Na aldeia de Havronshchyna, dentro do perímetro de Bucha, uma família ucraniana foi morta enquanto tentava, pela segunda vez, escapar à guerra. Cinco civis — duas mulheres e três crianças, a mais nova com apenas dois anos — perderam a vida quando o seu carro foi atacado por forças russas. O único sobrevivente foi o condutor, gravemente ferido. Este episódio inscreve-se numa tragédia mais vasta: em Bucha, as autoridades ucranianas já contabilizaram pelo menos quatrocentos civis mortos, num conflito cujo custo humano real permanece, por ora, incalculável.
Cinco civis mortos em Bucha enquanto tentavam fugir em viatura bombardeada
Ténis novos, fato de neve azul. Assumo que era muito amado.
Porque é que esta história em particular importa, entre tantas outras mortes?
Porque tem um rosto. Porque sabemos que tentaram sair duas vezes. Porque alguém notou os ténis novos. Torna-se impossível abstrair isto em números.
O condutor sobreviveu. O que é que ele viu?
A fonte não diz. Ele está internado com ferimentos graves. Talvez nunca saiba o que viu, ou talvez nunca consiga falar sobre isso.
A mãe tentou colocar o filho de dois anos em segurança. Isso sugere que ela sabia que era perigoso sair.
Sim. Ela sabia. Mesmo assim, tentou. Talvez a situação em Havronshchyna tivesse piorado. Talvez pensasse que tinha uma oportunidade. Não funcionou.
Quatrocentos mortos em Bucha. Como é que se chega a esse número?
Contando corpos. Nas ruas, nos escombros, nas valas. É trabalho de polícia, não de jornalismo. E a ONU diz que é provavelmente uma subestimação.
Porque é que a ONU acha que o número é mais alto?
Porque há cidades inteiras que ainda estão cercadas ou bombardeadas. Não conseguem aceder a todos os sítios. Há corpos que ainda não foram encontrados.
The Pulse
- Uma família tentou fugir de Bucha duas vezes — na segunda tentativa, o carro foi atingido por fogo direto de uma viatura blindada russa, matando cinco dos seis ocupantes.
- Entre os mortos estavam três crianças com idades entre dois e catorze anos; os ténis novos e o fato de neve azul da criança mais nova tornaram-se símbolo brutal de uma infância interrompida.
- A deputada Lesia Vasylenko e a embaixadora Mariana Betsa divulgaram o caso nas redes sociais, transformando este ataque num documento público de acusação contra as forças russas.
- A polícia regional de Kyiv confirmou a descoberta da viatura destruída e o único sobrevivente, mas as circunstâncias exatas do ataque ainda não foram totalmente esclarecidas.
- Em Bucha, o número oficial de civis mortos já ultrapassa os quatrocentos; a ONU regista mais de mil e oitocentas mortes civis em todo o país e alerta que o número real é significativamente superior.
Na aldeia de Havronshchyna, dentro do perímetro de Bucha, uma família ucraniana foi morta enquanto tentava, pela segunda vez, escapar à guerra. Cinco civis — duas mulheres e três crianças, a mais nova com apenas dois anos — perderam a vida quando o seu carro foi atacado por forças russas. O único sobrevivente foi o condutor, gravemente ferido. Este episódio inscreve-se numa tragédia mais vasta: em Bucha, as autoridades ucranianas já contabilizaram pelo menos quatrocentos civis mortos, num conflito cujo custo humano real permanece, por ora, incalculável.
Na terça-feira, a polícia ucraniana encontrou uma viatura destruída pela artilharia na aldeia de Havronshchyna, dentro do perímetro de Bucha. Dentro do carro estavam cinco corpos: duas mulheres e três crianças com idades entre dois e catorze anos. O único sobrevivente foi o condutor, transportado para o hospital com ferimentos graves.
Não era a primeira tentativa de fuga. A deputada ucraniana Lesia Vasylenko revelou que a família já tinha tentado sair da região uma vez antes. Na segunda vez, foram intercetados por forças russas, que terão disparado diretamente sobre o veículo. A embaixadora ucraniana na Estónia, Mariana Betsa, partilhou imagens do local, e uma organização civil chamou a atenção para um pormenor perturbador: os ténis novos e o fato de neve azul da criança de dois anos — sinais de uma criança cuidada, amada, que a mãe tentou proteger até ao fim.
Este caso é um entre centenas. Em Bucha, as autoridades ucranianas contabilizaram pelo menos quatrocentos civis mortos nas ruas, nos escombros e nas valas comuns deixadas pela ocupação russa. A nível nacional, a ONU registou mais de mil e oitocentas mortes civis, advertindo que o número real é provavelmente muito mais elevado — impossível de apurar com precisão em cidades cercadas ou sob bombardeio contínuo.
O que fica é a imagem de uma família que tentou duas vezes sair de um lugar perigoso. Na segunda vez, não conseguiu.
Na terça-feira, a polícia ucraniana descobriu uma viatura destruída pela artilharia na aldeia de Havronshchyna, que fica dentro do perímetro de Bucha. Dentro do carro estavam cinco corpos: duas mulheres e três crianças. As idades das crianças variavam entre dois e catorze anos.
O que aconteceu foi isto: um grupo de pessoas tentava sair da região de Bucha quando as forças russas intercetaram o veículo. A polícia regional de Kyiv, que investigou o local, confirmou que houve apenas um sobrevivente — o condutor — que foi levado para o hospital com ferimentos graves. Não há clareza sobre as circunstâncias exatas do ataque, mas os relatos sugerem que o carro foi alvo de fogo direto de uma viatura blindada russa.
O que torna este caso particularmente marcante é que não era a primeira tentativa. A deputada ucraniana Lesia Vasylenko, da oposição, revelou que esta família já tinha tentado fugir uma vez antes. Na segunda tentativa, não tiveram sorte. Vasylenko partilhou a informação nas redes sociais, documentando o que descreveu como um ataque deliberado contra civis em fuga.
As imagens que circularam depois — compartilhadas por Mariana Betsa, embaixadora ucraniana na Estónia e antiga ministra dos Negócios Estrangeiros — mostram a realidade crua do que aconteceu. Uma organização civil ucraniana focou-se num detalhe específico: os ténis novos e o fato de neve azul de uma criança de dois anos. Quem escreveu o comentário notou que estes pormenores sugerem uma criança cuidada, amada, que a mãe tinha tentado proteger. Todos os sinais apontavam para civis comuns, não para combatentes.
Este incidente é um entre muitos. As autoridades ucranianas têm estado a contar os mortos nas ruas, nos escombros e nas valas comuns em torno de Kyiv, nas zonas que foram ocupadas pelas forças russas. Em Bucha sozinha, contabilizaram pelo menos quatrocentos civis mortos. A nível nacional, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos registou mais de mil e oitocentas mortes entre a população civil. Mas a ONU avisa que o número real é provavelmente muito mais elevado. É difícil contar corpos em cidades cercadas ou sob bombardeio contínuo.
O que fica é a imagem de uma família que tentou duas vezes sair de um lugar perigoso. Na segunda vez, não conseguiram.
Notable Quotes
A família tentou sair duas vezes de Havronshchyna. Na segunda vez foram disparados contra o carro a partir de uma viatura blindada russa.— Lesia Vasylenko, deputada ucraniana
Ténis novos, fato de neve azul. Assumo que o miúdo de dois anos era muito amado. A mãe tentou colocá-lo em segurança. Todos os sinais de que eram civis estavam lá.— Responsável de organização civil ucraniana (ACREC)