Colunistas do GLOBO avaliam debate presidencial: Caiado lidera com nota 2

Jogando sozinho com o gol escancarado, chutou para fora
Avaliação de Thomas Traumann sobre o desempenho de Ronaldo Caiado no debate presidencial.
Mark

Por que Caiado, sendo o único com experiência de governo, não conseguiu se destacar?

Mimi

Porque experiência administrativa não é a mesma coisa que presença de palco. Ele concentrou as falas em temas técnicos — segurança, educação — e criticou os ausentes, mas não criou um momento memorável. Quando você está sozinho com o gol aberto, precisa chutar para dentro.

Mark

E Renan Santos, que saiu com as piores notas, por que ganhou mais repercussão nas redes?

Mimi

Porque agressividade gera cliques. Ele provocou, xingou, disse coisas que as pessoas queriam compartilhar — para criticar ou para apoiar. Mas isso não é o mesmo que convencer. Ele explicitou seu nicho, não o expandiu.

Mark

Augusto Cury parecia estar em outro debate, não?

Mimi

Ele estava. Trouxe um repertório de pacificação e autoajuda para um encontro que virou ringue. Ameaçou não ir, voltou atrás, e quando chegou lá, parecia um amador. Mas curiosamente, alguns colunistas acharam que ele se diferenciou justamente por não entrar na onda de agressividade.

Mark

O que as ausências de Lula e Flávio mudaram no debate?

Mimi

Tudo e nada. Abriram espaço para os três candidatos menores ganharem visibilidade, mas nenhum deles soube usar. Era uma chance de ouro — e todos chutaram para fora.

Mark

Qual foi o momento mais marcante?

Mimi

Gilberto Kassab dormindo enquanto Caiado falava. Resumiu tudo: nem o vice conseguiu ficar acordado.

  • Com os favoritos ausentes, o debate deveria ter sido uma janela rara de visibilidade — mas nenhum dos três candidatos soube atravessá-la com convicção.
  • Caiado liderou as notas com média 2, mas foi descrito como apagado e incapaz de capitalizar sua única vantagem real: ser o único com experiência política no palco.
  • Renan Santos apostou na agressividade e em frases para viralizar, conquistando repercussão nas redes, mas expondo um nicho estreito e uma postura que colunistas classificaram como imatura e misógina.
  • Augusto Cury trouxe um repertório de autoajuda e pacificação que soou como bálsamo diante da agressividade do adversário, mas pareceu amador e prolixo demais para a dinâmica do debate.
  • O placar final — Caiado (2,0), Cury (1,9), Renan Santos (1,6) — menos do que uma classificação, funciona como retrato coletivo de uma oportunidade política que permaneceu, em grande medida, em aberto.

No primeiro debate presidencial de 2026, transmitido pela Band, três candidatos — Caiado, Renan Santos e Augusto Cury — dividiram um palco esvaziado pelas ausências de Lula e Flávio Bolsonaro. A ocasião, rara e potencialmente decisiva para quem busca visibilidade, revelou menos sobre as propostas dos presentes do que sobre a dificuldade de se fazer ouvir num cenário político ainda dominado por quem preferiu não aparecer. Os colunistas do GLOBO, ao avaliarem o encontro, encontraram em cada candidato não uma promessa cumprida, mas uma oportunidade desperdiçada.

O primeiro debate presidencial de 2026 aconteceu na Band com apenas três candidatos: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). As ausências de Lula e Flávio Bolsonaro foram marcantes, e os oito colunistas do GLOBO que avaliaram o encontro foram unânimes em apontar que nenhum dos presentes soube aproveitar a abertura.

Caiado saiu na frente com média 2 em escala de 1 a 5, mas a liderança veio acompanhada de críticas duras. Colunistas apontaram que o governador de Goiás não conseguiu capitalizar o fato de ser o único com experiência política real no palco. A imagem de seu vice, Kassab, dormindo enquanto ele falava, tornou-se símbolo da falta de impacto. Thomas Traumann resumiu com crueldade: jogando sozinho com o gol escancarado, chutou para fora.

Renan Santos ficou em último com nota 1,6, mas foi o que mais gerou repercussão nas redes. Apostou na agressividade e em frases desenhadas para viralizar, tentando ocupar o papel de provocador antissistema. Os colunistas, porém, foram severos: falas misóginas, gestos histriônicos e um episódio em que declarou não querer o voto de parte do eleitorado de Lula revelaram, segundo Vera Magalhães, falta de maturidade para disputar uma eleição presidencial.

Augusto Cury terminou em segundo com nota 1,9. O psiquiatra e palestrante chegou a ameaçar não participar do debate em protesto pelas ausências, mas voltou atrás. No palco, seu repertório de autoajuda e pacificação soou como alívio diante da agressividade de Santos, mas também como deslocamento — prolixo e professoral demais para a dinâmica do encontro. Fábio Graner foi o mais generoso: avaliou que Cury aproveitou melhor do que os outros a chance de se tornar mais conhecido e demarcar um estilo próprio.

O debate deixou claro que, com os principais candidatos ausentes, a oportunidade de ocupar espaço político permaneceu, em grande medida, desperdiçada pelos três que compareceram.

O primeiro debate presidencial de 2026 aconteceu na Band com três candidatos no palco: Ronaldo Caiado, do PSD; Renan Santos, da Missão; e Augusto Cury, do Avante. As ausências foram marcantes — Lula e Flávio Bolsonaro não compareceram — e, segundo os colunistas do GLOBO que avaliaram o encontro, nenhum dos presentes soube aproveitar a oportunidade de ganhar terreno com os eleitores.

Caiado saiu na frente nas notas dos oito colunistas consultados, com média de 2 em uma escala de 1 a 5. Mas a liderança veio acompanhada de críticas contundentes. Bernardo Mello Franco apontou que o governador de Goiás não soube capitalizar o fato de ser o único com experiência política real no palco — a imagem de seu vice, Gilberto Kassab, dormindo enquanto ele falava, resumiu bem a falta de impacto. Lauro Jardim descreveu Caiado como um debatedor apagado, sem brilho, que perdeu a chance de se destacar mesmo diante de adversários de segundo escalão. Vera Magalhães foi mais direta: único com alguma experiência de gestão, mas perdido num encontro aleatório com os outros dois. Thomas Traumann usou uma metáfora cruel — jogando sozinho com o gol escancarado, chutou para fora.

Renan Santos ficou em último lugar, com nota 1,6, mas sua atuação gerou mais repercussão nas redes sociais. Ele apostou tudo na agressividade e no posicionamento antissistema, com frases desenhadas para viralizar. Renato Meirelles observou que Santos saiu com mais "recortes" para a internet, mas também explicitou o tamanho do nicho com quem prefere conversar — em determinado momento, chegou a dizer que não queria o voto de parte dos eleitores de Lula, depois de classificá-los de forma agressiva. Bernardo Mello Franco viu nele um candidato com falas misóginas e gestos histriônicos, tentando ser o Pablo Marçal da eleição de 2026. Vera Magalhães foi ainda mais contundente: quis farmar uma aura e lacrar na machosfera, mas demonstrou não ter maturidade para disputar uma eleição presidencial. Thomas Traumann, impossibilitado de dar nota zero, atribuiu 1 a Santos por levar para o debate fraldas, xingamentos e despreparo.

Augusto Cury terminou em segundo lugar, com nota 1,9. O palestrante e psiquiatra chegou a ameaçar não participar do encontro em protesto contra as ausências de Lula e Flávio Bolsonaro, mas voltou atrás. Uma vez no palco, pareceu amador. Bernardo Mello Franco o descreveu como uma metralhadora de chavões de autoajuda embrulhada num exótico terno verde, difícil de entender o que fazia na corrida presidencial. Lauro Jardim notou que, apesar de ser um palestrante treinado, Cury foi prolixo e professoral demais. Mas nem tudo foi negativo: Fábio Graner observou que Cury aproveitou melhor a oportunidade de um debate com ausências relevantes para se tornar mais conhecido e demarcar uma diferença forte de estilo ao agressivo Renan Santos. Vera Magalhães viu suas notas de autoajuda como um bálsamo diante da agressividade do adversário.

O debate revelou três estratégias distintas e nenhuma particularmente bem-sucedida. Caiado tentou se apresentar como a direita moderada e experiente, mas não conseguiu administrar o tempo nem sua presença. Renan Santos abraçou o papel de provocador antissistema, ganhando visibilidade mas alienando parcelas do eleitorado. Cury levou para o palco seu repertório de pacificação e saúde mental, mas pareceu deslocado numa dinâmica marcada pela agressividade. O que ficou claro é que, com os principais candidatos ausentes, a oportunidade de ocupar espaço político permaneceu em grande medida desperdiçada.

Único com alguma experiência política e de gestão, ficou perdido num rolê aleatório com os outros dois
— Vera Magalhães, sobre Ronaldo Caiado
Quis farmar uma aura e lacrar na machosfera, mas demonstrou não ter maturidade para disputar uma eleição presidencial
— Vera Magalhães, sobre Renan Santos
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