No futebol brasileiro, onde cada centímetro de contato pode dividir torcidas e abalar campanhas, a CBF escolheu a transparência como resposta à controvérsia: divulgou o áudio completo da cabine do VAR após a vitória do Flamengo sobre o Palmeiras por 3 a 2. Os árbitros de vídeo descreveram os lances contestados com vocabulário técnico — 'mão de referência', 'encontrão' — mas a linguagem da arbitragem e a linguagem da dor palmeirense continuam falando idiomas diferentes. Há vitórias que o placar registra e derrotas que nenhum áudio consegue apagar.
CBF divulga áudio do VAR: decisões em Flamengo 3x2 Palmeiras foram 'sem impacto'
Mão de referência, não tem impacto
Por que a CBF decidiu divulgar esse áudio agora? Isso é uma prática comum?
Não é. A confederação mudou seu protocolo justamente porque o Palmeiras e outros times reclamavam que essas análises ficavam escondidas. Esse jogo foi o catalisador — a pressão foi tanta que decidiram abrir os arquivos.
Mas abrir o áudio não significa que a decisão estava errada, certo? A CBF está dizendo "aqui está o que pensamos" — não está revisando o resultado.
Entendi. E quanto ao lance do Jorginho? Parece haver uma diferença real de interpretação?
Sim. O VAR viu como uma mão de apoio sem impacto. O Palmeiras vê como contato que deveria ter sido marcado. São duas leituras legítimas do mesmo gesto.
O problema é que "impacto" é subjetivo. Não há uma medida objetiva. Um árbitro diz que não tem impacto; outro poderia dizer que tem. Isso é o limite do que o áudio pode resolver.
E o segundo pênalti? Parece mais complicado.
É. Havia uma possível falta anterior, de Danilo sobre Vitor Roque. O VAR disse que ocorria fora da fase de ataque, então não deveria ser revista. Depois, o choque entre Pedro e Fuchs foi classificado como um encontrão, não uma falta clara.
Mas o Palmeiras tem um ponto: se Danilo cometeu falta, por que não importa que tenha sido "antes" da fase de ataque? Onde exatamente termina uma fase e começa outra? Isso também é interpretação.
Gustavo Gómez acusou o árbitro de ter predisposição contra o Palmeiras. Há base para isso?
Gómez estava frustrado, e a frustração é compreensível. Mas uma acusação de viés baseada em um jogo é difícil de sustentar. Seria preciso analisar o histórico de Wilton com o Palmeiras ao longo do tempo.
Exatamente. Uma acusação de "ele tem algo contra nós" é grave demais para ser feita em calor do momento. Se o Palmeiras quer formalizar uma reclamação, precisa de padrão, não de emoção.
Der Puls
- Dois lances polêmicos — uma mão de Jorginho e um choque entre Pedro e Fuchs — transformaram uma derrota esportiva em crise institucional para o Palmeiras.
- A CBF quebrou seu próprio protocolo de sigilo e tornou público o diálogo entre o árbitro Wilton Sampaio e a cabine do VAR, numa tentativa de conter a pressão crescente do clube paulista.
- O capitão Gómez chamou Wilton de 'soberbo' e sugeriu predisposição do árbitro contra o Palmeiras, enquanto Abel Ferreira comparou o pênalti confirmado a uma falta de ataque no basquete.
- Piquerez e o auxiliar técnico João Martins foram expulsos após o apito final por reclamações, ampliando o rastro de tensão para além dos noventa minutos.
- O Palmeiras deve formalizar queixas junto à Comissão de Arbitragem da CBF, mas o áudio divulgado, longe de pacificar, apenas tornou mais nítida a distância entre as interpretações.
No futebol brasileiro, onde cada centímetro de contato pode dividir torcidas e abalar campanhas, a CBF escolheu a transparência como resposta à controvérsia: divulgou o áudio completo da cabine do VAR após a vitória do Flamengo sobre o Palmeiras por 3 a 2. Os árbitros de vídeo descreveram os lances contestados com vocabulário técnico — 'mão de referência', 'encontrão' — mas a linguagem da arbitragem e a linguagem da dor palmeirense continuam falando idiomas diferentes. Há vitórias que o placar registra e derrotas que nenhum áudio consegue apagar.
A CBF abriu nesta segunda-feira os arquivos da vídeoarbitragem do clássico de domingo, divulgando o áudio completo da cabine do VAR durante a vitória do Flamengo sobre o Palmeiras por 3 a 2 no Campeonato Brasileiro. A decisão representou uma mudança de protocolo: conversas entre árbitros de campo e de vídeo eram, até então, mantidas em sigilo.
O primeiro lance polêmico aconteceu ainda no primeiro tempo, com o placar zerado. Jorginho encostou a mão em Gustavo Gómez, e o árbitro de vídeo Caio Max Augusto Vieira descreveu o gesto como uma 'mão de referência' — apoio sem impacto real, sem flexão que caracterizasse empurrão. Wilton Pereira Sampaio aceitou a análise e o jogo seguiu. O Palmeiras discordou, mas a interpretação da arbitragem prevaleceu.
O segundo lance consumiu três minutos de análise. Pedro e Bruno Fuchs se chocaram na área, e o Palmeiras alegava que uma falta anterior de Danilo sobre Vitor Roque deveria ter interrompido o ataque. A CBF entendeu que a infração ocorria antes da fase ofensiva e não cabia revisão. Quanto ao contato entre os dois jogadores, os árbitros o classificaram como 'encontrão' mútuo — com Fuchs buscando o choque — e confirmaram o pênalti após Fuchs pisar no pé de Pedro.
Abel Ferreira conteve a raiva na coletiva, mas foi direto: para ele, o lance seria falta de ataque no basquete, e a possível infração sobre Vitor Roque deveria ter sido considerada. Gómez foi mais incisivo, chamando Wilton de 'soberbo' e sugerindo que o árbitro teria alguma predisposição contra o clube. Piquerez e o auxiliar João Martins foram expulsos após o apito final por reclamações, estendendo a tensão para além do jogo.
A divulgação do áudio foi uma concessão da CBF, mas não fechou a ferida. O Palmeiras deve formalizar reclamações junto à Comissão de Arbitragem, e a distância entre a leitura técnica dos árbitros e a percepção palmeirense do jogo permanece, por ora, intransponível.
A Confederação Brasileira de Futebol abriu seus arquivos de vídeoarbitragem nesta segunda-feira, divulgando o áudio completo da cabine do VAR durante o clássico entre Flamengo e Palmeiras no domingo anterior. O time carioca venceu por 3 a 2 no Campeonato Brasileiro, mas o resultado deixou feridas abertas no lado palmeirense — dois lances polêmicos que o time paulista acreditava merecer revisão. A CBF, respondendo a pressões anteriores, decidiu tornar pública essa conversa entre o árbitro Wilton Pereira Sampaio e o responsável pela cabine de vídeo, Caio Max Augusto Vieira, uma mudança de protocolo que antes mantinha essas análises em sigilo.
O primeiro ponto de discórdia ocorreu ainda no primeiro tempo, com o placar zerado. Jorginho, do Flamengo, colocou a mão sobre Gustavo Gómez, zagueiro do Palmeiras. A questão era simples: pênalti ou não? Na cabine, Caio Max descreveu o gesto como uma "mão de referência" — apoio sem força, sem impacto real no movimento do adversário. "Os dois braços dele estão estendidos e não fazem a flexão com impacto para o empurrão", explicou o árbitro de vídeo. Wilton Sampaio concordou e deixou o jogo seguir. Para o Palmeiras, porém, havia contato suficiente. A interpretação da arbitragem prevaleceu.
O segundo lance, já no segundo tempo, consumiu cerca de três minutos de análise na cabine. Pedro, atacante do Flamengo, e Bruno Fuchs, defensor do Palmeiras, se chocaram na área. O Palmeiras reclamava de uma falta anterior, cometida por Danilo sobre Vitor Roque, que deveria ter interrompido a sequência de ataque. A CBF entendeu diferente. Caio Max explicou que a possível infração de Danilo ocorria antes da fase de ataque propriamente dita e, portanto, não deveria ser revista. Quanto ao contato entre Pedro e Fuchs, os árbitros de vídeo o descreveram como um "encontrão" — um choque onde ambos os jogadores se movimentavam um em direção ao outro. "Quem busca é o jogador de verde", disse um dos auxiliares, referindo-se a Fuchs. Pedro, segundo a análise, apenas se desvencilhava do defensor quando o contato ocorria. Fuchs, na sequência, pisou no pé de Pedro dentro da área. Pênalti confirmado para o Flamengo.
Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, ouviu a explicação com contenção na coletiva de imprensa, mas deixou clara sua discordância. Ele argumentou que Fuchs poderia ter evitado o contato e que, se o jogo fosse basquete, seria falta de ataque — uma infração do atacante que busca vantagem indevida. Ferreira também apontou a possível falta anterior sobre Vitor Roque como um ponto que deveria ter sido considerado. "Mas o árbitro é quem decide", concluiu, resignado.
A tensão do jogo transbordou para além do apito final. Wilton Sampaio expulsou Piquerez, lateral do Palmeiras, e João Martins, auxiliar técnico, por reclamações após o término da partida. Gustavo Gómez, capitão do time paulista e envolvido no primeiro lance polêmico, não conteve a frustração. Chamou Wilton de "soberbo" e acusou o árbitro de fechar o microfone para falar "besteiras" aos jogadores palmeirenses. Gómez, que está há quase oito anos no Brasil, foi além: sugeriu que Wilton Sampaio teria alguma predisposição contra o Palmeiras e seu sucesso. "Fico triste, acho ele um grande árbitro", disse, em tom que misturava decepção e ironia.
A tendência agora é que o Palmeiras formalize suas reclamações junto à Comissão de Arbitragem da CBF. A divulgação do áudio, embora tenha sido uma concessão da confederação, não resolveu a questão de fundo: a interpretação dos árbitros e a do time paulista seguem em caminhos distintos. O que era uma vitória clara para o Flamengo permanece, para o Palmeiras, um resultado manchado por decisões que seus dirigentes e jogadores consideram equivocadas.
Bemerkenswerte Zitate
Para mim, essa mão aqui é só uma mão de referência, não tem impacto— Caio Max Augusto Vieira, árbitro de vídeo
Estou há quase 8 anos no Brasil, meu parecer é que ele tem alguma coisa com o Palmeiras, com o sucesso do Palmeiras— Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras