Conselho de Odontologia cassa registro de dentista acusado de estuprar oito pacientes

Oito mulheres foram vítimas de estupro cometido pelo dentista durante consultas em seu consultório, com pelo menos uma condenação judicial confirmada em 2024.
Sete mulheres procuraram a polícia após a primeira denúncia
O padrão de abuso sexual no consultório só se tornou visível quando a primeira vítima denunciou e outras encontraram coragem para fazer o mesmo.
Mark

Por que levou tanto tempo para que outras mulheres se sentissem seguras o suficiente para denunciar?

Mimi

Porque estupro é um crime que carrega vergonha e medo. A primeira vítima precisou reunir coragem para ir à polícia. Só depois que ela o fez, que outras sete encontraram força para fazer o mesmo. Isso é comum em casos de abuso sexual — o silêncio é a arma do agressor.

Mark

O DNA foi decisivo?

Mimi

Completamente. Sem ele, seria palavra contra palavra. Mas o Instituto Médico Legal encontrou espermatozoides, fez o exame, e o resultado apontou para Najjar. Isso transformou uma acusação em prova. Por isso ele foi condenado em 2024.

Mark

A cassação do registro é suficiente?

Mimi

É o que a lei permite fazer. Ele não pode mais trabalhar como dentista. Mas há outras questões — penas criminais, indenizações às vítimas, o trauma que elas carregam. A cassação é apenas uma parte da resposta.

Mark

Como um consultório se torna um lugar de predação?

Mimi

Quando há poder desigual e falta de supervisão. O dentista está em posição de autoridade. O paciente está vulnerável, muitas vezes deitado, dependente. Se o homem não tem ética, ele explora isso. Ninguém estava olhando.

Mark

O que muda agora?

Mimi

Formalmente, ele sai de circulação. Mas o sistema que permitiu que ele agisse por tanto tempo continua. Outras mulheres podem ter sido vítimas e não denunciado. Outras profissões podem ter predadores ainda em atividade.

  • Provas de DNA e laudos do IML confirmaram o abuso sexual de uma vítima, levando à condenação judicial de Najjar em 2024.
  • Após a primeira denúncia, sete outras mulheres procuraram a polícia, revelando um padrão sistemático de predação dentro do consultório.
  • O conselho regional agiu com unanimidade, reconhecendo a gravidade excepcional das infrações éticas e a ruptura irreversível da confiança profissional.
  • A cassação impede Najjar de exercer a odontologia, mas ainda aguarda confirmação formal do Conselho Federal — etapa considerada uma formalidade.
  • A defesa não respondeu aos questionamentos, e o silêncio ressoa diante do peso das evidências acumuladas.

Em agosto de 2026, o Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal cassou por unanimidade o registro do dentista Gustavo Najjar, acusado de estuprar oito pacientes em seu próprio consultório. A decisão, fundamentada na destruição irreparável da confiança entre profissional e paciente, encerra formalmente uma carreira marcada por crimes que a ciência forense já havia confirmado em pelo menos um caso. É um desfecho que a justiça alcançou — mas que chegou depois de oito mulheres terem sido violentadas no lugar onde buscavam cuidado.

No início de agosto, o Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal cassou por unanimidade o registro profissional do dentista Gustavo Chiovatto Najjar, acusado de estuprar pelo menos oito pacientes em seu consultório. A decisão reconheceu a "excepcional gravidade das infrações éticas" e concluiu que a perda do direito de exercer a profissão era resposta proporcional aos crimes cometidos.

Um dos casos já resultou em condenação judicial em 2024. A vítima conheceu Najjar pelas redes sociais, marcou uma consulta estética e foi violentada durante o atendimento. O IML encontrou lesões compatíveis com abuso sexual, e um exame de DNA confirmou a presença do material genético do dentista. A condenação foi consequência direta dessas provas.

Após essa primeira denúncia, outras sete mulheres procuraram a Polícia Civil — um número que aponta para algo sistemático, não circunstancial. Cada uma entrou no consultório em busca de cuidado e saiu tendo sido violentada.

A cassação encerra formalmente a carreira de Najjar, embora ainda precise de confirmação pelo Conselho Federal de Odontologia, etapa tida como formalidade. O que permanece, além da decisão correta, é a pergunta incômoda: como oito mulheres precisaram ser violentadas antes que os mecanismos de justiça agissem com força suficiente para afastá-lo.

O Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal tomou uma decisão unânime no início de agosto: cassar o registro profissional do cirurgião-dentista Gustavo Chiovatto Najjar. A medida encerra, pelo menos formalmente, a carreira de um homem acusado de estuprar pelo menos oito pacientes em seu consultório. Uma dessas acusações já resultou em condenação judicial em 2024, com provas forenses que não deixam margem para dúvida.

Os conselheiros foram diretos em sua fundamentação. Najjar violou deveres fundamentais que sustentam a profissão: respeito, dignidade, boa-fé, lealdade, probidade e proteção de quem procura atendimento. Mais que isso, sua conduta destruiu algo que não se reconstrói facilmente — a confiança entre dentista e paciente. O documento que formalizou a cassação reconheceu a "excepcional gravidade das infrações éticas" e considerou a perda do direito de exercer a profissão uma resposta adequada e proporcional aos crimes cometidos.

A história de uma das vítimas ilustra o padrão que emergiu. A mulher conheceu Najjar pelas redes sociais e marcou uma consulta para avaliar um procedimento estético. Durante o atendimento, ele começou a fazer perguntas sobre seu corpo. Depois, a violentou sexualmente. Ela procurou a polícia. O Instituto Médico Legal encontrou lesões compatíveis com abuso sexual. Espermatozoides foram coletados e analisados. Um exame de DNA confirmou que o material genético encontrado era compatível com o de Najjar. A condenação veio em 2024.

Mas Najjar não era um predador ocasional. Após a primeira denúncia, sete outras mulheres procuraram a Polícia Civil. Sete. O número sugere algo sistemático — um homem que usava seu consultório como espaço de predação, que aproveitava a vulnerabilidade de pacientes em uma situação de confiança para cometer crimes. Cada uma dessas mulheres entrou em um consultório esperando receber cuidados odontológicos e saiu tendo sido violentada.

A cassação do registro é definitiva em seu efeito prático: Najjar não pode mais trabalhar como dentista. Mas a decisão ainda precisa passar por uma confirmação formal do Conselho Federal de Odontologia, um passo que se espera seja uma formalidade. A defesa de Najjar foi procurada pela reportagem, mas não respondeu. O espaço para sua manifestação permanece aberto, embora a unanimidade da decisão regional e o peso das provas forenses deixem pouco espaço para argumentação.

O que fica é a questão de como um homem acusado de crimes tão graves conseguiu continuar atendendo pacientes por tanto tempo. Como oito mulheres precisaram ser violentadas antes que a máquina de justiça se movesse com força suficiente para tirá-lo de circulação. A cassação é o desfecho certo, mas também é um desfecho que chegou tarde demais para evitar o sofrimento de sete mulheres que vieram depois da primeira.

A conduta violou deveres de respeito, dignidade, boa-fé, lealdade, probidade e proteção da pessoa atendida
— Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal
Diante da excepcional gravidade das infrações éticas reconhecidas, a cassação do exercício profissional foi considerada uma medida adequada e proporcional
— Documento da decisão do Conselho
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