No eterno ciclo de esperança e decepção que define o futebol brasileiro, o Corinthians encerrou na quinta-feira o ciclo de Ramón Díaz após 59 jogos — um trajeto que começou como resgate e terminou como ruptura. O argentino, que salvou o clube do rebaixamento e conquistou o Paulistão, não resistiu à erosão dos resultados no Brasileirão e à perda da confiança do vestiário, simbolizada pelas críticas públicas de Memphis Depay. Dorival Júnior, homem de títulos e de reconstruções, surge agora como a aposta do clube para reordenar um elenco talentoso que ainda não encontrou sua forma.
Corinthians demite Ramón Díaz e negocia com Dorival Júnior para assumir comando
A defesa sofreu 24 gols em 24 jogos, um desastre estrutural
Por que a diretoria esperou até agora para fazer essa mudança? O Paulistão foi conquistado há menos de um mês.
O Paulistão mascarou problemas que já existiam. As eliminações nas copas continentais e o desempenho ruim no Brasileirão eram sinais de que algo não funcionava taticamente. Mas foi a derrota para o Fluminense e as críticas públicas de Memphis Depay que aceleraram tudo.
Mas precisamos ser precisos: Depay criticou as escolhas táticas, não necessariamente pediu a saída de Díaz. A diretoria interpretou isso como perda de vestiário. Isso é uma leitura, não um fato.
E quanto a Dorival? Por que ele é a escolha certa?
Ele tem experiência em reorganizar elencos sob pressão. Flamengo e São Paulo são exemplos de clubes onde ele entregou títulos. O Corinthians precisa de alguém que saiba lidar com egos e pressão política.
Verdade, mas também é importante notar que Dorival foi demitido da seleção há menos de um mês. Ele chega aqui sem ritmo competitivo recente. E as negociações ainda estão em andamento — não é confirmado.
Qual é o maior problema que Dorival vai herdar?
A defesa. Vinte e quatro gols em vinte e quatro jogos é inaceitável. André Ramalho e Félix Torres estão em má fase. Isso é estrutural, não tático.
Mas também há limitações financeiras. Apenas um reforço foi contratado em 2025. Dorival não pode consertar tudo com criatividade pura. Ele vai precisar de apoio da diretoria.
A torcida vai dar tempo para ele?
Essa é a questão. O Corinthians tem uma torcida exigente que comparece em peso. Mais de 40 mil torcedores por jogo em 2024. Eles querem resultados rápidos, especialmente com o Brasileirão tão aberto.
E há pressão política também. O presidente Augusto Melo enfrenta um indiciamento policial. Isso amplifica a pressão por vitórias imediatas. Não é só futebol.
Le Pouls
- Quatro pontos em quatro rodadas do Brasileirão e uma derrota por 2 a 0 em casa para o Fluminense tornaram insustentável a permanência de Díaz no cargo.
- Memphis Depay expôs publicamente as falhas táticas do treinador após o jogo, e outros jogadores ecoaram o descontentamento — a diretoria leu o sinal: o vestiário estava perdido.
- A defesa corintiana sofreu 24 gols em 24 jogos em 2025, e o time ocupa posição precária tanto no Brasileirão quanto na Copa Sul-Americana, com urgência real de reação.
- Dorival Júnior, livre no mercado após ser demitido da seleção brasileira, negocia em estágio avançado com o Corinthians e deve ser anunciado nas próximas horas.
- O novo técnico herda um calendário implacável — Sport, Bahia e Huracán em sequência — e um clube sob pressão política, com o presidente Augusto Melo enfrentando indiciamento policial.
No eterno ciclo de esperança e decepção que define o futebol brasileiro, o Corinthians encerrou na quinta-feira o ciclo de Ramón Díaz após 59 jogos — um trajeto que começou como resgate e terminou como ruptura. O argentino, que salvou o clube do rebaixamento e conquistou o Paulistão, não resistiu à erosão dos resultados no Brasileirão e à perda da confiança do vestiário, simbolizada pelas críticas públicas de Memphis Depay. Dorival Júnior, homem de títulos e de reconstruções, surge agora como a aposta do clube para reordenar um elenco talentoso que ainda não encontrou sua forma.
Na quinta-feira à noite, o Corinthians anunciou o fim da passagem de Ramón Díaz pelo clube. O argentino deixa o cargo após 59 jogos, com aproveitamento de 59,8% — números que contam uma história de dois tempos: a arrancada salvadora no Brasileirão 2024, com nove vitórias consecutivas que afastaram o rebaixamento, e a conquista do Paulistão em março; depois, a queda abrupta, com eliminações em competições continentais e apenas quatro pontos nos primeiros quatro jogos do Brasileirão 2025.
O estopim foi a derrota por 2 a 0 para o Fluminense na Neo Química Arena, mas o que selou o destino de Díaz foi o que veio depois: Memphis Depay, a grande contratação do clube em 2024, criticou publicamente as escolhas táticas do treinador. Igor Coronado e Talles Magno ecoaram o sentimento. A diretoria, liderada pelo presidente Augusto Melo e pelo diretor Fabinho Soldado, interpretou as declarações como prova de que o comando técnico havia perdido o vestiário. A defesa, que sofreu 24 gols em 24 jogos em 2025, e a falta de criatividade no meio-campo completaram o diagnóstico.
Dorival Júnior, de 62 anos, é o favorito para assumir o posto. Demitido da seleção brasileira em março após derrota por 4 a 1 para a Argentina, o treinador está disponível e mantém conversas avançadas com o clube. Seu currículo inclui a Libertadores e a Copa do Brasil com o Flamengo em 2022, e a Copa do Brasil com o São Paulo em 2023 — experiência em unir elencos estrelados e construir projetos vencedores. A proposta inclui contrato até o final de 2026 e bônus atrelados a metas como a classificação para a Libertadores.
O desafio é imediato e múltiplo: tirar o time da 13ª colocação no Brasileirão, reagir na Copa Sul-Americana — onde o Corinthians soma apenas um ponto em duas rodadas —, e reconquistar a confiança de uma torcida que já vaiou dentro de casa. Tudo isso em um clube que, desde 2019, já passou por uma série de trocas de treinador e que vive instabilidade política com o indiciamento do presidente. Com Depay e Yuri Alberto no elenco, o potencial existe. Transformá-lo em resultado será o verdadeiro teste do próximo comandante.
Na quinta-feira à noite, o Corinthians anunciou o fim da trajetória de Ramón Díaz no comando técnico. O argentino deixa o clube após 59 jogos, encerrando um ciclo que começou em julho de 2024 com a missão de tirar o time da zona de rebaixamento e termina agora, menos de um mês após a conquista do Campeonato Paulista sobre o Palmeiras, em meio a críticas públicas de jogadores e resultados que não sustentam o projeto.
A decisão partiu do presidente Augusto Melo e do diretor executivo de futebol Fabinho Soldado. Os números de Díaz no Corinthians revelam um trabalho que começou bem mas desabou nos últimos meses: 30 vitórias, 16 empates e 13 derrotas em 59 partidas, um aproveitamento de 59,8%. Quando chegou, o time estava em queda livre no Brasileirão 2024. Díaz promoveu uma arrancada impressionante com nove vitórias seguidas no final daquela temporada, garantindo a permanência na elite e uma vaga na Copa Libertadores. Mas as eliminações nas semifinais da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana, ambas em outubro, já sinalizavam problemas táticos. A derrota por 3 a 0 para o Barcelona de Guayaquil na fase preliminar da Libertadores 2025 foi outro golpe. Mesmo assim, o Paulistão em março trouxe alívio temporário. Nos últimos 21 dias, porém, o time disputou seis partidas com apenas uma vitória, um empate e quatro derrotas. No Brasileirão, ocupa a 13ª posição com apenas quatro pontos em quatro rodadas. A derrota por 2 a 0 para o Fluminense na Neo Química Arena foi o estopim.
O que acelerou a demissão foi a deterioração da relação entre Díaz e o elenco. Memphis Depay, a grande contratação do clube em 2024 vindo do Barcelona, fez críticas públicas após o jogo contra o Fluminense, apontando falhas táticas e falta de clareza no esquema de jogo. Outros jogadores como Igor Coronado e Talles Magno ecoaram o sentimento. A diretoria interpretou a entrevista de Depay como um sinal de que o comando técnico havia perdido o vestiário. A defesa é um desastre: sofreu 24 gols em 24 jogos em 2025, sete deles apenas nos quatro primeiros jogos do Brasileirão. André Ramalho, Gustavo Henrique e Félix Torres, que formam a linha defensiva, enfrentam críticas por falhas recorrentes. O meio-campo carece de criatividade para alimentar o ataque, e Depay e Yuri Alberto, apesar do potencial, não conseguem compensar as deficiências táticas.
Dorival Júnior, de 62 anos, é o favorito para assumir o cargo. Demitido da seleção brasileira em 28 de março após uma derrota por 4 a 1 para a Argentina nas Eliminatórias, o treinador está disponível no mercado e já mantém conversas avançadas com a diretoria corintiana. Seu currículo é sólido: conquistou a Libertadores e a Copa do Brasil com o Flamengo em 2022, e a Copa do Brasil com o São Paulo em 2023. No Flamengo, uniu estrelas como Gabigol e Arrascaeta em um projeto vencedor. No São Paulo, mesclou jovens promissores com jogadores experientes. A proposta do Corinthians inclui contrato até o final de 2026, salário competitivo e bônus por metas, como a classificação para a Libertadores de 2026. A diretoria planeja anunciar o novo treinador nas próximas horas.
O novo técnico enfrentará desafios imediatos. Além da 13ª colocação no Brasileirão, o time precisa reagir na Copa Sul-Americana, onde ocupa a terceira posição no grupo com apenas um ponto em duas rodadas, atrás de Huracán e América de Cali. A defesa é prioridade máxima. A falta de reforços significativos em 2025 — apenas o lateral Fabrizio Angileri foi contratado — limita as opções do próximo comandante, que precisará trabalhar com a base atual e criatividade. O calendário é apertado: jogo contra o Sport no sábado na Neo Química Arena, depois Bahia fora de casa pelo Brasileirão, e Huracán na Sul-Americana.
A demissão ocorre em um momento de instabilidade política no clube. O presidente Augusto Melo enfrenta um indiciamento policial por supostas irregularidades administrativas e dificuldades na aprovação de contas no Conselho Deliberativo. A torcida, que lotou as redes sociais pedindo mudança após o Fluminense, vê a troca de treinador como um primeiro passo, mas cobra soluções mais amplas. A Fiel Torcida é conhecida por seu apoio incondicional, mas também é exigente: vaias ecoaram na Neo Química Arena durante o jogo contra o Fluminense. O novo treinador precisará conquistar a confiança desde o primeiro jogo.
O Corinthians tem um histórico recente de mudanças frequentes no comando técnico. Desde 2019, passou por Fabio Carille, Tiago Nunes, Vítor Pereira e António Oliveira. A demissão de Díaz é a terceira troca em menos de dois anos, refletindo instabilidade no projeto esportivo. Dorival Júnior chega como um nome experiente, mas a história recente mostra que o sucesso depende de apoio da diretoria e paciência da torcida. Com nomes como Memphis Depay e Yuri Alberto no elenco, o potencial para uma temporada bem-sucedida existe. A execução, porém, dependerá da capacidade do próximo comandante em unir o grupo e implementar um plano de jogo consistente.
Citations marquantes
Memphis Depay apontou falhas táticas e falta de clareza no esquema de jogo após a derrota para o Fluminense— Relatado pela diretoria como sinal de perda de vestiário