Em Mato Grosso do Sul, a Covid-19 segue cobrando seu preço silencioso: dez mortes registradas em 2025 lembram que o vírus persiste, mesmo ausente das manchetes. A proteção dos mais vulneráveis — idosos, gestantes, crianças pequenas e imunodeprimidos — depende de uma vacinação contínua que o sistema público ainda oferece, mas que a atenção coletiva parece ter esquecido. É o paradoxo do pós-pandemia: quando a urgência some, o risco permanece.
Covid-19 matou 10 em MS em 2025; veja quem ainda precisa se vacinar
A doença não desapareceu — apenas deixou de ser notícia
Se a covid-19 matou apenas dez pessoas em todo o estado este ano, por que ainda falar em vacinação?
Porque dez mortes não é zero. E porque esses dez óbitos ocorreram entre pessoas que provavelmente poderiam ter sido protegidas. A doença não desapareceu — apenas deixou de ser notícia.
Mas o Ministério da Saúde restringiu a vacinação. Isso não significa que o risco passou?
Significa que o risco mudou de forma. Não é que a vacina ficou perigosa ou inútil. É que o governo decidiu concentrar recursos onde o risco é maior — em idosos, gestantes, crianças pequenas. É uma escolha epidemiológica, não uma declaração de vitória.
E as pessoas que já foram vacinadas durante a pandemia? Elas estão protegidas?
Depende. Se você tem mais de 60 anos ou está grávida, não. Você precisa de reforços regulares. Se você é jovem e saudável e já tomou suas doses, provavelmente está bem. Mas ninguém sabe ao certo porque não temos dados claros sobre cobertura.
Ninguém sabe? Como assim?
Exatamente. A Secretaria de Saúde do estado não divulga números detalhados sobre quantas pessoas em cada grupo de risco estão realmente vacinadas. Sabemos que dez morreram. Não sabemos quantas outras poderiam ter morrido se não estivessem protegidas.
Então é possível que a vacinação esteja funcionando, mas ninguém está acompanhando?
É possível. Ou é possível que muita gente que deveria estar protegida não esteja. Sem os dados, é difícil dizer.
O Pulso
- Dez mortes por Covid-19 em Mato Grosso do Sul em 2025 revelam que o vírus continua circulando e encontrando vítimas entre os mais frágeis.
- Grupos prioritários — idosos acima de 60 anos, gestantes, crianças de 6 meses a 4 anos e imunodeprimidos — ainda não completaram ou não atualizaram seu esquema vacinal.
- As doses estão disponíveis nos postos de saúde de todo o estado, inclusive para quem nunca se vacinou nem durante o auge da pandemia.
- O Ministério da Saúde restringe a vacinação a grupos de risco por critérios epidemiológicos e de disponibilidade de doses, não por questões de segurança.
- A cobertura vacinal real em MS permanece desconhecida: dados públicos detalhados são inexistentes, e a Secretaria Municipal de Campo Grande não respondeu à reportagem.
Em Mato Grosso do Sul, a Covid-19 segue cobrando seu preço silencioso: dez mortes registradas em 2025 lembram que o vírus persiste, mesmo ausente das manchetes. A proteção dos mais vulneráveis — idosos, gestantes, crianças pequenas e imunodeprimidos — depende de uma vacinação contínua que o sistema público ainda oferece, mas que a atenção coletiva parece ter esquecido. É o paradoxo do pós-pandemia: quando a urgência some, o risco permanece.
A Covid-19 não desapareceu de Mato Grosso do Sul. Em 2025, dez mortes foram registradas no estado, segundo boletim da Secretaria Estadual de Saúde divulgado em 20 de agosto. O número é modesto diante dos picos da pandemia, mas suficiente para lembrar que o vírus continua encontrando vítimas entre os mais vulneráveis — justamente aqueles que mais precisam de proteção vacinal atualizada.
Idosos acima de 60 anos, gestantes, crianças de seis meses a quatro anos e onze meses, e pessoas com imunidade comprometida integram os grupos prioritários. Para eles, as doses seguem disponíveis nos postos de saúde de todo o estado. Quem nunca se vacinou, mesmo durante o auge da pandemia, também pode buscar imunização agora. O calendário varia: idosos recebem uma dose a cada seis meses; crianças seguem o calendário infantil de rotina; pessoas entre cinco e 59 anos sem nenhuma dose têm direito a uma aplicação inicial.
A gerente de Imunização da Secretaria Estadual de Saúde, Ana Paula Goldfinger, esclareceu que as restrições por faixa etária não indicam preocupação com segurança, mas refletem decisões baseadas no cenário epidemiológico e na quantidade de doses disponíveis. Quem se vacinou fora dos grupos prioritários não precisa se alarmar — a imunização adicional não causa dano, mas reforços também não são necessários para quem não integra os grupos de risco.
Um ponto de opacidade persiste: não há dados públicos detalhados sobre a cobertura vacinal atual em MS. O portal do Ministério da Saúde oferece apenas números gerais, a Secretaria Estadual afirma ter os mesmos dados federais, e a Secretaria Municipal de Campo Grande não respondeu até o fechamento da reportagem. Quem está se vacinando — e em que proporção — permanece uma pergunta sem resposta clara.
A covid-19 segue circulando em Mato Grosso do Sul, ainda que longe dos holofotes que a cercavam nos anos anteriores. Neste ano de 2025, a doença causou dez mortes no estado, segundo boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde no dia 20 de agosto. O número é pequeno comparado aos picos da pandemia, mas suficiente para lembrar que o vírus não desapareceu e continua encontrando vítimas entre os mais vulneráveis.
A atenção pública pode ter arrefecido, mas a proteção não deveria. Grupos específicos — idosos acima de 60 anos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com imunidade comprometida — ainda precisam de vacinação regular para se manter protegidos. As doses estão disponíveis nos postos de saúde de todo o estado, e qualquer pessoa que nunca tenha recebido uma aplicação, mesmo durante o auge da pandemia, pode procurar imunização agora.
A estratégia atual do Ministério da Saúde concentra a vacinação em grupos de risco, uma decisão que vale em todo o país. Crianças de seis meses até quatro anos e onze meses devem seguir o calendário infantil de rotina. Idosos com mais de 60 anos recebem uma dose a cada seis meses. Pessoas entre cinco e 59 anos que nunca foram vacinadas têm direito a uma dose única de cadastro inicial. Além disso, trabalhadores da saúde, pessoas com comorbidades, povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, pessoas em situação de rua, detentos e aqueles vivendo em instituições de longa permanência integram a lista de grupos que podem receber uma ou duas doses conforme avaliação médica.
Ana Paula Goldfinger, gerente de Imunização da Secretaria Estadual de Saúde, explicou que as restrições de faixa etária não refletem preocupações com segurança, mas sim decisões baseadas em quantitativo de doses disponíveis e no cenário epidemiológico atual. Mesmo quem tomou vacinas fora dos grupos de risco não precisa se alarmar — a imunização adicional não causa dano. Para aqueles que já receberam uma ou mais doses durante a pandemia e não integram grupos prioritários, reforços não são necessários.
Um ponto importante: não há dados públicos detalhados sobre a cobertura vacinal atual em Mato Grosso do Sul. A reportagem consultou o portal do Ministério da Saúde e conseguiu acesso apenas a números gerais do estado. A Secretaria Estadual de Saúde afirmou possuir os mesmos dados da pasta federal. A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande não respondeu até o fechamento desta matéria. O cenário de transparência sobre quem está se vacinando e em que proporção permanece nebuloso, deixando em aberto questões sobre a real cobertura de proteção entre os grupos mais vulneráveis.
Citações Notáveis
Quando é reduzida a faixa etária de uma vacina, é por conta de quantitativo ou porque não tem necessidade devido ao cenário epidemiológico atual, não é porque traz malefício— Ana Paula Goldfinger, gerente de Imunização da Secretaria Estadual de Saúde