Coaf aponta depósito de R$ 700 mil de presidente da Febraban em conta ligada a Vorcaro

Recursos de origem complexa em empresa sem faturamento cadastrado
O Coaf questionou por que uma holding sem atividade operacional recebeu R$ 9,9 milhões em um mês.
Mark

Por que o Coaf questionou especificamente essa conta? Não é comum empresas receberem milhões?

Mimi

É, mas a Super Empreendimentos não tem faturamento cadastrado. É uma holding sem atividade operacional clara. Receber R$ 9,9 milhões em um mês não faz sentido para uma empresa assim.

Luke

Espera — o Coaf está dizendo que a origem é suspeita, mas Sidney afirma que tudo foi declarado no Imposto de Renda. Isso não resolve a questão?

Mimi

Não necessariamente. Declarar não significa que a origem seja lícita ou que a operação seja apropriada. O Coaf está questionando justamente a rastreabilidade.

Mark

E quanto ao empréstimo anterior? Aquele de R$ 5,5 milhões do Master?

Mimi

Sidney disse que foi para comprar um apartamento e que quitou em 2021. Mas agora aparece esse depósito de R$ 700 mil em uma conta ligada aos mesmos personagens.

Luke

Mas são operações diferentes, certo? Uma é um empréstimo pessoal, a outra é um depósito em empresa. Não podemos confundir os dois fatos.

Mimi

Verdade. Mas a sequência é preocupante — primeiro o empréstimo, depois esse depósito em uma empresa que o Coaf considera suspeita.

Mark

Sidney está saindo do cargo por causa disso?

Mimi

Ele diz que é uma transição planejada. Mas o timing é curioso — o anúncio veio logo após a divulgação desses relatórios.

Luke

Ninguém confirmou que a saída está ligada aos relatórios. Pode ser coincidência. Precisamos ser cuidadosos com essa conexão.

  • O Coaf identificou que R$ 700 mil de Sidney chegaram a uma conta aberta há apenas um dia, numa cooperativa de crédito do interior de Minas Gerais — um timing que acende alertas imediatos.
  • A Super Empreendimentos movimentou R$ 9,9 milhões em um único mês sem faturamento cadastrado, tornando impossível qualquer avaliação prudente de sua capacidade financeira real.
  • A empresa aparece em investigações como veículo de contratos fraudulentos, doação de apartamento a uma sugar baby e pagamentos a membros de uma suposta milícia liderada por Vorcaro.
  • Sidney nega irregularidade, afirmando que a operação é uma aquisição de direitos creditórios declarada no Imposto de Renda, realizada com recursos próprios de origem lícita.
  • A saída de Sidney da Febraban, anunciada antes da eclosão pública do caso, é descrita pela entidade como transição planejada — mas o contexto transforma o encerramento de mandato em capítulo aberto.

No cruzamento entre o poder financeiro e a suspeita institucional, o Coaf revelou que Isaac Sidney, presidente da Febraban, transferiu R$ 700 mil para uma empresa ligada a figuras investigadas por fraudes no Banco Master — um movimento que levanta questões sobre a fronteira entre operações privadas legítimas e a opacidade que alimenta o escrutínio público. A transação, ocorrida em junho de 2022, insere Sidney numa teia de relações que já envolve contratos fraudulentos, pagamentos a operadores obscuros e uma holding sem faturamento rastreável. Enquanto ele se prepara para deixar o cargo em outubro, a pergunta que permanece é se a regularidade declarada resiste ao peso das circunstâncias que a cercam.

Um relatório do Coaf expôs que Isaac Sidney, presidente da Febraban, transferiu R$ 700 mil para a conta da Super Empreendimentos — empresa vinculada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro. A transferência aconteceu em 8 de junho de 2022, apenas um dia após a abertura da conta numa agência do Sicoob Credifor em Formiga, Minas Gerais.

O depósito de Sidney foi apenas uma fração do que circulou por ali: a Super Empreendimentos recebeu R$ 9,9 milhões naquele mês, com Zettel contribuindo com outros R$ 9,2 milhões em cinco operações. Quase o mesmo valor saiu da conta, direcionado principalmente ao setor imobiliário. O Coaf apontou que a empresa é uma holding sem faturamento cadastrado, o que torna impossível avaliar sua capacidade real de movimentação — e que a origem dos recursos é difícil de rastrear, pois grande parte vem de outras instituições financeiras.

Não é a primeira vez que Sidney aparece conectado ao universo do Master. Em julho, veio a público que ele havia tomado um empréstimo de R$ 5,5 milhões com o banco em 2020 para comprar um apartamento duplex. Na ocasião, apresentou documentos comprovando a destinação dos recursos e a quitação do débito, classificando a divulgação como retaliação às críticas da Febraban ao banco.

Agora, Sidney afirma que a operação na Super diz respeito à aquisição de direitos creditórios, formalizada há mais de quatro anos e declarada no Imposto de Renda. Segundo ele, trata-se de operação privada, regular, feita com recursos próprios de origem lícita. Nega ter feito aportes na empresa ou recebido qualquer valor dela.

O peso das circunstâncias, porém, é considerável: a Super Empreendimentos aparece em investigações como veículo de contratos fraudulentos, doou um apartamento de R$ 4,4 milhões a uma sugar baby e era usada para remunerar membros da suposta milícia de Vorcaro. Sidney deixa a presidência da Febraban até o final de outubro, substituído por Leandro Vilain numa transição descrita pela entidade como planejada e harmoniosa — mas que agora se desenrola sob a sombra de perguntas sem resposta definitiva.

Um relatório do Coaf, órgão federal de fiscalização financeira, revelou que Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos, transferiu R$ 700 mil para a conta de uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro. A transferência ocorreu em 8 de junho de 2022, um dia após a abertura da conta da Super Empreendimentos em uma agência da cooperativa de crédito Sicoob Credifor em Formiga, Minas Gerais.

O depósito de Sidney representou apenas uma fração do movimento financeiro daquela conta naquele mês. A Super Empreendimentos recebeu R$ 9,9 milhões em junho de 2022. Além do aporte de Sidney, Zettel transferiu outros R$ 9,2 milhões através de cinco operações via Ted e Pix. No mesmo período, R$ 9,8 milhões saíram da conta, principalmente direcionados para empresas do setor imobiliário.

O Coaf questionou a compatibilidade desses valores com o perfil da empresa. Segundo o relatório, a Super Empreendimentos é uma holding de instituições não financeiras sem faturamento cadastrado, o que torna impossível medir de forma prudente sua capacidade de movimentação. O órgão apontou ainda que a origem dos recursos é complexa de rastrear, pois grande parte provém de outras instituições financeiras, dificultando a identificação da fonte primária.

Este não é o primeiro episódio envolvendo Sidney e o Banco Master. Em julho deste ano, tornou-se público que o presidente da Febraban havia contratado um empréstimo de R$ 5,5 milhões com o Master em 2020 para comprar um apartamento duplex. Na época, Sidney apresentou documentos que, segundo ele, comprovavam que os recursos foram destinados à compra do imóvel e que a operação foi quitada em dezembro de 2021. Ele negou qualquer irregularidade e afirmou que a divulgação da informação era uma forma de retaliação às críticas públicas ao banco e à atuação da Febraban.

Quando procurado pela reportagem, Sidney afirmou que a operação na conta da Super diz respeito à aquisição de direitos creditórios, formalizada há mais de quatro anos e declarada em sua declaração de Imposto de Renda. Segundo sua nota, a operação é de natureza privada e regular, realizada com recursos próprios de origem lícita, observadas as formalidades legais. Ele ressaltou ainda que nunca fez aporte na empresa nem recebeu qualquer quantia dela.

A Super Empreendimentos aparece em investigações como uma das empresas utilizadas para formalizar contratos fraudulentos. A firma doou um apartamento avaliado em R$ 4,4 milhões para uma sugar baby e era usada para fazer pagamentos aos membros da milícia de Vorcaro, incluindo um operador conhecido como Sicário. A Febraban, por sua vez, afirmou que não se manifesta sobre assuntos de caráter privado de seus dirigentes.

Sidney está deixando o cargo. No fim de agosto, a Febraban anunciou que Leandro Vilain o substituirá na liderança da entidade. A transição ocorrerá até o final de outubro, após as eleições. Segundo a federação, a indicação do novo executivo faz parte de uma transição institucional harmoniosa e planejada, conduzida em conjunto com Sidney, que formalizou o pedido de encerramento de seu mandato após sete anos e quatro meses em posições diretivas na entidade.

A operação possui natureza privada e regular, tendo sido integralmente suportada com recursos próprios, de origem lícita, disponíveis em minha conta bancária pessoal
— Isaac Sidney, em nota à reportagem
Trata-se de empresa cooperada com atividade exercida de holdings de instituições não financeiras, não possui faturamento cadastrado, o que impossibilita que seja mensurada de forma prudente a sua capacidade de movimentação
— Relatório do Coaf
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