Consumo de energia elétrica cresce 8% em fevereiro, puxado por residências

Sem o calendário bissexto, os números teriam se alinhado com janeiro
O crescimento de 8% em fevereiro foi parcialmente inflado pelo mês ter 29 dias, reduzindo a demanda subjacente.
Mark

Então o crescimento de 8% é real ou é só porque fevereiro teve um dia a mais?

Mimi

Os dois. O crescimento de 8% é o número que de fato aconteceu — as pessoas consumiram essa energia. Mas sim, parte dele vem do calendário. Se você tira o efeito do dia 29, cai para algo perto de 4,3%.

Luke

E como a EPE faz essa conta? Eles dividem o consumo por 29 e multiplicam por 28?

Mimi

Não está claro no relatório. Eles só dizem que "expurgando o efeito" as taxas seriam 3,7 pontos menores. É uma estimativa deles.

Mark

Mas o que realmente importa é que as casas consumiram muito mais. Por quê?

Mimi

Ondas de calor. Ar-condicionado ligado o tempo todo. Fevereiro foi quente demais.

Luke

Eles têm dados de temperatura? Ou é só a EPE dizendo que fez calor?

Mimi

O relatório menciona "temperaturas acima da média" mas não dá números específicos de graus.

Mark

E a indústria? 6,5% é muito ou pouco?

Mimi

Depende do contexto. Os setores eletrointensivos cresceram 10,5%, o que é bastante. Mas isso foi puxado por exportações — minério de ferro, alumínio. Não é demanda interna forte.

Luke

Então se as exportações caírem, esse crescimento desaparece?

Mimi

Provavelmente. É uma demanda externa, não brasileira.

Mark

E o que esperar para os próximos meses?

Mimi

Sem ondas de calor e sem o efeito do calendário, o crescimento deve normalizar. Provavelmente algo perto de 3% ou 4%.

Luke

Mas ninguém sabe se vai ter mais calor ou não. Isso é especulação.

Mimi

Verdade. Temos só os dados de fevereiro.

  • O consumo elétrico brasileiro saltou 8% em fevereiro, marcando o quinto maior crescimento mensal desde 2004 — um sinal de aquecimento tanto climático quanto econômico.
  • As ondas de calor do início do ano forçaram residências a consumir 11,1% mais energia, com ar-condicionado e ventiladores trabalhando no limite em todo o país.
  • A indústria eletrointensiva — metalurgia, alimentos e mineração — cresceu 10,5% em média, impulsionada por exportações robustas e demanda interna aquecida.
  • A região Norte surpreendeu com o maior crescimento percentual do país: 13,2%, embora seu volume absoluto ainda seja o menor entre todas as regiões.
  • Analistas alertam que, descontado o efeito do ano bissexto, o crescimento real seria 3,7 pontos percentuais menor — revelando uma demanda subjacente mais contida do que os títulos sugerem.

Em fevereiro de 2024, o Brasil registrou um dos maiores saltos mensais de consumo elétrico de sua história recente, com 46.314 GWh consumidos no Sistema Interligado Nacional — 8% a mais do que no mesmo mês do ano anterior. O calor intenso que varreu o país empurrou as famílias para o ar-condicionado, enquanto a indústria exportadora encontrou fôlego nos mercados externos. Mas por trás do número expressivo há uma ressalva silenciosa: parte desse crescimento foi emprestada pelo calendário, já que 2024 foi ano bissexto, e sem esse dia extra a expansão seria consideravelmente mais modesta.

Em fevereiro de 2024, o Brasil consumiu 46.314 GWh de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional, um crescimento de 8% em relação ao mesmo mês de 2023 e o quinto maior aumento mensal registrado pela Empresa de Pesquisa Energética desde 2004. Nos doze meses acumulados até fevereiro, o consumo total chegou a 538.384 GWh, alta de 5,4%.

O principal motor do crescimento foi o setor residencial, que avançou 11,1%, atingindo 15.202 GWh. As ondas de calor que varreram o país no início do ano levaram as famílias a usar mais ar-condicionado, geladeiras e ventiladores. O fato de fevereiro ter tido 29 dias — por ser ano bissexto — também ampliou naturalmente o período de consumo, embora o crescimento residencial permanecesse robusto mesmo descontado esse efeito.

A indústria cresceu 6,5%, chegando a 15.546 GWh, com os setores eletrointensivos expandindo 10,5% em média. A metalurgia liderou, puxada pelo alumínio primário e pela siderurgia. A fabricação de alimentos cresceu 6,3%, beneficiada por exportações e consumo interno. A extração de minerais metálicos registrou alta de 10,2%, impulsionada pelas vendas externas de minério de ferro. O setor comercial também avançou 8,8%, reflexo das temperaturas elevadas e do bom desempenho de comércio e serviços.

Por regiões, o Norte surpreendeu com crescimento de 13,2%, o maior percentual do país, enquanto Sudeste e Centro-Oeste consumiram 26.084 GWh, alta de 8,0%. Sul e Nordeste cresceram 6,1% e 7,6%, respectivamente.

Há, porém, uma ressalva importante: sem o efeito do dia extra do ano bissexto, as taxas de crescimento cairiam em média 3,7 pontos percentuais. O consumo industrial teria crescido apenas 2,8%, e a região Norte teria registrado contração. Os números de fevereiro, portanto, refletem uma demanda subjacente mais moderada do que o pico de 8% sugere à primeira vista.

Em fevereiro de 2024, o Brasil consumiu 46.314 gigawatts-hora de energia no Sistema Interligado Nacional — um salto de 8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse crescimento marcou o quinto maior aumento mensal registrado pela Empresa de Pesquisa Energética desde que começou a acompanhar esses dados em 2004. Nos últimos doze meses até fevereiro, o consumo acumulado chegou a 538.384 GWh, uma alta de 5,4% comparada ao período anterior.

O motor desse crescimento foi o setor residencial. Com as ondas de calor que varreram o país no início do ano, as famílias ligaram mais ar-condicionado, geladeiras e ventiladores. O consumo residencial avançou 11,1%, atingindo 15.202 GWh. Fevereiro de 2024 também teve um fator técnico a seu favor: foi um ano bissexto, com 29 dias em vez de 28, o que naturalmente ampliou o período de consumo. Mas mesmo descontando esse efeito do calendário, o crescimento residencial permanecia robusto.

A indústria também contribuiu para o aumento geral. O consumo industrial cresceu 6,5%, chegando a 15.546 GWh. Os setores eletrointensivos — aqueles que dependem de grandes volumes de energia — tiveram desempenho ainda melhor, com expansão média de 10,5%. Dentro desse grupo, a metalurgia liderou com alta de 5,9%, puxada principalmente pela cadeia do alumínio primário e pela produção siderúrgica. A fabricação de produtos alimentícios cresceu 6,3%, beneficiada tanto pelo aumento no consumo das famílias quanto pelas exportações. A extração de minerais metálicos registrou o maior crescimento entre os setores eletrointensivos: 10,2%, impulsionado pelas vendas externas de minério de ferro.

O comércio também sentiu o efeito do calor. A classe comercial registrou crescimento de 8,8%, alcançando 8.895 GWh. Esse aumento refletiu não apenas as temperaturas acima da média — que exigem mais refrigeração — mas também o bom desempenho geral do setor de comércio e serviços e a adição de novos consumidores comerciais à rede. Outros segmentos da economia aumentaram seu consumo em 3,5%, chegando a 6.670 GWh.

Por regiões, o quadro foi desigual. O Sudeste e Centro-Oeste, que concentram a maior parte da população e da atividade econômica, consumiram 26.084 GWh, uma alta de 8,0%. O Sul registrou 9.152 GWh, crescimento de 6,1%. O Nordeste avançou 7,6%, com consumo de 7.018 GWh. O Norte, a região menos populosa, teve o maior crescimento percentual: 13,2%, embora em volume absoluto tenha consumido apenas 3.809 GWh.

Mas há um detalhe importante que recoloca a história em perspectiva. Se os analistas removessem o efeito do fevereiro com 29 dias — aquele dia extra que naturalmente amplia o consumo — as taxas de crescimento cairiam em média 3,7 pontos porcentuais. Isso significa que o consumo industrial teria crescido apenas 2,8% em vez de 6,5%. A região Norte teria contraído em vez de expandido. As demais regiões teriam crescido menos. Em outras palavras, sem o calendário bissexto, os números de fevereiro teriam se alinhado mais próximos aos de janeiro de 2024, sugerindo uma demanda subjacente mais moderada do que o pico de 8% deixa transparecer.

Esse foi o quinto maior crescimento do consumo em um mês na série histórica do órgão, desde 2004
— Empresa de Pesquisa Energética (EPE)
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