CBF divulga áudio do VAR: 'ele tropeça no pé' em lance polêmico de Flamengo x Santos

Sem impacto nenhum, o lance é normal
A análise do VAR que levou à suspensão dos árbitros horas depois.
Mark

Por que a CBF decidiu divulgar o áudio do VAR? Normalmente isso não é feito.

Mimi

Acho que foi uma tentativa de mostrar transparência, de deixar claro qual foi o raciocínio por trás da decisão. Mas acabou tendo o efeito oposto.

Luke

Espera aí — se o áudio mostra uma análise técnica razoável, por que os árbitros foram suspensos logo depois? Isso não é contraditório?

Mimi

Totalmente. A CBF publicou o áudio e depois afastou os profissionais por desempenho abaixo dos padrões. É como dizer: "Aqui está a conversa deles" e depois: "Eles fizeram um péssimo trabalho".

Mark

E quanto ao segundo pênalti que o comentarista mencionou? O de Bauermann em Cebolinha?

Luke

Aí está o problema real. A CBF não divulgou áudio desse lance. Então temos transparência seletiva — mostram uma conversa, escondem outra.

Mimi

E isso deixa a pergunta em aberto: como o VAR analisou aquele segundo momento? Chegou a analisar?

Mark

Então temos dois pênaltis não marcados, um com áudio publicado e outro em silêncio total.

Luke

Exatamente. E os árbitros foram suspensos. Mas a questão de fundo — se realmente havia dois pênaltis — continua sem resposta clara.

Mimi

O que fica é a sensação de que o sistema falhou, mas ninguém consegue explicar exatamente como ou por quê.

  • Camacho caiu na área no primeiro tempo, o VAR não interveio, e o Flamengo marcou logo em seguida — deixando o Santos em protesto e o país do futebol em dúvida.
  • A CBF divulgou o áudio da conversa entre os árbitros de vídeo, numa tentativa de demonstrar que houve análise criteriosa e que o contato foi considerado sem impacto real.
  • Horas depois da divulgação, a confederação suspendeu tanto o árbitro de campo quanto o VAR por 'desempenho abaixo dos padrões', criando uma contradição difícil de ignorar.
  • O comentarista Sandro Meira Ricci ampliou a crise ao apontar um segundo pênalti não marcado — desta vez em Everton Cebolinha — sobre o qual a CBF manteve silêncio absoluto.
  • A partida encerrou-se com o resultado validado, os árbitros afastados e a credibilidade do sistema de arbitragem mais fragilizada do que antes da divulgação do áudio.

No Maracanã, uma queda na área e a ausência de um apito transformaram uma partida de futebol em um espelho das contradições que habitam os sistemas de justiça esportiva. A CBF divulgou o áudio do VAR da partida entre Flamengo e Santos — onde Camacho foi derrubado por Matheuzinho sem que pênalti fosse marcado — apenas para, em seguida, suspender os próprios árbitros cuja análise o áudio parecia justificar. O gesto de transparência revelou, paradoxalmente, uma opacidade ainda maior: quando a instituição pune aqueles cuja lógica ela mesma expôs ao público, a pergunta que resta não é sobre o lance, mas sobre quem, afinal, detém a autoridade de dizer o que é verdade.

Na 34ª rodada do Brasileirão, o Flamengo recebeu o Santos no Maracanã em um jogo que seria lembrado não pelo futebol, mas por uma decisão que ninguém conseguiria esquecer. No primeiro tempo, Camacho caiu na área após contato com Matheuzinho. Não houve apito, não houve pênalti — e logo depois, Matheuzinho cruzou para Pedro abrir o placar.

Na manhã seguinte, a CBF respondeu às críticas publicando o áudio da conversa entre o árbitro de vídeo Adriano Milczvski e seu assistente Luciano Roggenbaum. O que se ouve é uma análise detalhada: Milczvski observa que a perna de Matheuzinho já estava parada quando Camacho tropeçou nela, e ambos concordam que o contato foi insignificante e o lance, normal. O gol foi validado.

Mas a CBF não estava satisfeita com sua própria divulgação. Ainda na madrugada de quarta-feira, a confederação anunciou a suspensão do árbitro de campo André Luiz Freitas Castro e do VAR Milczvski por desempenho "abaixo dos padrões exigidos". A decisão criou uma contradição incômoda: se o áudio mostrava uma análise razoável, por que os profissionais estavam sendo punidos?

O comentarista Sandro Meira Ricci aprofundou a crise ao afirmar que não havia apenas um pênalti perdido, mas dois — o segundo ocorreu no segundo tempo, quando Bauermann cometeu falta em Everton Cebolinha. Sobre esse lance, a CBF não divulgou áudio algum, deixando em aberto como — ou se — o VAR havia analisado o momento.

O que ficou evidente é que a partida se tornou menos sobre o resultado e mais sobre as fraturas no sistema de arbitragem. A transparência escolhida pela CBF revelou que profissionais experientes chegaram a uma conclusão que a própria confederação depois rejeitaria. Os árbitros foram afastados, o áudio foi publicado, e a dúvida permaneceu.

Na terça-feira, 25 de outubro, o Flamengo recebeu o Santos no Maracanã pela 34ª rodada do Brasileirão em um jogo que seria lembrado não pela qualidade do futebol, mas pela decisão que ninguém conseguiria esquecer. No primeiro tempo, Camacho caiu na área após contato com Matheuzinho. Não houve apito. Não houve pênalti. E logo depois, o próprio Matheuzinho cruzou para Pedro abrir o placar.

A cena deixou o Santos em protesto. A questão era simples: havia ou não havia falta? O VAR deveria ter intervindo? Na quarta-feira de manhã, a CBF resolveu responder publicando o áudio da conversa entre Adriano Milczvski, o árbitro de vídeo, e Luciano Roggenbaum, seu assistente. O que se ouve é uma análise meticulosa. Milczvski observa que a perna de Matheuzinho já estava parada quando Camacho tropeçou nela. "Ele tropeça no pé. Ele não chega a atingir", diz o VAR. Roggenbaum pergunta se há impacto. "Sem impacto nenhum", responde Milczvski. A conversa prossegue com ambos concordando: o contato é insignificante, o lance é normal, o gol é válido.

Mas a CBF não estava satisfeita com sua própria análise. Na madrugada de quarta-feira, a confederação anunciou que suspenderia tanto André Luiz Freitas Castro, o árbitro de campo, quanto Milczvski, o VAR. O motivo era direto: o desempenho de ambos ficou "abaixo dos padrões exigidos". A decisão de publicar o áudio e depois afastar os árbitros criou uma contradição incômoda — se o áudio mostrava uma análise razoável, por que os profissionais estavam sendo punidos?

Sandro Meira Ricci, comentarista especializado em arbitragem, ofereceu uma perspectiva diferente. Segundo ele, não havia apenas um pênalti perdido naquela partida, mas dois. O primeiro era exatamente o lance de Matheuzinho e Camacho. O segundo ocorreu no segundo tempo, quando Bauermann cometeu falta em Everton Cebolinha. Nesse caso, porém, a CBF não divulgou áudio algum. O silêncio sobre a segunda jogada deixava em aberto a questão de como o VAR havia analisado aquele momento — ou se havia analisado de todo.

O que ficou claro é que a partida entre Flamengo e Santos se tornou menos sobre o resultado em campo e mais sobre as fraturas visíveis no sistema de arbitragem. A CBF havia escolhido transparência ao liberar o áudio, mas a transparência revelava apenas que profissionais experientes tinham chegado a uma conclusão que a própria confederação depois rejeitaria. Os árbitros foram afastados, o áudio foi publicado, e a dúvida permanecia: em um jogo onde dois pênaltis foram supostamente perdidos, qual era realmente a verdade?

A perna já está parada. O pé para do lado e ele tropeça no pé. Ele não chega a atingir, certo?
— Adriano Milczvski, VAR da partida
Sem impacto nenhum
— Adriano Milczvski, respondendo sobre o contato entre os jogadores
Quer a matéria completa? Leia o original em O Tempo ↗
Fale Conosco FAQ