Centros comerciais implementam sistemas de controlo de lotação em tempo real, distanciamento social e reforço de limpeza para garantir segurança na reabertura. Setor emprega 300 mil pessoas e espera fechar 200 lojas novamente; 97% dos lojistas consideram essencial isenção de rendas durante confinamento.
Centros comerciais reabrem com 8 mil lojas e apelos urgentes por mais apoios
As receitas são zero, mas os custos mantêm-se pré-pandemia
Porque é que este segundo confinamento foi tão mais duro que o primeiro?
Porque da primeira vez as empresas ainda tinham alguma almofada financeira. Agora, depois de meses de receitas zero ou reduzidas, as tesourarias estão completamente esvaziadas. Os custos não pararam — as rendas, os salários, os serviços continuaram a ser pagos. É como tentar manter uma casa de pé quando já gastou toda a poupança.
Os centros comerciais parecem estar bem preparados em termos de segurança. Isso é suficiente?
A segurança sanitária é importante, mas não paga as contas. Um lojista pode estar num ambiente perfeitamente desinfetado e ainda assim estar à beira da falência. A tecnologia de controlo de lotação é sofisticada, mas não resolve o problema de fundo: as pessoas têm medo de gastar, e as empresas não têm dinheiro para esperar.
Qual é o cenário mais provável para os próximos meses?
Se não houver apoios governamentais significativos, vamos ver uma onda de encerramentos. Oitenta e dois por cento das empresas dizem que vão despedir se não receberem ajuda. Isso não é uma ameaça vazia — é uma realidade matemática. Sem receitas e sem apoios, não há outra opção.
Há sinais de que algumas empresas estão a conseguir adaptar-se?
Sim, há. Alguns centros estão a abrir lojas novas, a remodelar espaços, a oferecer serviços de drive-in e aplicações de encomenda. Mas isto é a exceção, não a regra. A maioria está em modo de sobrevivência, a tentar manter-se de pé até que as coisas melhorem.
O que pedem exatamente os lojistas ao Governo?
Essencialmente, que partilhe o sacrifício. Isenção de rendas durante os períodos de encerramento, prolongamento das moratórias de crédito, e medidas de apoio à retoma. Não pedem muito — apenas condições para trabalhar. Mas sem isto, o custo será enorme para a economia nacional e para o emprego.
Der Puls
- Mais de 8 mil lojas reabrem em centros comerciais portugueses
- Setor emprega 300 mil pessoas direta e indiretamente
- 97% dos lojistas consideram essencial isenção de rendas durante confinamento
- 82% das empresas admitem despedimentos na ausência de apoios em 2021
- 200 lojas encerraram em 2020; impacto similar ou superior esperado em 2021
Centros comerciais implementam sistemas de controlo de lotação em tempo real, distanciamento social e reforço de limpeza para garantir segurança na reabertura. Setor emprega 300 mil pessoas e espera fechar 200 lojas novamente; 97% dos lojistas consideram essencial isenção de rendas durante confinamento.
Mais de 8 mil lojas reabrem em shoppings portugueses com protocolos de segurança reforçados, mas lojistas temem novo impacto económico similar a 2020 e pedem apoios governamentais urgentes.
Mais de oito mil lojas abrem as portas esta segunda-feira nos centros comerciais portugueses, marcando o fim de um segundo confinamento que deixou as empresas de retalho com as contas bancárias esvaziadas. O setor, que emprega direta e indiretamente mais de trezentas mil pessoas, espera um impacto económico tão severo quanto o de 2020, quando duzentas lojas encerraram permanentemente. Os lojistas anseiam pelo regresso, mas o otimismo é temperado pela incerteza sobre se conseguirão sobreviver aos próximos meses sem apoio governamental significativo.
Os gestores dos centros comerciais garantem estar preparados. Implementaram circuitos de circulação obrigatória, reforçaram as equipas de limpeza e vigilância, colocaram dispensadores de álcool gel em pontos estratégicos, e instalaram sistemas de desinfeção sem toque nas casas de banho. A tecnologia também entra em cena: aplicações monitorizam em tempo real o número de pessoas dentro de cada centro, acionando alertas quando a ocupação se aproxima do limite máximo de cinco pessoas por cada cem metros quadrados. Quando esse limite é atingido, as portas secundárias fecham e o acesso passa a ser exclusivamente pelas entradas principais. Alguns centros, como o Alegro de Montijo, oferecem serviços de drive-in para compras online e aplicações que permitem encomendar refeições nos restaurantes sem necessidade de entrar no espaço.
Mas a segurança sanitária não resolve o problema financeiro. Durante a pandemia, os retalhistas estiveram sete meses com as lojas completamente fechadas e outros seis a funcionar com restrições de horário e lotação. Enquanto isso, os custos fixos — rendas, salários, serviços — continuaram a acumular-se. Miguel Pina Martins, presidente da Associação de Marcas de Retalho e Restauração, descreve o dilema com clareza: as colunas de receitas estão a zero, mas as colunas de custos mantêm-se nos níveis pré-pandemia. É impossível equilibrar esta equação. Algumas lojas estão a encerrar. Outras tentam sobreviver redimensionadas, mudando-se para espaços mais pequenos e menos onerosos. Mas estas relocalizações não são a tendência dominante — o que preocupa mais é o risco de encerramentos permanentes.
Os números revelam a gravidade da situação. Entre as mais de três mil e quinhentas lojas representadas pela associação de retalhistas, noventa e sete por cento consideram absolutamente essencial a isenção de rendas ou apoio ao seu pagamento durante os períodos de encerramento. Setenta e quatro por cento pedem que as moratórias de crédito sejam prolongadas. Mas o dado mais alarmante é este: oitenta e dois por cento das empresas do setor admitem que farão despedimentos em massa se não receberem apoios governamentais em 2021. Num setor que emprega centenas de milhares de pessoas, isto significa potencialmente dezenas de milhares de postos de trabalho em risco.
Alguns gestores de centros mostram-se mais otimistas. A Sonae Sierra, que gere o Centro Colombo e o NorteShopping, diz que poucas lojas não vão reabrir e que está a trabalhar com os lojistas para encontrar soluções. O NorteShopping vai reabrir com uma nova loja Polo Ralph Lauren. O MAR Shopping Matosinhos, com uma taxa de ocupação de noventa e oito por cento, reabrirá com três novas lojas e seis remodeladas. Mas estes são casos de relativa estabilidade. Noutros centros, a taxa de ocupação caiu cinco por cento em relação ao período anterior à pandemia, principalmente porque contratos chegaram ao fim e não foram renovados.
O apelo dos lojistas é direto e urgente. Rodrigo Moita de Deus, CEO da Associação Portuguesa de Centros Comerciais, está a trabalhar num Plano de Retoma, mas sem revelar detalhes. Carlos Costa, da Nhood Portugal, é mais explícito: é urgente que o Governo apresente medidas de apoio à retoma económica, tanto para os lojistas como para as próprias empresas gestoras de centros, que viram as suas atividades praticamente estagnadas durante três meses. Miguel Pina Martins vai mais longe, alertando que a ausência de apoios terá um custo muito significativo na economia nacional e no emprego. O segundo confinamento foi mais duro que o primeiro, diz, e não é possível enfrentar 2021 com as medidas pensadas para 2020. O que está em jogo não é apenas a sobrevivência de algumas lojas, mas a estabilidade de um setor inteiro e dos centenas de milhares de pessoas que dele dependem.
Bemerkenswerte Zitate
É impossível suportar o nível de custos pré-pandemia com as receitas da pandemia— Miguel Pina Martins, presidente da Associação de Marcas de Retalho e Restauração
É urgente que o Governo apresente medidas de apoio à retoma económica, tanto para os lojistas como para as empresas gestoras de centros comerciais— Carlos Costa, Nhood Portugal