com eleições à vista em março de 2024, o estudo apela diretamente aos eleitores para exigirem dos partidos compromissos concretos com reformas que promovam crescimento sustentado e competitividade.
Numa encruzilhada silenciosa mas decisiva, Portugal tem aproximadamente uma década para escolher entre a convergência e o declínio. Um estudo da Faculdade de Economia do Porto revela que crescer entre 3,1% e 3,8% ao ano é a condição mínima para o país ascender ao pelotão dos mais prósperos da União Europeia até 2033 — um ritmo que exige não apenas vontade política, mas uma transformação estrutural profunda. A alternativa, a inércia, não é neutra: é uma descida silenciosa para a periferia económica e demográfica da Europa.
Um estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto traça dois futuros possíveis para Portugal na próxima década. Se o país conseguir crescer entre 3,1% e 3,8% ao ano, poderá subir da 20ª para a 13ª posição entre os países mais ricos da União Europeia até 2033. Se não agir, descerá até à 25ª posição — tornando-se o terceiro mais pobre do bloco.
Os autores, Nuno Torres e Óscar Afonso, argumentam que Portugal precisa de mudar o seu referencial estratégico. Em vez de se comparar com a média da Zona Euro — distorcida pelo peso das maiores economias, que são também das menos dinâmicas —, o país deveria adotar a média simples dos 27 membros da UE como objetivo, tratando cada nação com igual importância independentemente da sua dimensão.
O desafio é considerável. Entre 2009 e 2022, Portugal cresceu apenas 0,9% ao ano. Triplicar ou quadruplicar esse ritmo é ambicioso, mas não inédito: nas décadas de 1980 e 1990, o país já atingiu esses níveis em democracia. Se tivesse crescido à média simples da UE nesse período recente, teria hoje um nível de vida de 99,4% da média europeia e uma população de 11,32 milhões — em vez dos atuais 10,3 milhões.
O custo da inação é também demográfico. No cenário de estagnação, Portugal perderia cerca de 600 mil residentes até 2033, por emigração e declínio natural. Os autores alertam ainda que o crescimento recente, impulsionado pelo turismo e pelos fundos do PRR, é temporário. A partir de 2026, com o fim desses programas e novas prioridades orçamentais europeias — defesa, migrações, reconstrução da Ucrânia —, a fragilidade estrutural do país ficará exposta.
Com eleições legislativas marcadas para março de 2024, o estudo termina com um apelo direto: os eleitores portugueses devem exigir dos partidos compromissos reais com reformas estruturais. A soberania nacional, sublinham os autores, depende do nível de vida e da dimensão da população. Portugal já demonstrou que é capaz de crescer. A questão é se tem, desta vez, a vontade política de o fazer.
Um estudo realizado pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto apresenta um cenário claro: Portugal tem uma década para escolher entre dois futuros radicalmente diferentes. Se o país conseguir manter uma taxa de crescimento económico anual entre 3,1% e 3,8%, poderá subir da sua atual 20ª posição para a 13ª entre os países mais ricos da União Europeia até 2033. Sem mudanças de política, porém, descerá até à 25ª posição — tornando-se o terceiro país mais pobre do bloco.
Os investigadores Nuno Torres e Óscar Afonso, este último diretor da faculdade e participante na elaboração do programa económico do PSD, argumentam que Portugal precisa de adotar um novo referencial estratégico. Em vez de se comparar com a média da Zona Euro — distorcida pelo peso das três maiores economias europeias, que são das menos dinâmicas — o país deveria usar a média simples de crescimento de todos os 27 membros da UE como objetivo. Isto significa tratar cada país como tendo igual importância, independentemente do seu tamanho económico.
O desafio é substancial. Entre 2009 e 2022, Portugal cresceu apenas 0,9% ao ano em média. Para atingir os 3,1% a 3,8% necessários na próxima década, o país teria de triplicar, quadruplicar ou até ultrapassar esse ritmo histórico recente. O estudo reconhece que isto é ambicioso, mas não impossível: nas décadas de 1980 e 1990, Portugal alcançou exatamente estes níveis de crescimento em democracia. A questão é se conseguirá repetir essa performance com as reformas estruturais adequadas.
O custo de não agir é medido em vidas e bem-estar. Num cenário de estagnação política, a população portuguesa desceria de 10,3 milhões para 9,69 milhões de residentes até 2033. Isto representa uma perda de aproximadamente 600 mil pessoas — resultado de emigração e declínio natural. Se, pelo contrário, Portugal tivesse crescido à média simples da UE entre 2009 e 2022, teria hoje um nível de vida de 99,4% da média europeia e ocuparia a 12ª posição, com uma população de 11,32 milhões. A diferença entre crescimento adequado e estagnação não é apenas económica; é demográfica e existencial.
Os autores sublinham que o crescimento recente do país — impulsionado pelo turismo e pelos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência — não é estrutural. É temporário. A partir de 2026, quando o PRR terminar e o PT2030 chegar ao fim, Portugal enfrentará uma redução significativa nos fluxos de fundos europeus. Simultaneamente, novas prioridades orçamentais europeias — migrações, defesa, reconstrução da Ucrânia — competirão pelos recursos disponíveis. Sem reformas que aumentem a competitividade e o crescimento potencial do país, esta transição será brutal.
O estudo deixa um apelo direto aos eleitores portugueses. Com eleições legislativas marcadas para 10 de março de 2024, os autores pedem maior escrutínio das propostas dos partidos políticos, exigindo que os governos sejam responsabilizados por reformas que promovam crescimento económico. A razão é simples: o nível de vida e a dimensão da população afetam diretamente a soberania nacional. Portugal não pode permitir-se uma década de inércia política quando a janela para mudança é tão clara e o custo da inação tão elevado.
A mensagem final é uma mistura de urgência e esperança. Sim, o caminho é difícil. Sim, exige reformas estruturais profundas e sustentadas. Mas Portugal já o fez antes, e as ferramentas — políticas adequadas, ambição económica, foco em competitividade — continuam ao alcance. A questão é se a sociedade portuguesa, e os seus líderes políticos, têm a vontade de as usar.
Citações Notáveis
A boa notícia é que, em democracia, Portugal conseguiu ritmos de crescimento económico nas décadas de 1980 e 1990 que, a serem repetidos na próxima década, mediante políticas adequadas, poderão colocar-nos no pelotão da frente da UE em nível de vida e bem-estar em 2033— Estudo da Faculdade de Economia do Porto
O surto recente de crescimento económico não é estrutural, mas decorre apenas de impulsos temporários do turismo e do PRR— Estudo da Faculdade de Economia do Porto