Coreia do Norte posiciona mísseis balísticos na Rússia para ataques à Ucrânia

Míssil norte-coreano destruiu residência na Ucrânia matando pelo menos cinco membros da mesma família; ataques com mísseis KN-23/24 associados a elevado número de vítimas civis.
Defesa contra mísseis balísticos é a maior vulnerabilidade ucraniana
Pesquisador do Foreign Policy Research Institute sobre o impacto da implantação norte-coreana nas defesas ucranianas.
Mark

Por que a Coreia do Norte estaria enviando uma unidade inteira de mísseis em vez de apenas continuar fornecendo armas à Rússia?

Mimi

Há uma diferença entre vender armas e colocar seus próprios militares no campo. Isso sugere que Pyongyang quer garantir que seus mísseis sejam usados corretamente, ou talvez que a Rússia não tenha pessoal suficiente treinado para operá-los.

Mark

Os mísseis norte-coreanos são piores do que os russos, então por que a Rússia os quer?

Mimi

Porque a Ucrânia não consegue derrubá-los. Os sistemas de defesa aérea que funcionam contra o Iskander russo não funcionam tão bem contra os KN-23 e KN-24. É uma questão de explorar uma brecha nas defesas do inimigo.

Mark

Qual é o risco real para os civis ucranianos?

Mimi

Esses mísseis são menos precisos, então quando atingem, causam mais danos indiscriminados. Uma casa inteira foi destruída na semana passada, matando cinco pessoas de uma família. Isso vai se repetir, provavelmente com mais frequência.

Mark

A Coreia do Norte está realmente comprometida com essa guerra, ou é apenas uma transação?

Mimi

O pacto de defesa mútua de 2024 sugere comprometimento real. Não é só dinheiro. Pyongyang está investindo soldados, mísseis, e agora pessoal operacional. Isso é uma aliança, não um negócio.

Mark

O que muda quando chegar o inverno?

Mimi

A Rússia sempre ataca a rede elétrica no inverno para deixar a Ucrânia no frio e no escuro. Agora terá mais mísseis para fazer isso, e a Ucrânia terá menos capacidade de defendê-los. É uma combinação perigosa.

  • Uma unidade norte-coreana com 120 mísseis balísticos e seis lançadores foi detectada integrada à 112ª Brigada de Mísseis russa em Voronezh, pronta para atacar a Ucrânia.
  • Os mísseis KN-23 e KN-24 são mais potentes que os russos Iskander, mas muito menos precisos — e já mataram pelo menos cinco membros de uma mesma família em uma única residência ucraniana.
  • A defesa aérea ucraniana contra mísseis balísticos é apontada por especialistas como sua maior vulnerabilidade, e o aumento desse arsenal torna a equação ainda mais desfavorável.
  • Com o inverno se aproximando, a Rússia pode retomar ataques massivos à rede elétrica ucraniana, agora com um arsenal ampliado de mísseis de difícil interceptação.
  • A aliança Moscou-Pyongyang, formalizada em pacto de defesa mútua em 2024, aprofunda-se: Zelenskiy afirma que o Kremlin já pede mais 30 mil soldados norte-coreanos adicionais.

No coração da Europa em guerra, uma aliança que muitos julgavam periférica revela sua profundidade: a Coreia do Norte posicionou cerca de 90 militares e 120 mísseis balísticos na região russa de Voronezh, prontos para serem disparados contra a Ucrânia. O que começou como fornecimento de munição tornou-se uma parceria operacional plena, com Moscou e Pyongyang compartilhando não apenas armas, mas soldados e estratégia. Para a Ucrânia, que já enfrenta lacunas críticas em sua defesa aérea, o inverno que se aproxima carrega uma ameaça nova e mais difícil de interceptar.

A inteligência militar ucraniana identificou o posicionamento de uma unidade norte-coreana na região de Voronezh, no oeste da Rússia, equipada com cerca de 120 mísseis balísticos e seis lançadores. Segundo Andrii Cherniak, da Direção Principal de Inteligência da Ucrânia, aproximadamente 90 militares norte-coreanos foram integrados à 112ª Brigada de Mísseis russa. Os Estados Unidos têm conhecimento da mobilização, mas a CIA e a Casa Branca se recusaram a comentar.

Essa implantação marca uma mudança qualitativa na cooperação entre Moscou e Pyongyang. Desde 2022, a Coreia do Norte já havia fornecido milhões de projéteis de artilharia e enviado cerca de 14 mil soldados para Kursk. Agora, o envio de uma unidade de mísseis operacional — com um lote inicial de 40 mísseis KN-23 e KN-24 já despachado — sinaliza um aprofundamento sem precedentes dessa parceria, formalizada em pacto de defesa mútua em 2024.

Os mísseis norte-coreanos preocupam por razões específicas: têm maior alcance e carga útil que o Iskander russo, mas são significativamente menos precisos, resultando em elevado número de vítimas civis. Na semana anterior ao relato, um desses mísseis destruiu uma residência na vila de Radushne, matando pelo menos cinco membros de uma mesma família.

Rob Lee, do Foreign Policy Research Institute, alertou que a defesa contra mísseis balísticos é a maior vulnerabilidade ucraniana, e qualquer aumento nesse arsenal representa um desafio crescente. O cenário mais temido é o do inverno próximo, quando a Rússia poderá retomar ataques intensos à rede elétrica ucraniana — agora com um arsenal ampliado e de difícil interceptação. O presidente Zelenskiy afirmou que o Kremlin já solicita o envio de mais 30 mil soldados norte-coreanos, com preparativos em andamento em Voronezh para recebê-los.

A inteligência militar ucraniana detectou o posicionamento de uma unidade norte-coreana no oeste da Rússia, equipada com aproximadamente 120 mísseis balísticos e seis lançadores, prontos para ataques contra a Ucrânia. Segundo Andrii Cherniak, da Direção Principal de Inteligência da Ucrânia, cerca de 90 militares norte-coreanos foram designados para se estabelecer na região de Voronezh, integrados à 112ª Brigada de Mísseis russa. Os Estados Unidos têm conhecimento dessa mobilização, embora a CIA e a Casa Branca tenham se recusado a comentar sobre o assunto.

Esta implantação representa uma escalada significativa na cooperação militar entre Moscou e Pyongyang, que já se intensificou desde a invasão russa de 2022. A Coreia do Norte já havia fornecido milhões de projéteis de artilharia e enviado aproximadamente 14 mil soldados para a região de Kursk em 2024. Agora, o envio de uma unidade de mísseis operacional marca uma mudança qualitativa nessa parceria. Cherniak informou que Pyongyang já despachara um lote inicial de 40 mísseis KN-23 e KN-24, com negociações de alto nível previstas para o próximo mês a fim de definir a configuração final do envio e o número total de armas.

Os mísseis norte-coreanos representam uma ameaça particular porque exploram uma vulnerabilidade crítica das defesas ucranianas. Enquanto os KN-23 e KN-24 possuem maior alcance e carga útil do que o equivalente russo Iskander, são significativamente menos precisos e causam um número elevado de vítimas civis. A Rússia começou a disparar esses mísseis contra a Ucrânia no final de 2023, tendo recebido 150 unidades entre então e agosto de 2025. Na semana anterior ao relato, um míssil norte-coreano destruiu uma residência na vila de Radushne, no centro da Ucrânia, matando pelo menos cinco membros de uma mesma família.

A Ucrânia enfrenta uma lacuna crítica em seus sistemas de defesa aérea de ponta. Rob Lee, pesquisador sênior do Foreign Policy Research Institute, alertou que a defesa contra mísseis balísticos é uma das maiores vulnerabilidades do país, e qualquer aumento na quantidade dessas armas representará um desafio ainda maior. Particularmente preocupante é o cenário do inverno próximo, quando a Rússia poderá retomar ataques intensos contra a rede elétrica, como ocorreu em anos anteriores, agora com um arsenal ampliado de mísseis balísticos de difícil interceptação.

A aliança entre Rússia e Coreia do Norte se aprofundou desde 2022. Os dois países assinaram um pacto de defesa mútua em 2024, formalizando uma parceria que transcende o fornecimento de armamentos. Cherniak indicou que havia aproximadamente 9.500 soldados norte-coreanos na região de Kursk no momento do relato, embora não estivessem diretamente envolvidos em operações militares contra a Ucrânia. O presidente Zelenskiy afirmou no mês anterior que o Kremlin solicitava o envio de mais 30 mil soldados norte-coreanos, com preparativos russos já em andamento na região de Voronezh para recebê-los.

Cherniak baseou suas afirmações em informações de inteligência que não podiam ser divulgadas devido à sua natureza sensível. O Ministério da Defesa russo e a embaixada da Coreia do Norte na Organização das Nações Unidas não responderam aos pedidos de comentário. O relato coincide com o fato de a Rússia ter disparado seus dois primeiros mísseis norte-coreanos contra a Ucrânia desde agosto do ano anterior na semana anterior ao anúncio, sugerindo que a implantação operacional já estava em estágio avançado de execução.

A defesa contra mísseis balísticos é uma das maiores vulnerabilidades da Ucrânia; portanto, qualquer aumento na quantidade de mísseis balísticos que o país enfrenta representará um desafio ainda maior.
— Rob Lee, pesquisador sênior do Foreign Policy Research Institute
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