Chilli Beans muda versão sobre cargo de novo executivo em menos de uma hora

Estamos passando por um momento difícil, mas estamos unido
Caito Maia admitiu a crise financeira aos 48 funcionários reunidos online, enquanto a empresa negocia com credores.
Mark

Por que a Chilli Beans mudou o título do executivo em tão pouco tempo? Isso não parece estranho?

Mimi

Parece que a empresa estava tentando controlar como a situação seria percebida. Primeiro confirmaram co-CEO, depois recuaram para vice-presidente. É como se estivessem testando qual versão soava menos grave.

Luke

Mas a gente não sabe por que mudaram. Pode ter sido uma confusão interna, pode ter sido estratégia de comunicação. O que sabemos é que mudaram, e rápido.

Mark

E quanto à crise financeira? Maia realmente admitiu que a empresa está em dificuldades?

Mimi

Sim, ele foi bem direto com os funcionários. Disse que estavam passando por um momento difícil, que estavam negociando com credores. Não foi uma admissão vaga.

Luke

Mas ele negou recuperação judicial. Disse que estavam negociando com bancos, não em processo judicial. Embora tenha deixado claro que se as negociações falharem, a recuperação judicial seria o próximo passo.

Mark

Então a empresa está à beira de pedir recuperação judicial?

Mimi

Parece estar nesse ponto de decisão. As dívidas estão perto de R$ 600 milhões. Maia trouxe um executivo especializado em reestruturação justamente porque a situação é séria.

Luke

Importante notar: R$ 600 milhões é o que o NeoFeed apurou anteriormente. Maia não deu números específicos na reunião. Ele falou em "negociações avançadas" mas sem detalhar.

Mark

E esse Dela Togna, ele tem credibilidade para fazer isso?

Mimi

Ele tem experiência. Criou uma consultoria de reestruturação em outubro de 2025 e está trazendo um time inteiro. Falou sobre três pilares: fluxo de caixa, receita e despesas.

Luke

Mas é recente. A consultoria dele tem menos de um ano. Não sabemos o histórico de sucesso dele em outras empresas. Ele falou em experiência, mas não deu exemplos concretos.

Mark

Qual é o próximo passo?

Mimi

Dela Togna começa em 1º de outubro. Ele e seu time vão trabalhar na reestruturação. Os funcionários vão ser envolvidos no processo.

Luke

E se não funcionar? Se as negociações com credores falharem? Aí sim vai para recuperação judicial. Mas isso é especulação. O que sabemos é que a empresa está em negociações agora.

  • André Dela Togna assume em 1º de outubro, inicialmente anunciado como co-CEO, depois como vice-presidente
  • Dívidas da Chilli Beans próximas a R$ 600 milhões
  • Empresa negocia com credores e analisa possível recuperação judicial
  • Fundada em 1997 por Caito Maia, varejista de óculos e acessórios

Fundador Caito Maia confirmou a chegada de Dela Togna como co-CEO, mas a empresa mudou a versão para vice-presidente após publicação da notícia. A varejista de óculos admite crise financeira e negocia com credores, analisando possível recuperação judicial dado o volume de dívidas.

A Chilli Beans alterou sua narrativa sobre o cargo de André Dela Togna em poucas horas, passando de co-CEO para vice-presidente, enquanto enfrenta crise financeira com dívidas próximas a R$ 600 milhões.

A Chilli Beans mudou de história em menos de uma hora no final da tarde de um domingo. Tudo começou quando o fundador Caito Maia confirmou ao NeoFeed, por áudio às 15h47, que André Dela Togna chegaria à empresa como co-CEO a partir de 1º de outubro. Maia foi claro: "O CEO sou eu, que sigo na luta, com várias coisas para lançar. E ele é o co-CEO". Menos de uma hora depois, após a publicação da reportagem, a varejista de óculos e acessórios enviou uma nota oficial confirmando exatamente isso — Dela Togna como co-CEO, apoiando operacionalmente Maia, que se dedicaria mais aos clientes e franqueados.

Mas aos 16h57, apenas doze minutos depois, uma nova nota chegou ao NeoFeed com uma versão diferente. Desta vez, Dela Togna não era mais co-CEO. Agora era vice-presidente. Três minutos depois, às 17 horas, Maia reuniu 48 funcionários em uma videoconferência que duraria 21 minutos para falar sobre a chegada do executivo. O tom da reunião deixou claro o que a mudança de título tentava mascarar: a Chilli Beans estava em crise.

Maia não escondeu a situação. Admitiu publicamente que a empresa passava por "um momento difícil" e que negociações com credores já estavam em andamento. "Estamos passando por um momento difícil, mas a gente está unido. Hoje estamos fazendo milagre. Isso é minha história", disse aos funcionários. O volume de dívidas, segundo apuração anterior do NeoFeed, estava próximo de R$ 600 milhões. A empresa analisava a possibilidade de pedir recuperação judicial, embora Maia tenha negado isso na reunião, distinguindo entre recuperação judicial e negociações extrajudiciais com bancos. "Estamos negociando com bancos? Sim. Mas não tem recuperação judicial nenhuma", afirmou. A ressalva era importante: se as negociações falhassem, a recuperação judicial seria o caminho natural.

Dela Togna, apresentado como vice-presidente mas anunciado por Maia como co-CEO, explicou sua função na reunião. Ele é um executivo com experiência em reestruturação de empresas brasileiras em dificuldades financeiras. "Atuamos em processo de gestão de crise, que é isso que a empresa está passando. A gente entra com um time para a reversão total da companhia", disse. Ele trouxe consigo outros executivos da FDS Advisors Consultoria, empresa que criou em outubro de 2025. Sua avaliação era pragmática: "O potencial está dado. As negociações com os credores estão avançadas, mas isso não significa que a gente não tenha um desafio e que não vai ter que suar a camisa. Há avenida de soluções".

O plano de reestruturação tinha três pilares claros, conforme explicado pelos executivos na reunião: melhorar o fluxo de caixa, aumentar a receita e reduzir despesas. Os funcionários seriam "provocados na hora certa" para fornecer informações e se adaptar à nova realidade que entraria em vigor. A mensagem era que o novo executivo e seu time chegavam com "um olhar de fora" para dizer diretamente a Maia o que precisava ser feito. E que "não vai ser fácil".

Maia reclamou do vazamento da notícia durante a reunião. "Essa era uma informação interna. Qualquer assunto que sai daqui de dentro, é prejudicial para todos nós", disse. Mas a mudança de narrativa sobre o cargo de Dela Togna — de co-CEO para vice-presidente em doze minutos — sugeriu que a empresa estava tentando controlar a percepção sobre a gravidade da situação. Ao encerrar a videoconferência, Maia tentou projetar esperança: "Temos um time e estamos fortalecidos para construir outra história da Chilli Beans, para comemorar os 30 anos no ano que vem". A empresa, fundada em 1997, precisaria agora provar que essa história era possível.

O CEO sou eu, que sigo na luta, com várias coisas para lançar. E ele é o co-CEO
— Caito Maia, fundador, em áudio ao NeoFeed
Atuamos em processo de gestão de crise, que é isso que a empresa está passando. A gente entra com um time para a reversão total da companhia
— André Dela Togna, novo executivo, na reunião com funcionários
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