Coreia do Norte testa mísseis submarinos antes de exercícios EUA/Coreia do Sul

Cada lado vê o mesmo movimento através de lentes completamente diferentes
A Coreia do Norte e seus adversários interpretam os mesmos atos militares de formas opostas, refletindo um conflito não resolvido desde a Guerra Fria.
Mark

Por que a Coreia do Norte escolheu testar mísseis exatamente neste momento, dias antes dos exercícios?

Mimi

Porque o timing é a mensagem. Pyongyang estava sinalizando que não seria intimidada pelos preparativos americanos e sul-coreanos. Era uma forma de dizer: vocês estão se movimentando, nós também estamos.

Mark

A agência estatal disse que o teste verificou a "postura operacional" das armas nucleares. O que isso significa na prática?

Mimi

Significa que testaram se os mísseis submarinos funcionam, se conseguem ser lançados do fundo do oceano, se atingem os alvos. É uma validação técnica, mas também uma validação política — prova que têm a capacidade que dizem ter.

Mark

Kim Yo Jong mencionou que os EUA fazem testes no Pacífico. Qual é a diferença?

Mimi

A diferença, segundo Pyongyang, é que os EUA fazem isso em seu próprio "pátio", com poder estabelecido. Quando a Coreia do Norte testa, é visto como provocação. É uma questão de quem tem legitimidade aos olhos da comunidade internacional.

Mark

Os exercícios foram chamados de "defensivos". Mas para quem é defensivo e para quem é agressivo?

Mimi

Depende de onde você está. Para Washington e Seul, é defesa contra uma ameaça. Para Pyongyang, é uma preparação para ataque. Cada lado vê o mesmo movimento através de lentes completamente diferentes.

Mark

Qual é o risco real aqui?

Mimi

O risco é que cada ação provoca uma reação, e ninguém sabe onde termina. Um teste leva a um exercício, que leva a uma ameaça, que leva a outro teste. A Península Coreana é um sistema onde um movimento falso pode desencadear algo que ninguém consegue controlar.

  • A Coreia do Norte lançou dois mísseis submarinos no domingo, dias antes de exercícios militares dos EUA e Coreia do Sul — o timing era uma declaração, não uma coincidência.
  • Pyongyang afirmou que os testes verificaram sua capacidade nuclear operacional e prometeu responder com 'esmagadoras forças poderosas' a qualquer ação dos aliados.
  • Os exercícios 'Escudo da Liberdade', os maiores em cinco anos, começaram na segunda-feira com 11 dias de simulações táticas de cenários reais de confrontação.
  • Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano, já havia advertido Washington e Seul a se absterem de 'comportamentos que agravem a situação', misturando provocação com ultimato.
  • A tensão se acumula sobre um conflito congelado desde a Guerra Fria, onde cada movimento militar de um lado alimenta a escalada do outro, sem saída diplomática à vista.

Às vésperas dos maiores exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul em cinco anos, Pyongyang lançou dois mísseis de submarino nas águas da costa leste da Península Coreana — um gesto que não era acidente, mas linguagem. O regime de Kim Jong-un afirmou ter verificado sua 'postura operacional nuclear', enquanto ameaçava responder com forças avassaladoras a qualquer provocação. Neste canto do mundo, onde a Guerra Fria nunca terminou de verdade, cada manobra militar é também uma mensagem, e cada mensagem carrega o peso de décadas de divisão não resolvida.

No domingo 12 de março, a Coreia do Norte anunciou o lançamento de dois mísseis submarinos na costa leste da Península Coreana. O momento era calculado: dias depois, Estados Unidos e Coreia do Sul iniciariam o 'Escudo da Liberdade', seus maiores exercícios militares conjuntos em cinco anos, com duração de 11 dias.

A agência estatal KCNA afirmou que os testes verificaram a 'postura operacional dos meios de dissuasão nuclear' do país e serviram para demonstrar que Pyongyang responderia com 'esmagadoras forças poderosas' aos aliados. A linguagem era deliberada — uma advertência embalada em jargão militar.

A retórica já vinha escalando. Em fevereiro, o regime havia ameaçado explicitamente os dois países caso prosseguissem com os exercícios. Em março, Kim Yo Jong — irmã de Kim Jong-un e figura central do poder — questionou como os EUA reagiriam se terceiros tentassem interceptar seus próprios testes de armas no Pacífico, e aconselhou Washington e Seul a evitarem 'comportamentos que agravem a situação'.

O pano de fundo é um conflito que nunca foi formalmente encerrado. A divisão da Península Coreana permanece congelada desde a Guerra Fria, e cada manobra militar de um lado provoca resposta do outro. Com o presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol discutindo exercícios com ativos nucleares junto aos americanos, Pyongyang encontrou mais um motivo para demonstrar que suas capacidades submarinas existem — e que está disposta a usá-las como argumento.

No domingo 12 de março, a Coreia do Norte anunciou o lançamento bem-sucedido de dois mísseis submarinos nas águas da costa leste da Península Coreana. O timing não era casual. Os testes ocorreram poucos dias antes de Estados Unidos e Coreia do Sul iniciarem seus maiores exercícios militares conjuntos em cinco anos — uma operação de 11 dias batizada de "Escudo da Liberdade", que começaria na segunda-feira seguinte.

Segundo a agência estatal KCNA, o lançamento permitiu que Pyongyang verificasse "a atual postura operacional dos meios de dissuasão nuclear em diferentes espaços". A linguagem era deliberada. Os testes, afirmou a agência, tinham como objetivo medir a capacidade ofensiva das unidades submarinas do país e demonstrar que a Coreia do Norte responderia com "esmagadoras forças poderosas" aos "norte-americanos imperialistas e suas forças fantoches sul-coreanas". A KCNA acrescentou que as intenções dos dois países "ficam cada vez menos disfarçadas".

Os exercícios conjuntos anunciados em 2 de março carregavam sua própria mensagem simbólica. O termo "liberdade" referia-se à "forte vontade de proteger como um valor imutável" a aliança entre Seul e Washington. "Escudo" simbolizava a "natureza defensiva do exército". Durante os 11 dias de treinamento, as tropas dos dois países simulariam cenários da vida real — um ensaio tácito para uma possível confrontação.

Esta não era a primeira vez que Pyongyang respondia aos preparativos militares ocidentais com demonstrações de força. Em 17 de fevereiro, o governo de Kim Jong-un havia ameaçado explicitamente os Estados Unidos e a Coreia do Sul caso continuassem com os exercícios conjuntos. Semanas depois, em 7 de março, Kim Yo Jong — vice-diretora do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores e irmã do líder — divulgou um comunicado que misturava provocação com advertência. Ela observou como era "muito interessante" que os EUA realizassem lançamentos-teste de armas estratégicas no Pacífico todos os anos "como se o oceano fosse seu pátio", e questionou como responderiam se um terceiro país tentasse interceptá-los.

Kim Yo Jong deixou claro que a Coreia do Norte "está sempre preparada para adotar ação apropriada, rápida e avassaladora". Seu conselho aos americanos e sul-coreanos era direto: era "melhor se absterem de fazer comentários e ter comportamentos que agravem a situação". A retórica escalava enquanto as tropas se posicionavam.

O pano de fundo desta tensão é um conflito não resolvido desde a Guerra Fria. A divisão da Península Coreana permanecia congelada há décadas, e cada movimento militar de um lado provocava uma resposta do outro. Em janeiro de 2023, o presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol havia anunciado que seu país discutia com Washington a possibilidade de realizar exercícios conjuntos com ativos nucleares — uma escalada que Pyongyang não deixaria passar sem resposta.

Os testes de mísseis submarinos da Coreia do Norte funcionavam como um lembrete: o regime possuía capacidades que não podia ignorar, e estava disposto a demonstrá-las. Enquanto os exercícios "Escudo da Liberdade" se desenrolavam, a Península Coreana permanecia um dos pontos mais tensos do planeta, onde a retórica de ambos os lados refletia uma realidade militar que nenhum comunicado diplomático conseguia suavizar.

É muito interessante ver como os EUA, cujas Forças frequentemente realizam lançamentos-teste de armas estratégicas no Pacífico todos os anos, como se o oceano fosse seu pátio, responderão se um terceiro país tentar interceptá-los
— Kim Yo Jong, vice-diretora do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte
A Coreia do Norte está sempre preparada para adotar ação apropriada, rápida e avassaladora
— Kim Yo Jong
Contact Us FAQ