No coração de uma semifinal disputada no Maracanã, um braço levantado no momento errado tornou-se o centro de uma controvérsia que transcende o placar. A CBF, buscando transparência, divulgou o áudio do VAR que embasou a marcação do pênalti favorável ao Flamengo — decisão que selou a eliminação do Grêmio por 3 a 0 no agregado. Mas a tecnologia, quando não convence, raramente silencia: o que era para ser esclarecimento tornou-se novo combustível para a insatisfação gaúcha.
CBF divulga áudio do VAR que confirmou pênalti polêmico para Flamengo contra Grêmio
O braço está aberto, ele salta com o braço aberto
Por que a CBF decidiu divulgar esse áudio? Normalmente esses diálogos ficam privados.
Acho que foi uma tentativa de transparência. Quando há controvérsia, mostrar o raciocínio pode ajudar a encerrar o debate — ou pelo menos deixar claro o que o árbitro pensou no momento.
Mas será que funcionou? O áudio foi divulgado e o Grêmio continuou reclamando. Talvez transparência não resolva quando as pessoas já têm uma conclusão formada.
O que exatamente Reway disse que justificava o pênalti?
Que o braço de Rodrigo Ely estava aberto e na trajetória da bola que ia para o gol. Um braço estava em posição de disputa, o outro não.
Mas aí fica a pergunta: o braço aberto impediu a bola de chegar ao gol, ou apenas estava no caminho? Porque a regra mudou bastante nos últimos anos sobre o que é ou não infração.
Renato Gaúcho atacou o presidente da comissão de arbitragem. Isso é comum?
Quando um técnico acha que foi prejudicado, sim. Renato é conhecido por ser direto. Mas criticar o presidente da comissão é um passo além — é questionar a estrutura, não só o árbitro.
E o que a CBF fez com essa crítica? Houve resposta oficial ou apenas silêncio?
A fonte não menciona resposta. Só que Alberto Guerra, presidente do Grêmio, prometeu reclamação formal.
Então temos reclamação prometida, mas não sabemos se foi feita ou qual foi o resultado. É um ponto aberto.
O Flamengo seguiu para a final. Isso encerra a história ou ela continua?
Continua em aberto. Se o Flamengo vencer a Copa do Brasil, o pênalti vira parte da narrativa de conquista. Se perder, vira símbolo de uma oportunidade perdida.
E o Grêmio? Eles têm algum recurso ou é só lamentar?
Formalmente, a reclamação. Mas no futebol, uma vez que o jogo termina, é difícil reverter. A história fica registrada.
El Pulso
- Um braço aberto de Rodrigo Ely na área do Grêmio bastou para que o árbitro de vídeo Wagner Reway recomendasse a revisão do lance — e o pênalti fosse marcado, mudando o rumo da semifinal.
- A eliminação por 3 a 0 no agregado deixou feridas abertas em Porto Alegre, com Renato Gaúcho disparando críticas diretas à arbitragem e ao presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.
- A divulgação do áudio do VAR pela CBF, em vez de encerrar o debate, expôs publicamente o raciocínã arbitral e intensificou a sensação de injustiça entre torcedores e dirigentes gremistas.
- Alberto Guerra, presidente do Grêmio, prometeu reclamação formal à CBF, sinalizando que a batalha sairia dos gramados e entraria nos gabinetes da confederação.
- Enquanto o Grêmio lamenta, o Flamengo segue em frente rumo às finais da Copa do Brasil contra o São Paulo, com o futebol brasileiro ainda dividido sobre a legitimidade do lance.
No coração de uma semifinal disputada no Maracanã, um braço levantado no momento errado tornou-se o centro de uma controvérsia que transcende o placar. A CBF, buscando transparência, divulgou o áudio do VAR que embasou a marcação do pênalti favorável ao Flamengo — decisão que selou a eliminação do Grêmio por 3 a 0 no agregado. Mas a tecnologia, quando não convence, raramente silencia: o que era para ser esclarecimento tornou-se novo combustível para a insatisfação gaúcha.
Na noite de 16 de agosto, no Maracanã, um cruzamento na área e o braço levantado de Rodrigo Ely bastaram para acender uma das maiores polêmicas da Copa do Brasil. O árbitro Braulio da Silva Machado deixou o jogo seguir, mas foi ao monitor após orientação do VAR e marcou pênalti. Arrascaeta converteu, o Flamengo venceu por 1 a 0 e eliminou o Grêmio por 3 a 0 no agregado.
No dia seguinte, a CBF divulgou o áudio da conversa entre o árbitro de vídeo Wagner Reway e Braulio. Reway argumentou que Ely saltou com um braço aberto, na trajetória da bola em direção ao gol. Braulio concordou, descreveu o movimento como um braço de bloqueio e confirmou o pênalti, aplicando ainda cartão amarelo ao zagueiro. O contato era mínimo, mas considerado suficiente para a infração.
A transparência, porém, não trouxe paz. Renato Gaúcho criticou abertamente a arbitragem e não poupou nem o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF. Alberto Guerra, presidente do Grêmio, foi além e prometeu reclamação formal à Confederação. Para o clube gaúcho, o lance não era apenas uma questão técnica — era o símbolo amargo do fim de uma campanha.
Do outro lado, o Flamengo seguia em frente. Com as finais da Copa do Brasil marcadas para setembro contra o São Paulo, o clube carioca já mirava os próximos compromissos. O futebol brasileiro, dividido, continuava a debater se segundos diante de um monitor podem — e devem — decidir o destino de uma semifinal.
Na noite de quarta-feira, 16 de agosto, o Flamengo enfrentou o Grêmio no Maracanã pela semifinal da Copa do Brasil. Aos 26 minutos do segundo tempo, após um cruzamento na área, o atacante Léo Pereira testou firme em direção ao gol. O braço de Rodrigo Ely, zagueiro do Grêmio, interceptou a trajetória da bola. O árbitro de campo Braulio da Silva Machado deixou o jogo seguir, mas segundos depois parou tudo e foi ao monitor revisar o lance. O resultado: pênalti marcado. Arrascaeta cobrou e converteu. O Flamengo venceu aquele jogo por 1 a 0 e eliminou o Grêmio por 3 a 0 no agregado, mas a decisão arbitral deixou feridas abertas em Porto Alegre.
Na quinta-feira seguinte, a Confederação Brasileira de Futebol divulgou o áudio da conversa entre o árbitro de vídeo Wagner Reway e Braulio. A transcrição revelou o raciocínio por trás da marcação. Reway argumentou que Rodrigo Ely saltou com um braço aberto, enquanto o outro estava em posição de disputa. Segundo o árbitro de vídeo, o braço aberto estava na trajetória da bola que seguia em direção ao gol. Braulio, ao revisar no monitor, concordou com a análise. Descreveu como um braço de bloqueio — um dos braços embaixo, outro aberto — e afirmou que havia contato mínimo. Mesmo assim, considerou suficiente para a infração. Confirmou o pênalti e aplicou cartão amarelo ao zagueiro.
A divulgação do áudio não acalmou os ânimos em Grêmio. Renato Gaúcho, técnico do time gaúcho, fez críticas diretas à arbitragem após a partida. Não poupou nem Wilson Luiz Seneme, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF. Alberto Guerra, presidente do Grêmio, também se manifestou insatisfeito e prometeu uma reclamação formal junto à Confederação. Para o time de Porto Alegre, a decisão representava mais do que um lance isolado — era o encerramento de uma campanha que terminava em frustração.
Enquanto o Grêmio processava a eliminação, o Flamengo seguia em frente. O clube carioca aguardava as finais da Copa do Brasil, marcadas para 17 e 24 de setembro, contra o São Paulo. Antes da grande decisão, o Rubro-Negro tinha quatro compromissos pelo Campeonato Brasileiro. O primeiro seria no domingo seguinte, 20 de agosto, contra o Coritiba, no Couto Pereira.
O lance do pênalti permanecia como ponto de discórdia. A CBF havia disponibilizado os áudios para transparência, mas a controvérsia não se dissipava. Para o Grêmio, a questão não era apenas técnica — era sobre como uma decisão em segundos, revisada em um monitor, podia definir o destino de uma semifinal. Para o Flamengo, a marcação era correta conforme as regras do jogo. O futebol brasileiro seguia dividido sobre o lance que eliminou o time gaúcho.
Citas Notables
Ele salta com o outro braço de disputa e esse está aberto. Ele está cabeceando ao gol, e o braço está na posição da bola que está em direção ao gol— Wagner Reway, árbitro de vídeo
Braço de bloqueio, jogador salta, um braço está embaixo e outro aberto… É o mínimo contato, tudo ok, não impede de jogar. Estou retornando com tiro penal e cartão amarelo— Braulio da Silva Machado, juiz de campo