Nas florestas de Jalisco, no México, cientistas da Universidade de Guadalajara identificaram seis novas espécies de fungos capazes de sequestrar o sistema nervoso de formigas e aranhas, conduzindo-as à morte em locais estrategicamente escolhidos para a própria reprodução. O fenômeno, liderado pelo pesquisador César Ballesteros, revela como a natureza pode engendrar formas de controle tão sofisticadas que parecem pertencer ao domínio da ficção. Uma das espécies foi batizada em homenagem ao cineasta Guillermo del Toro — um reconhecimento de que a realidade biológica, por vezes, supera a imaginaç
Cientistas descobrem 6 fungos que controlam comportamento de formigas e aranhas
O fungo o direciona para um "cemitério" onde morre e floresce
Por que um fungo precisaria fazer isso? Por que não simplesmente matar o hospedeiro no primeiro lugar?
Porque matar rápido não garante que o fungo se reproduza. Se a formiga morre em um lugar úmido e escuro, o fungo pode apodrecer junto com ela. Mas se o fungo conseguir guiar a formiga até um local com umidade e luz perfeitas, ele tem as melhores chances de crescer e liberar seus esporos para infectar outros animais.
Então o fungo está literalmente pensando?
Não exatamente. O fungo não tem cérebro. Mas ele produz moléculas que alteram a química do cérebro da formiga. É como se o fungo tivesse aprendido, ao longo de milhões de anos, exatamente quais substâncias químicas liberar para fazer a formiga caminhar em uma direção específica.
E a formiga não sente que está sendo controlada?
Provavelmente não. A formiga está vivendo uma realidade alterada, seus instintos e movimentos completamente reconfigurados. Ela não sabe que está sendo manipulada porque o fungo mudou a forma como seu sistema nervoso funciona.
Por que dar o nome de um cineasta a um fungo?
Porque Guillermo del Toro passa a carreira inteira criando criaturas que parecem saídas de um pesadelo biológico. Quando Ballesteros viu esse fungo, viu exatamente o tipo de horror que del Toro retrata — algo real, visceral, que desafia nossa compreensão do que é possível na natureza.
Isso pode acontecer com humanos?
Não. Pelo menos não com esses fungos específicos. O mecanismo é tão preciso, tão adaptado aos insetos, que não funciona em hospedeiros maiores ou diferentes. Mas a ideia assusta as pessoas o suficiente para inspirar histórias como The Last of Us.
Le Pouls
- Fungos entomopatogênicos penetram o sistema nervoso de formigas e aranhas, liberando metabólitos que progressivamente roubam o controle dos movimentos do hospedeiro.
- O parasita não mata ao acaso: ele guia a vítima até 'cemitérios' com umidade e luminosidade ideais, onde o inseto ancora o próprio corpo antes de morrer.
- Após a morte do hospedeiro, o fungo floresce no cadáver e libera novos elementos infecciosos, transformando a vítima em plataforma de disseminação.
- A descoberta das seis espécies reacende o debate sobre os limites entre biologia e ficção científica, dado que o ciclo desses fungos inspirou diretamente a franquia The Last of Us.
- Uma das espécies recebeu o nome Ophiocordyceps deltoroi em homenagem ao cineasta Guillermo del Toro, natural de Jalisco e ex-aluno da mesma universidade que conduziu a pesquisa.
Nas florestas de Jalisco, no México, cientistas da Universidade de Guadalajara identificaram seis novas espécies de fungos capazes de sequestrar o sistema nervoso de formigas e aranhas, conduzindo-as à morte em locais estrategicamente escolhidos para a própria reprodução. O fenômeno, liderado pelo pesquisador César Ballesteros, revela como a natureza pode engendrar formas de controle tão sofisticadas que parecem pertencer ao domínio da ficção. Uma das espécies foi batizada em homenagem ao cineasta Guillermo del Toro — um reconhecimento de que a realidade biológica, por vezes, supera a imaginação humana em sua estranheza.
Nas florestas tropicais de Jalisco, pesquisadores da Universidade de Guadalajara revelaram seis espécies de fungos entomopatogênicos capazes de invadir o organismo de formigas e aranhas e assumir o controle de seus corpos. O trabalho, liderado pelo cientista César Ballesteros, expõe um mecanismo de parasitismo tão elaborado que desafia a fronteira entre ciência e horror.
Ao penetrar no hospedeiro, o fungo libera substâncias químicas que interferem diretamente no sistema nervoso do animal. A formiga passa a se mover de forma errática, seus gestos cada vez menos seus. Progressivamente, o parasita assume o comando completo — e então direciona a vítima para locais específicos, chamados pelos pesquisadores de 'cemitérios': ambientes com umidade e luminosidade ideais para o crescimento fúngico. Ali, o inseto ancora mandíbulas e pernas ao substrato e morre. O fungo floresce no cadáver, utilizando o esqueleto como suporte para liberar novos elementos infecciosos e alcançar novos hospedeiros.
Entre as espécies identificadas, uma recebeu o nome Ophiocordyceps deltoroi, em homenagem ao cineasta mexicano Guillermo del Toro. A escolha foi deliberada: del Toro é natural de Jalisco, estudou na mesma universidade e construiu uma carreira dedicada a criaturas que habitam a fronteira entre o fantástico e o perturbador. Para Ballesteros, o fungo parecia uma criação digna desse universo.
A descoberta também ressoa na cultura popular: o ciclo de vida dos fungos cordyceps inspirou The Last of Us, franquia em que uma infecção fúngica transforma humanos em criaturas controladas pelo parasita. Na realidade, porém, o fenômeno permanece restrito a insetos e aranhas. A natureza, neste caso, não precisa de ficção para ser assustadora.
Nas florestas tropicais de Jalisco, no México, pesquisadores da Universidade de Guadalajara fizeram uma descoberta que parece saída de um filme de horror: seis espécies de fungos capazes de invadir o cérebro de formigas e aranhas, assumir o controle de seus corpos e conduzi-los à morte em locais cuidadosamente escolhidos. O trabalho, liderado pelo cientista César Ballesteros, revelou um mecanismo de parasitismo tão sofisticado que desafia a imaginação.
Quando um desses fungos entomopatogênicos penetra no organismo de uma formiga, começa a liberar substâncias químicas especializadas que interferem diretamente no sistema nervoso do animal. O resultado é perturbador: a formiga passa a se mover de forma errática e descontrolada, seus passos cada vez menos seus e cada vez mais do parasita. Progressivamente, o fungo assume o comando completo, transformando a vítima em pouco mais que um títere biológico.
Mas o parasita não mata simplesmente seu hospedeiro em qualquer lugar. Ele o direciona para áreas específicas que os pesquisadores chamam de "cemitérios" — locais onde a luminosidade e a umidade são perfeitas para o crescimento fúngico. Ali, antes de morrer, a formiga realiza seu último ato: prende as mandíbulas e as pernas ao substrato, seja a casca de uma árvore, uma folha ou a parte inferior de uma rocha. É como se o fungo escolhesse o melhor lugar para sua própria morte, transformando o corpo do inseto em uma plataforma de lançamento para sua reprodução.
Depois que o animal morre, o fungo floresce. Ele se desenvolve no cadáver, utilizando o esqueleto como suporte estrutural, e produz estruturas reprodutivas capazes de liberar novos elementos infecciosos no ambiente. Dessa forma, a vítima se torna um veículo para a disseminação do parasita, permitindo que ele alcance novos hospedeiros. Ballesteros explicou que esse mecanismo não é novo — existe há centenas de anos como uma estratégia de sobrevivência dos fungos do grupo dos cordyceps, uma adaptação evolutiva tão antiga quanto perturbadora.
Entre as seis espécies identificadas, uma recebeu um nome particularmente inusitado: Ophiocordyceps deltoroi, uma homenagem ao cineasta mexicano Guillermo del Toro. A escolha não foi aleatória. Ballesteros reconheceu em del Toro um criador cujas obras exploram justamente o tipo de horror e fantasia que a natureza, por conta própria, havia criado. Del Toro é originário de Jalisco, estudou na Universidade de Guadalajara, e suas produções cinematográficas são repletas de criaturas monstruosas. O fungo, com sua aparência e comportamento, pareceu ao pesquisador uma criação digna do universo visual do diretor.
A descoberta também ilumina uma conexão curiosa com a cultura popular contemporânea. O ciclo de vida desses fungos cordyceps serviu como inspiração para The Last of Us, a franquia que começou como videogame e depois ganhou uma aclamada adaptação televisiva. Na ficção, uma infecção fúngica transforma seres humanos em criaturas controladas pelo organismo parasita. Na realidade, porém, o fenômeno permanece confinado aos hospedeiros que esses fungos conseguem infectar — por enquanto, formigas e aranhas. A natureza, neste caso, não precisa de ficção para ser assustadora.
Citations marquantes
O fungo penetra no organismo da formiga e passa a liberar substâncias capazes de interferir no funcionamento do sistema nervoso— César Ballesteros, pesquisador da Universidade de Guadalajara
A espécie representa uma combinação entre ciência e o universo de horror e fantasia explorado pelo diretor ao longo da carreira— César Ballesteros, sobre a homenagem a Guillermo del Toro